A partição do Império Otomano (30 de outubro de 1918 – 1 de novembro de 1922) foi um evento geopolítico ocorrido após a Primeira Guerra Mundial e a ocupação de Constantinopla por tropas do Reino Unido, da França e do Reino da Itália em novembro de 1918. A partição foi planejada em vários acordos feitos pelas Potências Aliadas no início da Primeira Guerra Mundial,Paul C. Helmreich, From Paris to Sèvres: The Partition of the Ottoman Empire at the Peace Conference of 1919–1920 (Ohio University Press, 1974) em especial o Acordo Sykes–Picot, depois que o Império Otomano se aliou ao Império Alemão para formar a aliança germano-otomana.Fromkin, A Peace to End All Peace (1989), pp. 49–50. O imenso conjunto de territórios e povos que antes compunham o Império Otomano foi dividido em vários novos Estados.Roderic H. Davison; Review "From Paris to Sèvres: The Partition of the Ottoman Empire at the Peace Conference of 1919–1920" by Paul C. Helmreich in Slavic Review, Vol. 34, No. 1 (março de 1975), pp. 186–187 O Império Otomano havia sido o principal Estado islâmico em termos geopolíticos, culturais e ideológicos. A partição do Império Otomano após a guerra levou à dominação do Oriente Médio por potências cristãs ocidentais, como Itália, Reino Unido e França, e à criação do moderno mundo árabe e da República da Turquia. A resistência à influência dessas potências veio do Movimento Nacional Turco, mas não se tornou disseminada nos demais Estados pós-otomanos até o período de rápida descolonização posterior à Segunda Guerra Mundial.Roderic H. Davison; Review "From Paris to Sèvres: The Partition of the Ottoman Empire at the Peace Conference of 1919–1920" by Paul C. Helmreich in Slavic Review, Vol. 34, No. 1 (março de 1975)

O mandato da Liga das Nações concedeu o Mandato Francês da Síria e do Líbano, o Mandato Britânico da Mesopotâmia (posteriormente Iraque) e o Mandato Britânico da Palestina, depois dividido entre o Mandato Britânico da Palestina e o Emirado da Transjordânia (1921–1946). As possessões do Império Otomano na Península Arábica tornaram-se o Reino do Hejaz, que o Sultanato de Négede (atual Arábia Saudita) foi autorizado a anexar, e o Reino Mutavaquilita do Iêmen. As possessões do Império nas margens ocidentais do Golfo Pérsico foram anexadas de diferentes formas pela Arábia Saudita (al-Ahsa e Qatif) ou permaneceram como protetorados britânicos (Kuwait, Bahrein e Qatar), tornando-se os Estados Árabes do Golfo Pérsico.

Depois do colapso completo do governo otomano, seus representantes assinaram o Tratado de Sèvres em 1920, que teria dividido grande parte do território da atual Turquia entre França, Reino Unido, Grécia e Itália. A Guerra de Independência Turca obrigou as potências da Europa Ocidental a retornar à mesa de negociações antes que o tratado pudesse ser ratificado. Os europeus ocidentais e a Grande Assembleia Nacional da Turquia assinaram e ratificaram o novo Tratado de Lausanne em 1923, substituindo o Tratado de Sèvres e chegando a acordo sobre a maioria das questões territoriais.P. Helmreich, From Paris to Sèvres (Ohio State University Press, 1974)

Uma questão não resolvida, a disputa entre o Reino do Iraque e a República da Turquia sobre a antiga província de Mossul, foi posteriormente negociada sob os auspícios da Liga das Nações em 1926. Britânicos e franceses dividiram a região da Síria entre si no Acordo Sykes–Picot. Outros acordos secretos foram concluídos com a Itália e a Rússia. O movimento sionista internacional, após sua bem-sucedida atuação em favor da Declaração Balfour, incentivou a pressão por uma pátria judaica na Palestina. Embora fizesse parte da Tríplice Entente, a Rússia também tinha acordos de guerra que impediram sua participação na partição do Império Otomano depois da Revolução Russa. O Tratado de Sèvres reconheceu formalmente os novos mandatos da Liga das Nações na região, a independência do Iêmen e a soberania britânica sobre Chipre.

Antecedentes As potências ocidentais acreditavam havia muito tempo que acabariam se tornando dominantes na área reivindicada pelo fraco governo central do Império Otomano. O Reino Unido previa a necessidade de assegurar a região por causa de sua posição estratégica na rota para a Índia colonial e percebia-se envolvido em uma disputa com a Rússia por influência imperial conhecida como O Grande Jogo.Fromkin, A Peace to End All Peace (1989), pp. 26–28. Essas potências divergiam quanto a seus objetivos contraditórios para o pós-guerra e fizeram vários acordos duplos e triplos.Herbert Henry Asquith (1923). The Genesis of the War. p. 82

Mandatos franceses

A Síria e o Líbano tornaram-se um mandato da Liga das Nações francês.Fromkin, A Peace to End All Peace (1989), pp. 436–437. O controle francês enfrentou imediatamente resistência armada e, para combater o nacionalismo árabe, a França dividiu a área do mandato entre o Líbano e quatro sub-Estados.Quilliam, Syria and the New World Order (1999), p. 33. "To inhibit Arab nationalism from developing potency and challenging their administration, the French authorities operated an imperial policy of divide and rule. The dismemberment of 'Historical Syria' into artificial statelets signified a policy that sought to thwart the appeal of Arab nationalism. As the region is full of ethnic, religious, and linguistic minorities, the dismemberment followed a logical pattern that generated structural problems for the future. Mount Lebanon was detached from Syria with the surrounding Muslim environs of Sidon, Tripoli, and Beqa'. The remaining territory was subdivided into four mini-states: Aleppo, Damascus, Latakia, and Jabal al-Druze, thus disrupting the coherence of Arab nationalism within Bilad al-Sham."

Mandato da Síria Em comparação com o mandato do Líbano, a situação na Síria era mais caótica. As entidades indicadas são as que foram unificadas. Federação Síria: incluía o Estado de Damasco, o Estado Alauíta e o Estado de Alepo (incluindo o Sanjaco de Alexandreta), que eram os antigos componentes territoriais do breve Reino Árabe da Síria. Estado da Síria (1925–1930): sucessor da era da Federação Síria (sem incluir o Estado Alauíta). Primeira República Síria: Estado da Síria (1925–1930) com os territórios do Estado de Jabal Druso e do Estado Alauíta incorporados (o Estado de Hatay foi posteriormente incorporado à Turquia).

Mandato do Líbano Grande Líbano foi o nome de um território criado pela França. Foi o precursor do Líbano moderno. Existiu entre 1 de setembro de 1920 e 23 de maio de 1926. A França separou seu território da massa territorial do Levante (mandatada pela Liga das Nações) para criar um "refúgio" para a população cristã maronita. Os maronitas obtiveram autogoverno e asseguraram sua posição no Líbano independente em 1943.

A intervenção francesa em favor dos maronitas havia começado com as capitulações do Império Otomano, acordos feitos entre os séculos XVI e XIX. Em 1866, quando Youssef Bey Karam liderou uma revolta maronita no Monte Líbano, uma força naval liderada pela França chegou para ajudar, fazendo ameaças ao governador, Dawood Paxá, na Porta do Sultão, e depois retirando Karam para um local seguro.

Mandatos britânicos Os britânicos receberam três territórios mandatados, com um dos filhos do xarife Huceine, Faiçal, instalado como rei do Iraque, e a Transjordânia fornecendo um trono para outro dos filhos de Huceine, Abedalá. O Mandato Britânico da Palestina foi colocado sob administração direta britânica, e a população judaica foi autorizada a aumentar, inicialmente sob proteção britânica. A maior parte da Península Arábica coube a outro aliado britânico, Ibn Saud, que criou o Reino da Arábia Saudita em 1932.

Mandato da Mesopotâmia

Mossul foi atribuída à França pelo Acordo Sykes–Picot de 1916 e posteriormente entregue ao Reino Unido pelo Acordo Clemenceau–Lloyd George de 1918. A Grã-Bretanha e a Turquia disputaram o controle da antiga província otomana de Mossul na década de 1920. Pelo Tratado de Lausanne de 1923, Mossul ficou sob o Mandato Britânico da Mesopotâmia, mas a nova república turca reivindicou a província como parte de seu núcleo histórico.

Um comitê de três pessoas da Liga das Nações foi à região em 1924 para estudar o caso. Em 1925, recomendou que a região permanecesse ligada ao Iraque e que o Reino Unido mantivesse o mandato por mais 25 anos, a fim de garantir os direitos autônomos da população curda. A Turquia rejeitou essa decisão. Reino Unido, Iraque e Turquia firmaram um tratado em 5 de junho de 1926, que seguiu em grande parte a decisão do Conselho da Liga. Mossul permaneceu sob o Mandato Britânico da Mesopotâmia até que o Iraque recebeu independência em 1932, por insistência do rei Faisal, embora os britânicos tenham mantido bases militares e direitos de trânsito para suas forças no país nos termos do Tratado Anglo-Iraquiano de 1930.

Mandato da Palestina

thumb|right|200px|A rendição de Jerusalém aos britânicos em 9 de dezembro de 1917, após a Batalha de Jerusalém

Durante a Grande Guerra, o Reino Unido produziu três declarações contrastantes, mas possivelmente compatíveis, a respeito de suas ambições para a Palestina. O Reino Unido havia apoiado, por meio do oficial de inteligência britânico T. E. Lawrence (também conhecido como Lawrence da Arábia), a criação de um Estado árabe unido cobrindo uma grande área do Oriente Médio árabe em troca do apoio árabe aos britânicos durante a guerra. A Declaração Balfour de 1917 incentivou as ambições judaicas por um lar nacional. Por fim, os britânicos prometeram, por meio da Correspondência Hussein–McMahon, que a família haxemita teria domínio sobre a maior parte das terras da região em troca de seu apoio na grande Revolta Árabe.

A Revolta Árabe, em parte organizada por Lawrence, resultou na derrota das forças otomanas em 1917 pelas forças britânicas sob o comando do general Edmund Allenby na Campanha do Sinai e da Palestina e na ocupação da Palestina e da Síria. A terra foi administrada pelos britânicos pelo restante da guerra.

O Reino Unido recebeu o controle da Palestina pela Conferência de Paz de Versalhes, que estabeleceu a Liga das Nações em 1919. Herbert Samuel, ex-Postmaster General no gabinete britânico, que foi fundamental na redação da Declaração Balfour, foi nomeado o primeiro alto-comissário na Palestina. Em 1920, na Conferência de San Remo, na Itália, o mandato da Liga das Nações sobre a Palestina foi atribuído ao Reino Unido. Em 1923, o Reino Unido transferiu parte das Colinas de Golã ao Mandato Francês da Síria, em troca da região de Metula.

Movimentos de independência e ocupações Quando os otomanos se retiraram, os árabes proclamaram um Estado independente em Damasco, mas eram militar e economicamente fracos demais para resistir por muito tempo às potências europeias, e Reino Unido e França logo restabeleceram o controle.

Durante as décadas de 1920 e 1930, Iraque, Síria e Egito avançaram em direção à independência, embora britânicos e franceses só tenham deixado formalmente a região depois da Segunda Guerra Mundial. Na Palestina, porém, as forças conflitantes do nacionalismo árabe e do sionismo criaram uma situação que os britânicos não conseguiam resolver nem da qual conseguiam se desvincular. A ascensão do nazismo ao poder na Alemanha criou nova urgência na busca sionista pela criação de um Estado judeu na Palestina, levando ao conflito israelo-palestino.

Península Arábica Na Península Arábica, os árabes conseguiram estabelecer vários Estados independentes. Em 1916, o xarife de Meca Huceine estabeleceu o Reino do Hejaz, enquanto o Emirado de Riade foi transformado no Sultanato de Négede. Em 1926, foi formado o Reino de Négede e Hejaz, que em 1932 se tornou o Reino da Arábia Saudita. O Reino Mutavaquilita do Iêmen tornou-se independente em 1918, enquanto os Estados Árabes do Golfo Pérsico tornaram-se protetorados britânicos de facto, com alguma autonomia interna.

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