O Carnaval de Belo Horizonte é uma festa popular realizada anualmente na capital de Minas Gerais. A festividade é composta por desfiles de escolas de samba, blocos de rua em diversos bairros da cidade, bailes fechados e concursos musicais. Atualmente, o evento consolidou-se como uma das maiores manifestações culturais urbanas do Brasil, reunindo milhões de participantes e contando com o apoio institucional do poder público.

A festa, que passou por um período de relativa inatividade ao longo do final do século XX, foi revitalizada a partir de 2010 por meio de movimentos populares espontâneos. Esse processo transformou o carnaval da cidade em um fenômeno social e econômico de grande relevância, contribuindo para a valorização da identidade cultural mineira e o fortalecimento da economia criativa local. Acompanhando esse crescimento, a cobertura da mídia local expandiu-se significativamente, com destaque para as transmissões ao vivo dos blocos de rua pela TV Globo Minas e do desfile das escolas de samba pela Rede Minas.

Em 11 de março de 2025, o prefeito em exercício, Álvaro Damião, sancionou um projeto de lei reconhecendo o Carnaval como manifestação cultural da cidade. A legislação reconheceu formalmente os blocos caricatos, as escolas de samba e os blocos de rua como manifestações culturais identitárias do município.

História

A primeira celebração de Carnaval em Belo Horizonte ocorreu em 1897, precedendo a própria inauguração oficial da cidade. Nos anos seguintes, a folia tornou-se mais organizada com a criação de grandes sociedades carnavalescas, inspiradas no modelo do Rio de Janeiro, como o "Club Demônios de Luneta", fundado em 1899. No início do século XX, os corsos carnavalescos também ganharam destaque.

Durante as décadas de 1950 e 1960, os jornais concorrentes Estado de Minas e Folha de Minas promoviam desfiles para disputar a hegemonia da melhor festa na capital. O carnaval de rua permaneceu popular até os anos 1990, quando entrou em um período de declínio.

Revitalização e Praia da Estação Após quase duas décadas de ostracismo, a retomada da festa iniciou-se em 2009 com o ressurgimento de blocos de rua. No final daquele ano, um decreto do então prefeito Marcio Lacerda, que restringia o uso da Praça da Estação para eventos, gerou forte reação popular. Em protesto, surgiu o movimento "Praia da Estação", que reivindicou o espaço público e serviu como catalisador para a revitalização orgânica da festa.

Organização e Agremiações right|thumb|300px|Carnaval na avenida Francisco Deslandes, no bairro Anchieta. A organização do Carnaval de Belo Horizonte conta com a atuação de entidades representativas como a LIAC (Liga Independente das Agremiações Carnavalescas), a Samba Dez (fundada em 2005 após uma cisão de dirigentes) e a ACBC (Associação Cultural dos Blocos Caricatos).

Escolas de Samba e Blocos Caricatos

Historicamente, as manifestações ocuparam o hipercentro da capital, com registros de desfiles nas avenidas João Pinheiro e Rua da Bahia desde o início do século XX. O desfile oficial foi formalizado em 1980, estabelecendo a Avenida Afonso Pena como passarela oficial. A cronologia das sedes incluiu:

1980 - 1990: Avenida Afonso Pena. 1990 - 2003: Período de declínio; desfiles oficiais interrompidos e substituídos por bailes populares regionais. 2004 - 2010: Retomada dos desfiles na Via 240, na Região Norte. 2011 - 2013: Realização no Boulevard Arrudas, na Região Centro-Sul. 2014 - Presente: Retorno à Avenida Afonso Pena após consenso entre a Belotur e agremiações.

A festa é marcada pela coexistência entre as escolas de samba (modelo fluminense) e os blocos caricatos, tradição de Belo Horizonte surgida na década de 1930 nos bairros periféricos.

Diversidade de manifestações

Blocos de rua right|thumb|300px|Bloco na rua Outono, no bairro Cruzeiro O renascimento do carnaval de rua a partir de 2009 foi marcado por um forte tom político e de apropriação do espaço público. Em 2017, a cidade já contava com quase 400 blocos cadastrados.

Os blocos abrangem diversos estilos musicais, como marchinhas, axé, pop, rock, afoxé, hare krishna, forró e jazz. Entre os principais nomes estão: Baianas Ozadas, Então Brilha, Abalô-caxi, Chama o Síndico, Tchanzinho Zona Norte, Bloco Afro Angola Janga, Alcova Libertina, Pena de Pavão de Krishna, Samba Queixinho, Beiço do Wando, entre outros.

Bandas e Serestas As bandas carnavalescas são uma tradição que remonta a 1897. Um marco recente foi a marchinha "Na coxinha da madrasta" (2012), de Flávio Henrique Alves. Vencedora do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, a música tornou-se um fenômeno nacional e o principal hit da Banda Mole naquele ano.

Bailes Na década de 1980, destacou-se o "Baile do Galo", promovido pelo Clube Atlético Mineiro no Mineirinho, que contou com a participação da apresentadora Xuxa Meneghel.

Corte Real Momesca A Corte Real é composta pelo Rei Momo, a Rainha e a Princesa, escolhidos anualmente por uma comissão julgadora.

2011: Júlio Millan (eleito Rei Momo pela 4ª vez), Graziele Lizania do Carmo (Rainha) e Érika Januza da Trindade (Princesa). 2012: Rafael Eduardo (o primeiro Rei Momo magro da capital), Renata Black (Rainha) e Yaralis Teles (Princesa). 2026: Wallace Guedes (Rei Momo), Tamara Carvalho (Rainha) e Laís Lima (Princesa), coroados no Parque Municipal Américo Renné Giannetti.

Recorde de foliões No dia 4 de março de 2025, o DJ Alok estreou no Carnaval de Belo Horizonte com um show na Avenida Afonso Pena. O evento reuniu um público estimado entre 500 mil e 1 milhão de pessoas, estabelecendo um recorde histórico de público para o carnaval da capital mineira.

Ver também Carnaval no Brasil Lista de escolas de samba de Minas Gerais Lista de escolas de samba e blocos carnavalescos de Belo Horizonte

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