Armando António Martins Vara (Lagarelhos, Vilar de Ossos, Vinhais, 27 de março de 1954) é um político e administrador bancário português.
De a esteve detido no Estabelecimento Prisional de Évora, a cumprir pena de 5 anos de cadeia que foi condenado, no Processo Face Oculta.
Em , Armando Vara foi detido pela Polícia de Segurança Pública para cumprir os retantes dois anos e meio da pena a que foi condenado. Está em liberdade condicional desde 16 de julho de 2026, após ter cumprido dois terços da pena de dois anos e meio a que tinha sido condenado em cúmulo jurídico nos processos Face Oculta e Marquês.
Em maio de 2024, o Supremo Tribunal de Justiça aumentou para cinco anos e seis meses a pena de prisão do ex-ministro dos governos de António Guterres e de José Sócrates, em cúmulo jurídico das penas aplicadas nos processos Face Oculta e Operação Marquês.
Em , o Tribunal Constitucional (TC) rejeitou a contestação de Armando Vara, mantendo a obrigação do cumprimento da pena de cinco anos e meio de prisão, em cúmulo jurídico, e sem direito a aplicação do perdão de dois anos concedido na pandemia.
Em novembro de 2925, Armando Vara foi transferido para o Estabelecimento Prisional de Évora onde já tinha estado detido no âmbito do Processo Face Oculta, por três crimes de tráfico de influências, tendo sido libertado em outubro de 2021, após cumprir cerca de três anos de prisão, devido à aplicação das medidas excecionais relacionadas com a pandemia de COVID-19.
Biografia Estudou Filosofia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo abandonado a universidade sem obter o diploma de licenciatura. Em 2004, antes de ter qualquer licenciatura, obteve um diploma de Pós-Graduação em Gestão Empresarial no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Mais tarde, obteve o diploma de licenciatura no curso de Relações Internacionais, na defunta Universidade Independente, três dias antes Segundo um artigo do jornal Expresso de 31 de Março de 2007, terá concluído o curso 6 meses antes da sua entrada na CGD. da sua nomeação no final de 2005 para a Administração da Caixa Geral de Depósitos, cargo que deixou de exercer para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Português.
Um mês e meio depois de ter abandonado a Caixa Geral de Depósitos para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Português, foi promovido no banco público ao escalão máximo de vencimento, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma.
Foi-lhe atribuída uma subvenção mensal vitalícia mensal no valor de 2014,15 euros que em 2003 passou para 4590 euros.
Vida pessoal Testes de ADN revelam que Vara é o pai biológico da filha de Ana Simões, ex-mulher de António José Morais (o antigo professor de José Sócrates na Universidade Independente). A criança nasceu em 2004. À data de julho de 2015, o caso corria nos tribunais, com Morais a exigir a Vara e a Ana Simões uma indemnização de 160.000 euros, equivalente ao que diz ter gasto a educar, durante seis anos, uma criança que não era sua filha.
Carreira política e profissional Foi deputado à Assembleia da República Portuguesa nas IV, V, VI e VII Legislaturas.
Em 1991 foi candidato a Presidente da Câmara Municipal da Amadora, tendo perdido para a CDU. Foi Vereador durante algum tempo.
No governo de António Guterres, foi primeiro secretário de Estado da Administração Interna (1995-97), depois secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna (1997-99).
Após a vitória eleitoral do PS em 1999, tornou-se ministro adjunto do primeiro-ministro (1999-2000), com os pelouros da juventude, toxicodependência e comunicação social.
Vara recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do Ministério da Administração Interna) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o-Novo.
Ministro da Juventude e Desporto Em setembro de 2000, passou a ministro da Juventude e Desporto. Ainda em 2000, viu-se forçado a pedir a demissão do cargo de ministro da Juventude e do Desporto, após pressão exercida pelo presidente da República, Jorge Sampaio, junto do primeiro-ministro, António Guterres, ao surgirem notícias sobre irregularidades cometidas pela Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária, que fundara no ano anterior, quando era secretário de Estado da Administração Interna, processo que seria posteriormente arquivado. A Fundação para a Prevenção e Segurança era uma instituição privada financiada pelo Estado e que tinha como objetivo substituir o Ministério na organização de campanhas de prevenção rodoviária. Dirigida por membros do gabinete de Vara, teve as suas contas auditadas pelo Tribunal de Contas, que se deparou com várias irregularidades, entre elas transferências do Estado num valor de 380 mil contos (1,9 milhões de euros). A fundação foi um instrumento para fugir ao controlo do Tribunal de Contas e contornar a obrigatoriedade de concursos públicos nas adjudicações. O ministro da Administração Interna, Fernando Gomes, decidiu cortar o financiamento à Fundação, no entanto, a ordem foi contrariada pelo seu secretário de Estado, Luís Patrão. Apesar de terem sido abertos inquéritos à gestão da Fundação por parte do Instituto de Gestão e Administração Pública, da Procuradoria-Geral da República e do Tribunal de Contas, e de ter sido constituída, por iniciativa do PSD, uma comissão de inquérito sobre o tema na Assembleia da República, não foi provada nenhuma irregularidade relacionada com a Fundação. Armando Vara usou um jornalista da Rádio Renascença, fazendo publicar uma notícia em que «fonte próxima do gabinete» revelava que Armando Vara ponderava sair do governo, para a desmentir no dia seguinte, como forma de avaliar a sua importância no governo de António Guterres.A Mediatização do Escândalo Político em Portugal no Período Democrático: padrões de cobertura jornalística nos seminários de referência - Tese de doutoramento de Bruno Ricardo Vaz Paixão em Ciências da Comunicação, no ramo de Estudos do Jornalismo, apresentada ao Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Ordem do Infante D. Henrique A 21 de abril de 2005, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelo presidente da República Jorge Sampaio, título que perdeu em janeiro de 2019 em virtude da sua condenação a 5 anos de prisão efetiva no âmbito do processo Face Oculta.Armando Vara perde condecoração que recebeu de Jorge Sampaio, Eco 16.01.2019
Banco Comercial Português Suspendeu em novembro de 2009 as funções que desempenhava no BCP, renunciando ao cargo a 2 de julho e recebendo 260 mil euros de indemnização. Ainda assim, Vara recebeu 882.192 euros em 2010, ano em que não exerceu funções por ter estado suspenso devido ao facto de ter sido constituído arguido no processo Face Oculta.
Grupo Camargo Corrêa Em setembro de 2010 foi contratado como Presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa África, tendo assim a seu cargo as actividades da empresa brasileira em Moçambique e Angola, cargo que abandonou em Agosto de 2014.
Desvinculação do Partido Socialista Em Abril de 2019, desvinculou-se do Partido Socialista ao fim de 45 anos de militância.
Subvenção mensal vitalícia Vara acumula a subvenção mensal vitalícia, relativa ao exercício de funções de deputado e governante, com a pensão de velhice no valor total de 8551 euros por mês: a primeira, para a qual não fez descontos, tem o valor de 4590 euros por mês, e a segunda, para a qual fez contribuições com base no salário, ascende a 3961 euros por mês.
Condecorações Banda da Ordem Mexicana da Águia Azteca do México (23 de março de 2000)
Processos criminais Em maio de 2012, foi condenado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários a uma multa de 50 mil euros por "negligência", por não ter impedido - apesar de ter conhecimento dos factos - um conjunto de ilicitudes realizadas na rede comercial da Caixa Geral de Depósitos em 2006 e a 2007, quando Vara era vice-presidente da CGD.
Em causa estavam financiamentos concedidos a clientes e directores, através de centenas de contas-fantasma, no valor de um milhão de euros, para aquisição de ações durante as ofertas públicas de venda da Galp e da REN e a oferta pública de subscrição da Martifer.
Em 2 de maio de 2014, o Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão, em Santarém, aplicou uma coima de 40 mil euros a Armando Vara por violação "a título negligente do dever de defesa do mercado" quando era administrador da Caixa Geral de Depósitos. A coima fica suspensa parcialmente em 20 mil euros pelo prazo de dois anos, a executar caso o arguido cometa qualquer ilícito criminal nesse período. Armando Vara é acusado de, através de assinatura, ter aprovado a concessão de crédito a Pedro Jorge Costa Santos para aquisição de ações da Galp e da REN, no valor de 220 mil e 618 mil euros, respetivamente.
Processo Face Oculta Em outubro de 2009, foi constituído arguido no âmbito da operação Face Oculta, desencadeada pelo Departamento de Investigação Criminal de Aveiro; seguiu-se, em Novembro do mesmo ano, a suspensão do seu mandato de vice-presidente do Millennium BCP.
Em fevereiro de 2011, o Ministério Público acusou Armando Vara de três crimes de tráfico de influência, no Face Oculta, que envolveu mais 35 arguidos.
Em 13 de março de 2014, o Ministério Público pediu pena de prisão efetiva para o ex-ministro Armando Vara.
No dia 5 de setembro de 2014, Armando Vara foi condenado a uma pena de 20 anos, embora, na prática, seja apenas condenado a 5 anos de prisão efectiva no âmbito do processo Face Oculta.
O tribunal considerou provado que o antigo ministro socialista “fez um ‘pactum sceleris’ [pacto criminoso] e houve vários contactos, entre Manuel Godinho, Armando Vara e Lopes Barreira em conjunto ou isoladamente para concretizar esses objectivos estabelecidos”. E deu como provado em pormenor, o pagamento de 25 mil euros a Vara, para além da "meia-dúzia de robalos" que o mesmo confirmou ter recebido de Manuel Godinho.
O Tribunal da Relação do Porto confirmou, em Abril de 2017, a condenação de Armando Vara a 5 anos de prisão efectiva, pelo que, em virtude da sua condenação a uma pena superior a 3 anos de prisão efetiva, perdeu a condecoração de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique que lhe tinha sido atribuída.
Em 11 de julho de 2018, o Tribunal Constitucional declarou improcedente um recurso apresentado por Armando Vara no âmbito do caso Face Oculta onde eram alegadas 14 inconstitucionalidades.
Em novembro de 2018 perdeu o recurso no Tribunal Constitucional e deverá cumprir, pelo menos, metade dos cinco anos de prisão efetiva a que foi condenado.
Em 14 de janeiro de 2019, a juíza titular do processo Face Oculta deu três dias para o arguido Armando Vara se apresentar em estabelecimento prisional para cumprir a pena de cinco anos de prisão a que foi condenado.
Em foi detido no Estabelecimento Prisional de Évora, a cumprir a pena que foi condenado.
Armando Vara saiu em 11 de outubro de 2021, em liberdade, libertado no âmbito do regime excecional para a Covid-19 porque se entende que quando foi condenado pelo caso Face Oculta não era titular de cargo público.
Vara cumpriu dois anos e nove meses de uma pena total de cinco anos.
Operação Marquês Foi detido, em 9 de julho de 2015, e foi interrogado pelo juiz Carlos Alexandre. Em causa, estavam alegados crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Foram realizadas buscas domiciliárias, em instalações de sociedades e numa instituição bancária.
A detenção foi feita na sua casa de Lisboa, em Entrecampos, no âmbito da "Operação Marquês", que investiga o ex-primeiro-ministro José Sócrates.