Grêmio Recreativo Escola de Samba Bom das Bocas é uma escola de samba de Três Rios, sendo a escola mais antiga de Três Rios em atividade. Suas cores são o verde e o branco.

A escola já venceu por 15 vezes o carnaval trirriense.

História Pode-se caracterizar a década de 1960 como sendo um tempo de grandes impactos na história do país. A construção da cidade de Brasília, o curto, porém polêmico governo de Jânio Quadros, a ascensão de João Goulart ao poder e o Golpe Militar de 1964, foram fatos marcantes e propulsores de uma produção cultural ímpar.

Dentro deste cenário nacional, os moradores da cidade de Três Rios não eram meros expectadores, na verdade, o desejo por espaços de expressão contaminava as pessoas e a periferia tinha muito a contribuir.

O G.R.E.S Caixa D’Água havia parado suas atividades limitando os espaços de cultura dos moradores, não só da periferia, como também do centro da cidade. Neste clima, em 6 de janeiro de 1963,  35 amigos, resolveram formar um bloco para brincar o carnaval, o “Bom das Bocas”.  Formado só por homens, o bloco contava com Bina Fuzil, Tião Touro, Veludo, Chiquinho Cobrinha, Luís Empenado, dentre outros

A brincadeira não parou naquele ano, já em 1967 o bloco precisava de um local para desenvolver suas atividades. Então, estes homens ocuparam um terreno, de propriedade de Sr. Chico, na entrada do bairro Caixa D’Água e sabe-se que já aceitavam mulheres como componentes.

Em 1970 o Bloco Carnavalesco Bom das Bocas, nome esse dado por Bina Fuzil na cidade de Juiz de Fora, foi o campeão entre os blocos apresentando o enredo “Três Rios de ontem e de hoje” contando com o samba enredo de autoria de Ézio, Juca e Licinho.

Em 1971 o bloco marcou o carnaval  da cidade apresentando o enredo “Coisas da Velha Província” , enredo de autoria de  Luiz Empenado e Licinho, dois dos maiores autores de samba enredo da história da Bom das Bocas. Luiz Empenado, irmão de Bina Fuzil nos deixou precocemente junto com Licinho, mas que até hoje são lembrados por muitos aqueles que sentem falta dos enredos  de quadra.

Nos anos 70 o Brasil viveu o ápice e o declínio do milagre econômico, sendo a inflação a tônica da época. A produção musical, com a discoteca, foi a grande marca cultural juntamente com o fenômeno que foi a televisão. As músicas de Erasmo e Roberto Carlos, Raul Seixas, Tim Maia, Caetano, Djavan e outros tantos cantores brasileiros ilustravam nossa história. No samba Chico Buarque de Hollanda lança “Apesar de Você”, Paulinho da Viola presenteia a história do carnaval com “Foi um rio que passou em minha vida” e o Bloco Carnavalesco Bom das Bocas continuou a desenhar sua história de sucesso.

Em 1972, o bloco estava grande demais e passou então a ser uma escola de samba, o G.R.E.S. Bom das Bocas. Neste ano apresentou o enredo “Riquezas Minerais", de autoria de Luiz Empenado e Ézio.

Com as cores verde e branca, a escola inicia uma jornada marcada principalmente pela capacidade de superação conquistando títulos e escrevendo a história do carnaval trirriense.

1973-“Brasil Festeiro”

Em 1973, com o enredo “Brasil Festeiro” de autoria de Lutero Batista Reis, o Bom das Bocas não leva o título, mas em compensação, torna-se o termômetro do carnaval de Três Rios, uma escola de samba sem fronteiras, inclusiva, idealista, guerreira e que prima cada desfile pelo poder que seus componentes têm em inovar.

1974- “O Circo”

No ano de 1974, a escola teve a primeira e única mulher a ser a intérprete do samba na avenida.

1975- “Brasil em Três Tempos ”

1976-“Palmares, um sonho de liberdade”

Neste ano de 1976 pode-se recordar através da matéria publicada no Entre-Rios Jornal de como os ânimos ficavam acirrados nos dias de apuração dos desfiles das escolas de samba:

“Depredação, pancadaria e tiros na vitória do Bom das Bocas”

“O carnaval trirriense teve um desfecho melancólico naquela tarde de sábado, quando a ASCATRI, divulgou os resultados que deram a vitória por meio ponto à Escola Bom das Bocas, seguida de Bambas, Mocidade, Caixa D’Água e Unidos de Levy Gaparian. Torcedores das escolas vencidas exaltados, iniciavam um conflito na Praça São Sebastião dirigindo-se à Avenida Beira-Rio, destruindo grande parte da ornamentação colocada pela prefeitura e, em seguida, deslocaram-se para a Praça da autonomia, iniciando a depredação.

A apuração dos votos dados pela Comissão Julgadora do desfile desenrolava-se no Teatro Celso Peçanha em clima de cordialidade e entendimento entre os representantes das diversas escolas. Do lado de fora a multidão aguardava o anúncio final que, quando veio, comunicou a vitória da rival. Logo após, entretanto, era retificado; com o Bom das Bocas, aparecendo como vencedor o que de fato aconteceu de acordo com a soma dos diversos itens. A massa tornou-se, então furiosa. Agressões sucederam-se e uma multidão de mais de mil pessoas marchou para a Avenida Beira-Rio, promovendo a destruição das cabines alegóricas, refletores , etc.”

1977-“Das Lendas do Velho Chico ao Pavão Misterioso”

Nem com “As lendas do Velho Chico ao Pavão Misterioso”, de autoria de Pretinho, Amaro e Leila o Bom das Bocas conseguiu o Bi-campeonato. Começa neste ano o brilhantismo das conquistas do Bambas do Ritmo .

1978-“Sonho e delírio de Fernão Dias Paes, o caçador de esmeraldas”

“Mesmo com um dos melhores sambas enredo da história do Bom das Bocas, Sonho e Deliro de Fernão Dias, o caçador de Esmeraldas, de autoria de Didi, Neném e Reja não foi suficiente para que a escola levasse o título daquele ano.”

1979- “Da Caatinga da Nega ao Bom das Bocas”

E o mesmo repetiu-se no ano de 1979, com o enredo ”Da Caatinga da Nega ao Bom das Bocas”,  Esse foi uns dos piores anos da escola, onde amargou 3 anos seguidos com o vice-campeonato. E Além disso, o Bom das Bocas tem uma perda grande no carnaval, inexplicavelmente, Bina Fuzil abandona o carnaval para sempre.

1980- “Mãe Bahia das Mil crenças”

“Com o enredo “Mãe Bahia das mil Crenças” Bom das Bocas sagrou-se como grande campeã.”

“Em 1980 com o enredo “Com suas mil crenças, mãe Bahia virou moda” sagrou-se como grande campeão.”

“Depois de toda expectativa em torno de o que cada escola mostraria na Avenida, as escolas coloriram a Beira-Rio. E lembrando as “mil crenças da Bahia” em meio a aplausos, o povo trirriense teve possibilidade de assistir neste carnaval um dos maiores espetáculos da história do nosso carnaval. No final, Bom das Bocas, foi o grande campeão da avenida com 82 pontos seguido pela concorrência com 81.

Para felicidade do carnaval da cidade que ganha assim mais motivação para o próximo carnaval do próximo ano e, seguindo os torcedores do Bom das Bocas, por justiça, uma vez que o “rival”, além de não ter vindo tão exuberante atravessou na avenida, o título de campeão vai para a Rua 8 de Maio.

1981- “Europa, França e Bahia”

Com a tentativa de seu 1º Bi-campeonato o G.R.E.S. Bom das Bocas no carnaval de 1981, veio com o Enredo, “Europa, França e Bahia”, de autoria de David Correa, Rogério e Chiquinho. Infelizmente esse titulo mais uma vez ficou com a co-irmã.

1982-“Viagem maravilhosa ao mundo da Fantasia”

No ano de 1982, o Bom das Bocas teve a honra de ter seu Enredo, “Viajem Maravilhosa ao Mundo da Fantasia”, feito por um dos maiores personagens do carnaval brasileiro, Neguinho da Beija-Flor. Nem esse reforço de peso no carnaval da verde e branco, foi possível para levar o título.

1983-“Casemiru de abreu”

“Bom das Bocas é Tri-vice campeã.”

No carnaval de 1983, o Bom das Bocas foi a 1ª escola a desfilar na avenida, trazendo o enredo em homenagem à Casimiro de Abreu. A escola atrasou 1h e 30 min, e foi penalizada de acordo com o que estava previsto na reunião com a comissão organizadora. (narrativas orais)

Com a avenida lotada e sob os aplausos dos espectadores, a Bom das Bocas se apresentou com 800 componentes, distribuídos em 8 alas, 3 carros alegóricos e 60 componentes na bateria.

O tema do enredo, “Meus 8 anos de Casimiro de Abreu” foi cantado em toda a extensão da passarela, tanto pelos componentes da escola, quanto pelo povo.

A escola brilhou na avenida, com todos os seus foliões sambando até o fim. A escola fechou seu desfile às 22h:30m, com torcida acompanhando-a até o cordão de isolamento.

1984- “Quem não pode com mandiga não carrega patuá”

Nos anos de 1985 e 1986 o carnaval começa a sofrer com a falta de estrutura da comissão organizadora.

1987-“Mar de Minas Gerais”

“Bom das Bocas e Mixyricka os favoritos na Avenida”

“Segundo componentes de Escola de Samba, a má organização do carnaval de rua de Três Rios, prejudicou demasiadamente o desenvolvimento das Escolas, no domingo de carnaval. O desfile era para ter início às 20 horas, mas com o atraso das juradas, que vieram da Flumitur, só teve início às 22h e 30 min. Componentes impacientes, pediram para que os outros não se afastassem para não prejudicar a agremiação.

Por volta das 2h 30 min de segunda-feira, começou o desfile do Bom das Bocas, que segundo alguns componentes, seria o campeão desse ano. As alegorias de Lelei encantaram o público, assim como a beleza das mulheres que desfilaram pela avenida, encarnando o verde e branco. A comissão de frente que não deixou nada a desejar para as grandes escolas de samba do Rio. Assim veio o Bom das Bocas, trazendo uma evolução simples, e a alegria de 20 jovens, encarnando as roupas de gala do reino de Netuno, rei dos mares , representado por Juninho, num dos carros , 10 moças e 10 rapazes, encantaram o povo na Beira-Rio, com mais uma mostra do bom gosto de Wanderley Rodrigues.”

A bateria veio vestida de “Orquestra Real”, com mais ou menos 80 componentes. Também  desceram pela Beira-Rio, as alas de “Frevo”, “Maracatu” e outras, todas luxuosíssimas, empregando muito bem o verde e branco. Outra ala de destaque, era a comandada por Bené, os “Guardiões”, da comissão de frente.”

“Comissão de frente é orgulho de Três Rios”

“Uma comissão de frente que não deixou nada a desejar para as grandes escolas de samba do Rio. Assim veio o Bom das Bocas, trazendo uma evolução simples, e a alegria de 20 jovens, encarnando as roupas de gala do reino de Netuno, rei dos mares , representado por Juninho, num dos carros , 10 moças e 10 rapazes, encantaram o povo na Beira-Rio, com mais uma mostra do bom gosto de Wanderley Rodrigues.”

(Jornal  O Diário-- quinta-feira, 05 de março de 1987)

1988- “Esse Dourado El Dorado”

“Bom das Bocas É a Campeã de 88”

“Realmente , não houve surpresa quanto ao resultado, porquanto a maioria do povo já havia escolhido o Bom das Bocas como favorita.

A Escola de samba Bom das Bocas é a nova campeã do carnaval trirriense. A apuração dos votos foi realizado ontem à tarde na Ilha do Sola e após aberta as urnas foi constatado o resultado oficial: o Bom das Bocas com o enredo “Este dourado El Dorado”, de autoria de Wanderley Rodrigues, venceu.

O presidente da escola, disse emocionado após o resultado que foi feito um trabalho com muito amor é com muito sacrifício, para que escola conseguisse apresentar o brilhante carnaval. O último campeonato do bom das bocas tinha sido em 1980.

Após a divulgação do resultado oficial houve um arrastão dos membros da escola, percorrendo as ruas do centro e terminando na quadra da escola, na caixa d’água.”

Jornal “O diário “

1989-“Acredite Se Quiser”

Levando um susto na apuração dos primeiros quesitos, quando o Bom das Bocas tirou três 10 e colocou dois pontos na frente, a Mocidade Independente da Vila Izabel, reagindo nos demais sete quesitos para totalizar 86 pontos, foi a vencedora do desfile carnavalesco de Três Rios do primeiro grupo, ficando o Bom das Bocas com 82 pontos.

No mesmo ano houve a 1º eleição da Garota Bom das Bocas, que reuniu um bom público no esporte clube Três Rios.