Light Years é o sétimo álbum de estúdio da artista musical australiana Kylie Minogue. O seu lançamento ocorreu em 25 de setembro de 2000, através da Parlophone. O disco possui uma sonoridade descrita como "futurística", tendo como gêneros musicais principais como o dance-pop, disco e europop, enquanto a sua instrumentação é constituída por guitarras, tambores, cordas e flauta. Liricamente, as faixas refletem-se ao amor, à dança e, no caso de faixas como "Spinning Around", à reinvenção. As gravações do projeto ocorreram durante os anos de 1999 e 2000, com a produção de profissionais como Steve Anderson, Guy Chambers, Johnny Douglas, Julian Gallagher, Mark Picchiotti, Steve Power, Mike Spencer, Graham Stack, Richard Stannard e Mark Taylor.
Após o mau desempenho de Impossible Princess (1997), que experimentou estilos diferentes e foi descrito pela artista como seu "esforço mais pessoal", e a finalização da digressão Intimate and Live Tour em julho de 1998, a cantora foi demitida da gravadora Deconstruction, a qual lançou o disco citado. Ela continuou trabalhando em alguns projetos, como uma participação no filme Sample People e um dueto com Pet Shop Boys, para o álbum da dupla supracitada. Contudo, assinou com a Parlophone em junho do ano seguinte, iniciando o trabalho de um novo projeto meses depois. Um dos primeiros produtores citados para ajudar Minogue com o álbum foi Pete Waterman, que era seu produtor juntamente com Mike Stock e Matt Aitken no começo de sua carreira, mas a parceria não ocorreu.
Light Years recebeu revisões geralmente mistas da mídia especializada, a qual prezou a mistura de diferentes estilos e a composição. Entretanto, alguns disseram que sua qualidade era "decepcionante". Mesmo com as resenhas mistas, o disco foi indicado a três categorias durante os ARIA Awards de 2001, nomeadamente Album of The Year, Best Female Artist, Best Pop Release e Single of The Year, sendo que a nomeação desta última categoria foi concedida para "Spinning Around". Minogue acabou por vencer a segunda e terceira. Comercialmente, o material recebeu um desempenho mediano, alcançando o topo da tabela da Austrália, seu país natal, ao passo que qualificou-se entre os vinte primeiros em mais seis países. O material recebeu certificação de platina quádrupla pela Australian Recording Industry Association (ARIA) e de platina pela British Phonographic Industry (BPI), e foi o 69º bem mais vendido na Austrália na década de 2000.
A fim de promover o disco, foram lançados cinco singles de seu alinhamento. O primeiro, "Spinning Around", atingiu a primeira colocação das tabelas da Austrália e Reino Unido; e as dez melhores posições em dois países. "On a Night Like This" e "Kids" tiveram um desempenho semelhante ao antecessor, com o último sendo uma colaboração entre Minogue e Robbie Williams. Usado como o quarto single, "Please Stay" entrou na décima posição da Bélgica, Escócia e Reino Unido, enquanto que entrou nas vinte melhores posições de três países. Já o último, "Your Disco Needs You", não foi bem sucedido, entrando na 152ª colocação do Reino Unido e nas quarentas primeiras posições da Austrália, Suíça e Alemanha. Como forma de divulgação do material, a cantora interpretou as canções em diversos programas de televisão, se apresentou nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2000 e embarcou na On a Night Like This Tour. O álbum e o vídeo musical de "Spinning Around" foram avaliados pela crítica como o fim da era intitulada como "Indie Kylie", utilizada por Minogue no final da década de 1990, para um estilo da artista adjetivado como "exagerado", além de ser dito como uma "retorno decisivo para a música pop" de Minogue.
Antecedentes e desenvolvimento esquerda|miniaturadaimagem|Minogue se apresentando na abertura dos Jogos Paralímpicos ocorridos em Sydney, em outubro de 2000.|200x200px Em novembro de 1997, Minogue lançou seu sexto álbum de estúdio, Impossible Princess, que teve como estilos musicais o trip hop e techno, sendo reconhecido pela artista como "seu esforço mais pessoal". O disco foi o menos vendido de sua carreira, sendo que na Austrália, seu país natal, vendeu 18 mil cópias nas duas primeiras semanas de seu lançamento e 47 mil no total até novembro de 1998, além de só conseguir entrar nas tabelas musicais da Escócia, Austrália e Reino Unido.Conferir: Reino Unido: Escócia: Austrália: Com isso, a Deconstruction, gravadora que lançou o álbum, tirou a cantora do selo, dizendo que isso foi "estado em discussão nos últimos meses". De acordo com a autora Jenny-Stanley-Clarke, que escreveu uma das suas biografias, ela "havia enfrentado humilhação tanto do público quanto da indústria" e que "nada poderia estar mais longe da verdade". Antes de sua saída, a cantora havia concluído a digressão Intimate and Live Tour em 1998 para promover o disco,Baker, William; Minogue, Kylie (7 de novembro de 2002). Kylie: La La La. Página 125. Londres, Reino Unido: Hodder & Stoughton. ISBN 0-340-73439-6. sendo que posteriormente, fez uma participação no filme Sample People e um dueto com Pet Shop Boys, para seu álbum Nightlife.
Em junho de 1999, a artista revelou ter assinado com a gravadora Parlophone, afirmando também que iria começar a produção de um novo disco "em breve" e dizendo que "isso é muito [do que] espero alcançar com meu próximo álbum e eu acredito que tudo é possível com esta nova parceria". Alguns dias depois, Pete Waterman, que trabalhou com a cantora no começo de sua carreira, foi revelado como sendo um dos produtores indicados para ajudar Minogue a gravar um novo álbum pop. Waterman comentou sobre ser um dos recomendados para a produção do disco, dizendo que "teria ficado surpreso se eles não tivessem recorrido a mim"; no entanto, isso não se concretizou, de acordo com o encarte do disco, que não cita Waterman em alguma canção. Em uma entrevista com a Billboard, após o lançamento de "Spinning Around", a cantora disse que "tudo sobre esse registro é sobre luz e diversão", e comentou que "[o registro] foi sendo como em férias de verão".
Composição
O diretor da Parlophone disse que a intenção do álbum não é ser um registro disco, nem muito menos "uma volta dos ótimos anos com a PWL", mas "criar um pop de qualidade" e colaborações "com compositores grandes". O disco utiliza instrumentações com guitarras, tambores, cordas e flauta, e se inicia com seu primeiro single "Spinning Around", uma canção dance-pop e disco. Abordando o tema da reinvenção, as letras das faixas declaram que Minogue mudou com seus erros passados, mais notavelmente nas linhas "Estou circulando por aí / Saia do caminho", "Não sou mais a mesma" e "Os erros que cometi têm me dado força". Lançada como o segundo foco de promoção do projeto, a música seguinte "On a Night Like This" é também derivada do dance-pop, e interpreta influências do house e do nu-disco. Segue-se "So Now Goodbye", inspirada por trabalhos de Earth, Wind & Fire, enquanto que a quarta faixa, "Disco Down", foi descrita pelo sítio StageZine como "assombrosa". A quinta faixa, "Loveboat", é especificada como "uma boba sintonia [com o] fato do disco", e sua referência a "Martinis e biquinis" foi citada pelo NME como "condescendente ao invés de saber". Já a sexta faixa, "Koocachoo", tem "um sentimento similar aos anos 60" e apresenta "elementos do jazz".
A sétima faixa e último single do disco "Your Disco Needs You", foi dita como um "hino exagerado" e possui influências de Village People e Gloria Gaynor. A faixa também foi descrita pela BBC News como "Abba e os Pet Shop Boys se divertindo na noite gay mais quente na cidade". "Please Stay", o quarto single do disco, é um tema que tem como estilo principal o pop latino. "Bittersweet Goodbye" é uma obra de balada, sendo descrita pela Yahoo! Music como "uma estranha mistura na parte de Olivia Newton-John, na parte de Kate Bush e na parte de Cocteau Twins". Já "Butterfly" tem como estilo principal o dance-pop, seguida de "Under the Influence of Love", uma versão cover da obra original de Barry White que foi dita como "aceitável". "I'm So High", décima segunda faixa, foi dita como "outra cantiga pop" composta por Guy Chambers. A penúltima obra, "Kids", é um dueto com Robbie Williams e uma obra pop "alegre" com elementos do rock e com um refrão "eufórico". A última faixa, "Light Years", é uma canção "futurística" que tem como estilos musicais o disco, hi-NRG, ibizan trance e funk, sendo inspirada por Donna Summer. Um crítico definiu a faixa como "uma cópia de Madonna e William Orbit".
Recepção Crítica profissional
Chris True, da Allmusic, avaliou que o álbum não é "apenas outro registro dance-pop de Minogue, mas uma ótima coleção de estilos discos e [um] cafona europop". Embora tenha concluído que o álbum é "um dos melhores registros de disco desde os anos 70", Andrew Lynch, da entertainment.ie, declarou o álbum como uma "porcaria inconsequente, e como todos os álbuns de Kylie, a qualidade é desapontante desigualmente". Um escritor da Select declarou que o disco, "apesar da suja balada reminiscente a Lloyd-Webber 'Bittersweet Goodbye', é uma buzina implacável", complementando que isso "é tudo inventado dentro de uma polegada de sua vida, lotado de potenciais singles e descaradamente derivado. Esse é o trabalho dela e ela faz bem". Nick Levine, da Digital Spy, definiu "Spinning Around" como a faixa de destaque do disco, e acrescentou: "Não é um álbum pop ligado se você está se sentindo introspectivo, ou mesmo se você está hospedando um grupo de discussão das alterações climáticas com a participação de Al Gore, o secretário de Meio Ambiente e diversos ganhadores do Prêmio Nobel, mas tanto quanto pequenos registros de festas com sabor de frutas vão, Light Years é um atrativo absoluto". A NME notou que o álbum vê Minogue "derrubando sua considerável preocupação para uma volta fresca e saltante para suas raízes do dance-pop (...) Light Years é tudo que você saber sobre Kylie em menos de uma hora: diversão, formada perfeitamente, não tão exigente e, ocasionalmente, irritante".
Um revisor da StageZine observou que "é realmente uma vergonha que Light Years nunca foi lançado no Estados Unidos, porque, musicalmente, das músicas para os valores de produção brilhantes por uma lista exaustiva de assistentes de estúdio do Reino Unido, é um álbum muito superior do avanço de 2002 para Kylie, Fever (...) no entanto, o álbum foi o retorno glorioso de Kylie ao pop, e continua a ser um complexo 'jóia tonta' ainda maravilhosamente, mesmo uma década depois". Gary Crossing, da Yahoo! Music, considerou que "nem tudo são más notícias, em seguida, no campo ERM de Kylie. Você só tem a sensação de que, se os interessados tivessem colocado tanto esforço para a escrita do disco como fizeram nas brilhantes fotos que estão no encarte do álbum, as coisas poderiam ter sido muito melhores".
Reconhecimento
Karina Halle, da Consequence of Sound, em sua revisão de 2010, declarou: "Olhando para trás do álbum agora, eu acho que ainda é tão atraente e relevante como sempre. Minogue estivera no negócio da música em quase 12 anos na época que o álbum saiu". Halle citou Lady Gaga como um dos artistas pop que Minogue influenciou, completando que, "a exuberância de Minogue, se seu traseiro não for perfeitamente tonificado, certamente tem sido passada".