Carmilla é uma novela de ficção gótica do escritor irlandês Joseph Sheridan Le Fanu. É narrada por Laura, uma jovem estiriana que conta os dias passados na companhia da misteriosa Carmilla e os eventos estranhos que ocorreram na região após a chegada desta. Um clássico da literatura britânica, Carmilla apresentou a mais famosa vampira feminina da literatura, renovou o tropo de vampira lésbica, inspirou diretamente Dracula (1897) e marcou a literatura gótica. A novela foi adaptada inúmeras vezes para o cinema, o teatro e outras mídias.

Publicação Carmilla é um conto curto, lançado em capítulos na revista Dark Blue entre 1871 e 1872 e incorporada na coleção de Le Fanu In a Glass Darkly, publicada em 1872.Carmilla na Encyclopedia of the Vampire. S. T. Joshi. ABC-CLIO, 2010. ISBN 0313378339 In a Glass Darkly consiste em uma série de casos misteriosos estudados supostamente por um especialista alemão em ocultismo, Dr. Martin Hesselius.

Havia dois ilustradores para a história, cujo trabalho apareceu na revista, mas não foi usado nas edições modernas do livro. Os dois ilustradores, David Henry Friston e Michael Fitzgerald, mostram algumas inconsistências em sua descrição dos personagens, e como resultado, houve algumas confusões em relacionar as imagens ao longo do desenvolvimento da história.

Enredo Os acontecimentosBaseado no resumo em The Vampire Book: The Encyclopedia of the Undead de J. Gordon Melton. Visible Ink Press, 2010 ISBN 157859281X são narrados por Laura, que ainda pequena perdeu a mãe, e vive com seu pai, um inglês que serviu no Exército Austríaco, num castelo na Estíria, (Império Austro-Húngaro) acompanhada de duas governantas - Madame Perrodon e Mademoiselle De Lafontaine -, que são as pessoas mais próximas dela. Laura vive isolada na pitoresca região do castelo, sem muito contato com a cidade grande. No início da história, Laura narra um acontecimento estranho que ocorreu quando ela tinha entre seis a sete anos de idade: depois de acordar no meio da noite, e chorar por sua mãe não estar no quarto, Laura vê aos pés de sua cama uma jovem muito bonita; A jovem se arrasta a para cama de Laura, a coloca entre seus braços e a consola, fazendo-a parar de chorar. Laura adormece nos braços da visitante, mas desperta ao sentir que seu peito é mordido; depois que Laura grita assustada, a jovem desaparece; os serventes que entram no quarto, mas não encontram rastro da visitante e nem marcas no peito de Laura. Suas governantas, embora assustadas com o relato de Laura, dizem-lhe que foi tudo um sonho, mas Laura não está convencida e cresce assustada, sempre se lembrando da jovem que a visitou e deitou ao seu lado.

Quando Laura tem 19 anos, ela está esperando ansiosamente a visita do velho amigo do seu pai, General Spielsdorf, pois ele deve trazer consigo sua sobrinha, Bertha Rheinfeldt, e Laura, que vive solitária, espera que ela e Bertha se tornem amigas. Porém, seu pai recebe uma carta de Spielsdorf afirmando que sua sobrinha morreu. Ele diz na carta que um "monstro", traiu sua "cega hospitalidade", sendo culpado pela morte. O barão afirma também que irá dedicar seus dias à caça ao monstro, e que, depois de dois meses, irá visitar o pai de Laura. Ambos, pai e filha, ficam chocados com a carta do general, e Laura fica particularmente frustrada por ter perdido uma amiga em potencial.

Na noite de lua cheia do mesmo dia que a carta chegou, ocorre um acidente com uma carruagem, num lugar próximo ao castelo. Da carruagem sai uma senhora vestida de veludo preto, que está preocupada com a saúde da sua filha que desmaiou em meio ao acidente. Depois do pai de Laura ajudá-las, a senhora relata que está fazendo uma viagem importante e sua filha, de saúde frágil, não aguentaria prosseguir, e pergunta ao pai de Laura onde encontrar uma pousada para deixá-la. Laura, vendo a oportunidade de ganhar uma companhia, pede ao seu pai que deixe a filha da senhora permanecer no castelo para recuperar-se do acidente. Assim, o pai de Laura e a senhora fazem um acordo em que a jovem vai ficar no castelo durante três meses, sendo que terminado este prazo a senhora irá buscá-la,. Esta mulher insiste em dizer que, a permanência no castelo, sua filha não deve ser perturbada com perguntas sobre sua origem e/ou família. Quando a jovem é hospedada no castelo, Laura vai lhe dar as boas-vindas e imediatamente reconhece a recém-chegada como sendo a misteriosa visitante da sua infância. As duas acabam por se reconhecer: a jovem narra que sonhou com Laura há doze anos e Laura também afirma que sonhou com a jovem. Ambas veem isso como sinal de que estavam predestinadas a se encontrar e serem amigas íntimas.

O nome da jovem é Carmilla, que é retratada como extremamente bela, encantadora e lânguida. Laura rapidamente se afeiçoa a ela. Carmilla é cheia de hábitos estranhos: não acorda antes do meio-dia, dorme com as portas e janelas trancadas, quase nunca se alimenta e tem acessos de raiva quando ouve um hino fúnebre ou se julga ofendida por um vendedor. Carmilla também é bastante misteriosa, mantendo tudo sobre seu passado e família em segredo, o que magoa Laura, que vê isso como sinal de que Carmilla não confia nela. Porém, esta insiste que ama Laura, e durante a convivência das duas, Carmilla constantemente se declara para Laura, enchendo-a de beijos, o que constrange a outra garota, que não entende esses momentos apaixonados de Carmilla - eles a deixam confusa. Embora Laura admita que gosta de estar nos braços de Carmilla, sente que quando isso ocorre suas forças são sugadas, o que lhe causa um sentimento de repugnância à paixão da estranha hóspede

Na mesma época, mortes súbitas de mulheres ocorrem na região do castelo. A mulher do pastor, a filha do guarda-florestal e outras mulheres, depois de terem alucinações, febres e aparente perda de sangue, morrem em intervalos de três dias, deixando os camponeses assustados, e o pai de Laura suspeita que seja caso de epidemia de febre amarela, embora o médico acredite que as mortes sejam causadas por uma entidade maligna.

Quando a lua cheia volta, um mês depois da chegada de Carmilla, o pai de Laura recebe o filho do restaurador de quadros em sua casa, que veio trazer os quadros encomendados da família restaurados, e Laura percebe que uma senhorita desses quadros, tem exatamente a mesma aparência física que Carmilla. A mulher em questão é a condessa Mircalla Karnstein, uma antepassada de Laura, retratada numa pintura datada de 1698. Laura fica encantada com a semelhança, e pede ao pai para que o quadro seja pendurado em seu quarto. Nesta noite, Laura acorda de madrugada sem conseguir se mover, e vê no seu quarto um enorme gato preto, que pula em cima dela e morde um dos seus seios; Laura grita e desmaia. Ela acorda depois, já conseguindo se mover, e nota uma mulher vestida de preto perto da sua cama. Quando Laura pega a vela, a mulher atravessa a porta do quadro de Laura, a deixando assustada. Nas próximas semanas, Laura dorme tranquilamente, porém, sempre tem pesadelos e vê o gato preto; Ela passa a acordar cada vez mais cansada, sem forças, e uma estranha melancolia apodera de si. Numa dessas noites, ela vê Carmilla ensaguentada aos pés de sua cama. Ela acorda sobressaltada e corre ao quarto de Carmilla, acreditando que ela está em perigo. Carmilla não responde, e Laura pede para os serventes abrirem a porta. Quando abrem, Carmilla não está no quarto, desapareceu. Depois de horas procurando Carmilla, esta reaparece no seu quarto, sem aparentar lembrar onde estava a noite, fazendo o pai de Laura a toma-la como sonâmbula. thumb|Laura in bed, Ilustração de David Henry Friston para Carmilla, no The Dark Blue (Fevereiro de 1872)

Laura fica cada vez mais doente, e o pai manda um médico examiná-la. Ele fala reservadamente com seu pai e apenas pede que Laura nunca seja deixada sozinha. Seu pai então parte com Laura em uma carruagem para a aldeia em ruínas dos Karnstein. Eles deixam uma mensagem pedindo que uma das governantas levassem Carmilla para Karnstein depois que está acordasse. A caminho de Karnstein, Laura e seu pai encontram Geral Spielsdorf, que conta-lhes sua sinistra história.

Spielsdorf e sua sobrinha tinham conhecido uma jovem chamada Millarca e sua mãe enigmática em um baile de máscaras. A sobrinha do general ficou imediatamente encantada com Millarca. A mãe dela convence o General que ela é uma velha amiga dele, e Bertha pede que Millarca fique com eles durante três semanas, enquanto sua mãe resolve um assunto secreto de grande importância.

A sobrinha do general ficou misteriosamente doente e sofreu dos mesmos sintomas de Laura. Após a consulta com um médico sacerdotal, o general chegou à conclusão de que sua sobrinha estava sendo visitada por um vampiro. Ele se escondeu em um armário com uma espada e esperou até ver um diabólico gato preto em torno do quarto de sua sobrinha e indo mordê-la no pescoço. Ele então pulou de seu esconderijo e atacou o animal, que tomou a forma de Millarca. Ela fugiu atravessando a porta trancada, ilesa. A sobrinha do general morreu logo em seguida.

Quando eles chegam a Karnstein, o General pede um lenhador das proximidades, onde ele pode encontrar o túmulo de Mircalla Karnstein. O lenhador relata que o túmulo foi transferido há muito tempo pelo herói que derrotou os vampiros que assombravam a região. Enquanto o general e Laura são deixados sozinhos na capela em ruínas, aparece Carmilla. O general tem um ataque de fúria ao ver Carmilla. Carmilla foge e o general explica a Laura que Carmilla também é Millarca, ambos anagramas para o nome original da vampira: Condessa Mircalla Karnstein.

Logo depois, juntam-se a eles o Barão Vordenburg, o descendente do herói que livra a área de vampiros há muito tempo. Vordenburg é uma autoridade em matéria de vampiros e descobriu que seu pai estava envolvido romanticamente com a Condessa Karnstein antes de morrer e se tornou um dos mortos-vivos. Usando as notas de seu antepassado, ele localiza o túmulo escondido de Carmilla. Uma comissão imperial é então convocada, que exuma e destrói o corpo da vampira, em nome do governante Monarca de Habsburgo, cujo domínios a Estíria estava situada.

Em seguida, o pai de Laura a leva a um longo ano de férias para se recuperar do trauma e estabilizar sua saúde.

Fontes Tal como acontece com Drácula, os críticos têm procurado as fontes utilizadas na elaboração do texto. Matthew Gibson propõe que Le Fanu usou como base Dissertations sur les apparitions des anges, des demons et des esprits, et sur les revenants et vampires de Hongrie, de Boheme, de Moravie, et de Silesie (1746) de Dom Augustin Calmet, que foi primeiro traduzido anonimamente para o inglês em um único volume de 1759, e depois traduzido para o inglês em 1850, em dois volumes como The phantom world, or, The philosophy of spirits, apparitions, &c.Calmet, Antoine Augustin. (1850). The phantom world, or, The philosophy of spirits, apparitions, &c. (Henry Christmas, Trans.). London: Richard Bentley Vol. 1 Vol. 2 Gibson também acredita que a obra de Sabine Baring-Gould, The Book of Were-wolves (1863), Elizabeth Báthory, Christabel de Coleridge, e Schloss Hainfeld de Basil Hall; ou Winter in Lower Styria (Londres e Edimburgo, 1836) são outras fontes para o trabalho de Le Fanu. Bill Hall fornece a maior parte do fundo da Estíria e, em particular, um modelo tanto para Carmilla e Laura na figura de Jane Anne Cranstoun, a condessa de Purgstall.Gibson, Matthew (2006). Dracula and the Eastern Question: British and French Vampire Narratives of the Nineteenth-century Near East, ISBN 1-4039-9477-3 & ISBN 1-4039-9477-3

Influências