Madrid ou Madri (apenas em português brasileiro) ( , ) é a capital e a maior cidade da Espanha. Em o município tinha habitantes e a sua área metropolitana tinha cerca de 6,8 milhões de habitantes. É a segunda maior cidade da União Europeia (UE), depois de Berlim, e sua área metropolitana é a segunda maior da UE, depois de Paris.Eurostat, UrbanAudit.org . Dados de 2004. Acessado em 16 de dezembro deBrinkoff, Thomas "Principal Agglomerations of the World". 1 de janeiro de 2009.United Nations Department of Economic and Social Affairs, World Urbanization Prospects (2007 revision), (United Nations, 2008), Table A.12. Data for 2007. A área urbana da capital espanhola abrange um total de 604,3 de km2.

A cidade está localizada nas margens do rio Manzanares, no centro do país e da Comunidade de Madrid (que compreende a cidade de Madrid, a sua área urbana e seus subúrbios); esta comunidade faz fronteira com as comunidades autônomas de Castela e Leão e de Castela-Mancha. Como capital nacional, sede do governo e residência do monarca espanhol, Madrid é também o centro político, econômico e cultural da Espanha. O atual prefeito é José Luis Martínez-Almeida, do Partido Popular (PP). A cidade abriga a sede da Organização Mundial do Turismo (OMT) — pertencente à Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e do Public Interest Oversight Board (PIOB). Madrid também abriga importantes instituições internacionais reguladoras da língua espanhola, como a Real Academia Espanhola (RAE) e o Instituto Cervantes.

A metrópole espanhola tem o terceiro maior produto interno bruto (PIB) entre as cidades da União Europeia e sua influência em política, educação, entretenimento, meio ambiente, mídia, moda, ciência, cultura e artes contribui para o seu estatuto como um dos principais centros urbanos do mundo. Devido à sua produção econômica, ao alto padrão de vida e ao tamanho do seu mercado consumidor, Madrid é considerada o maior centro financeiro do Sul da Europa e da Península Ibérica, além de sediar a grande maioria das principais empresas espanholas, como Telefónica, Repsol e Iberia. Madrid é a décima cidade mais habitável do mundo segundo a classificação de 2010 da revista Monocle, além de ter sido considerada uma das 12 cidades mais verdes da Europa no mesmo ano.

Apesar de possuir uma infraestrutura moderna, a cidade preservou muitos dos seus bairros e ruas históricas. Entre os seus marcos estão o Palácio Real de Madrid; o Teatro Real; o Parque do Retiro, fundado em 1631; o edifício da Biblioteca Nacional da Espanha, fundada em 1712; vários museus nacionais e o chamado "Triângulo de Ouro da Arte", localizado ao longo do Paseo del Prado e composto por três importantes museus de arte: o Museu do Prado, o Museu Rainha Sofia e o Museu Thyssen-Bornemisza. A Praça de Cibeles também se tornou um dos principais símbolos da cidade.

Etimologia Durante o reinado de , foi construído o Real Alcázar de Madrid onde hoje está localizado o Palácio Real de Madrid. Em torno desse edifício desenvolveu-se uma povoação moura de poucos habitantes chamada al-Mudaina, onde corria o rio Manzanares, que era chamado pelos muçulmanos de (, "fonte de água"). O nome evoluiu para Majerit e mais tarde transformou-se em Madrid.

História

Idade Média e Moderna

Embora o local da moderna Madri tenha sido ocupado desde os tempos pré-históricos, e existam vestígios arqueológicos do assentamento de carpetanos, vilas romanas, uma basílica visigótica perto da igreja de Santa María de la AlmudenaEl Madrid antiguo en época romana; Fernández Palacios, Fernando; Estudios de Prehistoria y Arqueología Madrileñas;Number 13; year 2004 e três necrópoles dos visigodos perto de Casa de Campo, Tetúan e Vicálvaro, o primeiro documento histórico sobre a existência de um assentamento estabelecido em Madrid data da era muçulmana. Na segunda metade do , o emir de Córdova, , construiu uma fortaleza em um promontório perto do rio Manzanares.

Em torno dessa fortaleza, desenvolveu-se uma povoação de poucos habitantes chamada al-Mudaina. A povoação foi conquistada em 1085 pelo rei , na investida militar que visava a chegar à cidade de Toledo. A mesquita foi adaptada e passou a ser uma igreja dedicada à Nossa Senhora de Almudena (almudin, o celeiro). Em 1329, as Cortes Generales instalaram-se na cidade aquando da estada de . Sefarditas e mouros puderam permanecer na cidade, tendo sido expulsos mais tarde no .

Após um grande incêndio que destruiu parcialmente a cidade, o rei ordenou sua reconstrução; o monarca ficou instalado num palácio no exterior da cidade, . O Reino de Castela, cuja capital era Toledo, e o de Aragão, com a capital em Saragoça, uniram-se formando a Espanha devido ao casamento dos Reis Católicos (Isabel de Castela e ). Em 1561, o rei mudou a corte de Sevilha para Madrid, tornando a cidade na capital de Espanha, apesar de não ter havido uma cerimónia que assinalasse esse facto. Sevilha continuava a controlar todo o comércio das colónias espanholas, mas Madrid controlava Sevilha. Salvo um período, entre 1601–1606, em que o rei transferiu a capitalidade para Valhadolide, Madrid foi até hoje a capital de Espanha.

Durante o Siglo de Oro (Século de Ouro), fim do e o princípio do , Madrid era uma capital diferente das grandes capitais europeias, tanto em termos de população, que era bastante pequena para a importância da cidade, como também em termos económicos; a economia madrilena dependia principalmente das Cortes, não existindo outras actividades económica relevantes.

Período contemporâneo thumb|Pessoas que buscam refúgio no metrô durante os atentados franquistas malsucedidos em Madri durante a Guerra Civil Espanhola thumb|Protestos antiausteridade na Porta do Sol em 2011

No final do , a rainha não conseguiu acabar com a tensão política, o que culminou na Primeira República Espanhola. A república durou apenas dois anos, voltando-se novamente à monarquia. Mas a situação política não era estável e, em 1931, iniciou-se a Segunda República Espanhola; a esta, seguiu-se a Guerra Civil Espanhola (1936–1939).

Madrid sofreu muito com a guerra; as ruas da cidade eram autênticos campos de batalha por esta ser um dos principais núcleos republicanos em Espanha. Durante esta guerra, foi alvo dos primeiros bombardeamentos aéreos contra civis da história da Humanidade. Mais tarde, já durante a ditadura de Francisco Franco, principalmente na década de 1960, o sul de Madrid tornou-se numa área muito industrializada e assistiu-se a um êxodo rural a grande escala que fez disparar a população da cidade.

Após a morte de Franco, os novos partidos políticos (incluindo os militantes de esquerda e os republicanos) aceitaram o desejo de Franco de ser sucedido pelo legítimo herdeiro ao trono de Espanha, Juan Carlos I, para que a estabilidade e democracia tivessem continuidade. Desta forma, culminou-se na actual situação política espanhola, uma monarquia constitucional, cuja capital é Madrid. A prosperidade da década de 1980 fez com que a cidade consolidasse a sua posição no que diz respeito à economia, indústria, cultura, educação e tecnologia na Península Ibérica.

A 11 de março de 2004, a cidade sofreu uma série de atentados com mochilas bombas em quatro comboios da rede Cercanías Madrid. Os atentados, os maiores sofridos em Espanha e na União Europeia, levaram a vida a 191 pessoas e deixaram mais de 1 900 feridas.Madrid 11 de Março de 2004

Três anos após esse episódio, os reis de Espanha inauguraram, na praça Carlos V, um monumento comemorativo dedicado às vítimas do atentado. Em 2006, Madrid foi palco de mais um atentado terrorista, desta vez no Aeroporto Madrid-Barajas, com autoria do ETA. Tirou a vida a duas pessoas e feriu outras 19.

Geografia

thumb|esquerda|Imagem de satélite de Madrid A cidade de Madrid encontra-se na zona central da Península Ibérica, a poucos quilómetros a norte do Cerro de los Ángeles, centro geográfico desta. As coordenadas da cidade são 40°26′ N 3°41′ O, e a sua altura média acima do nível do mar é de 667 m; situa-se a poucos quilómetros da serra de Guadarrama e, hidrograficamente, encontra-se na bacia do rio Tejo.

O curso de água principal de Madrid é o rio Manzanares, que entra no município através do Monte del Pardo alimentando a barragem com o mesmo nome. Nele confluem também águas de algumas ribeiras como por exemplo a de Manina e a de Tejada. Passado o percurso campestre do rio, este entra na cidade pela zona da Cidade Universitária, entrando depois nos terrenos da Casa de Campo, onde recebe as águas da ribeira de Meaques. O percurso do rio serve de fronteiras a muitos dos distritos da cidade. Entre os distritos de Arganzuela e Puente de Vallecas, recebe o caudal da ribeira de Abroñigal; também recebe as águas da ribeira de Butarque, no distrito de Villaverde. À saída da cidade, o rio entra no extremo oriental do município de Getafe, onde recebe as águas da ribeira de Culebro; pouco depois o rio desagua no rio Jarama.

O clima de Madrid pode ser definido como mediterrânico continentalizado com um regime de chuvas estepário. Os invernos são frios com geadas frequentes e neve rara. Os verões são cálidos e secos com temperaturas máximas que muitas vezes superam os 35 °C. As precipitações são escassas, mas bem distribuídas em todo o ano. A temperatura média máxima anual é de 19,5 °C e a mínima anual de 9,5 °C. janeiro é o mês mais frio com temperaturas que oscilam entre 3–10 °C e julho o mais quente (19–32 °C). A quantidade média de chuva recolhida num ano é de 430 mm.

Demografia Evolução 1897–2005 Ano Município Província Percentagem1897542 739730 80774,271900575 675773 01174,471910614 322831 25473,901920823 7111 048 90878,5319301 041 7671 290 44580,7319401 322 8351 574 13484,0419501 553 3381 823 41885,1919602 177 1232 510 21786,7319703 120 9413 761 34882,9719813 158 8184 686 89567,4019863 058 8124 780 57263,9819913 010 4924 647 55564,7819962 866 8505 022 28957,0820012 938 7235 423 38454,1920053 155 3595 964 14352,90

A população de Madrid começou a crescer significativamente desde que a cidade se tornou a capital nacional. Esse grande crescimento demográfico foi mais evidente entre os anos de 1940 a 1970, devido à migração doméstica e imigração internacional. Porém, na década de 1970 o crescimento da população madrilena estagnou; esse fenómeno, que também afectou a cidade de Barcelona, foi causado pelo desenvolvimento de subúrbios satélites no centro da cidade. A 1 de julho de 2005, a população de Madrid estava quantificada em de habitantes.

Em 2004 registaram-se 32 851 nascimentos na cidade de Madrid, o que deu a entender que esse parâmetro estava em crescimento em relação ao ano anterior. Nos últimos anos o número de nascimentos na região cresceu gradualmente. A taxa de natalidade situa-se nos 10,38 pontos. Em 2004 registaram-se óbitos na cidade de Madrid, o que deu a entender que esse parâmetro estava em crescimento em relação ao ano anterior; contudo, manteve-se abaixo dos valores registados em 2000, 2001 e 2002. A taxa de mortalidade situava-se nos 8,38 pontos.

Os nativos da cidade são chamados madrileños. No passado também eram apelidados de "gatos", porém atualmente a vasta maioria dos espanhóis não reconhece esse termo. A sua origem possivelmente veio da lenda popular de que a conquista da cidade por Afonso VI foi conseguida pelo assalto das paredes que protegiam a cidade. Aparentemente as tropas do Reino de Castela escalaram as paredes defensivas como se fossem gatos. Outra origem para o nome pode ter sido do facto de os moradores da cidade, durante a Idade Média, terem sido conhecidos pela sua habilidade de escalar paredes com as próprias mãos.

Imigração