Guilherme Almor de Alpoim Calvão OTE • MOVM • 2 MPCG • CvA • MPSD • MSMM • MOCE (Chaves, Rua do Dólar, – Cascais, Cascais, ) foi um militar português, um dos mais condecorados oficiais das Forças Armadas Portuguesas durante o Estado Novo. No pós 25 de abril de 1974, participou no golpe de 11 de março de 1975, tendo de sair de Portugal, e liderou militarmente a organização terrorista MDLP.

Biografia Filho de Guilherme de Faria Calvão e de sua mulher Virgínia de Montalvão e Alpoim Gordilho.

Carreira militar Ingressou na Escola do Exército em 1953 e fez o curso de Marinha da Escola Naval entre 1954 a 1957. Em 1959, frequentou o Clearance Diving Course a bordo do HMS Vemon, e em 1962 concluiu o curso de especialização em submersíveis, tendo ainda concluído em 1966 o Curso Geral Naval de Guerra. Como mergulhador, participou em 1965 no resgate da fragata Dom Fernando II e Glória. Participou na Guerra Colonial Portuguesa, sendo conhecido por ter sido o comandante da célebre invasão da Guiné-Conacri em 22 de novembro de 1970. Na Marinha, chegou a Capitão de mar e guerra, tendo recebido dezasseis louvores ao longo da sua carreira. Foi convidado a fazer parte do movimento militar que levou à Revolução de 25 de Abril, mas recusou-se a participar na mesma. Sobre a razão que o levou a não participar, Alpoim Calvão afirmou mais tarde:

Golpe de 11 de março de 1975 e MDLP Participou no fracassado golpe de 11 de Março de 1975, tendo fugido para Espanha seis dias depois. Devido a isso, acabou por ser expulso das Forças Armadas Portuguesas pelo Decreto-Lei n.º 147-D/75 de 21 de março de 1975.

Já no exílio, associou-se ao Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) de António de Spínola, um grupo de ação política anticomunista que levou a cabo centenas de ações violentas contra membros de partidos de esquerda entre 1975/1976. O académico Riccardo Marchi atribui-lhe o desenho da estrutura hierárquica e que teria ficado com o comando da ala militar. Em 1994, em entrevista a Maria João Avillez para o Público e em 2012, ao Correio da Manhã assumiu a responsabilidade de centenas de bombas e ataques até ao 25 de Novembro de 1975. Alega que os ataques posteriores resultaram de "nem todos os operacionais aceitaram depor as armas", o que é inconsistente com estes, maioritariamente motivados por dinheiro (Miguel Sousa Tavares, Expresso, 1981)Carvalho, Miguel (2017). Quando Portugal ardeu. Histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril. [S.l.]: Oficina do Livro. ISBN 9789897416675 precisarem de financiamento e ordens.

Após a fuga de Portugal radicou-se no Brasil, tendo-se diplomado em administração de empresas no Rio de Janeiro em 1977 e feito o curso de piloto de aviões monomotores.

Normalização Voltou pela primeira vez a Portugal em 1978, tendo sido reintegrado nas Forças Armadas Portuguesas nesse mesmo ano, passou à reserva em 1986 e à reforma em março de 1990.

Nos últimos anos de vida, vivia entre Cascais e a Guiné-Bissau, onde tinha uma fábrica de transformação de caju e onde fundou a Liga de Combatentes das Forças Armadas Especiais Portuguesas na Guiné-Bissau. Enquanto mecenas, contribuiu em 1996 para o restauro da fragata Dom Fernando II e Glória, adquiriu e doou ao Museu de Marinha em 1999 o altar portátil que acompanhou a primeira expedição portuguesa para a Índia, e em 2014 doou à Marinha o seu espólio documental, uma semana antes da sua morte.

Faleceu no Hospital de Cascais a 30 de setembro de 2014, vítima de doença prolongada. As suas cinzas foram atiradas ao mar a partir da fragata NRP Corte Real, numa cerimónia onde participaram familiares e o chefe de Estado-Maior da Armada.

Cargos Alpoim Calvão exerceu os seguintes cargos ao longo da sua carreira: Comandante do DFE 8 (Destacamento de Fuzileiros Especiais n° 8) Comandante das Instalações Navais de Vale de Zebro Director de Instrução da Escola de Fuzileiros Comandante da Polícia Marítima Comandante do COP 3 (Comando Operacional n° 3 Guiné) Comandante dos Grupos Operacionais 2, 3 e 4 da Guiné Chefe do Centro de Operações Especiais do Comandante Chefe da Guiné Director do Gabinete de Estudos de Guerra Subversiva Administrador da Fábrica de Explosivos da Trafaria Presidente da Federação Portuguesa de Remo (1973/74) Presidente da Comissão Central de Árbitros Administrador da Companhia de Pólvoras e Munições de Barcarena

Condecorações Alpoim Calvão recebeu as seguintes condecorações: Distintivo da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito Medalha de Ouro de Valor Militar com Palma Duas Medalhas Militares de 1.ª Classe da Cruz de Guerra Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra Colectiva Medalha Militar de Prata de Serviços Distintos Medalha de 2.ª Classe de Mérito Militar Oficial da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, com Palma (23 de julho de 1970) Cavaleiro da Ordem Militar de São Bento de Avis (17 de maio de 1972) Medalha Militar de Promoção por Distinção em Combate Medalha de Ouro da Ordem do Infante D. Henrique Medalha Militar de Ouro de Comportamento Exemplar do Comandante do Corpo de Fuzileiros (6 de julho de 2010)

Obra Alpoim Calvão é autor dos seguintes livros, para além de ter publicado dezenas de artigos em jornais e revistas: De Conakry ao MDLP Contos de Guerra O 11 de Março - peças de um processo

Ligações externas

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