miniaturadaimagem|Bandeira da ZOPACAS com a do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZPCAS ou ZOPACAS, ; ; ), foi criada em 1986 após uma iniciativa do Brasil que resultou na resolução 41/11 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que promove a cooperação regional e a manutenção da paz e segurança na região do Atlântico Sul.

Particularmente, a zona de paz e cooperação tem o objetivo de evitar a proliferação de armas nucleares e reduzir, até eventualmente eliminar por completo, a presença militar de países externos à organização. Juntos, os membros, buscam formas de integração e colaboração regional, tais como a cooperação econômica e comercial, científica e técnica, política e diplomática.

Através dessa zona, portas são abertas para aproximação de blocos localizados parcialmente nessa área. Assim, permitindo o estreitamento de relações entre o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), na América do Sul, e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, na África Austral.

História Esse fórum de cooperação sul-sul com o objetivo de promover a paz foi proposto a época do governo brasileiro Sarney e apoiado pelo governo argentino Alfonsín. Então foi apresentado na ONU durante a assembleia geral e obteve a aprovação veiculada na Resolução 41/11, apesar do voto contrário dos Estados Unidos e das abstenções da Bélgica, França, Itália, Japão, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Alemanha Ocidental. Assim foi formada em 1986 num contexto de finalização da Guerra Fria como uma zona livre da corrida armamentista que ocorria.

miniatura|esquerda|250px|Presidente Fernando Henrique Cardoso discursando na Reunião Ministerial da ZPCAS realizada em Brasília.

A primeira Reunião Ministerial da ZOPACAS ocorreu em 1988 na Cidade do Rio de Janeiro, onde ficou acertada a realização de reuniões periódicas com o objetivo de definir a agenda de cooperação. Em 1990, a II Reunião Ministerial da ZOPACAS teve lugar em Abuja, Nigéria.

Os temores da disputa entre EUA e URSS acabaram com o fim da superpotência socialista e a queda do muro de Berlim. Deste modo, os motivos que levaram à criação da organização foram esmorecendo, fazendo com que quase parasse e ocorresse oito anos consecutivos de presidência argentina.

Entre 1994 e 1998, as reuniões ministeriais ocorreram bienalmente. Em setembro de 1994, foi adotada a Declaração de Desnuclearização do Atlântico Sul, durante a III Reunião Ministerial da ZOPACAS em Brasília, a capital do Brasil. A quarta edição do evento ocorreu em Somerset West, África do Sul, em 1996, e a quinta versão, em Buenos Aires, Argentina, em 1998.

Em consequência da desistência do Benim em ocupar a presidência, a Angola, seguindo a estratégia diplomática do governo, assumiu a presidência pro tempore da ZPCAS e sediou a VI Reunião Ministerial da ZPCAS em 2007. A partir da presidência angolana, era esperada a revitalização da zona por meio da continuação de solução de conflitos e das práticas de desnuclearização, isto é, livre de armas nucleares e de destruição em massa.

Em 2013, a VII Reunião Ministerial ocorreu em Montevidéu, Uruguai, durante a qual se elaboraram a Declaração de Montevidéu e o Plano de Ação de Montevidéu. O Uruguai manteve a presidência do foro de 2013 a 2023.

A VIII Reunião Ministerial estava prevista para acontecer em 2015, mas o Cabo Verde não pôde abrigar o encontro por problemas orçamentários, iniciando um "silêncio atlântico" por alguns anos.

Em 2021, a Assembleia Geral da ONU encorajou os países aderentes da ZOPACAS a realizarem encontros ministeriais bienalmente, além de reuniões anuais às margens da Assembleia Geral.

Em 2023, o "silêncio atlântico" foi quebrado com a realização da VIII Reunião Ministerial em Mindelo, Cabo Verde, com a presença de representantes de 17 dos 24 países integrantes do foro. O encontro gerou a Declaração de Mindelo e o Plano de Ação de Mindelo. O Cabo Verde assumiu a presidência da ZOPACAS até 2026.

Em 2026, é realizada a IX Reunião Ministerial no Rio de Janeiro, Brasil, que emite a Declaração do Rio de nove de abril de 2026 e adota a Estratégia de Cooperação do Rio de Janeiro. O Brasil assumiu a presidência da ZOPACAS no triênio 2026-2029.

Membros miniatura|direita|250px|O Atlântico Sul visto do espaço. Os membros da ZPCAS são os países banhados pela parte sul do oceano Atlântico, que é o segundo maior oceano e cobre 20% da superfície terrestre, localizados na costa ocidental da África e alguns na costa oriental da América do Sul. Os 24 Estados (três sulamericanos e os demais, africanos) que compõem a organização internacional são:

Idioma A ZPCAS possui quatro idiomas oficiais: português, espanhol, francês e inglês.

Cinco dos oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa também fazem parte da ZPCAS: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe. Adicionalmente, Guiné-Equatorial, e Senegal dois dos três membros associados da CPLP (o outro é a Maurícia), e Uruguai, onde o ensino da língua portuguesa é obrigatória a partir do sexto ano de escolaridade, também são membros.

Outro grupo numeroso é o de francófonos. Quase todos os membros africanos da ZPCAS são membros da Organização Internacional da Francofonia: Benin, Cabo Verde, Camarões, Congo, Costa do Marfim, Gabão, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, RD Congo, São Tomé e Príncipe, Senegal e Togo.

Há também os anglófonos que também são membros da Comunidade das Nações e hispanófonos, no entanto estão em menor número.

Ver também Organização do Tratado do Atlântico Norte Política externa do Brasil Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares Tratado para a Proibição de Armas Nucleares na América Latina e o Caribe Tratado africano para a formação de uma zona livre de armas nucleares Cúpula América do Sul - África

Ligações externas Sobre a organização no sítio eletrônico do Ministério das Relações Exteriores do Brasil

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