The Circus Starring Britney Spears foi a sétima turnê da artista musical estadunidense Britney Spears, em suporte de seu sexto álbum de estúdio Circus (2008). Após o lançamento do quinto disco de Spears Blackout em outubro de 2007, circularam rumores de que Spears estaria planejando uma turnê mundial; contudo, foi cancelada por razões desconhecidas. A digressão foi oficialmente anunciada em dezembro de 2008, com datas das etapas norte-americanas e britânicas sendo reveladas. O palco era composto de três anéis e definido como in-the-round para se assemelhar a um circo real. Os designers de moda Dean e Dan Caten criaram os figurinos da excursão. Uma tela cilíndrica gigante foi feita acima do palco como um dos planos de fundo, onde eram transmitidos interlúdios. Os efeitos especiais foram fornecidos por Solotech. O mágico Ed Alonzo fez parte da turnê durante o seu segundo segmento. O repertório foi composto geralmente por faixas dos álbuns In the Zone, Blackout e Circus. Spears anunciou que ela faria uma turnê pela Austrália pela primeira vez em Junho de 2009.
A turnê foi descrita como uma "extravagância pop" e foi divida nos segmentos The Circus, House of Fun (Anything Goes), Freakshow-Peepshow, Electro Circ e o bis. O primeiro apresentou uma metamorfose de Spears de uma mestre para uma escrava, enquanto está sendo cercada por diferentes artistas. O segundo exibiu uma série de números com temas diferentes, incluindo mágicas e militares, e terminava com uma apresentação inspirada em Bollywood e uma balada em que Spears a apresentava flutuando em um guarda-chuva gigante. O terceiro bloco apresentou um interlúdio com música heavy metal e continha com performances obscuras e sexuais. O segmento seguinte exibia rotinas de dança enérgicas e o final consistia em uma montagem de vídeos musicais de Spears e uma apresentação com tema policial. Algumas mudanças foram feitas para os showss em toda a turnê. Várias canções foram remixadas. Spears também interpretou "Mannequin" em concertos europeus selecionados e regravou canções de Duffy e Alanis Morissette em algumas datas na América do Norte.
A digressão recebeu análises mista por parte da mídia especializada, a qual prezou sua estética e a consideraram como um show divertido, enquanto outros criticaram a falta do envolvimento de Spears durante alguns segmentos. Foi um sucesso comercial, lucrando um total de US$ 131.8 milhões (US$ 144.8883.915 em 2014). Um grande número de ingressos foram vendidos dentro em sua semana de lançamento, o que levou a adição de mais datas. A turnê também quebrou recordes de comparecimento em muitas cidades, com todos os shows norte-americanos sendo vendidos. Tornou-se a quinta maior em bilheteria de 2009, bem como a quinta maior bilheteria de uma artista feminina. Os espetáculos australianos geraram controvérsia depois que um repórter relatou que um grande número de fãs deixaram as apresentações antes do final devido ao Spears usar playback. No entanto, isso foi posteriormente negado pelo gerenciamento de Spears e por seus promotores.
Antecedentes e anúncio thumb|right|"Circus" foi interpretada como o número de abertura. Em 9 de setembro de 2007, Spears abriu os MTV Video Music Awards de 2007 com uma apresentação de "Gimme More", primeira faixa de trabalho de seu quinto álbum de estúdio Blackout (2007). Sua última interpretação ao vivo ocorreu em maio do mesmo ano durante a turnê residencial The M+M's Tour. Os vocais, os passos de dança e o figurino de Spears foram comentados negativamente, com muitos considerando que foram prejudiciais à sua carreira. Nas semanas iniciais do mês seguinte, foi relatado por periódicos como a Rolling Stone e o The Hollywood Reporter que Spears estaria planejando uma turnê mundial em razão de divulgação do disco, cuja notícia foi negada pela então gravadora de Spears, Jive Records. Em fevereiro do ano seguinte, foi noticiado que Spears já ensaiado em particular por um mês no Millenium Dance Complex — situado em Los Angeles, Califórnia — e que estaria deixando a Europa nas semanas seguintes para uma digressão mundial. Entretanto, tal excursão foi cancelada, cujos motivos não foram revelados. Após a rádio nova-iorquina Z100 estrear seu single "Womanizer" em 26 de setembro de 2008, Spears apareceu inesperadamente no programa radiofônico que estreou a faixa, e anunciou que iria embarcar em uma turnê mundial no ano de 2009, em suporte de seu sexto álbum de estúdio, Circus (2008). Os concertos foram promovidos pela AEG Live. O coreógrafo australiano Wade Robson (que havia trabalhado com Spears em outras turnês) disse que a turnê visitaria os Estados Unidos, o Reino Unido, e possivelmente, a Austrália.
Depois de suas performances feitas no programa televisivo matinal Good Morning America de 2 de dezembro de 2008 — dia de seu aniversário de 27 anos —, Spears anunciou oficialmente a primeira etapa da turnê, formada por vinte e cinco concertos nos Estados Unidos e dois no Reino Unido, e também disse que a excursão teria início no dia 3 de março de 2009, iniciando-se na cidade de Nova Orleans. O grupo feminino The Pussycat Dolls foi selecionado como o ato de abertura da primeira etapa norte-americana da digressão. O empresário de Spears Larry Rudolph disse que os shows fariam "as mentes das pessoas se explodirem, e prometem ser shows que os fãs [de Britney] não vão esquecer". Ele acrescentou que "ela vai estar em toda velocidade durante todo o show — cerca de uma hora e meia. É bastante intenso. Este é um show de Britney Spears inteiramente desabrochado. É uma extravagância pop. É tudo que todo mundo espera dela — e muito mais!". Em 28 de abril de 2009, foram adicionadas oito datas europeias. No dia seguinte, foram adicionadas quatro datas na Rússia, na Polônia e na Alemanha. Em 9 de junho de 2009, Spears anunciou que faria uma turnê pela Austrália pela primeira vez, com shows agendados para novembro. Seis datas foram inicialmente adicionadas. Spears disse que "queria fazer uma turnê na Austrália há algum tempo e agora isso está finalmente acontecendo. Minha turnê [The] Circus [Starring Britney Spears] é o melhor show que eu já criei e eu não posso esperar para apresentá-la a todos os meus fãs australianos. Vejo vocês em breve!". No dia seguinte, foi anunciado em sua página oficial que ela iria retornar à América do Norte para uma segunda etapa, visitando vinte cidades. Também circularam rumores de que a digressão teria datas em países da América do Sul, como o Brasil, o Chile e Argentina. Entretanto, Adam Leber, gerente de Spears, negou tais alegações, apesar dos esforços de Spears e de sua equipe para visitar o continente.
Desenvolvimento e caracterização thumb|left|220px|Spears apresentou "Piece of Me" trancada em uma jaula dourada. Em outubro de 2008, Spears contratou Wade Robson — que já havia trabalhado como coreógrafo do vídeo musical de "I'm a Slave 4 U" e diretor da excursão Dream Within a Dream Tour — para dirigir a turnê; ele anunciou que os ensaios teriam início em janeiro. Sua esposa, Amanda Robson, foi contratada como co-diretora criativa. Andre Fuentes foi escolhido como o coreógrafo principal. No entanto, em 23 de dezembro de 2008, Robson e Fuentes foram substituídos por motivos desconhecidos por Jamie King, que já colaborou com Spears na Oops!... I Did It Again World Tour, sua primeira digressão mundial. Ele concebeu o elenco dos bailarinos e dos acrobatas, e trabalhou com Spears na seleção do repertório e nas coreografias. King descreveu o show como "sensual, divertido, explosivo e cheio de surpresas. Evitando tais elementos circenses tradicionais, como animais vivos, nós criamos algo inovador e emocionante usando contorcionistas, dançarinos, iluminação, fogo e outros efeitos especiais". Simon Ellis foi contratado como o diretor musical. O design de produção foi feito pela equipe Road Rage, formada por Nick Whitehouse, Bryan Leitch, William Baker e Steve Dixon. O design de iluminação foi feito pela Light Visual, formada por Whitehouse e Leitch. O palco foi desenhado por Road Rage e definido como in-the-round, com um grande círculo pintado no centro para parecer um alvo. Também havia dois satélites nas laterais, unificados por pequenas passarelas para se assemelhar a um verdadeiro circo. O palco foi construído pela Tait Towers e incluiu nove elevadores, que custaram um total de US$ 10.000.000. 3.000 bolas rolantes estiveram no palco, embaladas em 32 semis; foi necessária uma equipe de 150 pessoas para configurá-las. Uma tela semitransparente de cilindro Element Labs Stealth estava acima do palco, comprimindo 960 painéis que a Solotech construiu em molduras personalizadas. Os cenários foram desenhados por Dirk Decooedt. Três interlúdios foram filmados exclusivamente para a turnê: um vídeo de abertura com Perez Hilton, um vídeo de Spears regravando a versão de Marilyn Manson da canção "Sweet Dreams (Are Made of This)" e uma montagem final. Os três vídeos foram criados por Veneno. Os objetos contidos no palco, incluindo balanços, sofás, monociclos, postes de strip-tease, uma gaiola dourada e molduras gigantes, foram desenhados pela ShowFX Inc., que também forneceu sofás VIP customizados e forrados que limitaram o perímetro do palco. A VYV providenciou o controle de vídeo, que incluiu dois Photon, servidores de mídia de shows, além de dois controladores de fóton. Os servidores levaram timecodes para os espetáculos e envolveram as imagens ao redor da tela de discrição. Emric Epstein, membro da equipe, explicou que "os servidores e os softwares nos permite controlar um grande número de camadas de vídeo no telão de LED de 360º, composto das camadas em tempo real, e que transformam o resultado final, de modo que tudo pareça perfeito depois de passar os controladores de LED. Há também uma pré-visualização 3D surpreendente do palco e telões de vídeo do software para que você possa controlar ou reprogramar o show sem estar dentro da arena".
thumb|right|Na apresentação de "Boys", Spears apareceu vestida com um uniforme militar.