Cinfães é uma vila portuguesa localizada no Distrito de Viseu e estando atualmente integrada na sub-região Tâmega e Sousa da região Norte.
É sede do Município de Cinfães que tem uma área total de 239,29 km2Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado), 17.730 habitantes em 2021 e uma densidade populacional de 74 habitantes por km2, subdividido em 14 freguesiasDiário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I.. O município é limitado a norte pelos municípios de Marco de Canaveses e Baião, a leste por Resende, a sul por Castro Daire e Arouca e a oeste por Castelo de Paiva.
A sua história está ligada aos cavaleiros templários que aqui possuiram fortalezas, como a Torre da Chã ou a Torre dos Pintos, e também à história da infância de El-Rei D. Afonso Henriques e seu aio Egas Moniz.
Possui um importante património edificado, destacando-se as igrejas românicas, como a Igreja de São Cristóvão de Nogueira; a Igreja da Senhora de Cales ou Cádiz, entre muitas outras.
História thumb|220px|A chegada dos Romanos - Cinfães thumb|220px|Vestígios Arqueológicos - Cinfães
Com raízes na pré-história, a evidência populacional de Cinfães tem por base o período pré-celta do Paleolítico (época da pedra lascada), com povos nómadas de origem africana: capsenses e berberes, que se espalharam pela Ibéria e deixaram vestígios de valor na área do município. Pelos séculos IX e VIII a.C., dá-se a primeira ocupação celta de cuja mistura com povos assentes, resultam os lusitanos da idade do ferro, que se deslocam para as montanhas a fim de se fixarem em posições estratégicas de protecção às constantes invasões.
É nestas encostas do concelho que ainda hoje se encontram os inúmeros castros seculares de origem megalítica.
No século VI a.C., com o rio Douro como rota comercial para o mercado grego, chegam os hispânicos que, pela vantagem comercial do rio, rapidamente perderam o território para os romanos. É nesta fase que crescem os primeiros povoados em forma de vilas e cidades, todos interligados por estradas e pontes medievais que ainda hoje se encontram em bom estado de conservação no concelho.
É no ano de 409 d.C., que surgem os novos bárbaros, suevos, alanos e vândalos, e em 456, iniciam as guerras com os visigodos que têm por objectivo a tomada do território Ibérico. Também em 711 aparecem alguns vestígios árabes que apenas alteram definições de toponímia – pelo que se acredita não ter havido interesse na tomada da região.
A história alti-medieval documentada reporta-se ao século X como ponto alto da cronologia de Cinfães, tendo como elemento mais importante Santiago de Piães. Pela marca do território na sua vida, Afonso Henriques acaba por deixar parte dos seus bens à Herdade Real de Tarouquela – freguesia de Cinfães.
Dos seguintes pontos importantes, sublinham-se as inquirições de D. Afonso III (1258) e D. Diniz (1288), e o Foral entregue por D. Manuel I em Lisboa, em 1 de Maio de 1513. A comarca de Cinfães foi mais tarde criada por decreto de 24 de Outubro de 1855 com as freguesias do seu concelho e as de Sanfins da Beira – então extinto.
Das personagens cinfanenses distinguidas ao longo dos tempos, a que mais se destacou na história nacional foi Serpa Pinto – natural de Tendais. Militar de carreira, foi escolhido para liderar uma expedição científica a África, que teria como objetivo atravessar o Continente Africano desde o Atlântico até ao Índico – que superou com o maior sucesso europeu, tendo sido reconhecido pelo seu valor para a sociedade geográfica e respectivo conhecimento/cartografia do território até então por descobrir.
Evolução da população do município
★ Os Recenseamentos Gerais da população portuguesa tiveram lugar a partir de 1864, regendo-se pelas orientações do Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853. Encontram-se disponíveis para consulta no site do Instituto Nacional de Estatística (INE).
(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Número de habitantes por grupo etário INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 9 215 10 061 9 698 9 630 10 822 10 536 9 661 8 000 7 602 5 318 3 950 3 022 2 01515-24 Anos 4 097 4 617 5 059 5 533 4 930 5 414 4 628 4 060 4 285 4 211 3 412 2 435 1 91125-64 Anos 10 305 10 769 10 870 12 204 12 030 12 976 12 507 10 420 10 115 10 221 10 924 10 744 9 304= ou > 65 Anos 1 751 1 664 1 692 1 901 2 395 2 561 2 961 3 295 3 617 3 739 4 138 4 226 4 500 (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)
A população do município de Cinfães tem vindo a decrescer continuamente desde a segunda metade do século XX, designadamente, a partir da década de 1950 (com cerca de 35400 habitantes), facto que pode ser explicado pelos movimentos migratórios que se foram verificando nos períodos de implementação democrática e liberalização dos mercados. Dos elementos mais significativos da segunda metade do séc. (com perdas na ordem dos 9700) subtrai-se a década de 1990 com decréscimo de cerca de 3700 habitantes.
No âmbito da distribuição espacial, ou seja, a densidade relativa dos habitantes de determinada superfície, o município de Cinfães apresenta uma distribuição heterogénea com tendência de concentração em focos habitacionais rurais e urbanos, com mais atractivos à fixação. Com cerca de 90,4 habitantes por km² (2002), o município de Cinfães tem uma baixa densidade populacional - apontando um território com elevado potencial natural de cariz turístico.
Geografia A área do município de Cinfães tem uma configuração trapezoidal com cerca de 238 Km2, delimitados pelos rios Douro (a norte), Paiva (a poente) e Cabrum (a nascente), e a cordilheira da Serra de Montemuro delimita toda a sua extensão a Sul.
Relativamente às classificações de Unidade Territorial, Cinfães faz parte da NUT III do Tâmega e Sousa, onde tem fronteira com os municípios de Baião e Marco de Canaveses (a norte), Resende (a leste), Castro Daire (a sul), Arouca (a sudoeste) e Castelo de Paiva (a oeste). O município de Cinfães, com limites definidos pelo Decreto de 24 de Outubro de 1855, comporta 17 freguesias, com superfícies compreendidas entre os 5,81 e os 38,48 km. Em termos de área por freguesia verificam-se alguns contrastes, sendo disso exemplo o caso de Nespereira que possui uma área cerca de sete vezes maior que a freguesia de Espadanedo.
Rede Hidrográfica O concelho de Cinfães é atravessado por vários cursos de água. Vindo da serra da Lapa, o Rio Paiva corre em vale meandrizado. A Este temos o Rio Cabrum, com orientação NWW/SSE, sofrendo um pequeno desvio para Norte, já na parte final do seu vale. Nasce nas proximidades da serra de Montemuro e vai desaguar no rio Douro, na região de Oliveira do Douro. Quase perpendicular ao Rio Douro e com um traçado rectilíneo, orientado segundo o rumo NNW -SSE, corre o Rio Bestança, o maior rio exclusivamente cinfanense. .
Os cursos de água, mercê do clima húmido que a barreira de condensação da Serra de Montemuro lhes proporciona, têm água ao longo de todo o ano. O facto dos leitos dos rios serem na sua maior parte bastante inclinados confere-lhes um regime torrencial, particularmente na época mais chuvosa, sendo os seus caudais mais reduzidos no verão.
Trata-se de uma rede hidrográfica densa, com um traçado rígido, onde predominam duas direcções (NNE/SSW e NW/SE). Deve-se ainda salientar o aproveitamento hidroeléctrico de alguns destes cursos, nomeadamente do Rio Cabrum e do Rio Douro, onde está construída uma das suas mais imponentes barragens - a Barragem do Carrapatelo.
Geomorfologia thumb|220px|Serra de Montemuro - Cinfães Área montanhosa e acidentada com relevo vigoroso e vales profundos e encaixados. O grande elemento morfológico da paisagem é a Serra de Montemuro, de constituição essencialmente granítica. Os blocos de granito de inúmeras formas, destacados da superfície, pelo gelo e degelo, pela acção mecânica das abundantes águas correntes e outros agentes erosivos, caracterizam a aspereza da paisagem do topo da montanha.
Esta serra tem uma configuração nitidamente dissimétrica na direcção norte - sul, sugerindo um balançamento da montanha para o Douro. O relevo contrastado do concelho é constituído por vertentes muito inclinadas, topos aplanados e rechãs alcandoradas sobre os vales. Observam-se diversos níveis de aplanamento, sendo mais destacados os do lado oriental da serra. Podem-se mesmo distinguir diferentes níveis de aplanamento: Cimeiros - a altitudes que rondam os 1350m. O seu ponto mais elevado situa-se a 1382m - o Talegre. Daqui se usufrui uma vasta paisagem de extraordinária beleza avistando-se as serras de São Macário, Caramulo, Estrela, as cristas de Leonil, da Sr.ª da Lapa e do Pisco.
Intermédios - constituídos por patamares localizados a 900-1000m de altitude.
Inferiores - a 500-600m de altitude, formados por rechãs que aparecem na margem do rio Cabrum e ao longo do vale do rio Bestança.
A vertente norte da Serra de Montemuro tem um declive da ordem dos 6 a 7% antes de atingir o vale do Douro, cujas vertentes se iniciam por volta dos 500m. A vertente sul é mais íngreme, primando quase pela ausência de patamares, entre o cimo e o vale do Paiva. O declive atinge valores médios na ordem dos 18%.(A. Brum Ferreira, 1978)
Hipsometria miniaturadaimagem|220x220px|Miradouro de Teixeirô - Foz do rio Bestança (no quadrante inferior direito da imagem) no Rio Douro (que corre sob a ponte visível da direita para a esquerda) O concelho de Cinfães é uma área serrana. Os seus dois grandes traços morfológicos são o volumoso maciço montanhoso que compõe a Serra de Montemuro, cujo cume atinge os 1382 metros e o vale do Douro que limita o concelho a norte. Dispostos de Oeste para Este localizam-se ainda os vales do Paiva, do ribeiro de Piães, do ribeiro de Sampaio, do Bestança e do Cabrum. O Rio Douro corre de Este para Oeste num vale amplo e de vertentes muito inclinadas em que o desnível pode atingir os 600 m. A Este abre-se o vale do Rio Paiva, com uma direcção NW/SE, inflectindo para uma direcção N/S antes de desaguar no Rio Douro. Trata-se de um vale amplo em forma de fundo de barco, com vertentes que descem gradualmente de 600 a 300-350 metros de altitude, cujo traçado meandrizado e o forte declive longitudinal conferem grande velocidade à circulação das águas do Paiva.,A. Brum Ferreira, 1978 Os vales de Santiago de Piães e o de São Cristóvão de Nogueira, drenados pelos ribeiros de Piães e de Sampaio, respectivamente, são pronunciados, pouco encaixados, seccionando as elevações alinhadas de NE/SW, de topo aplanado e alongados longitudinalmente (Castro Daire, 721 m e Gia, 800m) . Com uma direcção NNE/SSW, corre o Rio Bestança. O seu vale apertado, rectilíneo e profundo, apresenta desníveis 300-400m, com uma extensão de cerca de 15 km. Paralelamente a este vale, surge o vale do Cabrum com uma orientação semelhante à do Bestança. Observa-se um contraste entre áreas ribeirinhas junto ao Douro e ao Paiva onde predominam os fundos dos vales com menos de 50 metros e o interior do concelho com áreas serranas acima dos 1000 metros. Nota-se um escalonamento das elevações à medida que se caminha para SE, com aumento de altitude, culminando na parte mais alta da Serra de Montemuro. As duas grandes tendências que o relevo apresenta são, o progressivo aumento da altitude das margens do Douro para o interior e o escalonamento das elevações, sensivelmente de W para E.