Edmundo Alberto de Bettencourt (Sé, Funchal, 7 de agosto de 1899 — São José, Lisboa, 1 de fevereiro de 1973) foi um cantor e poeta português, notavelmente conhecido por interpretar a Canção de Coimbra e pelo seu papel determinante na introdução de temas populares neste género musical. Notabilizou-se pela composição musical "Saudades de Coimbra" a qual é ainda hoje uma referência da música portuguesa universitária.Edmundo Bettencourt

Família Era filho do oficial do Exército Júlio Teodoro Bettencourt e de Leopoldina de Santana Bettencourt, doméstica, ambos naturais da Calheta (ele da freguesia da Calheta e ela da freguesia do Paul do Mar). Edmundo era neto de Júlio César Bettencourt, Morgado da Calheta. Caso o morgadio não tivesse sido extinto, Edmundo teria sido o Morgado.

A 22 de agosto de 1948, casou civilmente em Lisboa com Maria José Leopoldina de Magalhães e Menezes (São José, Lisboa, c. 1916), doméstica, filha do médico José de Magalhães e Menezes, natural de Penafiel (freguesia de Rans), e de Maria Temudo Menici de Magalhães e Menezes, natural de Viana do Castelo (freguesia de Santa Maria Maior). Foram padrinhos de casamento o cantor Paradela de Oliveira e sua mulher Mariana Alves Paradela de Oliveira.

Biografia Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra, foi funcionário público, até ser despedido por o seu nome figurar entre os milhares de signatários das listas do MUD, desenvolvendo, então, a atividade de delegado de propaganda médica. Integrou o grupo fundador de Presença, cujo título sugerira, e em cujas edições publica O Momento e a Legenda. Dissocia-se do grupo presencista em 1930, subscrevendo com Miguel Torga e Branquinho da Fonseca uma carta de dissensão, onde é acusado o risco em que a revista incorria de enquadrar o "artista em fórmulas rígidas", esquecendo o princípio de "ampla liberdade de criação" defendido nos primeiros tempos" (cf. "O Modernismo em Portugal", entrevista de João de Brito Câmara a Edmundo de Bettencourt, reproduzida in A Phala, n.° 70, maio de 1999, p. 114). A redação de Poemas Surdos, entre 1934 e 40, alguns dos quais publicados na revista lisboeta Momento, permite antedatar o surto do surrealismo em Portugal, enquanto adesão a um "sistema de pensamento, no que ele tem de fuga à chamada realidade, repúdio dos valores duma civilização e esperança de ação num domínio onde por tradição ela é quase sempre negada" (id. ib., p. 115), embora não seja possível esclarecer com especificidade qual foi o conhecimento que Bettencourt teve da lição surrealista francesa.

Frequentou os cafés Royal e Gelo, onde se reuniu a segunda geração surrealista, vindo a publicar seis inéditos no n.° 3 da revista Pirâmide (1959-1960), em cujas páginas, entre 59 e 60, foram dadas à luz algumas das produções do grupo do Gelo. Publicou ainda esparsamente outros poemas em Momento, Vértice, Búzio. Depois de um silêncio, que deve ser compreendido não como desistência "mas sim [como] uma peculiar forma de revolta que o poeta defende carinhosamente" (cf. MARGARIDO, Alfredo - in Pirâmide, n.° 3, dezembro de 1960), colige toda a sua produção, permitindo a edição, em 1963, dos Poemas de Edmundo de Bettencourt, prefaciados por Herberto Helder, poeta que, pela primeira vez, faz justiça à originalidade do autor de Poemas Surdos, considerando-o "uma das pouquíssimas vozes modernas entre o milagre do Orpheu e o breve momento surrealista português" (HELDER, Herberto - "Relance sobre a Poesia de Edmundo de Bettencourt", prefácio a Poemas de Edmundo de Bettencourt, Lisboa, Portugália, 1963, p. XXXII). Com efeito, o versilibrismo, o imagismo e certa atmosfera onírica e irreal conferem à sua poesia um lugar de destaque no segundo modernismo, estabelecendo, simultaneamente, a ponte com o vanguardismo de Orpheu e com tendências surrealistas e imagistas verificadas em gerações posteriores à Presença.

Morreu vítima de esclerose do miocárdio a 1 de fevereiro de 1973, na freguesia de São José, em Lisboa, onde residia na Rua de São José, n.º 163, 1.º direito. Foi sepultado no Cemitério do Alto de São João.

Obras Poemas Surdos - poemas produzidos entre 1934 e 1940; O Momento e a Legenda (1930); Poemas de Edmundo de Bettencourt (1963), com prefácio de Herberto Hélder. composição musical "Saudades de Coimbra" exemplificado com o seguinte letra:

Oh Coimbra do Mondego E dos amores que eu lá tive Quem te não viu anda cego Quem te não ama não vive

Do Choupal até à Lapa Foi Coimbra os meus amores A sombra da minha capa Deu no chão abriu em Flores

Ver também Prémio Literário Edmundo Bettencourt, da Câmara Municipal do Funchal

Ligações externas Biografia em Infopedia Universidade de Coimbra(documentos e gravações)

Alguns poemas de Edmundo Bettencourt

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