thumb|right|200px|Diagrama de suportes de madeira para mísulas ("Dougong") sustentando um teto multi-inclinado, de Yingzao Fashi (1103 d.C.). A arquitetura chinesa refere-se ao estilo de arquitetura que tomou forma na China ao longo dos séculos. A maior parte dos princípios estruturais da arquitetura chinesa permaneceram inalterados, e as principais variações se dando apenas nos detalhes decorativos. Desde a dinastia Tang a arquitetura chinesa teve uma influência decisiva nos estilos arquitetônicos. Para cada fonte de informação - literária, gráfica, exemplar - existem fortes evidências testemunhando o fato de que os chineses sempre empregaram um sistema indígena de construção que manteve suas principais características, desde os tempos pré-históricos até o presente. Ao longo da vasta área que vai do Turquestão chinês ao Japão, da Manchúria à metade norte da Indochina francesa, o mesmo sistema de construção prevalece; e esta era uma área de influência cultural chinesa. Que este sistema de construção possa ter se perpetuado por mais de quatro mil anos ao longo de um território tão vasto e ainda assim permaneça uma arquitetura viva, que mantém suas características principais apesar das repetidas invasões estrangeiras - militares, intelectuais e espirituais - é um fenômeno comparável apenas à continuidade da civilização da qual ela é uma parte integral."Liang, Ssu-ch'eng 1984, A pictorial history of Chinese architecture : a study of the development of its structural system and the evolution of its types, ed. por Wilma Fairbank, Cambridge (Mass.): MIT Press.
Este artigo dá uma explicação rápida da arquitetura tradicional chinesa antes da introdução dos métodos de construção ocidentais, durante o início do século XX. Ao longo deste século, no entanto, arquitetos chineses educados no Ocidente tentaram combinar desenhos tradicionais chineses em edifícios modernos, quase sempre governamentais, com sucesso apenas limitado. Além disso, a pressão pelo desenvolvimento urbano por toda a China contemporânea exige uma maior velocidade de construção e um coeficiente de ocupação do solo mais elevado, o que significa que nas grandes cidades a demanda pelos edifícios tradicionais chineses, que normalmente têm menos de três andares, vem caindo e dando lugar à arquitetura moderna. No entanto, as capacidades tradicionais exigidas pela arquitetura chinesa, como a carpintaria, a alvenaria e a cantaria, ainda são aplicadas à construção da arquitetura vernácula na vasta área rural do país.
Características thumb|right|200px|Modelo de siheyuan chinês em Pequim, que mostra os conceitos típicos da arquitetura chinesa, como simetria e geomancia. right|200px|thumb|Pingyao, no estilo arquitetônico Ming/Qing, em Shanxi.
Existem certas características comuns à maior parte da arquitetura chinesa, independente de sua específica região de origem ou ao uso ao qual à construção é destinada:
Ênfase horizontal A mais importante destas características é a ênfase no eixo horizontal, em particular na construção de uma plataforma pesada e um grande telhado que "flutue" sobre esta base, com as paredes verticais não tão enfatizadas. Isto contrasta com a arquitetura ocidental, que tende a crescer em tamanho e profundidade. A arquitetura chinesa enfatiza o impacto visual da largura dos prédios. Os salões e palácios da Cidade Proibida, por exemplo, têm tetos relativamente baixos se comparados aos edifícios equivalentes no Ocidente, porém a sua aparência externa sugere a natureza onicompreensiva da China imperial. Estas ideias aos poucos também foram levadas à arquitetura ocidental moderna.Weston, Richard (2002), Utzon, Edition Blondal, pp. 221, ISBN 978-8788978988
Esta característica, obviamente, não se aplica aos pagodes - que, de qualquer maneira, são relativamente raros e limitados aos complexos de edifícios religiosos.
Os pagodes são uma característica fortíssima na arquitetura chinesa.
Simetria bilateral Outra característica importante é sua ênfase na articulação e simetria bilateral, que indica equilíbrio. A simetria bilateral e a articulação dos edifícios é onipresente na arquitetura chinesa, de complexos palacianos à humildes casas de fazenda. Quando possível, projetos de reformas e extensões de uma casa procuram seguir e manter esta simetria, se o proprietário puder custear esta manutenção.
Contrastando com seus edifícios, os jardins chineses são uma exceção notável, tendendo a ser assimétricos. O princípio que está sob a composição dos jardins é o de criar um fluxo duradouro e emular a natureza.
Hierarquia A estrutura hierárquica, a importância e a utilização dos edifícios, na arquitectura tradicional chinesa, dependem sempre estritamente do posicionamento dos próprios edifícios nos lotes ou nos conjuntos. Prédios com portas na frente do imóvel são considerados mais importantes do que aqueles voltados para as laterais; os edifícios mais afastados da frente do imóvel são os menos importantes.
No entanto, os edifícios nas traseiras, parte mais privada da propriedade, são tidos em maior estima e reservados aos familiares mais velhos, em comparação com os edifícios da frente, que normalmente são utilizados para empregados. Em complexos com mais pátios, o pátio central e os edifícios que o rodeiam são considerados mais importantes do que os periféricos, normalmente utilizados como armazéns ou cozinhas.
Espaços cercados As práticas contemporâneas arquitetónicas do Ocidente tipicamente envolvem um edifício que é cercado por um jardim ou espaço aberto em sua propriedade. Estas práticas contrastam com a maior parte da arquitetura tradicional chinesa, que constrói edifícios ou complexos de edifícios que ocupam toda a propriedade, porém contém em seu interior espaços abertos, que podem ter duas formas: o pátio aberto (院) e o "poço do céu" (天井).
O uso de pátios abertos é uma característica comum às muitas variantes da arquitetura chinesa, porém pode ser melhor exemplificada no Siheyuan, que consiste de um espaço vazio cercado por edifícios que são ligados uns aos outros diretamente ou através de varandas. thumb|right|Paifang da Chinatown de Boston (Estados Unidos), exemplo de arquitetura chinesa no Ocidente. Embora grandes pátios abertos sejam menos encontrados na arquitetura do sul da China, o conceito de um "espaço aberto" cercado por prédios, que é visto nos complexos do norte do país, pode ser visto nas estruturas tipicamente meridionais conhecidas como "poço do céu". Esta estrutura é, essencialmente, um pátio relativamente cercado formado pelas intersecções de edifícios próximos uns aos outros, e oferece uma pequena abertura para o céu através do espaço entre os telhados a partir do chão.
Estes espaços cercados servem para controlar a temperatura e a ventilação nos complexos de edifícios. Os pátios do norte do país costumam ser abertos e voltados para o sul, de maneira a permitir o máximo de exposição das janelas e paredes do edifício ao Sol, ao mesmo tempo em que impede a entrada dos frios ventos setentrionais. Já os "poços do céu" do sul do país são relativamente pequenos e servem para coletar água da chuva dos telhados ao mesmo tempo em que restringe a quantidade de luz que entra no edifício. Os "poços de luz" também servem como respiradouro para permitir que o ar quente se desloque para cima, empurrado pelo ar frio dos andares mais baixos da casa e de fora dela.
Geomancia Noções de feng shui e conceitos míticos do taoísmo costumam estar presentes na construção e nos projetos da arquitetura chinesa, desde residências comuns até estruturas religiosas e imperiais. Entre estas estão: Telas ou paredes voltadas diretamente para a entrada principal da casa, que se originaram com a crença de que as coisas más se deslocam em linhas retas. Talismãs ou imagens de deuses de porta mostradas nas portas, para espantar o mal e encorajar a circulação da boa fortuna. Orientar a estrutura de maneira que ela tenha sua parte traseira voltada a um terreno elevado e assegurando-se de que haja água em sua frente. Também se fazem considerações para que a parte traseira, geralmente sem janelas, seja voltada para o norte, onde o vento é mais frio durante o inverno. Lagos, piscinas, poços e outras fontes de água costumam ser construídas na estrutura.
O uso de determinadas cores, números e pontos cardeais na arquitetura tradicional chinesa reflete a crença num tipo de imanência, onde a natureza de alguma coisa pode estar contida completamente em sua própria forma. Embora a tradição ocidental tenha desenvolvido gradualmente um corpo de literatura arquitetónica, pouco se escreveu sobre o assunto na China, e o primeiro texto conhecido, o Kaogongji, nunca foi contestado. Ideias sobre harmonia côsmica e a ordem da cidade eram interpretados habitualmente nos seus níveis mais básicos, de maneira que uma reprodução de uma cidade "ideal" nunca existiu. Pequim, da maneira como foi reconstruída ao longo dos séculos XV e XVI continua sendo o melhor exemplo do planejamento urbano tradicional chinês.
Construção Estruturas
thumb|right|200px|Exemplos de mortagem e cavilha em tirantes e vigas transversais, do manual Yingzao Fashin, de Li Jie, impresso em 1103. thumb|right|200px|Modelos de torres de observação e outros edifícios construídos durante a dinastia Han Oriental (25–220 d.C.); enquanto estes modelos foram feitos de cerâmica, as versões reais foram feitas com madeiras facilmente perecíveis, e não sobreviveram. Uso de grandes vigas estruturais que fornecem o suporte primário do telhado do edifício. Vigas de madeira, normalmente grandes troncos, são usados como colunas, para suportar cargas, e vigas laterais que emolduram os prédios e sustentam os telhados. Estas vigas e colunas estruturais são exibidas com destaque sempre que economicamente possível. As estruturas lígneas costumam ser construídas apenas na base do encaixe e de cavilhas, quase nunca se utilizando de cola ou pregos. A estabilidade estrutural é reforçada através do uso de telhados e vigas pesadas, que apoiam todo seu peso sobre a estrutura. O uso de números pares de colunas na estrutura de um edifício de modo a produzir um número ímpar de tramos (間). Com a inclusão de uma porta principal para um dos edifícios no tramo central, a simetria é mantida. O uso comum de peles de vidro e biombos para delinear os cômodos ou encerrar o edifício, com ênfase em paredes que suportem muito peso nas construções de padrão mais elevado. Telhados planos são incomuns, enquanto telhados de duas águas são quase onipresentes na arquitetura chinesa tradicional. Três tipos de telhados podem ser encontrados: Inclinado reto: Telhados com uma única inclinação. São os mais econômicos e mais difundidos entre a arquitetura mais popular. Multi-inclinado: Telhados com duas ou mais se(c)ções inclinadas. São usados em construções de padrão mais elevado, desde a morada de populares ricos a palácios. Curvo: Telhados com uma curvatura que se acentuam nas quinas. Este tipo de construção é reservado para templos e palácios, embora também possa ser encontrado na casa dos ricos. Em casos de edifícios de destaque as vigas são ricamente decoradas com figurinhas de cerâmica. O ponto mais alto do telhado no salão principal do edifício costuma ser decorado com uma fileira de telhas que tem tanto propósito decorativo quanto o de servir como peso sobre as camadas de telhas, fornecendo estabilidade. Estas fileiras são bem decoradas, especialmente em estruturas religiosas ou palacianas. Em algumas regiões da China, estas fileiras são por vezes prolongadas ou incorporadas às paredes do edifício, formando matouqiang ("paredes cabeça-de-cavalo"), que servem como uma maneira de se proteger do fogo gerado por brasas que pudessem ser arremessadas.
Materiais e história