Constantino Nikolaevich da Rússia (; transl. velikiy knyaz Konstantin Nikolaevich), (9 de setembro de 1827 – 13 de janeiro de 1892) foi o segundo filho do czar Nicolau I da Rússia.
Durante o reinado do seu irmão Alexandre II, Constantino foi almirante da frota russa e introduziu grandes reformas na Marinha Russa. Foi também uma figura central na emancipação dos servos na Rússia. Teve menos sucesso como vice-rei da Polónia e teve de ser chamado de volta à Rússia onde foi atacado pelo seu liberalismo.
Após o assassinato do seu irmão Alexandre II, Constantino deixou de estar numa posição favorável. O novo czar, Alexandre III, seu sobrinho, opôs-se às ideias liberais e gradualmente retirou-o de todas as suas posições governamentais. A sua reforma foi marcada de conflitos e crises familiares. Após sofrer um ataque cardíaco, passou os seus últimos anos como um inválido.
Educação thumb|left|200px|O grão-duque Constantino quando jovem. Constantino nasceu em 9 de setembro de 1827 no Palácio de Inverno em São Petersburgo, sendo o segundo filho e quinta criança do czar Nicolau I da Rússia e da sua consorte, a imperatriz Alexandra Feodorovna. Os seus pais ficaram felizes por ter um segundo rapaz após nove anos onde nasceram apenas filhas. Nicolau I e a sua esposa eram muito dedicados um ao outro e aos seus filhos, dando-lhes uma excelente educação.
Normalmente as crianças imperiais eram mantidas sob supervisão feminina até chegarem aos sete anos de idade. Contudo, quando Constantino tinha cinco anos tinha-se tornado demasiado independente e difícil de lidar para a sua governanta, por isso o seu pai contratou um tutor masculino para cuidar dele.David Chavchavadze, The Grand Dukes, 55. Nicolau I pretendia que o seu filho se tornasse Almirante Geral da Marinha Russa e, com este objectivo, escolheu Feodor Litke para tratar da educação do filho. Litke, que tinha dado a volta ao mundo aos vinte anos de idade, era um homem directo e decidido, sem medo da controvérsia ou ofensa e passou estas qualidades ao seu estudante. Treinou o rapaz em ciências navais e encheu-lhe a cabeça de contos sobre o mar, conquistando a sua amizade para o resto da vida.Charlotte Zaepvat, Romanov Autumn, p. 67 As línguas eram também uma parte importante da educação de um grão-duque e Constantino aprendeu russo, inglês, alemão e francês. À medida que cresceu, as lições de Constantino foram-se tornando mais longas e complexas, passando a incluir Matemática, Ciências, Estatísticas e Administração Governamental. Também começaram cedo lições e exercícios militares. Constantino também gostava de música, aprendendo a tocar piano e violoncelo. Gostava de desenhar e tinha um grande gosto pelas artes. Também era um leitor entusiasta e o seu fascínio por Homero levou-o a traduzir a “Odisseia” de alemão para russo.
Em 1835, Constantino acompanhou os seus pais numa viagem até à Alemanha e desde cedo foi ensinado a manter um diário. Quando tinha apenas oito anos de idade, recebeu um pequeno iate que tinha autorização para navegar de Peterhof até Kronstadt, passando os seus dias no mar para regressar a casa apenas à noite. Em 1836, acompanhado pelo seu tutor, embarcou numa longa expedição marítima e foi-lhe dado o comando da fragata russa “Hércules” que era dirigida por Litke. Durante o seu treino, Constantino foi tratado como qualquer outro cadete marinho ao ponto de o seu título de grão-duque ser dispensado durante esse período. Foi colocado em serviços de vigia à meia-noite independentemente de chuvas e tempestades.Chavchavadze, 57. Aos dezasseis anos foi promovido a capitão e comandou a fragata “Ulisses”, visitando vários portos por todo o Golfo da Finlândia e embarcando numa digressão pelo sul da Europa que o levou até ao Mediterrâneo.
O encorajamento e orientação da sua tia, a grã-duquesa Helena Pavlovna da Rússia foi outro factor importante na sua educação. Helena fez dele seu protegido, alargando o seu interesse em música e literatura e introduzindo-o a ideais científicos. A grã-duquesa era conhecida pelas suas ideias liberais e teve uma grande influência nas futuras visões políticas do seu sobrinho. Com a influência do seu tutor, Constantino começou as suas tentativas de entrar na vida oficial, patrocinando a nova Sociedade Geográfica Russa. Esta organização pertencia ao Ministério dos Assuntos Internos que albergava um grande número de burocratas liberais incluindo Nikolai Miliutin.
Casamento thumb|right|200px|Alexandra Iosifovna, esposa do grão-duque Constantino Nikolaevich Os membros masculinos da família Romanov eram conhecidos pela sua beleza e altura, mas Constantino era bastante baixo e feio. Um observador descreveu-o: "A sua face era pálida, a cor do seu cabelo bastante neutra e parecia-se com a areia da costa. Os seus olhos eram cinzentos, sonhadores e um pouco fechados e tinha um enorme nariz que parecia de madeira e que substitua os contornos gregos do pai."King, Greg & Wilson, Penny, Gilded Prism, 10. Tinha uma voz alta, uma personalidade dominadora e modos bruscos. Com um temperamento quente, Constantino era um homem difícil e muitas vezes desagradável.
Em 1846, a sua irmã, a grã-duquesa Olga Nikolaevna da Rússia, casou-se com o príncipe-herdeiro Carlos de Württemberg. Constantino foi com a sua irmã até Estugarda para assistir ao casamento e depois continuou a sua viagem até Altemburgo para ser apresentado à princesa Alexandra de Saxe-Altemburgo. Os seus pais tinham organizado o encontro pensando que Alexandra seria um bom partido para Constantino. A princesa era extremamente bonita, alta e magra e o grão-duque ficou imediatamente interessado em casar com ela. "Não sei o que se passa comigo. É como se fosse uma pessoa completamente diferente. Apenas um pensamento me faz mexer, apenas uma imagem me enche os olhos: para sempre apenas ela, o meu anjo, o meu universo. Penso que estou realmente apaixonado. Contudo o que pode isso significar? Apenas a conheço há algumas horas e já estou completamente imerso em paixão."King and Wilson, 12
Constantino tinha dezanova anos e Alexandra era três anos mais nova quando ficaram noivos, mas tiveram de esperar mais dois anos para se poderem casar. No dia 12 de Outubro de 1847, Alexandra chegou à Rússia. Em Fevereiro converteu-se à Igreja Ortodoxa Russa, passando a chamar-se grã-duquesa Alexandra Iosifovna. Casaram-se seis meses depois, no dia 11 de Setembro de 1848 no Palácio de Inverno. Ambos eram muito musicais: ele tocava violoncelo e ela piano. Parecia ser um bom casamento. Durante os primeiros anos foram um casal dedicado, começando a sua vida em conjunto com grande felicidade. Nos anos que se seguiram tiveram seis filhos. A família viveu em alguns dos mais luxuosos palácios do Império Russo: o Pavlovsk, o Strelna e o Palácio de Mármore que Constantino tinha recebido como prenda de casamento dos seus pais juntamente com Strelna, no Golfo da Finlândia. Um ano depois do casamento, o grão-duque recebeu o Palácio de Pavlovsk do seu tio Miguel Pavlovich e, após a morte da sua mãe, herdou o Palácio de Oreanda na Crimeia.
Primeiros anos de carreira thumb|left|200px|Constantino Nikolaevich na sua idade adulta. Em 1849, como jovem oficial, Constantino participou na campanha da Rússia em apoio da Áustria contra a insurreição da Hungria. Foi o seu primeiro teste verdadeiro num conflito militar. Participou em três perigosas batalhas sob fogo inimigo. Pela coragem demonstrada, recebeu a Cruz de São Jorge. Um ano mais tarde, Constantino foi nomeado membro do Conselho de Estado.
Em 1853, o pai de Constantino, o czar Nicolau I, fez dele Almirante Geral da Marinha Imperial e chefe do Departamento da Marinha Imperial. Nesta posição, Constantino tinha a tarefa de introduzir reformas à Marinha, que praticamente não tinha mudado desde os tempos de Pedro, o Grande. Durante o seu governo, Constantino teve de lidar com uma marinha arcaica e com a Guerra da Crimeia. No meio do conflito, o seu pai morreu, e ele aconselhou o seu irmão Alexandre II a sair de uma guerra que já estava perdida. No início de 1856, acompanhou o irmão à Crimeia para ver com os próprios olhos a devastação causada pela guerra. A partir de então, tornou-se num ávido defensor da paz, mesmo apesar da sua posição na marinha e das suas visões políticas progressivas. Os dois irmãos tinham uma boa relação e Constantino foi responsável por muitas reformas. Mais tarde, Constantino seria enviado numa missão diplomática para negociar com Napoleão III.
Reforma naval Os planos para uma profunda reforma da marinha foram a principal preocupação de Constantino no inicio do reinado do irmão, tendo visitando a Inglaterra e França em 1857 para estudar novas e modernas técnicas. Sabendo que a Rússia era uma potência militar menor, Constantino fez esforços para modernizar a frota do seu país. Sob as suas ordens, as velhas fragatas equipadas com canhões foram substituídas por novos materiais de ferro e aço equipados com artilharia moderna proveniente da França e Alemanha.
A partir de 1857 Constantino supervisionou um extenso programa de construção que transformou por completo a Marinha Imperial e a tornou numa superpotência mundial. Seguindo os seus planos, a frota báltica recebeu dezoito navios de batalha, doze fragatas e cem barcos de canhão, enquanto que a frota do Pacífico foi reforçada com doze navios de artilharia, nove de transporte e quatro fragatas. Apenas a frota do mar Negro foi largamente prejudicada devido às restrições impostas pela Rússia após a Guerra da Crimeia. Apesar de tudo o grão-duque equipou-a com nove navios de guerra, o máximo permitido pelo império.
O espírito de Constantino para a reforma teve de se confrontar com a burocracia da de departamentos monárquicos que obstruía cada movimento. “Quero navios e marinheiros, não multidões de clérigos”King and Wilson, 32., disse ele. Era energético e determinado. À medida que fazia os seus planos avançarem na marinha, estava também envolvido em reformas nas escolas navais e militares, bem como com numa investigação de corrupção no exército e a revisão das leis de reforma do país. Abrupto, pouco paciente e extremamente contrário a qualquer um que se opusesse às suas ideias, assumiu os problemas do país que o seu sensível irmão mais velho não conseguia resolver.
Como é normal com reformadores, Constantino era tão amado quanto odiado. Um crítico chamou-o de “o mais inteligente e capaz dos irmãos de Alexandre II”, mas declarou também que era “demasiado egoísta para se dedicar a qualquer interesse real que afecte outros que não ele”. Contudo, o trabalho de Constantino teve uma vasta influência na Marinha Imperial Russa. Debaixo da sua influência, esta foi reconstruída e reforçada, com novo armamento e equipamento. Constantino deixou a Rússia como a terceira maior potência marítima do mundo, uma força que era conhecida pela sua força e temida pela sua disciplina de ataque.
Emancipação dos servos thumb|right|200px|Quadro "O Mercado" de Nikolaj Wassiljewitsch Newrew representando o descontentamento dos servos russos A mais importante reforma de todas foi a emancipação dos servos, uma política que se tornou odiada por vários sectores da nobreza russa. Quando a questão se levantou e os membros mais influentes do governo começaram a levantar problemas, Alexandre II pediu a Constantino para se juntar a ele em setembro de 1857. Quando o czar se sentia pouco seguro de si, o seu irmão mais novo tinha mais força de vontade e não se importava com o que outros pudessem pensar dele.
Em 1858 um grupo central para a emancipação que incluía apenas os membros mais progressivos (Constantino, Lanskoy, Yakov Rostovtsev, Nikolay Milyutin e os seus aliados) substituiu o antigo comité que tratava da questão. Mesmo na altura os progressos ainda se revelavam lentos, particularmente por vários membros se oporem ao temperamento rude do grão-duque.John Van der Kiste, The Romanovs, 1818-1959, 27.