Thelma Catherine Ryan Nixon (Ely, 16 de março de 1912 — Park Ridge, 22 de junho de 1993), popularmente conhecida como Pat Nixon, foi a esposa de Richard Nixon, o 37.º presidente dos Estados Unidos, e a primeira-dama do país de 1969 até 1974.

Como primeira-dama, Pat Nixon promoveu causas de caridade, inclusive voluntariado. Supervisionou a aquisição de uma coleção de mais de 600 peças de arte e móveis para a Casa Branca, a maior de todas as administrações. Foi também a primeira-dama que mais viajou para o exterior, visitando cerca de 80 países e, inclusive, uma zona de combate.

O seu período como primeira-dama terminou quando, depois de ser reeleito com uma vitória esmagadora nas eleição presidencial de 1972, o presidente Nixon renunciou em meio ao Caso Watergate.

Suas aparições públicas tornaram-se menos frequentes desde então. Pat e seu marido retornaram à Califórnia e, mais tarde, mudaram-se para Nova Jersey. Pat sofreu dois derrames cerebrais, em 1976 e 1983, sendo diagnosticada com câncer de pulmão no começo dos anos 1990. Faleceu aos oitenta e um anos de idade.

Início de vida Thelma Catherine Ryan nasceu na pequena cidade de Ely, Nevada, um dia antes do Dia de São Patrício. Seu pai, William M. Ryan Sr., era um marinheiro, garimpeiro e agricultor com ascendência irlandesa. Sua mãe, Katherine Halberstadt, era uma imigrante alemã. Pat tinha dois irmãos mais velhos, William Jr. (1910-1997) e Thomas (1911-1992). Ela também tinha uma meia-irmã, Neva Bender (1909-1981), e um meio-irmão, Matthew Bender (1907-1973), do primeiro casamento de sua mãe (o primeiro marido de sua mãe morreu durante uma inundação em Dakota do Sul).

"Pat" é um apelido dado por seu pai, referindo-se a sua data de nascimento e a ascendência irlandesa. Ao se matricular na faculdade, em 1931, ela deixou de usar o seu primeiro nome, substituindo-o por Pat e, ocasionalmente, mudando para Patrícia; a mudança de nome, porém, não foi um procedimento legalizado, sendo apenas uma escolha particular. Na sua página anuária do ensino médio, o seu apelido era "Buddy".Illustration in a New York Times article by Judith M. Kinnard, entitled "Thelma Ryan's Rise: From White Frame to White House" (August 20, 1971).

Após o seu nascimento, a família foi morar na Califórnia, e em 1914 estabeleceram uma pequena fazenda em Artesia (atual Cerritos). Durante esse tempo, ela trabalhou na fazenda da família, e também em um banco local como contadora. Sua mãe morreu de câncer em 1924. Após a morte de sua mãe, quando ela tinha 12 anos de idade, passou a fazer todas as tarefas domésticas. Seu pai morreu em maio de 1930 de silicose.

Educação e carreira Muitas vezes tem sido dito que nenhuma primeira-dama anterior a Pat Nixon tinha tido realmente um emprego. Como Pat disse para a escritora Gloria Steinem, durante a campanha presidencial de 1968: "Eu nunca tive tempo para pensar sobre essas coisas - o que eu queria, o que eu admirava, quais as ideias que eu tinha. Eu nunca tinha tempo para sonhar em ser alguém. Eu tive que trabalhar".

Depois de concluir sua graduação de ensino médio na Excelsior High School, em 1929, Pat entrou para a Fullerton Junior College. Ela pagou a sua educação fazendo bicos, como motorista, gerente de farmácia, telefonista e datilógrafa. Ela também ganhou dinheiro como varredora do chão de um banco local, e entre 1930 até 1932, morou em cidade de Nova Iorque, onde trabalhou como secretária e técnica de radiografia.

Determinada "a construir a sua vida", matriculou-se em 1931 na Universidade do Sul da Califórnia (USC), onde se formou em merchandising. Ela continuou trabalhando durante a universidade, tendo sido balconista da loja de departamento Bullock's-Wilshire, ensinando taquigrafia em uma escola secundária, e trabalhou por um breve período na indústria cinematográfica. Fez papel de figurante que não foi creditado nos filmes Becky Sharp (1935) e The Great Ziegfeld (1936).

Em 1937, Pat se formou com cum laude pela USC como bacharel em merchandising, juntamente com um certificado (emitido pela USC e equivalente ao mestrado) que lhe permitiu dar aulas no ensino secundário.Eisenhower, Julie Nixon (1986), p. 48 Depois disso ela aceitou um emprego como professora do ensino secundário em uma escola de Whittier, Califórnia.

Casamento e família thumb|A família Nixon: Julie e David Eisenhower, o presidente e Pat, Tricia e Ed Cox

Durante a sua estada em Whittier, Pat Ryan conheceu o jovem advogado Richard Milhous Nixon, formado pela Universidade Duke. Eles se conheceram em um pequeno grupo de teatro, onde passaram por uma audição de autores para a peça The Dark Tower. Conhecido como Dick, perguntou a Pat, durante o primeiro encontro, se ela se casaria com ele. Mais tarde, ela disse o que achou sobre o convite: "Eu pensei que ele era louco ou algo assim!". Durante dois anos ele cortejou a ruiva a quem chamou a sua "cigana selvagem irlandesa", acompanhando-a mesmo aos seus encontros galantes com outros homens.Marton, Kati (2001), p. 173 Pat e Richard se casaram em 21 de junho de 1940, em Mission Inn, Riverside, Califórnia. Ela disse que tinha sido atraída por Nixon porque "ele tinha vitalidade e ambição". Mais tarde, referindo-se a Richard Nixon, ela disse: "Ah, mas você simplesmente não percebe o quanto ele é divertido!".O'Brien, C.; Suteski, M. (2005), p. 234 Em 1946 deu à luz uma filha, Patrícia, conhecida como Tricia. Em 1948, Pat teve o seu segundo e último filho, Julie. Enquanto Richard Nixon serviu na Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, Pat trabalhou como economista do governo, morando em San Francisco.

Na sua vida privada, Richard Nixon foi descrito como um homem próximo a sua esposa, elogiando o seu trabalho, lembrando os seus aniversários e surpreendendo-a com presentes. . O protocolo de jantares formais da presidência foi mudado a modo que Pat fosse a primeira a ser servida. . Já Pat Nixon considerava o seu marido como um homem vulnerável e procurava protegê-lo. Sobre as críticas que Richard sofreu, ela respondeu: "Lincoln recebeu mais críticas. Era grande o suficiente para não se importar. Meu marido segue o mesmo caminho".

Primeiras campanhas políticas Quando seu marido entrou para a política em 1946, para concorrer a uma cadeira na Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Pat fez campanha ao lado dele. Quando interrogada sobre a carreira do marido, Pat declarou: "A única coisa que eu podia fazer era ajudá-lo, mas [a política] não era uma vida que eu teria escolhido". Pat participou na campanha fazendo uma pesquisa sobre o adversário do marido, o representante Jerry Voorhis. Ela também escreveu e distribuiu material de campanha. Nixon foi eleito em sua primeira campanha para representar o 12º Distrito Congressional da Califórnia. Durante os próximos seis anos, Pat viu a mudança de Richard da Câmara dos Representantes para o Senado dos Estados Unidos, e, em seguida, ser nomeado como candidato de Dwight D. Eisenhower para a vice-presidência na eleição presidencial de 1952.

Embora Pat fosse Metodista, ela e seu marido frequentaram regularmente qualquer igreja protestante que estivesse próxima de sua casa, especialmente depois de se mudarem para Washington, D.C.. Eles frequentaram a Igreja Metodista Metropolitan Memorial e, ocasionalmente, uma igreja Batista, com o reverendo Billy Graham e a "Marble Collegiate Church" com Norman Vincent Peale.

Segunda-dama dos Estados Unidos, 1953-1961

Durante a campanha presidencial de 1952, a atitude de Pat Nixon em relação às acusações de que seu marido teria recebido contribuições ilegais para a campanha mudou. Pat incentivou-o a lutar contra as acusações, e ele assim o fez, fazendo o famoso discurso "Checkers speech" ("Discurso de Damas"), no qual ele rejeitava completamente os fatos alegados contra ele, admitindo que ele tinha recebido um presente: seus filhos e um cão chamado "Damas". Esta foi a primeira aparição de Pat em rede nacional de televisão, suas filhas e o cão também estavam presentes. Defendendo-se como um homem do povo, Nixon salientou a capacidade de sua esposa como uma estenógrafa, e em seguida disse: "Devo dizer que Pat nunca possuiu um casaco de vison. Mas ela usa um respeitável casaco de pano republicano, e eu sempre disse que ela ficaria ótima com quase tudo".Em 1968, no entanto, um escritor de moda do The New York Times observou que Pat Nixon tinha comprado um casaco feito de Karakul e um casaco cordeiro persa em marrom e preto.

Pat Nixon acompanhou o marido no exterior durante os seus anos como vice-presidente. Ela visitou 53 países, muitas vezes ignorando almoços oficiais para visitar hospitais, orfanatos, e até mesmo uma colônia de leprosos no Panamá. Durante uma viagem para a Venezuela, a limusine do casal Nixon foi atingida por pedras e o casal foi agredido, como representantes do governo dos EUA.

Em 1 de novembro de 1958, um artigo do Seattle Times mostrou uma forte cobertura da mídia em favor da futura primeira-dama, afirmando que "a Sra. Nixon é sempre relatada como graciosa e acolhedora. E é óbvio que ela é amigável. Ela acolhe qualquer estranho como um amigo. Ela não dá um aperto de mão, mas aperta entre as suas a mão do seu visitante. São maneiras diretas... a Senhora Nixon também confirma a sua reputação de ter sempre um aspecto fresco e elegante, independentemente das dificuldades do seu dia". Um ano e meio mais tarde, durante a campanha presidencial de seu marido, o New York Times chamou-a de "uma modelo de virtudes de esposa" e "cuja eficiência faz as outras mulheres se sentirem preguiçosas e sem talento".

Pat Nixon foi nomeada para o prêmio de "Mulher de destaque do ano" (1953), "Mãe do Ano" (1955) e "Dona de casa ideal da Nação" (1957).

Campanhas de seu marido em 1960, 1962 e 1968 O vice-presidente Nixon concorreu para presidente dos Estados Unidos em 1960 contra o então senador John F. Kennedy. Pat foi apresentada com destaque na campanha; uma campanha publicitária inteira foi construída em torno do slogan "Pat para primeira-dama". Nixon admitiu a derrota perante Kennedy, apesar de a eleição ser muito acirrada e haver alegações de fraude eleitoral. Pat pediu a seu marido para exigir uma recontagem de votos, mas Nixon se recusou a pedir. Pat estava mais preocupada com as câmeras de televisão, que registraram a sua reação quando seu marido perdeu — um jornalista disse: "milhões de telespectadores testemunharam a sua luta desesperada para manter um sorriso em seus lábios enquanto o seu rosto se desfez e as amargas lágrimas corriam de seus olhos". Esta visão esmaeceu permanentemente Pat Nixon da política.

Em 1962, o casal Nixon embarcou em outra campanha, desta vez para governador da Califórnia. Antes do anúncio da candidatura de Richard Nixon, o irmão de Pat, Tom Ryan disse: "Pat me disse que se Dick concorresse para governador ela iria atirar-lhe um sapato".Eisenhower, Julie Nixon (1986), pp. 205–206 Ela finalmente concordou com a candidatura, citando que isso significava muito para seu marido, mas Richard Nixon perdeu a eleição para Pat Brown.

Seis anos mais tarde, Richard Nixon concorreu outra vez para a presidência. Pat estava relutante em enfrentar outra campanha, a oitava desde 1946.Eisenhower, Julie Nixon (1986), pp. 235, 237 Seu marido era uma figura profundamente controversa na política americana, e Pat tinha testemunhado e compartilhado os elogios e críticas que recebeu sem ter criado uma identidade independente para si mesma. Embora ela o apoiasse em sua carreira, ela temia outra "1960", quando Nixon perdeu para Kennedy. Consentiu, no entanto, e participou da campanha, fazendo as viagens de campanha com o marido.Eisenhower, Julie Nixon (1986), p. 236 Richard Nixon faria um retorno político com a vitória na presidencial de 1968 contra o vice-presidente Hubert Humphrey—e Pat seria a nova primeira-dama.

Primeira-dama dos Estados Unidos, 1969–1974 Principais iniciativas