Os (conhecidos também como israelenses/israelitas árabes ou, oficialmente, como cidadãos árabes de IsraelA Lei de Nacionalidade israelense só entrou em vigor em 14 de julho de 1952, após um debate prolongado. Entre a declaração de independência de Israel, em 14 de maio de 1948, e a aprovação desta lei, quatro anos mais tarde, tecnicamente não existiam cidadãos israelenses. Neste artigo o termo 'cidadão árabe' ou 'cidadão judeu' também serve para descrever árabes e e judeus envolvidos nos eventos que ocorreram depois do armistício de 1949 e da aprovação da Lei de Nacionalidade, em 1952, ainda que fosse uma classificação informal. são os árabes ou povos falantes do árabe que possuem a nacionalidade israelense e que não são judeus.
Os cidadãos árabes compõem cerca de 20% da população de Israel. A maioria identifica-se como palestina, em termos de nacionalidade, e israelense em termos de cidadania. Existem pesquisas que indicam que a maioria absoluta dos árabes israelenses preferiria continuar como cidadãos do Estado de Israel a se tornar cidadãos de um futuro Estado palestino. Muitos cidadãos árabes possuem laços, incluindo familiares, com palestinos vivendo na Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Síria e Líbano. Existe também cada vez uma ênfase maior à cidadania israelense entre os beduínos do Negev, e os drusos; estes, por exemplo, já participam do serviço militar, compulsório a todos os cidadãos israelenses de origem judaica, bem como um pequeno contingente de beduínos.Embattled Identities: Palestinian Soldiers in the Israeli Military, Rhoda Kanaaneh, Journal of Palestine Studies, Vol. 32, No. 3 (Primavera, 2003), pp. 5-20
Alguns casos especiais são os árabes que vivem em Jerusalém Oriental e nas Colinas de Golã, ocupadas e administradas por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967. Os residentes de Jerusalém Oriental tornaram-se residentes permanentes de Israel pouco depois da guerra; embora possuam carteiras de identidade israelenses, apenas alguns fizeram o requerimento da cidadania do país, ao qual têm o direito, e a maioria deles ainda mantém lanços com a Cisjordânia. No entanto, como residentes permanentes, podem votar nas eleições municipais de Jerusalém - embora apenas uma pequena porcentagem o faça. A maioria dos residentes das Colinas de Golã é composta por drusos, que são considerados residentes permanentes sob a Lei das Colinas de Golã, de 1981; poucos deles, no entanto, aceitaram a cidadania israelense, e a imensa maioria deles ainda se considera cidadãos da Síria.
Terminologia Entre os termos usados para se referir aos cidadãos árabes de Israel na mídia e no vocabulário cultural árabe estão "os árabes de '48", "os palestinos de '48", ou "os árabes de dentro" (عرب الداخل). Estes termos não incluem a população de Jerusalém Oriental ou os drusos das Colinas de Golã, já que estes territórios são considerados como áreas ocupadas ilegalmente por Israel desde 1967. Muitos cidadãos árabes de Israel preferem simplesmente se descrever como "palestinos em Israel" ou "cidadãos palestinos de Israel".
"Árabes de Israel", "árabes israelenses", "israelenses árabes", "população árabe de Israel", "habitantes árabes" ou "o setor árabe" são termos usados pelas autoridades governamentais, pela população judaica de Israel e pela mídia que utiliza o hebraico em Israel para se referir aos árabes que são cidadãos e/ou residentes do Estado de Israel.Ver o uso do termo "habitantes árabes" ("Arab inhabitants") em
O Escritório Central de Estatísticas de Israel, inclui os residentes árabes permanentes de Israel que não possuem, no entanto, nacionalidade israelense, nos números de seu censo; como resultado, calcula-se o número de árabes em Israel como sendo de 1.413.300 pessoas, ou 19,7% da população do país (2006). Estes números incluem os 250 mil árabes de Jerusalém Oriental e os cerca de 19 mil drusos das Colinas de Golã.
Geralmente os judeus que emigraram ou foram expulsos de seus lares históricos ao longo do mundo árabe logo após a fundação de Israel, em 1948, bem como seus descendentes nascidos em Israel (conhecidos como sabra) não se identificam como árabes, embora tanto eles como seus ancestrais fossem judeus que tradicionalmente falavam o árabe e uma minoria de judeus mizrahim que até hoje são identificados como árabes judeus. De acordo com a dicotomia demográfica oficial entre "árabes" e "judeus", judeus de todas as origens são contados oficial e coletivamente, sem qualquer distinção, como "judeus", enquanto pessoas de herança cultural e/ou linguística árabe de qualquer fé que não seja o judaísmo são contados como "árabes".
História Guerra árabe-israelense de 1948 A maioria dos israelenses se refere à guerra árabe-israelense de 1948 como "Guerra de Independência", enquanto a maior parte dos cidadãos de origem árabe o chamam de Nakba ("catástrofe"), numa clara indicação das diferenças de percepção das duas comunidades a respeito dos propósitos e resultados da guerra.
Na sequência do conflito, o Mandato Britânico da Palestina foi dividido de facto em três partes diferentes: o Estado de Israel, a Cisjordânia, controlada pela Jordânia (antiga Transjordânia) e a Faixa de Gaza, controlada pelo Egito. Dos cerca de 950.000 árabes que, estima-se, viviam no território que se tornou Israel depois da guerra, a maioria fugiu ou foi expulsa; cerca de 156.000 ficaram, e são estes indivíduos e seus descendentes que compõem a maior parte da população árabe de Israel. Existem também habitantes de Gaza e da Cisjordânia que requisitaram a cidadania israelense, através das medidas de unificações de famílias - um processo cujos critérios foram tornados mais rígidos recentemente.
Árabes que abandonaram suas casas durante o período de conflito armado, porém permaneceram em território que veio a se tornar o Estado de Israel, foram considerados "ausentes presentes" e, em muitos casos, foi-lhes recusada a permissão para retornar às suas casas, que foram expropriadas e passaram para a propriedade do Estado, assim como a propriedade de outros refugiados palestinos.Pappé, Ilan (1992) The Making of the Arab Israeli Conflict 1947-1951; I B Tauris, p.72 ISBN 1-85043-819-6Morris, Benny (2001). Revisiting the Palestinian exodus of 1948. In The War for Palestine: Rewriting the History of 1948 (pp. 37-59). Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-79476-5 Cerca de 274.000, ou um em cada quatro cidadãos árabes de Israel, são "ausentes presentes", ou "palestinos desalojados internamente. Entre casos notáveis de "ausentes presentes" estão os residentes de Saffuriyya e as vilas de Kafr Bir'im e Iqrit, na Galileia.Féron, pp. 94, 97-99 Os esforços judiciais dos residentes de Kafr Bir'im e Iqrit para retornar a seus lares, ainda continuam no início do século XXI.
Os árabes israelenses costumam realizar marchas separadas no Dia da Independência de Israel (Yom Ha'atzmaut), celebrando em seu lugar o "Dia da Catástrofe" (Nakba). Em Israel, o dia de independência é realizado no dia 5 de Iyar, de acordo com o calendário hebreu - o que significa que cai em datas diferentes do calendário gregoriano. Os cidadãos árabes de Israel geralmente celebram o al-Nakba tanto neste dia quanto no dia 15 de maio, como o fazem outros palestinos. Soldados drusos, no entanto, estiveram presentes na primeira Parada do Dia de Independência realizada no país, em 1949,Aridi, Naim. "The Druze in Israel", Ministério de Relações Exteriores de Israel. e desde então foram realizadas paradas especiais para os drusos e os circassianos, bem como eventos especiais para os beduínos no Dia da Independência.
Lei marcial (1949-1966) thumb|População árabe em Israel. thumb|Localidades falantes do árabe em Israel. Embora a maior parte dos árabes que permaneceu dentro do território que se tornou Israel recebeu a cidadania, a partir de 1949 esta população ficou sujeita a diversas medidas de controle que equivaliam na prática a uma lei marcial.Kodmani-Darwish, p. 126, Féron, pp. 37 e 40 Entre estas medidas estava a necessidade de permissão do governador militar para viagens superiores a uma determinada distância da cidade de residência, o uso de toques de recolher, detenções administrativas e até mesmo expulsões. A lei marcial deixou de ser imposta sobre a população árabe das cidades predominantemente judaicas poucos anos depois, porém permaneceu em vigor nas áreas de população majoritariamente árabe até 1966.
Diversas medidas legais que entraram em efeito durante este período facilitaram a transferência de terra abandonada pelos árabes para a propriedade do Estado; entra elas estava a 'Lei de Propriedade dos Ausentes', de 1950, que permitia ao governo assumir o controle de terras cujos proprietários tenham migrado para outros países, e a 'Lei de Aquisição de Terras' de 1953, que autorizava o Ministério das Finanças a transferir o controle de terras expropriadas para o Estado. Outros expedientes legais incluíram o uso de regulamentações de emergência, que declararam terras pertencentes aos cidadãos árabes como zonas militares fechadas ao público, e o uso de legislação do antigo Império Otomano a respeito de terras abandonadas.Féron, p. 94
Em 1965 foi feita uma tentativa inicial de se montar uma lista de candidatos árabes independentes para o Knesset (o parlamento de Israel), com um grupo radical, al-Ard, apresentando a Lista Árabe Unida. A lista foi, no entanto, banida pelo Comitê Eleitoral Central Israelense.
A partir do ano seguinte, com a revogação completa da lei marcial e o desmantelamento da maior parte da legislação discriminatória, os cidadãos árabes passaram a receber - na teoria, embora nem sempre na prática - os mesmos direitos dos cidadãos judeus.Kodmani, p. 126
1967-2000 A Guerra dos Seis Dias marcou um ponto dramático nas vidas dos cidadãos árabes de Israel; pela primeira vez desde a fundação do país os cidadãos árabes passaram a ter contato com os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Isto, juntamente com o fim do regime militar, levou a um crescimento no ativismo entre os cidadãos árabes.
Em 1974, um comitê de presidentes de assembleias municipais e prefeitos árabes foi criado, e veio a desempenhar um papel importante na representação da comunidade e em levar suas reivindicações ao governo israelense.Kodmani, p. 129 No ano seguinte deu-se a formação do Comitê para a Defesa da Terra, que visava a evitar futuras expropriações de terra.Féron, p. 41 Naquele mesmo ano, um acontecimento político revolucionário ocorreu, com a eleição do poeta árabe Tawfiq Ziad, um membro do partido Maki, a prefeito de Nazaré, acompanhado por uma forte presença comunista da assembleia municipal da cidade.Féron, p. 106 Em 1976 seis árabes israelenses foram mortos por forças de segurança israelenses, durante um protesto contra expropriações de terra e demolições de casas. A data do protesto, 30 de março, é celebrada desde então como o Dia da Terra.
A década de 1980 viu o nascimento do Movimento Islâmico; como parte de uma tendência maior, que se alastrou por todo o mundo árabe, o Movimento Islâmico enfatizava a passagem do islã para o campo da política. O movimento construiu escolas, forneceu diversos outros serviços sociais, construiu mesquitas e encorajou tanto a prática da oração quanto o uso de vestimentas conservadoras islâmicas. O Movimento Islâmico passou a ter um impacto considerável nas eleições, particularmente a nível local.
Muitos cidadãos árabes apoiaram ativamente a Primeira Intifada, e ajudaram os palestinos na Cisjordânia e em Gaza com dinheiro, comida e roupas. Diversas greves também foram realizadas pelos árabes israelenses, em solidariedade aos palestinos dos territórios ocupados.