380px|thumb|Mapa do território palestino com as restrições nas fronteiras terrestres e aquáticas impostas pelo governo de Israel As restrições de movimento e bens impostas por Israel no bloqueio à Faixa de Gaza datam do início da década de 1990. Depois que o Hamas assumiu o poder em 2007, Israel intensificou significativamente as restrições de movimento existentes e impôs um bloqueio completo ao movimento de bens e pessoas dentro e fora da Faixa de Gaza. No mesmo ano, o Egito fechou a . Os objetivos declarados do bloqueio são impedir o contrabando de armas para Gaza e exercer pressão econômica sobre o Hamas. Grupos de direitos humanos consideram o bloqueio ilegal e uma forma de punição coletiva, já que impede o fluxo de bens essenciais, agrava a fome, as dificuldades econômicas e restringe a liberdade de movimento da população de Gaza. O bloqueio terrestre, marítimo e aéreo isolou Gaza do restante do território palestino ocupado por Israel e do mundo. O bloqueio e suas consequências fizeram com que o território ficasse conhecido como "prisão a céu aberto".Multiple sources:

Israel bloqueou a Faixa de Gaza em vários níveis de intensidade em 2005-2006. Os bloqueios impostos por Israel datam de 1991. Em 2007, depois que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza, Israel impôs um bloqueio indefinido em Gaza que permanece em vigor, sob a alegação de que as forças do Fatah e da Autoridade Palestina haviam fugido de Gaza e não seriam mais capazes de fornecer segurança no lado palestino. Israel alega que o bloqueio é necessário para se proteger da violência política palestina, do ataque por foguetes, e para impedir que bens de dupla utilização entrem em Gaza.

A Faixa de Gaza possui fronteiras terrestres com Israel e Egito, além de uma fronteira marítima (Mar Mediterrâneo). Desde junho de 2007, o Egito e Israel mantêm as suas fronteiras com o território fechadas. O bloqueio a Gaza apenas permite que carregamentos de suprimentos humanitários cheguem à região, após um controle minucioso de seu conteúdo.

Israel alega que o bloqueio visa enfraquecer o poderio do Hamas e pôr fim a seus constantes ataques com foguetes contra cidades israelenses e resgatar o soldado Gilad Shalit, sequestrado desde o dia 25 de junho de 2006. As autoridades egípcias sustentam que a abertura da passagem de Rafah representaria em um reconhecimento por parte do Egito do controle de Gaza pelo Hamas, o que minaria a legitimidade da Autoridade Nacional Palestina e selaria a separação entre a faixa de Gaza e a Cisjordânia.

Diversas entidades de defesa dos direitos humanos qualificam o bloqueio à Faixa de Gaza como “desumano” e “cruel” e avaliam que a medida gera desabastecimento e pune apenas a população civil.. A Anistia Internacional chamou o bloqueio de "punição coletiva", que resulta em uma "crise humanitária";http://www.br.amnesty.org/?q=node/813 funcionários da ONU descreveram a situação como "preocupante". O governo israelense nega tais afirmações e diz que não há carência de itens básicos em Gaza. As Forças Armadas de Israel têm uma lista de itens proibidos que, segundo eles, podem ser usados para fabricar armas e foguetes, tais como canos de metal e fertilizantes químicos. Entretanto, não existe uma lista dos itens que podem ou não entrar em Gaza, e os itens proibidos variam de tempos em tempos.

Segundo o Coordenador de Atividades nos Territórios sob Administração Militar de Israel, no mês de maio de 2010, entraram na Faixa de Gaza mais de 1,5 milhão de litros de óleo diesel e gasolina, além de 76 caminhões carregados com frutas e verduras, 27 caminhões de trigo, 34 carretas com carne, frango e pescado, 45 caminhões carregados de produtos lácteos, 114 caminhões de ração animal, 37 caminhões carregados de produtos de higiene, 50 caminhões de roupas e calçados e 16 caminhões carregados de açúcar.

Causas e efeitos thumb|right|300px|Posto controle israelense em Erez, no norte da Faixa de Gaza, em 2007. Em 2004, o então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon anunciou seu plano de retirada unilateral da Faixa de Gaza. No ano seguinte, todos os 21 assentamentos judaicos na região foram evacuados, em meio a forte comoção gerada pela resistência dos cerca de 9 mil colonos em abandonar seus lares. Toda presença militar israelense na Faixa de Gaza foi também removida.

Para Ariel Sharon, a retirada unilateral serviria para melhorar as condições de segurança de Israel, e como um gesto de boa vontade diante da opinião pública internacional. A retirada também teve o objetivo de transferir mais responsabilidades para a ANP no sentido de que esta mostrasse algum empenho na luta contra o terrorismo, conforme previa o “Road Map for Peace”.

Em 25 de janeiro de 2006 foram realizadas eleições nos territórios palestinos (Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental) para determinar os 132 membros do Conselho Legislativo da Palestina (CLP), órgão legislativo da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Os resultados finais da eleição deram vitória ao braço político do grupo terrorista Hamas, com 74 assentos no CLP. Já o Fatah, teve sua bancada reduzida em 10 cadeiras, elegendo apenas 45 deputados. A maioria absoluta conquistada pelo Hamas no CLP lhe garantiu a possibilidade de formar o novo governo da ANP. Nas listas eleitorais, o Hamas recebeu 44,4% dos votos contra 41,4% do Fatah. Nos distritos eleitorais, os candidatos do Hamas receberam 41,7% dos votos contra 36,9% dos candidatos do Fatah.

Após a derrota eleitoral, o então primeiro-ministro da ANP Ahmed Qorei renunciou ao cargo, mas continuou como interino até a posse de Ismail Haniya, membro do Hamas, em 19 de fevereiro de 2006. Em virtude das ações terroristas empreendidas pelo Hamas e do não reconhecimento do grupo ao direito de existência de Israel, os países do "Quarteto" (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU) suspenderam a remessa de verbas externas destinadas à ANP. Foram também congeladas as transferências de recursos devidos à Autoridade Palestina – relativos a receitas de impostos, taxas e direitos alfandegários arrecadados por Israel. Além disso, Israel também proibiu que membros eleitos do Conselho Legislativo da Palestina circulassem entre Gaza e a Cisjordânia.

Com essa estratégia, pretendia-se promover a desestabilização do governo do Hamas, de modo que, depois de alguns meses, que o presidente Mahmoud Abbas pudesse convocar novas eleições. Esperava-se que a população, cansada de sofrer privações, tendesse então a votar por um governo sem o Hamas.O bloqueio à Faixa de Gaza e conversações sobre um cessar-fogo Conjuntura internacional. PUC-Minas, 13 de maio de 2008

A Autoridade Palestina passa a enfrentar um déficit de caixa da ordem de 110 milhões de dólares por mês (ou mais de 1 bilhão de dólares por ano), dinheiro necessário ao custeio dos serviços públicos, incluindo o pagamento de salários de 140 000 funcionários. Estes funcionários representavam aproximadamente 1/4 da população empregadaCIA - The World Factbook - Economy: Gaza Strip & West Bank e sustentavam pelo menos um terço da população palestina.

Em março de 2007, o Hamas formou um governo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, que deveria ser um governo de união nacional. Em maio de 2007, Hamas e Fatah ratificaram o Acordo de Meca, visando criar as condições para um governo de coalizão e reformar a OLP, a fim de permitir a entrada do Hamas. Mas o cerco israelense e as sanções ocidentais paralisaram a economia e acabaram por aumentar as tensões políticas entre as duas facções. Assim, o governo de coalizão não durou. Pouco depois, o Hamas acusou as forças do Fatah de estarem planejando um golpe.

Nesse ínterim, os Estados Unidos e o Egito treinaram e armaram alguns partidários do Fatah, já prevendo um confronto entre as duas facções.Israel, US, and Egypt back Fatah's fight against Hamas, por Dan Murphy e Joshua Mitnick. The Christian Science Monitor, 25 de maio de 2007.U.S. training Fatah in anti-terror tactics, San Francisco Chronicle, 14 de Dezembro de 2006.Diplomats fear US wants to arm Fatah for 'war on Hamas', The Times Online, 18 de novembro de 2006.Israeli defense official: Fatah arms transfer bolsters forces of peace, Haaretz, 28 de dezembro de 2006. Numa série de sangrentos conflitos, o Hamas tomou o controle absoluto da Faixa de Gaza, entre os dias 7 e 15 de junho. Segundo estimativas da Cruz Vermelha Internacional, 118 pessoas foram mortas e mais de 550 feridas nas ações.Gaza-Westbank – ICRC Bulletin No. 22 / 2007, AlertNet. Retrieved June 16, 2007. O Hamas conseguiu assumir o governo da Faixa de Gaza, enquanto o Fatah retomou o controle da Cisjordânia.

Em 18 de junho de 2007, o presidente palestino Mahmoud Abbas decretou a ilegalidade da milícia do Hamas, reforçando a ANP com o apoio de Israel e dos países ocidentais.Palestina: catorze anos de trágica divisão. Le Monde Diplomatique. Dossiê Oriente Médio.Saiba o que é o Hamas. Dw-World, 7 de janeiro de 2009.Entenda o conflito em Gaza. BBC Brasil, 22 de janeiro de 2009.

Na sequência, o governo de Israel fechou seus postos de fronteira com a Faixa de Gaza, alegando que a Fatah não poderia mais garantir a segurança na região, e impôs o bloqueio ao território palestino, proibindo todas as exportações e permitindo unicamente a entrada de ajuda humanitária. O governo do Egito, por sua vez, já havia fechado sua fronteira em 7 de junho de 2007, quando se intensificou o combate entre o Fatah e o Hamas.

Diante dos diversos apelos internacionais para aliviar ou levantar o bloqueio, Egito e Israel diminuíram as restrições a partir de junho de 2010, quando a fronteira de Rafah foi parcialmente aberta pelo Egito. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Egito deixou claro que a passagem está franqueada para a circulação de pessoas, mas não para a passagem de itens de quaisquer espécies. O governo de Israel prometeu uma liberação quase irrestrita da entrada de mercadorias (exceto as que possam ser utilizadas na produção de armas), mas prossegue na restrição à livre circulação de pessoas dentro e fora das fronteiras da Faixa de Gaza. Habitantes de Gaza com necessidades médicas graves são liberados para atravessar a fronteira e buscar auxílio médico em hospitais de Israel.

No começo de 2008, o relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinos, Richard Falk, comparou ações de Israel em Faixa de Gaza com as realizadas pelos nazistas na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A declaração de Falk, que é de origem judeu, casou irritação no governo israelense, que chegou a negar visto ao emissário. Mais tarde, no início de 2011, o mesmo Falk teria seu cargo contestado pelos Estados Unidos, depois da descoberta de que este havia feito comentários de teor conspiratório, sobre a veracidade dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Em 23 de janeiro, centenas de milhares de palestinos de Gaza invadiram o Egito, depois que militantes destruíram com explosivos parte de um muro controlado pelos israelenses em Rafah, que separa os dois territórios. Os palestinos buscavam obter alimentos, combustíveis, cigarros e outros artigos que se tornaram escassos ou caros em Gaza, por conta das restrições impostas por israelenses e egípcios.Após seis dias de bloqueio em Gaza, palestinos invadem o Egito - Folha Online, 23 de janeiro de 2008 thumb|200px|Menino palestino e soldado israelense diante do Muro da Cisjordânia (2004) thumb|200px|Túnel clandestino em Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito (2009).