Taylor Swift é o álbum de estreia homônimo da cantora e compositora estadunidense Taylor Swift, lançado através da Big Machine Records em 24 de outubro de 2006. O álbum conta com a produção de Nathan Chapman e Robert Ellis Orrall, e traz composições assinadas pela própria Swift em parceria com Liz Rose e os também produtores Orrall e Angelo Petraglia. As canções possuem como temática lírica relacionamentos vivenciados por Swift e por pessoas próximas a ela, e foram escritas pela cantora a partir de seus 12 anos de idade. O álbum foi produzido e gravado no ano de 2006, enquanto Swift cursava o primeiro ano do ensino médio.
Cinco singles foram liberados para promover Taylor Swift. O primeiro deles foi "Tim McGraw", lançado no dia 19 de junho de 2006. "Tim McGraw" foi bem recebido pela crítica especializada e atingiu a 40ª posição da Billboard Hot 100 e a 6ª da Billboard Country Songs, vindo a receber um disco de platina da Recording Industry Association of America (RIAA) por vendas superiores a 1 milhão de unidades nos Estados Unidos. O segundo single liberado foi "Teardrops on My Guitar", lançado no dia 24 de fevereiro de 2007. A faixa atingiu a 13ª colocação da Billboard Hot 100 e a 2ª da Billboard Country Songs, e tornou-se a 1ª canção de Swift a aparecer em uma parada musical internacional, no caso na Canadian Hot 100 (parada do Canadá) e na UK Singles Chart (parada do Reino Unido), na 45ª e 51ª posições, respectivamente. "Our Song" foi liberada como terceiro single do álbum no dia 22 de agosto do mesmo ano, e tornou-se a 1ª canção de Swift a chegar ao topo da Billboard Country Songs, e tornando-se a faixa de maior sucesso de Swift até então, com vendas superiores a 3 milhões de cópias em território americano, certificadas pela RIAA com um disco de platina tripla. "Picture to Burn" e "Should've Said No" foram lançadas como o quarto e quinto singles respectivamente nos dias 29 de janeiro e 19 de maio de 2008 e atingiram a 28ª e a 33ª colocações da Billboard Hot 100.
Após seu lançamento, Taylor Swift foi recebido com críticas geralmente positivas por parte da crítica musical, que definiu Swift como uma das artistas mais promissoras da música country na época. A receptividade por parte do público também foi positiva, uma vez que o disco estreou na 19ª posição da Billboard 200 com vendas de 40 mil unidades nos Estados Unidos, atingindo mais tarde a 5ª colocação da parada e acumulando um total de vendas estimado em mais de 5 milhões de cópias no país, suficientes para que o álbum recebesse um disco de platina quíntupla da RIAA. O disco também fez aparições nas paradas musicais do Canadá, Austrália e Reino Unido, e recebeu discos de platina e prata nos três países. As vendas estimadas de Taylor Swift em nível mundial são de cerca de 6 milhões de unidades comercializadas.
O álbum foi promovido através de performances nas turnês de artistas country como George Strait, Brad Paisley, Tim McGraw e Faith Hill, além de ter feito performances de várias faixas do disco durante sua primeira turnê mundial, Fearless Tour (2009–10). Outras diversas apresentações foram feitas pela artistas em programas de televisão como Good Morning America e America's Got Talent, além de participações na programação de estações de rádio. Durante a Fearless Tour, Swift performou os maiores sucessos do álbum, como "Our Song", "Teardrops on My Guitar" e "Should've Said No". Ela também realizou performances de outras canções do disco, como "Tim McGraw" e "Picture to Burn".
Antecedentes
thumb|190px|right|Faith Hill (foto) foi citada por Swift como sendo uma de suas maiores inspirações no início da carreira como cantora.
O interesse de Swift pela música e as artes cênicas manifestou-se inicialmente aos nove anos de idade, quando a cantora voltou sua atenção para espetáculos musicais de teatro e fez participações em algumas produções da Berks Youth Theatre Academy, como Grease, Annie, Bye Bye Birdie e The Sound of Music. Graças a isso, Swift passou a viajar regularmente para Nova York tendo em vista aulas de canto e atuação que eram feitas na Broadway. No entanto, "após alguns anos de audições em Nova York sem chegar a lugar algum", ela passou a se interessar pela música country. Suas primeiras performances aconteceram em festivais locais, feiras, cafeterias, concursos de karaokê, hospitais, entre outros locais.
Aos onze anos de idade e após várias tentativas, Swift venceu um show de talentos local após apresentar um cover da canção "Big Deal", interpretada originalmente por LeAnn Rimes. A vitória proporcionou a cantora a oportunidade de apresentar-se como o ato de abertura de um show realizado por Charlie Daniels no anfiteatro de Strausstown, na Pensilvânia, sendo essa sua primeira atuação profissional na música. Após assistir a um episódio do programa de televisão Behind the Music sobre a cantora country Faith Hill, Swift teve certeza de que deveria ir até Nashville, Tennessee para tentar uma carreira musical. Logo depois, ela e sua mãe fizeram uma viagem à cidade durante a semana de primavera para deixar fitas demo de cover's de cantoras como Dolly Parton e bandas como Dixie Chicks em gravadoras dispostas ao longo da Music Row. No início, Swift obteve diversas rejeições por parte das gravadoras locais, que não se interessaram em assinar contrato com uma cantora tão jovem. Sobre as rejeições, Swift declarou:
"Eu consigo entender. Eles ficaram com medo de lançar no mercado uma garota de apenas 13 anos. Depois, ficaram com medo de lançar no mercado uma garota de apenas 14 anos, e logo em seguida, ficaram com medo de lançar no mercado uma garota de apenas 15 anos. E por fim, ficaram apreensivos com a ideia de lançar no mercado uma garota de apenas 16 anos. E tenho certeza de que se eu não tivesse assinado com Scott Borchetta (CEO da Big Machine Records), todo mundo ainda estaria com medo de lançar no mercado uma garota de apenas 17 anos."
Antes de assinar o contrato com Borchetta e a Big Machine Records, Swift passou cerca de dois anos performando em diversos eventos e compondo suas primeiras canções, até que em 2003 ela e sua família conheceram Dan Dymtrow, que colaborou para que a cantora conseguisse participar de uma campanha publicitária na qual uma de suas canções foi inserida em uma compilação musical da linha de cosméticos da empresa Maybelline, e ajudou-a em negociações com algumas gravadoras. Algum tempo depois, Swift performou canções de sua própria autoria durante um showcase feito para a RCA Records, o que lhe garantiu a assinatura de um contrato com a gravadora. A partir de então, a cantora participou de sessões de composição nas quais trabalhou com diversos compositores experientes que trabalhavam na Music Row, porém, teve um maior contato e colaboração com a compositora Liz Rose, com quem escreveu diversas canções para Sony/ATV que posteriormente entraram no álbum. O contrato com a Big Machine Records veio em 2006, quando Scott Borchetta conheceu Swift durante uma de suas apresentações no Bluebird Café.
Composição
Estilo musical e letras
Swift começou a trabalhar em seu álbum de estreia em 2006, mesmo ano em que assinou contrato com a Big Machine Records. Ela descreveu Taylor Swift como "[O] diário do início da [sua] adolescência", e revelou que havia escrito todas as músicas do álbum "em tempo real", ou seja, enquanto vivenciava todas as experiências descritas nas letras. Como resultado, as músicas do disco descrevem experiências que geralmente são vivenciadas durante a adolescência, como a primeira paixão, a insegurança e a angústia adolescentes. A maioria das canções do álbum foram escritas enquanto a cantora cursava o primeiro ano do ensino médio na escola, como é o caso de "Tim McGraw", faixa que abre o disco. Sobre as inspirações para as letras, a cantora declarou:
"Tim McGraw", a primeira faixa da obra, possui 3 minutos e 52 segundos de duração e é derivada da música country. Ela foi escrita por Swift e Liz Rose, e fala sobre o relacionamento da artista com um jovem chamado Brandon Borello, com quem ela estudou e namorou durante o 1º ano do ensino médio. A inspiração para a composição veio quando ela se deu conta de que ao termino do ano letivo Borello, que já cursava o 3º ano, iria para a faculdade e os dois acabariam terminando o relacionamento. Por isso, ela decidiu listar coisas que poderiam fazer com que Borello continuasse com ela em suas lembranças, e entre uma dessas coisas está a canção "Can't Tell Me Nothin", do cantor Tim McGraw - e daí veio a inspiração para o título da faixa.
Por outro lado, "Picture to Burn" descreve uma menina furiosa após o término de um relacionamento. Swift disse que a música é, ao mesmo tempo, sobre "ser simplesmente má" e "completamente, brutalmente honesta"; ela deu a música uma pitada de comédia. Durante o trabalho depois da escola, Swift "simplesmente [se] encontrou sentada com o [seu] violão fazendo 'I hate his stupid truck that he doesn't let me drive. He's such a redneck! Oh my God!'", um trecho da canção que se desenvolve no refrão. A faixa up-tempo é pesada pelos seus banjos e baterias, enquanto o refrão é marcado por guitarras distorcidas e grandes vocais.
A cantora compôs a canção autobiográfica "The Outside" durante o final de seus doze anos, idade na qual ela começou a compor suas próprias canções. Como muitas das outras canções que ela escreveu no início, a canção descreve a infelicidade e a solidão que Swift sentiu quando seu amor pela música country alienou-a de seus pares. Ela compôs "Tied Together with a Smile" no dia em que ela descobriu que uma de suas melhores amigas era bulímica, um fato que a chocou. Ela relembrou: "Como pode, alguém que parece ser tão forte ter uma horrível, horrível fraqueza? Algo que irá matá-la". A letra dessa canção descreve uma bela garota tentando esconder sua turbulência interna, e lamenta dizendo que "Você [a garota] está amarrada junto com um sorriso/Mas você está se desfazendo". Swift comentou: "Eu sempre achei que um dos maiores problemas negligenciados que as meninas americanas enfrentam é a insegurança". De acordo com ela, "Should've Said No" foi escrita após "algo muito, muito dramático e louco acontecer [com ela] e [ela] sentir a necessidade de enfrentar isso através da música". A canção foi uma adição de última hora ao álbum: Swift havia começado a compor a canção dois dias antes do programado para a realização da masterização do disco e da impressão das capas; então, ela chamou seu produtor e completou a canção durante a noite.
"Mary's Song (Oh My My My)" foi realmente inspirada no casamento de seus vizinhos, sendo esta inspiração o oposto do que os tablóides haviam afirmado. Ela compôs "Our Song" para o show de talentos realizado durante seu primeiro ano do ensino médio já com a intenção de incluí-la no álbum. Ela alegou que "só sabia que havia algo" na canção e optou por incluí-ls em Taylor Swift. "Eu escrevi sobre esse cara que eu estava namorando, e como nós não tínhamos uma canção. Então, fui em frente e escrevi uma para nós". A canção é uma narrativa e descreve um jovem casal que usa os eventos ocorridos em suas vidas no lugar de uma música regular. A canção de banjo crivado foi colocada no final do álbum, devido o fechamento ocasionado por sua letra, que se torna um pedido para "ouví-lo [o álbum] novamente". "Invisible" é uma balada que descreve a solidão e a mágoa causadas no coração após [ela] passar despercebida. Sean Dooley, do "About.com", escreveu que "a canção guiada por um piano [...] capta perfeitamente a angústia adolescente estranha que todos nós tivemos - ou teremos - que suportar, em um momento ou outro".
Gravação
250px|thumb|right|alt=|Swift performando "Teardrops on My Guitar". A canção se tornou a mais bem posicionada canção de Taylor na Billboard Hot 100.