Espírito Santo é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Encontra-se situado a leste da região Sudeste do país. Possui como limites: a leste, com o oceano Atlântico, pelo qual é banhado. Ao norte, com a Bahia. A oeste e noroeste, com Minas Gerais. Ao sul, com o Rio de Janeiro. Compreende uma superfície de 46 074,448 km², correspondente à da Estônia, com uma população de 4 102 129 pessoas, equivalente à da Croácia. O estado conta com 78 municípios, sendo Vitória a capital, Vila Velha o mais antigo e Serra o mais populoso. Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Guarapari, Linhares e Muniz Freire são outras das cidades mais importantes.
O relevo se encontra subdividido em duas regiões diferentes: a baixada litorânea e a serra. Nesta unidade de relevo, se localizam o pico da Bandeira, com 2 890 m, e a serra de Caparaó. No setor agrícola, os principais cultivos são os do arroz, café (dos maiores do país), cacau, cana-de-açúcar, feijão, frutas (banana), milho. No setor pecuário, gado leiteiro e de corte. Na indústria, produtos alimentícios, madeira, têxteis e siderurgia, sobressaindo a indústria siderúrgica de Cariacica e a usina de pelotização da Vale S.A..
Vitória é um grande porto de exportação de minério de ferro. Vila Velha e Guarapari são os principais centros de exploração de areia monazítica, além de serem bastante frequentados como estações de cura. Em São Mateus, reservas petrolíferas foram avistadas e extraídas na plataforma continental.
A denominação do estado é uma designação concedida pelo capitão Vasco Fernandes Coutinho que ali aportou em 1535, em um domingo consagrado ao Espírito Santo. Como curiosidade a respeito da história desse nome, sobressai o Convento de Nossa Senhora da Penha, ícone da religiosidade capixaba. Tal templo religioso compreende em seu patrimônio a primeira tela da América Latina, o quadro de Nossa Senhora das Alegrias.
Etimologia Em junho de 1534, 50 léguas de litoral do rio Mucuri até o rio Itapemirim foram concedidas por D. João III de Portugal ao veterano das Índias, Vasco Fernandes Coutinho. Este, quando aportou no território da capitania, no dia 23 de maio de 1535, domingo de Pentecostes, começou a criar uma vila. A esta povoação ele nominou Vila do Espírito Santo (atualmente cidade de Vila Velha), em memória do dia. Em 1535, a denominação se estendeu da vila para a capitania, nomeando mais tarde a província em 1822 e a unidade federativa (1889).. Dessa forma, 35 anos após a Descoberta do Brasil, surgia um dos primeiros estados do país.
Os moradores nascidos no estado do Espírito Santo são conhecidos como capixabas (ou espírito-santenses). O adjetivo pátrio foi concedido aos vindouros habitantes do Espírito Santo em consequência das lavouras de milho que se situavam na ilha de Vitória. As plantações de milho eram de propriedade dos indígenas, os primeiros senhores da região no momento que os portugueses ali vieram. Tudo prova que a própria afirmação intelectual auxilia a não haver a confusão da designação desse estado brasileiro. Com o nome de uma das três pessoas da Santíssima Trindade.
História
Pré-história e povos indígenas esquerda|miniaturadaimagem|"Família de Botocudos em Marcha" (1834), de Debret. Os vestígios mais antigos de presença humana no atual território capixaba são datados de cerca de sete a seis mil anos atrás, sendo encontrados por todo o estado.
No começo do século XVI, a região que hoje é o estado do Espírito Santo era povoada por indígenas do grupo tupinambá, os temiminós, espalhados por quase todo o território, e do grupo jê, os aimorés e os goitacás. Os aimorés eram indígenas violentos os quais, ao que aparenta, moravam na serra que possui sua denominação. Os goitacás se distribuíam pelo sul do Espírito Santo, até os atuais municípios de Campos dos Goytacazes e Cabo Frio, já no Rio de Janeiro..
Período colonial esquerda|miniaturadaimagem|Capitanias do Brasil em 1534.
A expedição exploradora inicial da costa capixaba partiu de Portugal em 1501, conduzindo a bordo Américo Vespúcio. No ano de 1502, a ilha da Trindade, a 1 140 km do litoral, foi descoberta por Estevão da Gama, em outra expedição.. esquerda|miniaturadaimagem|Estátua de Vasco Fernandes Coutinho, primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo, em Vila Velha. Em 23 de maio de 1535, o fidalgo português Vasco Fernandes Coutinho desembarcou na atual Prainha, em Vila Velha, na capitania que lhe fora dada pelo Rei João III de Portugal, batizada com o nome de “Espírito Santo” pelo fato de o dia da chegada ser um domingo de Pentecostes. Coutinho fundou a povoação da Vila do Espírito Santo (atual Vila Velha) naquele dia.
Coutinho teve que lutar duramente contra indígenas hostis, holandeses e franceses e enfrentou a traição de dois aliados – Jorge de Meneses e Duarte de Lemos -, a quem concedera sesmarias. Lemos fundou, na Ilha de Santo Antônio, na Baía de Vitória, por volta de 1549, a Vila Nova do Espírito Santo, para onde a sede da Capitania foi transferida, por ser um local mais seguro. Em 8 de setembro de 1551, após grande vitória dos portugueses sobre os indígenas, a vila foi rebatizada para Vitória.
Anos mais tarde, contribuir no combate contra os indígenas, Mem de Sá, governador-geral da colônia, mandou forças lideradas por seu filho Fernão de Sá. Os jesuítas, sobressaindo José de Anchieta, já haviam começado o catecismo.
Devido à proximidade com o Rio de Janeiro e a Bahia, o Espírito Santo atraiu os olhares de outros europeus, como ingleses e neerlandeses. A população capixaba repeliu a invasão inglesa liderada por Thomas Cavendish (1592), a tropa holandesa de Pieter Heyn (1625) e o ataque do capitão Koin (1640). Nas lutas contra os neerlandeses em 1625, destaca-se o nome de Maria Ortiz.
Desde as primeiras décadas da colonização, houve entradas partindo do litoral capixaba para o interior em busca de pedras preciosas, dentre as quais destacam-se os nomes de Diogo Martins Cão, Marcos de Azeredo e Agostinho Barbalho Bezerra, que desbravaram os arredores do Rio Doce. No governo do donatário Francisco Gil de Araújo, foram dados novos incentivos à procura por pedras preciosas, sobretudo esmeraldas.
Em 1692, Antônio Rodrigues Arzão descobriu pequenas jazidas de ouro em pequenas quantidades no interior espírito-santense, na região de Castelo, o que incentivou o povoamento da região.
Em 1718, como consequência da proibição das entradas e para proteger Minas Gerais de uma possível invasão estrangeira, a Capitania do Espírito Santo foi cedida pelo governador Cosme Rolim de Moura ao rei João V de Portugal em 1718, sendo incorporada à Bahia e passando a pertencer diretamente ao governo-geral.
Em 1800, a Capitania do Espírito Santo foi restaurada, mas ainda subalterna à Capitania da Bahia, sendo nomeado governador Antônio Pires da Silva Pontes. A capitania ganhou autonomia plena em 1810.
Período imperial e republicano
Em 1821, o Espírito Santo foi elevado à categoria de província e, em 1.º de outubro de 1822, reconheceu Dom Pedro I como Imperador do Brasil, apoiando a independência.
Em 1832, as vilas de Campos dos Goytacazes e São João da Barra, incorporadas ao Espírito Santo em 1820, foram devolvidas ao Rio de Janeiro.
Em 1849, eclodiu uma revolta no distrito de Queimado, dispondo da presença de mais de duzentos negros escravizados. De viés abolicionista, foi sufocada violentamente pelos governantes.
esquerda|miniaturadaimagem|Imigrantes alemães e luxemburgueses na colônia Santa Leopoldina na província do Espírito Santo, 1875.
O ciclo do café no território capixaba começou nos primeiros anos do Império e gradualmente foi substituindo a cultura do açúcar, base da economia local por séculos. O cultivo do grão trouxe fazendeiros fluminenses e mineiros e, a partir de 1846, os governos brasileiro e capixaba trouxeram para o Espírito Santo imigrantes europeus, entre italianos, alemães, poloneses, portugueses, suíços e neerlandeses, para povoar o interior do estado e trabalhar no cultivo do café, com os imigrantes vindo se fixar sobretudo nas serras capixabas. Os estrangeiros fundaram colônias, como Santa Leopoldina e Rio Novo.
Em 1889, a República foi proclamada e o Espírito Santo se tornou um estado de um Brasil republicano e federal, tendo como primeiro governador Afonso Cláudio de Freitas Rosa e a primeira constituição estadual promulgada em 1892. O estado, nos primeiros anos de República, enfrentou grandes dificuldades financeiras, resolvidas durante o primeiro mandato de José Muniz Freire (1892-1896), no qual foram feitos empréstimos estrangeiros para sanar as finanças estaduais, favorecendo a lavoura cafeeira e permitindo mais investimentos agrícolas, além da construção da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo e o saneamento de Vitória.
No início do século XX, o café era responsável por mais de 90% das receitas estaduais. Em 1924, um aumento no preço do café possibilitou ao governador Florentino Ávidos erguer uma ponte metálica conectando a ilha de Vitória com o continente e outra, em Colatina, sobre o rio Doce, que colaborou para a colonização do norte do estado, feita por migrantes de outras partes do Espírito Santo e do Brasil.
Com a Revolução de 1930, assumiu o governo capixaba o capitão João Punaro Bley, que governou o estado até 1943, como interventor (1930–1935 e 1937–1943) e governador eleito (1935–1937), em cuja administração começaram as obras para a ampliação do porto de Vitória e a edificação de um cais para escoar o minério, arrematado pela Companhia Vale do Rio Doce. No governo de seu sucessor, Jones dos Santos Neves, foi criada a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), primeira iniciativa do ensino superior no estado.
No contexto da redemocratização após o Estado Novo, em 1947 foi eleito governador Carlos Lindenberg, em cujo primeiro mandato (1947-1951) foi aberta a rodovia ligando o Rio de Janeiro a Vitória, sendo eleito para um segundo mandato entre 1959 e 1963. Foi sucedido pelos governadores democraticamente eleitos Jones dos Santos Neves (1951-1955) e Francisco Lacerda de Aguiar (1955-1959, 1963-1966). Na década de 1960, começou uma política, por parte do Estado, de erradicação de cafezais. Em 1963, os governadores Lacerda de Aguiar (Espírito Santo) e Magalhães Pinto (Minas Gerais) resolveram o litígio de décadas entre os estados, localizado na região entre Mantena e Barra de São Francisco.
Os governos capixabas durante a ditadura militar instaurada após o golpe de 1964 deixaram como legado a construção de rodovias, a eletrificação do norte do estado, a industrialização do estado impulsionada após a inauguração do Porto de Tubarão, ao norte de Vitória, em 1966 e a implantação da Aracruz Celulose em 1979. Em 1983, foi inaugurada a Usina Siderúrgica de Tubarão, marcando o início de um intenso esforço de industrialização do estado por parte do seu governo, com a fixação de indústrias alimentícias, calçadistas, de azulejos e óleos.
Com término da ditadura militar no Brasil (1964–1985), o estado tornou a eleger os seus governadores: Gerson Camata (1983–1986), Max Mauro (1987–1991) e Albuíno Azeredo (1991–1995). Em 1995, tomou posse o petista Vítor Buaiz, deixando o governo em 1999, quando foi sucedido por José Ignácio Ferreira, eleito em 1998, que governou o estado até 2003. Paulo Hartung, que venceu as eleições de 2002, foi reeleito em 2006, com mandato até 2011. Renato Casagrande, que se elegeu em 2010, foi empossado em 2011. Eleito em 2014, Paulo Hartung assumiu a chefia do poder executivo do estado em 2015, deixando o governo estadual em 2019, quando foi substituído por Renato Casagrande, elegido em 2018. Reeleito em 2022, Renato Casagrande tomou posse em janeiro de 2023.
Geografia
direita|miniaturadaimagem|O Pico da Bandeira, com metros de altitude, é o ponto culminante do estado miniaturadaimagem|Frade e a Freira, em Itapemirim.