The United States of America foi uma banda norte-americana de rock psicodélico fundada em Los Angeles em 1967, pelo compositor Joseph Byrd e a cantora Dorothy Moskowitz, junto ao violinista Gordon Marron, o baixista Rand Forbes o baterista Craig Woodson.
O álbum lançado em 1968, de mesmo nome que a banda, é considerado um dos pioneiros no uso de equipamentos eletrônicos no rock e da influência da música eletrônica no rock, o que foi aclamado pela crítica, mas não fez um sucesso comercial. De forma inovadora, a banda não tinha um guitarrista. No lugar de uma guitarra, eram usados quartetos de cordas, teclados e sintetizadores.
História
Formação O compositor Joseph Byrd e a cantora Dorothy Moskowitz se conheceram em Nova York, no começo de 1963, quando Byrd estava trabalhando em uma gravação de músicas do período da Guerra Civil Americana para a empresa Time-Life. Byrd já era considerado um compositor respeitado e envolvido na cena da música experimental, fazendo parte do movimento Fluxus, junto com John Cage, La Monte Young, Yoko Ono, entre outros. Moskowitz era estudante de música no Barnard College. Os dois iniciaram um relacionamento - ele já se referiu ao relacionamento deles como "relacionamento profundamente musical e pessoal" e ela já descreveu ele como sendo seu "guru estético".
Ainda em 1963, Byrd e Moskowitz se mudaram juntos para Los Angeles, onde Byrd começou seu doutorado em etnomusicologia na UCLA. Byrd co-fundou a New Music Workshop em Los Angeles junto com o trompetista Don Ellis, e após a saída de Ellis, passou a incorporar elementos de performances artísticas em seus eventos. Em 1965, ao concluir uma série de concertos chamada "Steamed Spring Vegetable Pie", Byrd organizou uma banda de blues com sua amiga Linda Ronstadt como líder, para tocar durante um "happening". Byrd afirmou que "a compreensão de que o rock era um acesso a um público maior saiu daquele show, e a ideia de formar uma banda começou a tomar forma".
Byrd começou a se interessar em política e se filiou ao Partido Comunista, sob a razão de que era "o único grupo com disciplina, agenda e disposto a atuar dentro das instituições existentes". Byrd deixou a UCLA, mas continuou organizando performances.
Após o fim do relacionamento entre eles em 1966, Moskowitz voltou para Nova York, mas os dois mantiveram contato. No início de 1967, Byrd começou a formar uma banda de rock com o compositor Michael Agnello, o baixista Stuart Brotman e o percussionista Craig Woodson, além de Moskowitz. Essa formação inicial gravou demos em setembro de 1967, mas Agnello saiu por discordar de um possível contrato com a gravadora Columbia Records, o que resultou em sua saída do projeto, junto a Brotman.Budd, Christopher; Moskowitz, Dorothy (2014). "How Much Fun It's Been". Shindig! (42). Cambridge, England: Volcano Publishing: 38–43.
A primeira formação da banda incluiu Byrd, Moskowitz, Woodson, e dois músicos com formação clássica que já haviam trabalhado com Byrd no New Music Workshop: o violinista Gordon Marron e o baixista Rand Forbes. Posteriormente, eles adicionam um amigo e parceiro de composições de Marron como tecladista, Ed Bogas.
Byrd encomendou equipamentos eletrônicos personalizados, como um ring modulator, posteriormente substituído por osciladores eletrônicos, e um sintetizador. Marron também usava efeitos em seu violino elétrico, de forma similar aos pedais de efeitos de guitarras elétricas. Woodson anexava microfones de contato à sua bateria e pendurava molas em seus pratos para um efeito de "musique concrète".Unterberger, Richie (1998). "The United States of America, excerpt from Unknown Legends of Rock'n'Roll". San Francisco: Miller Frogman Books. pp. 365–370.Brend, Mark (2012). The Sound of Tomorrow: How Electronic Music Was Smuggled into the Mainstream. USA: Bloomsbury Publishing. pp. 139–140.
Byrd declarou que o objetivo estético era criar "um grupo de rock político e avant-garde, combinando som eletrônico, radicalismo musical e político e performance artística". O nome da banda, The United States of America, também foi escolhido de forma provocativa - uma ironia com crítica às políticas do governo. Segundo Moskowitz, "usar o nome completo do país para algo tão comum quanto um grupo de rock era uma forma de expressar desprezo pela política governamental. Era como pendurar a bandeira de cabeça pra baixo."
As demos gravada pela banda chamaram a atenção de Clive Davis, da Columbia Records. Através de David Rubinson, amigo de Byrd e Moskowitz, que tinha começado a trabalhar para a Columbia como produtor musical, conseguiram um contrato de gravação.
Apresentações e gravação A banda fez suas primeiras apresentações ao vivo em 1967, em Los Angeles, ainda com a presença de Agnello e Brotman. Seus shows misturavam rock experimental com performance artística, usando uma iluminação incomum, cenários estranhos e máquinas de fumaça. Também eram usados equipamentos eletrônicos ao vivo para modificar o som dos instrumentos e vocais.Doggett, Peter (2008). There's a Riot Going on: Revolutionaries, Rock Stars and the Rise and Fall of '60s Counter-culture. Canongate Books. pp. 143–145. ISBN 9781847671141.
Também realizaram uma curta turnê pela Costa Leste dos Estados Unidos, acompanhando Richie Havens e The Troggs. A recepção do público foi variada, mas frequentemente positiva.
Gravaram seu único álbum em dezembro de 1967. Byrd tocava diversos instrumentos e era responsável pelas experimentações eletrônicas. Moskowitz era a vocalista principal e os outros membros contribuiam com seus próprios instrumentos.
As músicas foram escritas, em sua maioria, por Byrd e Moskowitz. Apesar de não falar sobre política diretamente, as letras continham conteúdo político e faziam críticas a sociedade americana e aos atos do governo americano, como "Love Song for the Dead Che" - referenciando a morte de Che Guevara. Musicalmente, o disco misturava estilos diversos, com colagens sonoras e forte uso de equipamentos eletrônicos, como os sintetizadores.
Fim da banda A banda se desfez pouco depois do lançamento do álbum. Um dos fatores foram as discussões entre Byrd, Marron e Bogas sobre a direção musical, com a promoção de um som mais acessível por Marron, o que entrava em conflito com a visão original de Byrd para a banda. Por outro lado, Bogas e Marron também estavam insatisfeitos com a prioridade dada às músicas de Byrd.
O conflito levou a uma briga física nos bastidores entre Marron e Byrd após uma apresentação da banda no show de abertura do The Troggs no Fillmore East, quando o público começou a vaiar e Byrd e Marron competiram entre si aumentando o volume de seus amplificadores.
Em outro show em Orlando, membros da banda foram pegos fumando cannabis durante a apresentação, o que fez com que o show fosse concluído apenas por Moskowitz e Byrd, que reclamou que Marron, Forbes e Woodson estavam "frequentemente desleixados em performances" por conta do uso de drogas.
Outro fator para o fim do grupo foi a insatisfação com a mixagem inicial do álbum feita por Byrd e Rubinson, que soava, de acordo com os outros membros da banda, "completamente fraca e sem graça". Marron, Forbes e Bogas deixaram a banda após a turnê da Costa Leste em 1968.
Byrd decidiu deixar o grupo pouco depois. Ao pedir para retornar, Moskowitz se recusou a aceitá-lo de volta. Rubinson e Moskowitz tentaram manter o nome da banda e fazer gravações com novos músicos, mas o projeto não avançou.
Álbum O álbum foi lançado em março de 1968, em um momento bastante receptivo para música que combinava experimentalismo musical com letras de cunho político radical - assim como já era feito por outros grupos, como The Velvet Underground (que compartilhava um histórico comum na cena experimental de Nova York; segundo Moskowitz, Nico tentou entrar para a banda), Frank Zappa, Love, Country Joe and the Fish e Jefferson Airplane.
O álbum é repleto de referências à obsessão de Byrd com músicas americanas antigas, como a introdução em estilo Dixieland na faixa "I Won't Leave My Wooden Wife for You, Sugar". Em outras faixas como "The American Metaphysical Circus", há colagens de gravações arranjadas e conduzidas por Byrd de músicas americanas do século XIX. O seu som mistura uma variedade de gêneros musicais, incluindo rock psicodélico, avant-garde e rock progressivo. Holm-Hudson, Kevin (2002). Progressive Rock Reconsidered. Taylor & Francis. pp. 48–61. ISBN 0-8153-3714-0.
Após o fim Joseph Byrd (1937–2025) formou o Joe Byrd and the Field Hippies, que lançou o LP "The American Metaphysical Circus" em 1969. Gravou vários álbuns solo, escreveu músicas para a televisão, cinema, e trabalhou como produtor musical. Se tornou professor de uma universidade na Califórnia até sua morte, em 2025. Dorothy Moskowitz (1940) se tornou parte da Country Joe McDonald's All-Star Band, participando de turnês junto com Country Joe McDonald. Também compôs trilhas sonoras, comerciais e cantava jazz em clubes. Se casou em 1978, adotando o nome Dorothy Falarski, e teve duas filhas. Se tornou professora de música em Oakland, Califórnia. Gordon Marron (1943) tornou-se músico de estúdio em Los Angeles, e passou a morar no Havaí. Craig Woodson (1943) fez doutorado em etnomusicologia pela UCLA, e passou a ser professor de percussão. Ele desenvolveu projetos como o World Drumming, usado em escolas americanas para o ensino de instrumentos de percussão. Ed Bogas (1942) compôs trilhas sonoras para os desenhos de Garfield, Peanuts e para o filme "Fritz the Cat", de Ralph Bakshi, baseado nos quadrinhos de Robert Crumb, lançado em 1972. Rand Forbes (1947–2020) se tornou engenheiro de software, trabalhando para empresas como a Oracle. Faleceu em 2020, por COVID-19.
Discografia Álbum {|class="wikitable" ! rowspan="2" width="33"|Ano ! rowspan="2" width="215"|Título ! colspan="2"|Posições |- !style="width:3em;font-size:75%"|UKWarwick, 2004. p.320 !style="width:3em;font-size:75%"|US |- |align="center"|1968 |The United States of America Lançado em: 1968 Gravadora: Columbia Formatos: CD, vinil |align="center"|— |align="center"|181
Faixas "The American Metaphysical Circus" (Joseph Byrd) – 4:56 "Hard Coming Love" (Byrd, Dorothy Moskowitz) – 4:41 "Cloud Song" (Byrd, Moskowitz) – 3:18 "The Garden of Earthly Delights" (Byrd, Moskowitz) – 2:39 "I Won't Leave My Wooden Wife for You, Sugar" (Byrd, Moskowitz) – 3:51 "Where Is Yesterday" (Gordon Marron, Ed Bogas, Moskowitz) – 3:08 "Coming Down" (Byrd, Moskowitz) – 2:37 "Love Song for the Dead Ché" (Byrd) – 3:25 "Stranded in Time" (Marron, Bogas) – 1:49 "The American Way of Love" (Byrd) – 6:38
Parte 1 -Metaphor for an Older Man (Byrd)
Parte 2 -California Good time Music (Byrd)
Parte 3 -Love Is All (Byrd, Moskowitz, Rand Forbes, Craig Woodson, Marron)
Singles The Garden of Earthly Delights / Love Song For The Dead Ché (CBS 3745, UK, 1968) Hard Coming Love (2004)
Integrantes Formação Joseph Byrd - música eletrônica, órgão, piano, e sintetizador Durret. Dorothy Moskowitz - vocal principal Gordon Marron - violino eléctrico, modulador de ondas. Rand Forbes - baixo elétrico. Craig Woodson - bateria e percussão. Ed Bogas - órgão, piano, e Caliope.
Ligações externas
Categoria:Bandas da Califórnia Categoria:Bandas de rock psicodélico Categoria:Bandas de rock experimental Categoria:Bandas formadas em 1967 Categoria:Bandas extintas em 1968