O rio das Antas é um curso d’água localizado no extremo oeste do estado de Santa Catarina, no Brasil, e integra a bacia hidrográfica do rio Uruguai. Nasce da confluência dos rios Lajeado Grande e Jacutinga, na divisa entre os municípios de São José do Cedro e Palma Sola, e percorre aproximadamente 200 quilômetros até desaguar no rio Uruguai, no território de Mondaí. A bacia do rio das Antas apresenta altitudes que chegam a cerca de 900 metros e abrange diversos municípios do Oeste catarinense, entre eles Descanso, Romelândia, São Miguel do Oeste e Flor do Sertão.

O rio tem relevância ambiental e econômica para a região, com presença de áreas de preservação, fauna diversificada e empreendimentos hidrelétricos de pequeno porte em seu curso. Estudos ambientais, como a Avaliação Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio das Antas, apontam a complexa dinâmica fluvial da bacia, caracterizada por diferentes padrões de drenagem e variações no relevo associadas à estrutura geológica local. Ao longo da bacia hidrográfica foram registradas 373 espécies de vertebrados terrestres, sendo 283 de avifauna (aves), 46 de herpetofauna (anfíbios e répteis) e 44 de mastofauna (mamíferos).

Usinas Hidrelétricas

PCH Flor do Sertão No curso do rio das Antas, integrante da bacia hidrográfica do rio Uruguai, está localizada a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Flor do Sertão. O empreendimento foi construído pela empresa Mauê S/A, constituída por oito cooperativas catarinenses: Aurora Coop (Chapecó), Cooperalfa (Chapecó), Ceraçá (Saudades), Cooper A-1 (Palmitos), Cooperitaipu (Pinhalzinho), Copérdia (Concórdia), Coopercampos (Campos Novos) e Auriverde (Cunha Porã).

Inaugurada em 2007, a PCH Flor do Sertão possui potência instalada de 16,5 MW, com geração média de 9 MW, energia suficiente para abastecer cerca de 40 mil residências. O investimento total foi de aproximadamente R$ 47,6 milhões, sendo R$ 31,3 milhões financiados pelo BNDES e o restante aportado pelas cooperativas acionistas. O empreendimento comercializa energia com a Eletrobras no âmbito do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).

A barragem da usina, localizada entre os municípios de Flor do Sertão, Descanso, Romelândia e São Miguel do Oeste, tem 19 m de altura e forma um reservatório de cerca de 91 hectares (ou 150 ha segundo estimativas da prefeitura), com 10,5 km de extensão linear. Foram instituídas áreas de preservação totalizando 169 hectares e implantados programas de recomposição da flora, monitoramento da fauna e controle da qualidade da água, em conformidade com as diretrizes ambientais da Fatma.

PCH Garça Branca

A PCH Garça Branca entrou em operação em julho de 2018 e está localizada entre os municípios de Anchieta e Guaraciaba, no Oeste Catarinense. O barramento situa-se às coordenadas 26°34’40”S e 53°26’01”O, a cerca de 129 km da foz do rio das Antas. O acesso ao empreendimento é feito pela rodovia SC-305, a partir de Anchieta.

O reservatório formado possui área total de 87,27 hectares, com cerca de 63 ha efetivamente alagados. A usina opera com uma queda bruta de aproximadamente 21 metros e vazão turbinada de 36,9 m³/s, gerando potência instalada de 6,5 MW. O trecho de vazão reduzida do rio é de cerca de 6,5 km, e a vazão mínima liberada é de 0,62 m³/s. A energia é transmitida por uma linha de 22,7 km até a subestação da Celesc em São José do Cedro.

PCH São Jorge

A PCH São Jorge está em operação desde 2014 e localiza-se entre os municípios de Romelândia e Barra Bonita, a aproximadamente 90 km da foz do rio das Antas. Há previsão de implantação da CGH Barra Bonita a montante e da PCH Rabo de Galo a jusante. O acesso ao empreendimento é feito a partir do município de Romelândia, seguindo pela SC-492 em direção sudoeste até a Rua Princesa Isabel e, em seguida, por estrada vicinal até o barramento.

O empreendimento possui barramento nas coordenadas 26°42’39” S e 53°23’30” O, com área de drenagem contribuinte de 1 000 km². O reservatório tem 124,95 ha, dos quais 92,1 ha são área alagada. A usina opera com uma queda bruta de cerca de 23 m e vazão turbinada de 45,15 m³/s, acionando duas turbinas Kaplan “S” que somam 8,5 MW de potência instalada. O trecho de vazão reduzida é de aproximadamente 5,6 km, e a vazão remanescente mínima é de 1,185 m³/s, liberada por dispositivo no vertedouro que inclui uma turbina submersível adicional de 150 kW. A energia gerada é transmitida por uma linha de 13 km até a subestação da Celesc em São Miguel do Oeste.

Ver também Hidrografia de Santa Catarina

Referências

Categoria:Rios de Santa Catarina Categoria:Rio Uruguai Categoria:Afluentes do rio Uruguai