One in a Million é o segundo álbum de estúdio da cantora norte-americana Aaliyah, lançado em 13 de agosto de 1996 através da Blackground Records e Atlantic Records. Depois de enfrentar acusações de um casamento ilegal com seu mentor R. Kelly após o sucesso de seu álbum de estreia Age Ain't Nothing But a Number (1994), Aaliyah cortou todos os laços com ele quando a Blackground terminou seu contrato com a Jive Records e assinou um novo acordo de distribuição com a Atlantic. Ao longo deste período de turbulência e escrutínio da mídia, Aaliyah começou a gravar seu segundo álbum de estúdio com Sean Combs, que logo abandonou o projeto, levando Aaliyah e sua equipe a procurar novos colaboradores. Posteriormente, ela começou a gravar com produtores como Jermaine Dupri, Vincent Herbert e Craig King, antes de iniciar os trabalhos com os até então desconhecidos Timbaland e Missy Elliott, os quais rapidamente tornaram-se os principais colaboradores do álbum.

One in a Million é um álbum R&B, pop e hip-hop que experimenta com os gêneros trip-hop, electronica, funk e jungle music. Seus temas líricos abordam predominantemente circunstâncias de relacionamento, como compromisso, abstinência e desgosto. Após seu lançamento, o álbum recebeu avaliações positivas dos críticos musicais, a grande maioria direcionada à produção inovadora e ao desempenho vocal progressivo de Aaliyah. Estreou na 20ª posição da Billboard 200, vendendo 40.500 cópias em sua primeira semana, antes de alcançar seu pico na 18ª colocação. Poucos meses depois, o álbum recebeu o certificado de platina dupla da Recording Industry Association of America (RIAA). Em 2011, o álbum já havia vendido mais de três milhões de cópias nos Estados Unidos e oito milhões de cópias mundialmente.

One in a Million foi extensamente promovido através de aparições na mídia e apresentações na televisão. Produziu seis singles—"If Your Girl Only Knew", "Got to Give It Up", "One in a Million", "4 Page Letter", "The One I Gave My Heart To" e "Hot Like Fire"—com o penúltimo se tornando o single de maior sucesso do álbum na Billboard Hot 100, alcançando a nona posição. Após ser lançado oficialmente nas plataformas de streaming e download digital em agosto de 2021, o álbum atingiu a 10ª posição da Billboard 200, conquistando assim sua melhor posição na tabela 25 anos depois seu lançamento original.

Retrospectivamente, o álbum foi considerado um dos melhores e mais importantes álbuns de sua época por inúmeras publicações, sendo incluído na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos da revista Rolling Stone. Também é creditado por reestabelecer a imagem de Aaliyah, elevar as carreiras de Timbaland e Elliott e continuamente influenciar as tendências musicais mainstream das décadas seguintes ao seu lançamento.

Antecedentes e desenvolvimento Após Barry Henkerson, tio de Aaliyah, obter um acordo de distribuição com a Jive Records, ele a contratou para sua gravadora Blackground Records aos 12 anos. Ele apresentou ela ao time que auxiliaria na composição e produção de seu álbum de estreia Age Ain't Nothing But a Number. O álbum recebeu o certificado de platina dupla pela Recording Industry Association of America (RIAA), e vendeu três milhões de cópias nos Estados Unidos e seis milhões de cópias mundialmente. Para promover o álbum, Aaliyah embarcou numa turnê mundial que durou de 1994 a 1995, fazendo shows através dos EUA, Europa, Japão e África do Sul. Após vir a tona alegações e polêmicas envolvendo o mentor de seu primeiro álbum, R. Kelly, Aaliyah encerrou seu contrato com a Jive e assinou com a Atlantic Records. De acordo com o primo de Aaliyah e executivo da Blackground Records, Jomo Henkerson, a indústria da música "vilanizou" Aaliyah pelo escândalo com Kelly, portanto, foi difícil encontrar produtores para One in a Million. Numa entrevista, Henkerson disse, "Estávamos saindo de um álbum multi-platinado e exceto por algumas negociações com Jermaine Dupri e Puffy, foi difícil para nós consguirmos produtores para o álbum". Aaliyah comentou sobre a situação, dizendo, "Enfrentei a adversidade, poderia ter desabado, poderia ter ido e me escondido no armário e dito: 'Não vou mais fazer isso.' Mas eu adoro cantar e não ia deixar essa bagunça me impedir. Tive muito apoio dos meus fãs e isso me inspirou a deixar isso para trás, ser uma pessoa mais forte e me empenhar ao máximo para fazer One in a Million".

Inicialmente, Puff Daddy estava associado a One in a Million, entretanto, as músicas em que ele colaborou nunca chegaram a ser finalizadas. De acordo com Aaliyah, "Eu fui ao estúdio de Puff em Trindade por uma semana, começamos a trabalhar juntos mas não conseguimos finalizar as músicas a tempo. Eu precisava ir embora, porque eu tinha que gravar com Jermaine Dupri em Atlanta". Ambos Craig King e Vincent Herbert foram os primeiros produtores requisitados para trabalhar no álbum, após os planos com a produção de Puffy não serem concretizados. Uma vez que os dois produtores estavam a bordo, a Atlantic pediu para eles criarem o som inicial do álbum. Segundo King, "Acertamos quando ela preparou o orçamento. Vincent [Herbert] e eu fomos as primeiras pessoas para quem ela ligou, fomos o primeiro grupo. É por isso que tínhamos tanta liberdade para entrar e criar um som, porque não tínhamos que fazer uma música aqui ou ali. Eles queriam que nós entrássemos e construíssemos um som. Construímos um som que fosse diferente do que ela já havia feito". Após gravar músicas com King e Herbert, Aaliyah foi para Atlanta para se encontrar com Carl-So-Lowe e Jermaine Dupri para trabalhar em canções. Quando ela chegou, nenhum dos produtores tinham material para lhe apresentar na época. Numa entrevista, Lowe mencionou, "Eu acredito que Jomo, filho do Barry Henkerson, tenha entrado em contato com a So So Def e acho que aconteceu daquele ponto. Eu sabia que ela estava vindo para Atlanta, e não tínhamos nada preparado na época". Para o álbum, Aaliyah queria gravar músicas que fossem "simplificadas" e "muito boas" e ela trabalhou em músicas com Dupri e Lowe em Atlanta por, aproximadamente, quatro dias.

No meio da transição para uma nova gravadora, Aaliyah estava muito ansiosa devido a todas novas mudanças que estavam acontecendo. De acordo com a Billboard, "Em uma coletiva de imprensa que acompanhou o álbum, ela admitiu estar um pouco ansiosa em pular da Jive para a Atlantic e mudar seu som, mas essa incerteza nunca se filtraria na música". Com um novo acordo de distribuição com a Atlantic e um novo time de produtores, One in a Million iria reestabelecer a fã base de Aaliyah e ampliar seu apelo ao mainstream. O álbum contou com um grande time de produtores, ao contrário de seu primeiro álbum que foi produzido unicamente por Kelly. Com o lançamento do álbum, Aaliyah se adaptou a uma imagem mais sexy, que foi notada pelo público. Num artigo que falava sobre o clipe de "One in a Million", a equipe da MTV sentiu que Aaliyah estava "toda crescida e cheia de vapor no vídeo" e eles questionaram a ela sobre a nova imagem mais sexy. Aaliyah respondeu dizendo, "No que diz respeito a ser sexy, prefiro dizer sensual. Sensual é estar em sintonia com seu eu sensual. Sexy, quero dizer, isso está nos olhos de quem vê, assim como a beleza está nos olhos de quem vê. Então, se as pessoas chamam de sexy, é diferente. Então, eu só acho que é sensual, prefiro chamar assim".

Gravação e produção One in a Million foi gravado de agosto de 1995 até 1996 com Craig Kallman, Barry Henkerson e Jomo Henkerson servindo como produtores executivos do álbum. Outro produtores que estiveram envolvidos na criação do álbum incluem Rodney Jerkins, Jermaine Dupri, Daryl Simmons, Vincent Herbert, Craig King, Carl-So-Low, Kay Gee do Naughty by Nature, Missy Elliott e Timbaland, os quais ambos escreveram e produziram grande parte do material do álbum. "If Your Girl Only Knew" serviu como primeiro single do álbum e foi descrito por Eddie Santiago, diretor de produção e desenvolvimento da Atlantic, como uma "uma faixa mid-tempo muito funky com muito teclado pesado e trabalho de órgão junto com bateria ao vivo e uma linha de baixo forte". O single foi produzido pelo, até então, novato Timbaland e cópias promocionais do single foram providenciadas para estações de rádios em 12 de julho. Enquanto falava sobre o desenvolvimento do álbum para a Billboard, Eddie Santiago mencionou, "Queríamos que Aaliyah continuasse crescendo, então não queríamos ter os mesmos sujeitos no novo projeto". Nessa mesma entrevista com a Billboard, Aaliyah discutiu a direção do álbum, dizendo, "Eu queria manter minha imagem musical de rua tranquila, mas queria ser funky e quente, mas sofisticada". Nesse álbum, Aaliyah esteve mais envolvida durante a criação do material, ao receber créditos de co-composição e assistenciar a direção criativa do projeto. Um exemplo de seu material de trabalho para o álbum é com a música "No Days Go By", onde Aaliyah esteve envolvida com o arranjo vocal. O álbum tem dois covers, "Choosey Lover" dos The Isley Brothers e "Got to Give It Up" de Marvin Gaye, que conta com a participação de Slick Rick. Aaliyah decidiu fazer um cover de "Got to Give It Up" porque ela queria ter canções festivas no álbum. Numa entrevista Aaliyah afirmou, "Eu realmente queria umas músicas de festa, então quando meu tio tocou pra mim [a faixa original], eu pensei em como eu poderia a fazer diferente. Slick Rick [que estava na cadeia] estava em liberação para o trabalho na época, então Vincent conseguiu ele para a música". Ela elaborou mais sobre fazer um cover de Got to Give It Up" ao dizer, "Eu não sei como os fãs do Marvin Gaye irão reagir, mas espero que gostem. Eu sempre acho um grande elogio quando pessoas fazem remakes de músicas. Eu espero que um dia, quando eu não estiver mais aqui, as pessoas façam cover das minhas músicas".