Jornalismo digital ou ciberjornalismo é o jornalismo praticado na Internet, como suporte de rede de comunicação.

Em teoria, deverá recorrer a técnicas diferentes do jornalismo tradicional impresso. Há até discussões sobre a aplicação da tradicional técnica jornalística da pirâmide invertida na construção de notícias online, propondo o recurso a uma estrutura de blocos que permite que o leitor "construa" a sua leitura da notícia.http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joao-webjornalismo-piramide-invertida.pdf No entanto, não é ainda muito frequente a utilização do hipertexto, "Uma das mais poderosas ferramentas de publicação na Internet"http://www.poynter.org/content/content_view.asp?id=73151 (Steve Outing) em notícias online.O webjornalismo, jornalismo online, ciberjornalismo, jornalismo electrónico ou jornalismo digital é o jornalismo dos meios digitais, como CD-ROM e internet. Tendo sido, inicialmente, apenas uma versão dos jornais impressos veiculada na internet, o webjornalismo acabou por seguir trajetória diferente.

Definições Jornalismo online (JOL) pode ser definido como a coleta e distribuição de informações por redes de computadores como internet ou por meios digitais. Os holandeses Bardoel e Deuze usam um nome específico e adequado para esta produção: network journalism, o jornalismo em rede. Já o professor de jornalismo californiano Doug Millison pensa em uma abrangência maior:

Ainda há outras tecnologias que podem ser incluídas nesta lista: a edição de sistemas de ajuda (help) de computadores, como o Windows Help e o HTML Help, e apresentações de eslaides para palestras.

Características do JOL Independentemente de suas múltiplas definições.

cerca de 41% dos participantes apontaram que a instantaneidade é o que mais caracteriza o webjornalismo. A interatividade aparece em segundo lugar, com 28,11%. Já cerca de 19% apontaram que o fato das notícias ficarem arquivadas para pesquisa é o que mais chama a atenção (JORNALISTAS DA WEB, 2005).

Outros autores (ROCHA, 2000; PALACIOS, 2001b; MIELNICZUK, 2001) ampliam essa lista. Para eles, as características mais interessantes do Jornalismo online são:

Instantaneidade. Interatividade. Perenidade (memória, capacidade de armazenamento de informação) Multimediação, programação. Hipertextualidade. Personalização de conteúdo, customização.

Instantaneidade O grau de instantaneidade – a capacidade de transmitir instantaneamente um fato – das publicações em rede aproxima-se do atingido pelo rádio, o mais alto entre as três mídias tradicionais, seguido por TV e jornal. É muito rápido, fácil e barato inserir ou modificar notícias em formato binário. Apesar disso, algumas falhas podem ser detectadas, principalmente por conta da rapidez, já que muitas vezes a informação deixa de ser apurada da maneira mais completa. Em alguns casos, a falta de uma conferência anterior a publicação online também provoca a existência de inúmeros erros de português.

Perenidade Também conhecido como arquivamento ou memória. O material jornalístico produzido online pode ser guardado indefinidamente. O custo de armazenamento de informação binária é barato. É possível guardar-se grande quantidade de informação em pouco espaço, e esta informação pode ser recuperada rapidamente com busca rápida full text.

Interatividade Alguns autores (LEMOS, 1997; BONILLA, 2002) entendem por interatividade quando há comunicação mediada por tecnologias e interação quando não há mediação tecnológica entre os seres humanos. Por exemplo: uma conversa entre alunos e professor numa sala de aula ou amigos num bar é interação, já a interatividade é quando se usa um telefone, um correio (electrónico) e até mesmo uma carta escrita por uma caneta, em todos estes casos há uma tecnologia envolvida no processo comunicativo o que justifica a interatividade.

As mídias tradicionais sempre tiveram algum tipo de interatividade, como nas seções de cartas de jornais e TVs e nos telefonemas para programas de rádio (talk radio). Mas no JOL a interatividade atinge seu ponto máximo:

A escolha de vários "caminhos" para ler notícias é mais automatizada do que em mídias de papel. Embora leitores de mídia papel escolham seus próprios caminhos, constantemente (como em chamadas de capa de jornais), as hiperligações tornam a tarefa muito mais fácil. Na Web, o leitor pode enviar formulários com comentários sobre uma notícia e ver suas observações colocadas imediatamente à disposição de outros leitores. O leitor pode participar de votações sobre temas polêmicos. Entretanto, estes conceitos tratam do tema de maneira geral, devendo ser problematizados, pois a interatividade vem desdobrando-se em níveis cada vez mais complexos.

Multimediação, multimedialidade ou convergência

"A internet permite a utilização conjunta de várias linguagens, para além do texto e imagem estáticas presentes no Jornalismo tradicional"Comunicação e Jornalismo na Era da Informação (Gustavo Cardoso e Rita Espanha). O JOL usa vários tipos de mídia e de formatos de arquivos de computador. Se diz que é uma convergência de todas as mídias: Texto e hipertexto em computador. Áudio. Imagem estática (fotos) e em movimento (clipes de vídeo). Texto em papel (o conteúdo da internet frequentemente é impresso).

Hipertextualidade "Uma hiperligação, ou simplesmente ligação, é uma referência em um documento hipertextual para outro documento ou recurso. Como tal, ele é similar às citações em literatura.

Por exemplo, clicando na hiperligação Instituto Poynter, instruir-se-lhe-á o browser a buscar e a apresentar em sua tela as informações que formam a página Web do instituto de ensino de Jornalismo. Este link azul sublinhado é representado assim no texto interno da página Web: <A href="http://poynter.org/">Instituto Poynter</A>

A marca "<A ... >" significa âncora de hipertexto. "href" é a referência hipertexto, no caso, um endereço Web. "Instituto pointer" é o texto que vai responder ao clic do mouse "</A>" indica o fim do link.

Usar hiperligações é chamado de "navegar", em português brasileiro, em função do programa Netscape Navigator.

O uso de hiperligações em conteúdo multimídia (áudio, vídeo, fotos, animações) é chamado de hipermídia. Tecnicamente, não há diferenças em fazer ligações em texto ou em imagens.

Palacios e Mielniczuk (2001) argumentam que a ligação pode ser considerado um elemento paratextual.

Mídias tradicionais também usam hiperligações, como o sistema de sumário e número de páginas de livros, os sistema de organização da Bíblia, as chamadas de capa de jornais.

Personalização de conteúdo

A personalização do conteúdo no ciberjornalismo passa a ter a função de "tela inteligente". Já que as informações que os leitores buscam em determinados sites ou plataformas serão gravadas para próximas pesquisas. Por exemplo, no Google, as coisas que foram pesquisadas são salvas e logo depois surgem pesquisas relacionadas sem precisar esforço do usuário. O usuário pode também se cadastrar e receber apenas as notícias selecionadas etc.

Fases do Jornalismo Digital Os estudos recentes sobre jornalismo online (REGES, 2010) abrem espaço para uma falta de padronização, o que possibilita que ele se classifique como primeira, segunda, terceira e quarta gerações, que são as chamadas fases do jornalismo online. Para Barbosa (2003) ainda há uma quinta geração do jornalismo online.

Primeira geração Nesta fase, para Mielniczuk (2003), os conteúdos dos jornais de grande circulação no Brasil que tinham condições de manter uma página na internet eram simplesmente transferidos para a web, sem nenhum tipo de adaptação (seja de linguagem ou de conteúdo) para esse tipo de suporte. Os conteúdos desses portais eram atualizados a cada 24 horas. Além disso, as rotinas produtivas nas redações era muito semelhantes às dos veículos impressos. Por isso, essa primeira fase também pode ser chamada de fase de transposição ou reposição.

Segunda geração Apesar do avanço das tecnologias e da melhoria da internet no Brasil, ainda se percebia uma ligação dos portais aos seus jornais impressos. No entanto, notava-se a tentativa de produzir um conteúdo específico para a web e uma maior exploração das possibilidades do suporte. A linguagem e a rotina ainda eram as dos veículos impressos. Por esse motivo, essa fase também pode ser conhecida como a fase da metáfora (MIELNICZUK, 2003).

Terceira geração Neste momento, é possível notar um esforço maior para produzir um conteúdo original e estruturado especialmente para a internet, pois explora mais suas potencialidades. Alcançar o estágio de terceira geração também não é uma transição equilibrada; algumas barreiras já foram ultrapassadas e outras estão no limiar. [...] Só com o decorrer do tempo e com o desenvolvimento de pesquisas que contemplem questões tanto teóricas quanto práticas, além de experimentações de naturezas das mais variadas, é que vamos descobrir o que virá a ser, de fato, o webjornalismo (MIELNICZUK, 2004, p. 14).

Quarta geração Shwingel (2005) diz que o jornalismo feito para os meios digitais pode ser caracterizado, nesta fase, principalmente pela utilização de tecnologias de banco de dados associados a sistemas automatizados para a apuração, edição e veiculação de informações, com o intuito de industrializar o processo de produção.

Quinta geração Para Barbosa (2003) vivemos hoje o que ela chama de quinta geração do jornalismo digital. Esta fase pode ser caracterizada pela crescente produção de conteúdo para as redes sociais, aliadas ao crescente uso de smartphones e tablets. Assim, veículos impressos migram para as redes sociais e passam a difundir seu conteúdo a partir de suas potencialidades.

Credibilidade no JOL A confiabilidade do jornalismo online (sobretudo em blogs) é questionada desde o seu surgimento. Isso acontece porque na internet, com o surgimento de blogs, qualquer pessoa pode se tornar produtora de informações, e estes nem sempre obedecem à ética jornalística. Com isso, nem sempre obedece-se a objetividade, valor importante e buscado no jornalismo tradicional.

Segundo Christofoletti, "essa nova mídia carrega traços do conceito tradicional de credibilidade jornalística e ainda se vale de novos sistemas de reputação, originados e fortalecidos na Internet". Ele se refere à popularidade na rede, que pode render mais autenticidade a certas pessoas ou portais devido à indicação destes pelo público, mesmo que estes não possuam informações necessariamente credíveis. Entretanto isto pode ser problematizado por considerar a fiabilidade em um patamar apenas da popularidade, e não da verdade e objetividade jornalísticas, os quais, ao lado da credibilidade, constituem os fundamentos do jornalismo.

Ainda que alguns teóricos tenham demorado a considerar blogs como uma forma legítima de jornalismo, o meio da internet tem sido muito importante para a divulgação de informações e notícias. No entanto, para que um blog seja considerado ferramenta jornalística ele precisa ter características fundamentais da profissão, tais como periodicidade, atualidade, interesse público e diversidade de conteúdo. Por essa razão, os conteúdos veiculados em blogs devem possuir alguma frequência, além de abordarem assuntos atuais que interessam à sociedade ou a determinado público (interesse público e interesse do público).

Segundo a pesquisa Belo Interactive, feita nos Estados Unidos em 2006, os usuários da internet condicionam o consumo de informações a outras mídias, mas sinalizam que a confiança nos conteúdos da web vem crescendo. Entretanto a Pesquisa Brasileira de Mídia de 2016 constatou que os blogs ainda têm dificuldade em comprovar sua credibilidade mediante o público. O veículo considerado mais confiável é o jornal impresso. O rádio vêm em segundo lugar; a televisão em terceiro lugar; as revistas em quarto; os sites em quinto; as redes sociais em sexto lugar e os blogs em sétimo.

Influência da mídia eletrônica sobre o JOL