right|245px|thumb|Mapa da cultura nórdica da Idade do Bronze, ca. right|245px|thumb|Mapa da cultura da Idade do Ferro pré-romana associada com o proto-germânico, c. 500- A área cor magenta ao sul da escandinávia representa a cultura Jastorf thumb|right|245px|Expansão das tribos germânicas – (segundo o Penguin Atlas of World History 1988): O protogermânico, também chamado de germânico comum ou primitivo, é a protolíngua ancestral comum hipotética de todas as línguas germânicas tais como o moderno inglês, holandês, alemão, dinamarquês, norueguês, islandês, feroês e sueco. Não existem textos sobreviventes no protogermânico, sendo assim, a língua foi reconstruída. Entretanto, algumas poucas inscrições sobreviventes na escrita rúnica da Escandinávia datadas de ca. 200 parecem mostrar um estágio da língua protonórdica ou, segundo Bernard Comrie, protogermânico tardio seguindo imediatamente o estágio protogermânico.
Não existem registros da língua, mas ela pôde ser reconstruída com base nas suas descendentes, as línguas germânicas, por meio de métodos como a reconstrução comparativa e a reconstrução interna. Divide-se o desenvolvimento dessa protolíngua em dois estágios: pré-germanico (período de transição entre o protoindo-europeu e o germânico) e germânico comum (com mais estabilidade linguística). Em comparação ao protoindo-europeu, a inflexão de substantivos protogermânica havia se tornado mais simples, com a perda do ablaut indo-europeu, por exemplo.
Origem e evolução A língua protogermânica é descendente do protoindo-europeu, surgindo há no máximo 2.500 anos, por volta de 500 a.C.. Não é possível ter certeza de que modo o protogermânico se originou, pois apenas seus descendentes são documentados, mas pode-se aplicar o desenvolvimento do latim como um modelo para entendermos melhor o surgimento dessa língua. Assim, pode-se dizer que um grupo de falantes de algum dialeto protoindo-europeu teria se distanciado dos outros e se desenvolvido independentemente a partir daí, provavelmente por muito tempo como um grupo pequeno, mas com características linguísticas consistentes. Essas características seriam então passadas às línguas descendentes do protogermânico.
Hipótese do substrato pré-germânico Uma parte do vocabulário germânico tem clara origem pré-indo-europeia. Não apenas isso, mas a fonologia das línguas germânicas é radicalmente diferente do protoindo-europeu reconstruído. A teoria do "substrato pré-germânico" tenta explicar essa discrepância. Segundo essa teoria, a região em que os falantes de protogermânico se estabeleceram já era habitada por povos não-indo-europeus. Com a chegada dos indo-europeus, a língua que era lá falada entrou em contato com a dos povos migrantes. As línguas dos povos invadidos teria sido substituída pelo protogermânico, causando as diferenças citadas. Não há nenhuma evidência, fora o próprio vocabulário germânico, das línguas paleo-europeias que teria dado origem ao substrato.
Evolução gramatical Uma das características evolutivas desta protolíngua é que, enquanto a gramática protoindo-europeia é significantemente diferente das suas descendentes modernas, a do protogermânico é perceptivelmente similar à das línguas germânicas atuais. Isso supostamente se dá pois o protogermânico só passou a ser falado ao máximo há 2500 anos, e o último ancestral comum ítalo-celta e germânico surgiu no mínimo há 5000 anos (enquanto o protoindo-europeu passou a ser falado há cerca de 6000 anos), ou seja, grande parte do desenvolvimento das línguas germânicas atuais teria ocorrido anterior ao surgimento protogermânico.
Inflexão morfológica Em parte, o desenvolvimento da morfologia inflexional protogermânico aparenta ser previsível. Entretanto, o sistema verbal foi completamente reestruturado, e houve o surgimento de um paradigma entre adjetivos 'fortes' e 'fracos', que foram mudanças mais complexas.
Mudanças inflexionais O protogermânico manteve as classes inflexionais dos lexemas. Uma das principais mudanças foi a quase completa perda do dual, que sobreviveu apenas na inflexão de pronomes de primeira e segunda pessoa, além de uma "fossilização" do número no caso de um adjetivo que afetava duas frases que diferiam em gênero. Nesse caso, o adjetivo se manifestava neutro e plural, já que a terminação para o dual se fundiu fonologicamente com a do plural.
Sistema verbal O sistema verbal germânico sofreu grandes mudanças na evolução do protoindo-europeu. Esse sistema não é tão diferente das línguas germânicas modernas, assim como outras coisas características gramaticais dessa protolíngua.
Assim como no latim mas significantemente diferente do protoindo-europeu, os verbos eram geralmente conjugados, com 3 formas de denotar passado e 6 formas de marcar presente (com algumas exceções). Outra diferença com sua língua-mãe é que as raízes verbais protogermânicas poderiam indicar tempo, com a maioria dos verbos tendo duas raízes, uma para o presente e outra para o passado.
Podem-se identificar raízes lexicais presentes subliminarmente na forma presente de verbos radicais, que então eram seguidas por uma vogal radical descendente de uma vogal temática protoindo-europeia.
Evolução fonológica
As seguintes mudanças são presumidas como tendo ocorrido na história do protogermânico no sentido mais amplamente do fim do protoindo-europeu até o ponto que o protogermânico começou a se quebrar em dialetos mutuamente ininteligíveis. As mudanças são listadas aproximadamente em ordem cronológica, com as mudanças que operam no resultado das anteriores aparecendo posteriormente na lista. As informações dos diferentes estágios e as mudanças associadas a cada estágio foram retiradas em sua maioria de , Capítulo 3, "The Development of Proto-Germanic". Ringe, por sua vez, resume conceitos e a terminologia padrão. Fusão das plosivas "palatovelares" e "velares" do PIE ("centumização"): > — "Cem" > > > — "Trabalho" > > > — "Ir, andar" > > Não é possível reconstruir a pronúncia exata das consoantes velares e palato-velares; pode ser que as palato-velares fossem na verdade velares simples e as velares fossem pronunciados ainda mais para trás (sendo pós-velar ou uvular), sendo assim, pode ser mais preciso dizer que, por exemplo, /ḱ/ > /k/ (ver, por exemplo, ). Alguns estudiosos também afirmam que os dois tipos podem nem mesmo ter sido distintos no protoindo-europeu. Veja línguas centum e línguas satem.Epêntese de antes de soantes silábicas: > — "Cem" > > > — "Dentro" > > "Dentre" > — "Lobo" > > > — "Minhoca" > > Um epentético foi inserido no PIE depois de consoantes dentais quando elas eram seguidas por um sufixo começando com uma consoante dental. Essa sequência se torna agora > > Não se sabe quando exatamente quando essas mudanças ocorreram; especula-se que ocorreram no começo da existência do protogermânico como língua separada. Esse foi provavelmente um desenvolvimento paralelo nos ramos itálico e céltico, não sendo, portanto, um desenvolvimento compartilhado. Isso é provado pois há evidências desse processo em estágio intermediário no gálico, enquanto a mudança já havia sido completada há muito tempo no latim da mesma época.Consoantes geminadas são encurtadas depois de uma consoante ou uma vogal longa — Vogais longas do final de palavras que perderam um som laríngeo entre vogais não-fechadas são alongadas para vogais "superlongas" — "Sementes" > >
Diferentemente de outras línguas indo-europeias, as vogais eram contraídas, mas no germânico, elas se tornaram "superlongas".Perda de consoantes larígeas, fonemizando os alofones de : Consoantes laríngeas do começo de palavras são perdidas antes de uma consoante — Consoantes laríngeas são perdidas antes de vogais não-fechadas: > — "é" > > > , > caso contrário — > , > caso contrário — "Águia" > > As consoantes laríngeas são perdidas após as vogais, mas alongam a vogal anterior: > — Duas vogais se tornam um hiato por causa da mudança em uma vogal muito longa — Na posição do final de palavras, as vogais longas resultantes permanecem distintas das (mais curtas do que) vogais excessivamente longas que eram formadas a partir das vogais longas finais do PIE — "1º temática sing." > Consoantes laríngeas continuam entre consoantes.Lei de Cowgill: (e possivelmente ) é fortalecido para entre uma soante e — Vocalização em de consoantes laríngeas remanescentes não-iniciais e não-adjacentes a outras sílabas: > —
Se estivesse em uma sílaba inicial, ele eventualmente se fundiria com .Labiovelares e sequências de velares mais são fundidos: "Cavalo" > > > "Luz" > > Labiovelares são delabializadas quando próximas a (ou ) e antes de Perda de vogais curtas não fechadas no final da palavra , , — "Ele(a) sabe" > > A vogal precedente de ou é também perdida — "Daquilo" > > No entanto, as palavras enclíticas eram também afetadas — "E" > > Quando a sílaba tônica é a perdida, a entonação muda para o começo da palavra — (não , mostrando que a perda ocorria também antes da lei de Verner)Lei de Grimm: Mudança em cadeia das três séries de plosivas. As plosivas sonoras já haviam sumido antes de uma obstruente surda antes deste estágio. Labiovelares foram delabializadas antes de . As plosivas surdas tornam-se fricativas, a menos que precedidas por outro obstruente. Em uma sequência de duas obstruentes surdas, a segunda obstruente permanece uma plosiva. > () — > () — > () — > () — Já que a segunda das duas obstruentes não é afetada, as sequências , , , e continuam. Como já dito, o continua, mas as outras consoantes se tornam fricativas surdas: , , > — , , > — , , > — Plosivas sonoras são dessonorizadas: > — (Reformado como radical a) > — > — > — As plosivas aspiradas tornam-se plosivas ou fricativas sonoras: > () — > () — > () — > () — Apesar de haverem evidências de que a lei de Grimm foi, realmente, uma mudança unitária, não é possível ter certeza, havendo a possibilidade dela ter sido uma série de mudanças que não necessariamente estavam relacionadas entre si.Lei de Verner: fricativas surdas são sonorizadas, no início, alofonicamente, quando eles são precedidos por uma sílaba não acentuada: > — > — > — (Com -z por analogia) > — > — "Da escuridão" > > > ; "Roda" > > > Além disso, algumas pequenas palavras que geralmente não tinham sílaba tônica também foram afetadas — , não tônico "Eu sou" > > > ; , não tônico "Eles" > > > (a variantes tônicas, que se tornariam e , foram perdidas)Todas as palavras tornam-se tônicas na primeira sílaba. O acento contrastivo do PIE é perdido, fonemizando a distinção de voz criada pela lei de Verner. > no começo de palavras — (com -þ- por analogia)Assimilação de soantes: > — "Fino" ~ . > ~ > ~ > ~ > ~ > — . Este desenvolvimento foi posterior ao contanto com as línguas lapônicas. Isso é demonstrado pelo empréstimo *pulna > *polnē "Monte". > — não tônico > : existem evidências da perda de , contudo, elas são incomuns. Elas também não aparentam estarem ligadas à perda de . —
Se essa tiver sido uma mudança natural, então ela deve ter ocorrido antes da mudança de pra , durante o estágio pré-germânico. não tônico > antes de uma consoante ou no final de palavras — não tônico > exceto antes de — "Sufixo abstrato de substantivo " > > > não tônico se contrai a — "radical de i, , " > > > (com -z por analogia) antes de se torna depois mas não até depois da aplicação da mudança de i. Algumas palavras que poderiam ser átonas como um todo também foram afetadas, frequentemente criando pares tônicos/não tônicos — "Eu" > > não tônico (permanecendo ao lado do tônico)
Teorias de filogenia linguística As línguas evoluem e se separam originando novas línguas de forma similar às espécies de seres vivos.