A invasão das Ilhas Malvinas (), codinome Operação Rosario (), foi uma operação militar lançada pelas forças argentinas em 2 de abril de 1982 para capturar as Ilhas Malvinas, servindo como o estopim para a Guerra das Malvinas. Os argentinos realizaram desembarques anfíbios, e a invasão terminou com a rendição da Casa do Governo das Malvinas.

Defesa O governador Rex Hunt foi informado pelo Governo Britânico sobre uma possível invasão argentina em 1 de abril de 1982. Às 15h30 daquele dia, ele recebeu um telegrama do Ministério das Relações Exteriores e da Commonwealth declarando:

Forças envolvidas thumb|250px|Mapa das Ilhas Malvinas(toponímia argentina) O governador convocou os dois oficiais superiores dos Royal Marines do Naval Party 8901 à Casa do Governo, em Porto Stanley, para discutir as opções de defesa das Malvinas. Durante a reunião, ele disse: “Parece que esses bastardos falam sério.”

O major Mike Norman recebeu o comando geral dos Marines por ser o mais antigo, enquanto o major Gary Noott tornou-se assessor militar do governador Hunt. A força total era de 68 fuzileiros navais e 11 marinheiros do navio de patrulha antártica Endurance, integrantes da equipe de sondagem, chefiados pelo tenente da Marinha Chris Todhunter.Invasion! Under fire, as the Falklands come under attack Esse número era maior que o normal porque a guarnição estava em processo de substituição — tanto os substitutos quanto as tropas que iriam partir estavam nas Malvinas no momento da invasão.Battles: The Argentine Invasion royalnavy.mod.uk. Acesso em 26 de agosto de 2007.

Esse efetivo foi reduzido para 57 quando 22 fuzileiros embarcaram no HMS Endurance para juntar-se ao grupo de 13 homens do British Antarctic Survey (BAS) sob comando do chefe da base, Steve Martin, a fim de observar os soldados argentinos na Geórgia do Sul. A Marinha Real Britânica e o autor Russell Phillips afirmam que havia ao todo 85 fuzileiros navais em Porto Stanley."Consequently, there were 85 Royal Marines on the islands, with 25 men of the Falkland Islands Defence Force, although some retired members of the FIDF also reported for duty that around 40 men were available for the FIDF." A Damn Close-Run Thing, Russell Phillips, Shilka Publishing, 2011

Esses números foram reforçados por pelo menos 25 membros da Força de Defesa das Ilhas Malvinas (FIDF).Anderson, pp. 17–19. Graham Bound, um ilhéu que viveu a ocupação argentina e autor de Invasion 1982: Falkland Islanders at War, afirma que havia 40 membros"Meanwhile, the Falkland Islands Defence Force (FIDF) was preparing for the invasion quite independently of the Marines. Their OC, Major Phil Summers, had tasked the approximately forty parttime militiamen to guard such key points as the telephone exchange, the radio station and the power station." Invasion 1982: The Falkland Islanders' Story, Graham Bound, p. 45, Casemate Publishers, 2007 (incluindo 15 ex-membros da FIDF) da FIDF. Seu comandante, major Phil Summers, designou os milicianos voluntários (incluindo seu filho Brian Summers) para proteger pontos-chave como a central telefônica, a estação de rádio e a usina elétrica. O capitão Jack Sollis, a bordo do navio civil de cabotagem Forrest, operou seu barco como uma estação de alerta de radar, ao largo de Porto Stanley. Outros quatro civis — os ex-Royal Marines Jim Fairfield e Anthony Davies,"Anthony Davies, known as 'Taff', was the only experienced soldier among them. Taff had been a Marine and met his wife Jackie when serving with Naval Party 8901 in the late 1970s. He left the Corps in 1979 and settled in Stanley. That night he felt he had to do something to help and became the FIDF's newest member." Bound: Invasion 1982: The Falkland Islanders' Story, p. 46 o cidadão canadense Bill Curtiss e Don Bonner, motorista de Rex Hunt"Rex Hunt's chauffeur and major-domo Don Bonner was deeply attached to his boss and Government House, where he had a grace-and-favour cottage. Don had borrowed Rex's 12-bore shotgun, staked out the flagstaff on the lawn and told Mike Norman that he planned to shoot 'any Argy who tried to bring down the flag.'" Bound: Invasion 1982: The Falkland Islanders' Story, p. 47 — também se ofereceram para ajudar o governador.Insight team Sunday Time (1982), Capítulo I: Surrender (I) e Capítulo VIII: An ungentlemanly act. Há menção de voluntários como Jim Fairfield, ex-fuzileiro naval, Bill Curtis, um canadense, e o capitão Jack Sollis, do Forrest. O próprio Rex Hunt estava armado com uma pistola Browning 9 mm. O próprio Rex Hunt estava armado com uma pistola Browning 9 mm.

Antes dos desembarques principais argentinos, nove dos marinheiros britânicos presentes foram colocados sob comando do Secretário Chefe, Dick Baker, e reuniram cerca de 30 argentinos residentes em Porto Stanley, mantendo-os sob “custódia protetora” ao lado da Delegacia de Polícia."Led by Colour Sergeant J. Noone RM, and accompanied by the Chief Secretary as the representative of the civil power, they had rounded up thirty Argentine nationals residents in Port Stanley by 4.00 am, placing them in protective custody." The Royal Navy and Falklands War, David Brown, p. 57, Pen & Sword, 1987 Dick Baker lembra:

Os nove marinheiros retornaram então à Casa do Governo, onde estabeleceram um serviço de informações, deixando os prisioneiros sob custódia do tenente da Marinha Richard Ball.Nick Van Der Bijl (2007), p. 15

Operação Rosario A operação anfíbia argentina teve início tarde da noite de quinta-feira, 1 de abril, quando o contratorpedeiro ARA Santísima Trinidad desembarcou forças navais especiais ao sul de Porto Stanley. A maior parte da tropa argentina desembarcaria algumas horas depois do navio de assalto anfíbio ARA Cabo San Antonio próximo ao aeroporto, numa praia previamente demarcada pelos mergulhadores do submarino ARA Santa Fe.Mayorga, p. 71 A operação chamava-se “Azul” durante a fase de planejamento, mas foi renomeada “Rosario”.Ruiz Moreno, p. 21

ARA Santa Fe Rosario teve início com o reconhecimento de Port William pelo submarino ARA Santa Fe e o desembarque de 14 membros dos perto do Cabo Pembroke, incluindo o comandante dessa unidade de elite, capitão-tenente Alfredo Raúl Cufré. A missão de reconhecimento começou logo em 31 de março, quando o pesqueiro Forrest foi avistado pelo periscópio às 22h ao largo de Porto Stanley. No dia seguinte, o Santa Fe soube que as autoridades em Porto Stanley estavam cientes dos planos argentinos, e optaram por mudar a abordagem. Em vez de desembarcar diretamente em Pembroke, os comandos desembarcariam em uma praia próxima.Bóveda, Jorge (2007). La Odisea del submarino Santa Fe. IPN editores, pp. 56, 75–76.

Os comandos deixaram o Santa Fe às 13h40 e, da praia, seguiram rumo à península de Pembroke em botes infláveis. Eles alcançaram Yorke Bay às 4h30 de 2 de abril. Depois de instalar sinalizadores para o desembarque principal, assumiram o controle do campo de pouso e do farol sem encontrar resistência significativa. Após a rendição britânica em Porto Stanley, esse grupo ficou encarregado de reunir e custodiar os Royal Marines.

Ataque ao quartel de Moody Brook miniaturadaimagem|Local do Quartel de Moody Brook, guarnição das Ilhas Malvinas. Uma pequena unidade de fuzileiros navais britânicos estava lá desde os anos 1960 até a invasão de 1982, quando as forças argentinas atacaram o quartel. Hoje restam apenas os alicerces. Na noite de 1–2 de abril de 1982, o Santísima Trinidad parou a cerca de de Mullet Creek e baixou 21 botes infláveis de assalto, contendo 84 militares de forças especiaisBusser, Operación Rosario. A força era composta por 76 Comandos Anfíbios e 8 membros do Buzos Tácticos (mergulhadores táticos) de elite. do 1º Grupo de Comandos Anfíbios do capitão-tenente Guillermo Sánchez-Sabarots e um pequeno grupoA chamada Patrulla Techo (“patrulha telhado”). sob o comando do capitão-tenente Pedro Giachino, que era subcomandante do 1º Batalhão de Infantaria de Marinha e havia se oferecido para a missão"Meanwhile, Lieutenant Commander Pedro Giachino, who was the 1st Marine Infantry Battalion Second-in-Command, and had volunteered for the mission, approached Government House with eight amphibious commandos and the eight tactical divers." Victory in the Falklands, Nick Van Der Bijl, p. 18, Pen & Sword, 2007 de capturar a Casa do Governo. O contra-almirante argentino Jorge Allara, por mensagem de rádio a partir do Santisima Trinidad, solicitara a Rex Hunt uma rendição pacífica, mas o pedido foi rejeitado.

O grupo de Giachino tinha de percorrer somente quatro quilômetros para o norte. Já o grupo principal seguiria uns dez quilômetros rumo ao norte, em terreno acidentado, até chegar ao quartel de Moody Brook. Sánchez-Sabarots descreveu no livro The Argentine Fight for the Falklands o progresso da unidade no escuro:Era uma noite agradável, com luar, mas as nuvens cobriam a lua na maior parte do tempo. Foi muito difícil avançar, carregávamos muito peso; fazia calor. Acabamos nos dividindo em três grupos. Tínhamos apenas uma luneta de visão noturna; o líder, tenente Arias, a usava. Um dos grupos se separou quando um veículo apareceu na estrada que precisávamos cruzar. Achamos que fosse uma patrulha militar. Outro grupo perdeu contato, e a terceira separação ocorreu porque alguém estava andando rápido demais. Isso fez meu subcomandante, tenente Bardi, cair; ele fraturou o tornozelo e teve de ficar para trás com um homem para ajudá-lo. Chegamos a Moody Brook às 5h30, já no limite do tempo planejado, sem a uma hora que queríamos para reconhecimento.O grupo principal dos fuzileiros argentinos supôs que o quartel de Moody Brook abrigava fuzileiros britânicos dormindo. O quartel estava silencioso, embora houvesse luz acesa no escritório do comandante. Nenhum sentinela fora visto, e a noite estava calma. Sánchez-Sabarots não ouviu nada sugerindo ação na Casa do Governo, nem nos distantes pontos de desembarque. Mesmo assim, ordenou o ataque. O relato de Sánchez-Sabarots continua:Ainda estava escuro. Íamos usar gás lacrimogêneo para forçar os britânicos a sair dos prédios e capturá-los. Nossas ordens eram não causar baixas se possível. Foi a missão mais difícil da minha carreira. Todo o nosso treinamento de comandos era para lutar de forma agressiva e infligir o máximo de baixas ao inimigo. Cercamos o quartel com equipes de metralhadoras, deixando apenas uma rota de escape pela península ao norte do porto de Porto Stanley. Se alguém escapasse, não conseguiria chegar à cidade para reforçar os britânicos. Então jogamos granadas de gás em cada prédio. Não houve reação; o quartel estava vazio.O barulho das granadas alertou o major Norman sobre a presença argentina na ilha, e ele voltou de carro para a Casa do Governo. Percebendo que o ataque vinha de Moody Brook, ordenou que todas as seções de tropa convergissem à Casa do Governo, centralizando a defesa. Nessa mesma época, a maioria dos membros da FIDF recebeu ordem semelhante e se retirou para o Drill Hall. O sargento Gerald Cheek, da FIDF, recorda: “Foi solicitado que ligássemos para o QG sempre que possível e, quando fiz a chamada de rotina às 6h, Phil Summers me informou que o governador havia dito que os membros da FIDF não deviam enfrentar o inimigo sob nenhuma circunstância, e que deveriam se render quando ordenados, sem resistir.”Invasion 1982: The Falkland Islanders' Story, Graham Bound, p. 46, Casemate Publishers, 2007