O Miss Universo Brasil, também chamado simplesmente de Miss Brasil, é o concurso de beleza que anualmente elege a representante do Brasil para o Miss Universo. Realizado desde 1954, é considerado o mais tradicional entre os diversos Miss Brasil realizados, incluindo o Miss Mundo Brasil, que elege a candidata que vai ao Miss Mundo.
Na 1° edição, realizada em 1954, Martha Rocha, representante da Bahia, conquistou a coroa, se tornando a “primeira Miss Brasil” e representando o Brasil no Miss Universo 1954, onde ficou em 2° lugar. Na década de 1960 o país venceria o Miss Universo duas vezes, a primeira com a gaúcha Iêda Maria Vargas, em 1963, e a segunda com a baiana Martha Vasconcellos, em 1968.
A Miss Brasil 2026, Marcella Kozinski, do Paraná, foi eleita em julho de 2026, representando a Ilha do Mel, do estado do Paraná.
História Primeiros Anos: 1954-1957
thumb|Jussara Marques (1949) Desde o ano de 1865, eleições de uma "Miss Brasil" começaram a existir no país, mas não de maneira anual ou constante. Cada certame era realizado por organizações diferentes, que possuíam interesses distintos na realização de seus respectivos eventos.
O primeiro registro histórico de um certame de beleza no Brasil ocorreu em 1865, quando Aymée (francesa que foi naturalizada brasileira) venceu a enquete promovida pelo jornal Diário do Rio, que buscava eleger a artista mais linda da cidade do Rio de Janeiro. Isso ocorreu anos antes dos concursos de beleza serem realizados da maneira como são conhecidos.
Em concursos sem continuidade anual, outras jovens também foram agraciadas com o título de “Miss Brasil” na primeira metade do século XX, dentre elas destacam-se:
— Violeta (Bebê) Lima Castro (1900): cantora lírica carioca. Foi eleita pela revista Rua do Ouvidor, que promoveu um amplo e inédito concurso para escolher a mais bela mulher do Rio. Esta foi a primeira e única realização do evento pela revista.
— Noêmia Nabuco de Castro (1912): socialite carioca.
— Zezé Leone (1922): modelo santista que teve busto esculpido em praça pública, virou nome de música, de receita culinária e de locomotiva da Estrada de Ferro Central do Brasil.
— Olga Bergamini de Sá (1929): modelo carioca.
— Yolanda Pereira (1930): modelo gaúcha, vencedora do Miss Brasil e do Miss Universo 1930 (título não reconhecido pela Miss Universe Organization, pois o 1° concurso realizado com esse nome pela empresa aconteceu apenas em 1952).
— Ieda Telles de Menezes (1932): modelo carioca.
— Vânia Pinto (1939): carioca e primeira modelo profissional do Brasil.
— Jussara Marques (1949): modelo goiana.
Costumeiramente, todas eram moças escolhidas entre a sociedade brasileira tradicional da época.
Ano Miss Brasil Estado de origem 1900 Violeta Lima Castro Rio de Janeiro 1912 Noêmia Nabuco de Castro Rio de Janeiro 1922 Maria José "Zezé" Leone São Paulo 1929 Olga Bergamini de Sá Rio de Janeiro 1930 Yolanda Pereira Rio Grande do Sul 1932 Ieda Telles de Menezes Rio de Janeiro 1939 Vânia Pinto Rio de Janeiro 1949 Jussara Marques Goiás
miniaturadaimagem|Marta Rocha no concurso Miss Universo (1954). Arquivo Nacional. O concurso oficial, como existe hoje, começou a ser realizado regularmente a partir de 1954, na boate do Palácio Quitandinha, um hotel-cassino em Petrópolis, Rio de Janeiro.
A partir de então, anualmente as eleitas tiveram a tarefa de representar o Brasil com beleza e elegância no concurso Miss Universo, criado nos Estados Unidos em 1952, comandado pela Miss Universe Organization.
Anos Dourados: 1958-1972 Em 1955, com a entrada dos Diários Associados na promoção e transmissão do evento, o Miss Brasil passou a ter ampla cobertura da imprensa e se tornou o segundo evento mais assistido no país, atrás apenas do jogos da Seleção Brasileira de Futebol. Com o passar dos anos, passou a ser considerado o mais bem organizado concurso nacional de beleza do mundo pela Miss Universe Inc. As transmissões televisivas, encabeçadas pela Rede Tupi, passaram a ter grande audiência depois que sua sede foi transferida de Petrópolis para a então capital federal em 1958. 220px|miniaturadaimagem|direita|Ieda Maria Vargas, a primeira Miss Brasil eleita Miss Universo, em 1963. Na década de 1960, o Brasil conquistou suas duas únicas vitórias no Miss Universo, com Ieda Maria Vargas em 1963 e Martha Vasconcellos em 1968, e sua única no Miss Beleza Internacional (concurso do qual participava a terceira colocada no Miss Brasil), com Maria da Glória Carvalho em 1968. Nesse período, o país chegou às semifinais e finais de ambos os concursos por várias vezes. Em 1971, a segunda colocada daquela edição, Lúcia Petterle, Miss Guanabara, foi eleita Miss Mundo - na época, a segunda colocada no Miss Brasil disputava o Miss Mundo.
Brasília: 1973-1980 Com a queda constante de público no Maracanãzinho, o local dos desfiles no Rio de Janeiro, os organizadores decidiram transferi-lo, em 1973, para o Ginásio Nilson Nelson em Brasília. A transferência ocorreu por uma razão estratégica: era na capital federal que se concentrava mais da metade das conexões de voos procedentes de todas as regiões do país (na época, cada estado poderia indicar sua candidata). Ela tinha, além de razões logísticas (a sede dos Diários Associados era na cidade), uma razão política extra: a proximidade com o poder facilitaria as recepções de presidentes da República às candidatas. No entanto, nem todos os ocupantes - caso de Ernesto Geisel - eram simpáticos às misses. Segundo trechos do Diário de Heitor Ferreira, o diário particular do secretário pessoal do então presidente, Geisel "se recusou a receber as candidatas a Miss Brasil 1974" no Palácio da Alvorada.
Sem contar a antipatia do poder público, o concurso também enfrentava sucessivos problemas de perda de popularidade, tanto da presença do público no ginásio como da audiência na televisão. Esse problema se agravou em 1976, quando a marca multinacional de cosméticos Helena Rubinstein retirou seu patrocínio ao Miss Brasil. Em 1977, a Rede Tupi transmitiria o Miss Brasil ao vivo pela última vez. No entanto, a emissora continuaria a dar seu apoio até a sua falência, em 1980, quando sua situação financeira estava gravíssima e os índices de audiência "traçavam". A concordata dos Associados, provocada pelo fechamento de sete das nove emissoras da Tupi, obrigou o grupo, nos primeiros dias de 1981, a vender as franquias do Miss Brasil e do Miss Universo para o recém criado SBT, que já transmitia o concurso internacional através da então TVS e das afiliadas da então TV Record em São Paulo, São José do Rio Preto e Franca, que eram de propriedade de Silvio Santos.
Até a década de 1970, o Brasil era a maior potência da América Latina no concurso Miss Universo, com duas coroas até então e era presença constante entre as semifinalistas. Porém, no início da década seguinte o país deixou de ser protagonista para se transformar em um mero coadjuvante. A partir do Miss Universo 1981 a fase dourada do país terminou. Com a coroação da venezuelana Irene Sáez e o quarto lugar da brasileira Adriana Oliveira, o país petroleiro começou a sua fase dourada. Dali em diante a classificação de uma candidata venezuelana seria algo certo nos principais concursos de beleza do mundo. O país ganhou mais seis vezes o Miss Universo, sendo que destas vitórias três vieram num espaço de 15 anos, enquanto que o país também seria o primeiro a ganhar o concurso duas vezes seguidas, em 2008 e em 2009. O Brasil ainda se classificaria duas vezes nos anos seguintes.
SBT: 1981-1989 Com a falência do sistema da Rede Tupi em julho de 1980, a responsabilidade pela promoção do Miss Brasil foi transferida para Silvio Santos, o dono do SBT, uma das redes nacionais de televisão criadas a partir da partilha determinada pelo Ministério das Comunicações. Nesse período, Marlene Brito, funcionária da rede extinta e aproveitada pelo Grupo Silvio Santos, foi incumbida pela direção da nova emissora de coordenar as atividades relacionadas ao concurso. Com a compra da licença por Silvio Santos, ele seria o apresentador fixo do concurso por nove anos. Na "era SBT", o Brasil obteve resultados pouco significativos no Miss Universo (uma finalista e três semifinalistas, além das premiações especiais de traje típico concedidas em 1981, 1987 e 1989). Com sucessivas quedas drásticas de audiência, o SBT abriu mão do Miss Brasil e do Miss Universo em 1990 e isso foi crucial para a não-participação do Brasil em Los Angeles naquele ano.
Decadência: 1990-1999 Com a retirada do SBT da promoção do Miss Brasil, Marlene Brito saiu da emissora e montou uma empresa apenas para a promoção de concursos de beleza. A nova empreitada, batizada de The Most of Brazilian Beauty, promoveu apenas os concursos de 1991 e 1992. Em 1993, por problemas de patrocínio, Marlene decidiu indicar a única miss estadual eleita para aquele ano, a Miss Rio Grande do Sul, Leila Schuster, como a candidata brasileira na edição daquele ano na Cidade do México. A coroação aconteceu num restaurante de São Paulo. Em 1994, uma associação de cronistas sociais indicou Paulo Max para gerenciar as franquias nacionais do Miss Universo e Miss Beleza Internacional. Após o falecimento de Max, em 1996, seus filhos, Paulo Max Filho e Ana Paula Sang (Miss Brasil Young International 1980), coordenaram o concurso de 1997 a 1999.
No entanto, as diversas trocas de franqueados afetaram seriamente o desempenho brasileiro no Miss Universo, que chegou a figurar nas semifinais apenas duas vezes: com Leila em 1993, que foi primeira colocada nas preliminares e cinco anos depois com Michella Marchi em Honolulu 1998 . Em 1996, Anuska Prado, Miss Brasil Mundo daquele ano, classificou-se em terceiro lugar no Miss Mundo, quebrando um jejum de 13 anos sem classificação do Brasil entre as 5 primeiras colocadas nos principais concursos de beleza do mundo. Em contrapartida, algumas vencedoras do concurso nacional levaram outros títulos internacionais de segunda categoria, como o Nuestra Belleza Internacional, voltado apenas para a América Latina.
Gaeta: 2000-2011 Em 2000, a Gaeta Promoções e Eventos adquiriu a franquia do concurso, que voltou a ser transmitido pela televisão, inicialmente de forma regional, através da CNT Rio de Janeiro. Dois anos mais tarde, em 2002, o concurso voltou a ser transmitido nacionalmente pela recém-criada RedeTV!. No ano seguinte, se iniciaria uma parceria com a Rede Bandeirantes e assim o concurso retornaria à mídia. Além do Miss Brasil, a emissora também transmitiria o Miss Universo. Neste ano, em 2003, Gislaine Ferreira, faria história. Ela foi uma das favoritas nas bolsas de apostas e conseguiu se classificar entre as 10 semifinalistas. Com a volta das transmissões do concurso, a emissora registrou boa audiência, chegando a ficar em 1° lugar em audiência televisiva segundo o Ibope. Em 2006, Rafaela Zanella também foi semifinalista, terminando entre as 20 semifinalistas.
No entanto, o concurso realmente voltou a provocar interesse nacional em 2007, quando a mineira Natália Guimarães conseguiu o melhor resultado do país em mais de três décadas, sendo a quinta brasileira a terminar na segunda posição. Nos anos seguintes, a atenção da mídia pelo concurso mostrou crescimento, mas nenhuma de suas primeiras sucessoras (Natália Anderle, Larissa Costa e Débora Lyra) conseguiu classificação para as semifinais das edições posteriores.
Os melhores resultados brasileiros em concursos internacionais após a boa colocação de Natália não foram além de um segundo lugar no Miss Continente Americano, com Denise Ribeiro em 2009, e uma classificação para as semifinais do Miss Internacional, com Rayanne Morais também em 2009, ambos concursos de menor expressão e popularidade. Em 2011, durante o concurso realizado no Brasil, com o terceiro lugar de Priscila Machado o país voltou a ficar entre os cinco finalistas do Miss Universo.