é uma perturbação do sono caracterizada por dificuldade em adormecer ou manter-se adormecido durante o tempo desejado. No dia seguinte, a pessoa geralmente apresenta sonolência, falta de energia, irritabilidade e depressão. As insónias podem aumentar o risco de acidentes rodoviários e problemas de concentração e aprendizagem. As insónias podem ser de curta duração, durando dias ou semanas, ou de longa duração, com duração superior a um mês.
As insónias podem ocorrer de forma independente ou ser uma consequência de outro problema. Entre as condições que podem ser causa de insónias estão o stresse psicológico, dor crónica, insuficiência cardíaca, hipertiroidismo, azia, síndrome das pernas inquietas, menopausa, alguns medicamentos e substâncias viciantes como a cafeína, nicotina e álcool. Entre outros fatores de risco estão o trabalho por turnos e a apneia do sono. O diagnóstico tem por base os hábitos de sono ou exames a possíveis causas. Os questionários geralmente interrogam se a pessoa sente dificuldades durante o sono e se tem dificuldades em adormecer ou manter-se adormecida.
O tratamento inicial das insónias consiste geralmente em higiene do sono e alterações no estilo de vida. Entre as práticas de higiene do sono estão deitar-se sempre à mesma hora, manter o quarto sossegado e escuro, praticar exercício físico com regularidade e apanhar luz do sol com regularidade. Em alguns casos pode ser aconselhada terapia cognitivo-comportamental. Embora os medicamentos para dormir possam ajudar, este tipo de medicamentos está associado a dependência psicológica, lesões e demência. O tratamento com medicamentos não está recomendado para durações superiores a quatro ou cinco semanas. Não está demonstrada a eficácia ou segurança de quaisquer tratamento de medicina alternativa.
Em qualquer momento no tempo, entre 10 a 30% dos adultos são afetados por insónias. Cerca de metade das pessoas apresenta pelo menos um episódio de insónias por ano. Cerca de 6% da população apresenta insónias que não são causadas por outros problemas e com duração superior a um mês. A insónia é mais comum entre as pessoas com mais de 65 anos de idade e mais comum entre mulheres do que entre homens.Jaime M Monti. Insônia primária: diagnóstico diferencial e tratamento. Rev Bras Psiquiatr 2000;22(1):31-4 As primeiras descrições conhecidas de insónia datam da Grécia Antiga.
Classificação Classificação DSM IV Segundo o dicionário de saúde mental (DSM IV) a insônia pode ser classificada como primária ou secundária. Primária quando ela é a principal doença e secundária quando ela for sintoma de outra doença ou efeito colateral de uma droga. A insônia como sintoma de outro transtorno é duas vezes mais comum que a primária.
Além disso deve-se levar em conta a principal queixa:"Sleep Wake Disorders ." Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5.. 5th ed. Washington, D.C.: American Psychiatric Association, 2013. Dificuldade em iniciar o sono: Pode ser causado por distúrbios do ciclo circadiano, consumo de estimulantes, eventos estressantes, doenças neurológicas ou transtornos de ansiedade. Em crianças, isso pode se manifestar como dificuldade em iniciar o sono sem a intervenção do cuidador. Dificuldade em manter o sono: Caracterizada por despertares freqüentes, no caso de regularmente despertar por pesadelos passa a ser classificado como terror noturno. Pode ser causado por drogas, como álcool e nicotina, por dor crônica, ou a problemas respiratórios, como asma e apneia do sono. Em crianças, a dificuldade em voltar ao sono pode estar associada a intervenção do cuidador. Dificuldade para voltar a dormir: Mais comum em idosos, ao despertar muito cedo o sono pode voltar durante a tarde. Pode ser um efeito colateral, um transtorno endócrino ou estar associado a depressão maior.
Classificação da OMS Na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) pode ser classificado como causa orgânica (G47.0) ou por causa psicofisiológica (F51.0). Porém do ponto de vista clínico e polissonográfico existem grandes semelhanças entre os subtipos de insônia, ambos com causas orgânicas e psicofisiológicas, sendo desnecessárias as subdivisões.Reynolds CF, Kupfer DJ, Buysse DJ, Coble PA, Yeager A. Subtyping DSM-III-R primary insomnia: a literature review by the DSM-IV work group on sleep disorders. Am J Psychiatry 1991;148:432-8.
Classificação por tempo Insônias transiente As insônias de transiente ou de curta duração são as que duram de poucos dias até três semanas. Geralmente são causados por estresse grave ou persistente como preocupações com a saúde própria ou de familiares; luto ou perda substancial; problemas familiares, profissionais ou de relacionamentos.
Insônia intermitente Caso os episódios de insônia ocorram de tempos em tempos, com períodos de sono regular e revigorante entre eles, passa a ser chamada de insônia intermitente.
Insônia crônica As insônias de longa duração ou crônicas são as que duram mais de três semanas. Podem ser relacionadas a estresse contínuo, depressão, abuso de álcool ou drogas e hábitos inadequados para dormir, como o excesso de café (cafeína).
Sinais e sintomas miniaturadaimagem|Dormir mal piora o desempenho físico e cognitivo. Os sintomas da insônia geralmente sãoSymptoms of Insomnia. http://www.webmd.com/sleep-disorders/guide/insomnia-symptoms-and-causes#1: Sonolência durante o dia Cansaço e fraqueza Mau humor e irritabilidade Dificuldade de concentração e memória Reflexos mais lentos
A insônia crônica aumenta o risco de acidentes e de desenvolver transtornos psiquiátricos.
Causas Existem muitas possíveis causas pra insôniaNational Sleep Foundation. What Causes Insomnia? https://sleepfoundation.org/insomnia/content/what-causes-insomniaUniversity of Maryland Medical Center. Insomnia. http://umm.edu/health/medical/reports/articles/insomniaMayo Clinic Staff. Insomnia - Symptoms and causes. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/insomnia/symptoms-causes/dxc-20256961: Estimulantes do SNC: cafeína, nicotina, anfetaminas, cocaína, metanfetaminas, antidepressivos, pseudoefedrina... Abstinência de depressores do SNC: álcool, nicotina, benzodiazepinas, opioides, antipsicóticos, anticonvulsivantes... Eventos estressantes: avaliação de desempenho, doença ou morte de ente querido, problemas de relacionamento... Mudança na rotina de sono: especialmente em trabalhadores com jornadas variáveis ou após viagens longas por jet lag. Hábitos irregulares: Dormir e acordar em horas diferentes a cada dia, o organismo precisa de uma rotina para regular o ciclo de sono-vigilia; Ambiente inadequado: As luzes brilhantes, sons agudos e movimentos despertam o cérebro e atrasam o sono. Por isso deve-se evitar computador, TV, celular ou aparelhos similares antes de dormir. Dormir com animais também piora a qualidade do sono. Cheiros, superfícies e temperaturas desagradáveis também podem impedir o sono. Comer demais antes de deitar: aumenta o risco de refluxo gastroesofágico e constipação. Transtornos psicológicos: depressão clínica, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, hiperatividade... Transtornos neurológicos: Traumatismo cranioencefálico, Demência vascular, Doença de Parkinson, doença de Alzheimer e a rara insônia familiar fatal... Transtornos hormonais: hipertiroidismo, menopausa, TPM, Síndrome de Cushing... Problemas respiratórios: apneia do sono, asma, DPOC... Síndrome das pernas inquietas: mover as pernas dificulta entrar em sono profundo. Outras doenças crônicas: câncer, diabetes, doença cardíaca, qualquer causa de dor crônica... Prevenção A prevenção da insônia baseia-se amplamente na adoção de um conjunto de hábitos e práticas conhecidas como higiene do sono. Modificações no estilo de vida e no ambiente são consideradas a primeira linha de abordagem para evitar o desenvolvimento da insônia crônica.
Higiene do Sono A higiene do sono envolve a manutenção de uma rotina consistente para reforçar o ciclo natural de sono-vigília do corpo. As principais recomendações incluem:
Manter um horário regular: Ir para a cama e acordar no mesmo horário todos os dias, inclusive nos fins de semana. Criar uma rotina relaxante: Realizar atividades calmantes antes de dormir, como tomar um banho morno, ler um livro ou ouvir música suave. Evitar permanecer na cama sem dormir: Se não conseguir dormir após 20 minutos, é recomendado levantar-se, ir para outro cômodo e fazer algo relaxante até sentir sono novamente. Reservar a cama para o sono: A cama deve ser usada primariamente para dormir e para a intimidade, evitando atividades como trabalhar, comer ou assistir televisão.
Ambiente de Sono O ambiente do quarto tem um impacto significativo na qualidade do sono. Recomenda-se que o local de dormir seja:
Escuro, silencioso e fresco: Utilizar cortinas blackout, protetores auriculares ou máquinas de ruído branco para minimizar perturbações. A temperatura deve ser agradável e fresca. Livre de telas: A luz azul emitida por smartphones, tablets e televisões pode interferir na produção de melatonina, o hormônio do sono. É aconselhável remover esses aparelhos do quarto ou desligá-los pelo menos uma hora antes de dormir.
Hábitos Diurnos e Estilo de Vida As atividades realizadas durante o dia influenciam diretamente a capacidade de dormir à noite. As principais práticas preventivas são:
Evitar estimulantes: Cafeína, nicotina e outras substâncias estimulantes devem ser evitadas, especialmente no final da tarde e à noite. O álcool, embora possa induzir sonolência inicialmente, perturba o sono durante a noite. Praticar exercícios físicos regularmente: A atividade física regular pode promover um sono mais profundo. No entanto, exercícios intensos devem ser evitados perto da hora de dormir. Limitar cochilos: Cochilos longos ou no final da tarde podem dificultar o sono noturno. Se necessário, o cochilo deve ser curto (até 30 minutos) e no início da tarde.
Gestão de Estresse e Saúde Mental A saúde mental está intrinsecamente ligada ao sono. A ansiedade e a preocupação excessiva são causas comuns de insônia. Estratégias preventivas incluem:
Técnicas de relaxamento: Práticas como meditação, respiração profunda e mindfulness podem ajudar a acalmar a mente antes de dormir. Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I): Considerada um tratamento altamente eficaz, a TCC-I ensina técnicas para controlar ou eliminar pensamentos e ações negativas que causam a insônia, servindo também como uma poderosa ferramenta de prevenção a longo prazo.TratamentoO tratamento é bastante amplo e depende da causa. O tratamento da insônia crônica deve começar organizando o tratamento de qualquer condições subjacentes que possa causar a insônia, como problemas cardíacos, pulmonares ou endócrinos.
Vários estudos concluem que a terapia cognitivo-comportamental para insônia é superior a longo prazo que tratamento com benzodiazepinas ou outros sedativos. A terapia pode envolver técnicas para lidar com a ansiedade, um diário para identificar os hábitos não-saudáveis, só usar a cama para dormir e sexo, regular a luz e música do quarto e parar de se esforçar para dormir.Mitchell, M. D.; Gehrman, P.; Perlis, M.; Umscheid, C. A. (2012). "Comparative effectiveness of cognitive behavioral therapy for insomnia: A systematic review". BMC Family Practice. 13: 40. doi:10.1186/1471-2296-13-40.
Medicamentoso Apesar de serem menos eficientes e terem diversos efeitos colaterais, os sedativos são mais usados que a psicoterapia no tratamento da insônia. Especialistas defendem que deveriam ser prescritos para insônia primária apenas se a psicoterapia não for suficiente.Harrison C, Britt H (2009). "Insomnia" (PDF). Australian Family Physician. 32: 283.