thumb|direita|280px|Uso majoritário dos termos 'castelhano' e 'espanhol'. A polêmica em torno das denominações 'espanhol' e 'castelhano' está baseada num suposto conflito para decidir a terminologia mais apropriada para denominar o idioma falado na Hispano-América, na Espanha e noutras zonas hispanófonas. Assim, a polêmica está entre os termos 'espanhol' (español, em espanhol) ou 'castelhano' (castellano, em espanhol), ou melhor, se ambas são formas perfeitamente sinônimas e aceitáveis, que é atualmente o critério acadêmico.
Como muitas das controvérsias relacionadas com a denominação duma língua que identifica determinado território ('espanhol' com Espanha, e 'castelhano' com Castela), o que transmite uma ideologia ou um passado histórico que provoca rejeição, o que implica uma luta a favor de uma denominação única para facilitar sua identificação internacional e a localização das produções na língua citada (por exemplo, em redes informáticas), a controvérsia é de raiz ideológica, política e econômica.
Do ponto de vista estritamente linguístico, não há preferências por uma ou outra denominação. A ciência linguística, sempre que não atua ideologicamente, se limita a estudar e caracterizar a complexidade dos sistemas linguísticos inter-relacionados que compõem um diassistema ou língua histórica (como conjunto mais ou menos complexos de variedades geoletais, socioletais e funcionais, variáveis a sua vez no tempo), e, terminologicamente, a recorrer aos diversos usos denominativos de uma língua ou família linguística. Para a ciência linguística, ambos os termos são válidos na hora de designar o diassistema da língua histórica chamada popular e oficialmente 'castelhana' ou 'espanhola'.
No âmbito normativo prescritivo, segundo a normativa estabelecida pelos principais organismos de política linguística da área hispanófonas em relação à codificação do estandarte idiomático (Real Academia Espanhola e Associação de Academias da Língua Espanhola), 'castelhano' e 'espanhol' são terminologias sinônimas. Assim, o Diccionario Panhispánico de Dudas (DPD), obra de caráter normativo atualmente vigente, aprovada pela Associação de Academias da Língua Espanhola, estabelece:
Introdução Ainda que a introdução do idioma nos países conquistados fosse anterior à existência da Espanha como Estado moderno, o Diccionario de Lengua Española da Real Academia Espanhola (RAE) apresenta 'castelhano' e 'espanhol' como sinônimos.
Em 1737, escrevia o valenciano Gregorio Mayans em seu livro Orígenes de la lengua española o seguinte:
O lingüista venezulano Andrés Bello titula sua principal obra como Gramática de la lengua castellana e explica no prefácio (3b)http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/12145074229036051543435/p0000002.htm#I_14_:
Na Espanha, freqüentemente usa-se o termo 'espanhol' para se referir ao idioma em oposição aos idiomas estrangeiros, e 'castelhano' em relação a outros idiomas que também são falados na Espanha. Isso é o que recomenda Manuel Seco em seu Diccionario de dudas y dificultades del castellano. Assim, nas comunidades com idioma próprio, a prática usual tem sido tradicionalmente chamá-lo de 'castelhano', por costume e inércia histórica, sem que este termo tenha o porquê de possuir conotações políticas. Por outro lado, a Constituição espanhola de 1978, no seu terceiro artigo, utiliza a forma 'castelhano' para o idioma, diferenciando-o dos outros idiomas espanhóis:
Diz-se que o resto das línguas faladas na Espanha, como o basco, ou catalão ou galego, também são espanholasVeja, por exemplo, o uso do termo 'línguas espanholas' que é feito numa página eletrônica do Ministério da Educação . Assim também se refere o DPD, se bem que fazendo explícito que esta denominação convive também noutros contextos com o nome 'espanhol':
Pelo contrário, há quem argumenta que o termo 'espanhol' refere-se à língua oficial do Estado espanholPublicaciones de la Universidad Complutense de Madrid, enquanto um idioma como o galego refere-se à língua própria da Galiza. O fato de que províncias como Corunha sejam galegas e espanholas ao mesmo tempo, são a base da chamada cooficialidade dos idiomas espanhol e galego.
Também é argumentado que a denominação correta seja 'castelhano' devido ao fato que a língua surgiu em Castela e depois se espalhou por todo território espanhol pela supremacia política do Reino de Castela sobre os demais reinos ibéricos. Esses autores só podem pôr como exemplo que, no Reino Unido e outros países anglófonos, o idioma é chamado de inglês (e não britânico), pois é originário da Inglaterra, ainda que este caso não seja inteiramente extrapolável ao idioma em análise, porque o termo 'castelhano' não encontra eco noutras línguas como se fala o inglês (e neste caso, o termo 'espanhol'). Um caso mais parecido ao espanhol encontra-se na Itália, onde o italiano deriva do toscano frente a outras línguas e dialetos italianos.
Depois de que a Espanha perdeu suas colônias americanas, alguns intelectuais americanos seguiram o emprego do termo "América Espanhola"José Carlos Mariátegui, 1924. Disponível em: http://www.marxists.org/espanol/mariateg/6-xii-24.htm , nas primeiras décadas do século XX. Ainda que isto tenha causado certa divisão em setores da sociedade, todos os países hispanófonos denominam oficialmente 'espanhol' o seu idioma, como é evidenciado as suas afiliações à Associação de Academias da Língua Espanhola.
Algumas razões da controvérsia A controvérsia transcende o debate meramente acadêmico ou de adequação terminológica, já que com certa freqüência o debate mesclou-se com intenções políticas de dois tipos:
Dentro da Espanha, certos setores nacionalistas e/ou regionalistas tem predefinido o termo 'castelhano' por entender que todas as línguas da Espanha são autóctonas de certo território que é uma parte do território espanhol. Entretanto, nos últimos tempos é possível perceber também uma terceira tendência a utilizar o termo 'castelhano' por parte destes setores, para reforçar a ideia de que os territórios como Catalunha ou País Basco não fariam parte da Espanha. Em contraposição, os setores não nacionalistas, juntamente com os nacionalistas espanhóis, defendem majoritariamente o termo 'espanhol' para demonstrar a preeminência ou naturalidade de descrever a língua comum dos espanhóis. Nos tempos da ditadura de Miguel Primo de Rivera, foi produzido um apropriamento do termo 'espanhol' ao mesmo tempo em que se fixam cânones de correção baseados no uso castelhano (e concretamente burguês) para evitar a centrifugação patente nas falas periféricas (andaluz, murciano…). Mais tarde, durante a ditadura de Francisco Franco, reforçou-se a identificação do 'espanhol' com a indivisibilidade da pátria. Na América hispânica, chegou-se a considerar que o uso do termo 'espanhol' era uma forma de subordinação cultural à Espanha. Também foi considerado que o idioma deve ser chamado de 'espanhol', porque foi trazido pelo conquistadores espanhóis, e que chamá-lo de 'castelhano' seria uma tentativa de isentar o Estado moderno espanhol da responsabilidade moral e histórica de ter imposto uma cultura e um idioma completamente estranhos aos habitantes originais dessas terras. No entanto, é uma feito histórico que a conquista da América foi uma empreitada da Coroa de Castela, como demonstra o que os naturais dos reinos da Coroa de Aragão não pudessem comercializar livremente com as colônias até a abolição da escravatura e sua submissão e redução às leis de Castela por obra de Felipe V.
Preferências de uso Academias da língua espanhola As academias da língua espanhola dos países em que o termo 'castelhano' é usado corriqueiramente (como Chile ou Argentina) adotaram 'idioma espanhol'. Para estas academias, que fixam o léxico normativo de seu país, o termo é de origem filológico e não possui conotações políticas. Por exemplo, segundo a Academia Argentina de LetrasBoletín de la Academia Argentina de Letras, t. XLVII, nº 187-188, janeiro-junho de 1983, p. 135:
Já a Associação de Academias da Língua Espanhola mediante de seu DPD, de caráter normativo, declarou:
Uma vez afirmado que ambas as formas são válidas, todas as academias da língua espanhola, através do DPD, recomendam, em geral, o uso do 'espanhol', como é perceptível em:
A constituição espanhola A atual constituição espanhola vigente estabelece o castelhano como língua oficial da Espanha, diferenciando-a das outras línguas espanholas que são co-oficiais nas comunidades de idioma próprio, de acordo com os respectivos estatutos de autonomia. Este é o caso do basco, catalão e galego.
As constituições latino-americanas As Constituições dos países latino-americanos onde o espanhol é a língua oficial ou co-oficial seguem a seguinte distribuição denominativa: O termo 'castelhano' é usado em sete países: Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Paraguai, Peru e Venezuela. O termo 'espanhol' é usado em cinco países: Cuba, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá.
Não há menção a alguma língua oficial nas constituições da Argentina, da Costa Rica, do Chile, do México, de Porto Rico, da República Dominicana e do Uruguai.
Ver também História da língua espanhola Línguas ibéricas Línguas da Espanha Línguas ibero-românicas
Ligações externas
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