Abril Pro Rock é um festival de música independente que acontece anualmente em Recife, Pernambuco, geralmente no mês de abril. Criado no início da década de 1990, o evento se tornou uma referência nacional por destacar bandas e artistas com renome na cena cultural independente do país e no exterior, além de revelar novos nomes e apoiar as bandas locais. O festival foi fundado pelo produtor-executivo e curador Paulo André de Moraes Pires.

Sonally Moraes Pires atua como produtora executiva do evento desde 1993.https://www.mapacultural.pe.gov.br/agente/5998/#info Melina Hickson foi produtora executiva do Abril Pro Rock durante 13 anos e a designer Sonaly Macedo é responsável pela identidade visual.

Em 2025 o evento anunciou pausa através de suas redes sociais, relatando principalmente dificuldades financeiras.

O nascimento do Abril Pro Rock coincidiu com a explosão do Movimento Manguebeat, que revelou bandas como Penélope, Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Eddie, Devotos, Faces do Subúrbio e outras.

Bandas como Los Hermanos habitualmente reputam as suas apresentações no Abril Pro Rock, feitas antes de assinarem contratos com gravadoras, como porta de entrada para o cenário nacional.

História O Abril Pro Rock (APR) é o festival de música independente que está há mais tempo em atividade no país, surgiu em 1993 na cidade de Recife em meio a uma das mais importantes cenas da música brasileira: o Movimento Manguebeat. Desde o início, o APR agregou e promoveu o design e as artes visuais.

Em 2017, chegou à sua vigésima quinta edição, onde, para cada uma dessas edições, foi produzido um cartaz por um designer ou uma agência de publicidade com a finalidade de se divulgar o evento. Com um corpus analítico formado por vinte e cinco cartazes criados em Pernambuco, do final do século XX (anos 90) ao início do século XXI (anos 2000 e 2010), essa seleção de material apresenta indícios pertinentes da sua importância na composição da memória gráfica pernambucana. A maior parte desses cartazes foram desenvolvidos por designers da equipe de produção do festival, e nesses casos, foi possível perceber uma maior representação da essência do Abril Pro Rock e, também, de uma geração de designers contemporâneos.

Há um estudo que objetivou fazer um estudo sistemático dos aspectos morfológicos e semânticos de cada cartaz do APR. Esse estudo está configurado na análise dos aspectos semióticos dos cartazes, onde foi utilizada como ferramenta de análise uma adaptação da ficha de Izabella Pinto (2017), cuja ficha de análise foi estruturada seguindo o Modelo de Análise da Imagem de Martine Joly (1994). Joly sugere a identificação e a interpretação dos signos presentes na mensagem plástica, mensagem icônica e mensagem linguística do cartaz, sempre levando em consideração o contexto no qual a mensagem está inserida. Através das análises foi possível concluir que os aspectos visuais identificados fazem um conjunto de referências a música e a chegada e a acessibilidade da tecnologia, que mudaram a forma de produção desses cartazes. Portanto, o repertório visual utilizado pelos designers na produção desses cartazes, mostra a importância da participação do designer na construção e na representação da identidade cultural do evento e de Pernambuco.

Edições

1ª Edição (1993) A primeira edição do festival ocorreu em um único dia no extinto Circo Maluco Beleza, em Recife. A proposta inicial do produtor Paulo André Pires era reunir e projetar a efervescência do underground local, que até então tinha pouca visibilidade. O evento reuniu cerca de 1,5 mil pessoas e contou com 12 bandas locais e o grupo de cultura popular maracatu nação Pernambuco.

A edição inaugural serviu de palco para a força do novo som pernambucano, apresentando bandas que haviam lançado o Manifesto Mangue no ano anterior, como Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. O line-up incluiu ainda nomes como Lula Côrtes & Má Companhia e Lailson (ambos egressos da cena udigrudi dos anos 70) e a banda Weapon.

2ª Edição (1994) Devido ao sucesso da estreia, o festival expandiu-se e passou a ser realizado em dois dias. Foi nesta edição que o Abril Pro Rock ganhou visibilidade nacional ao ser exibido para todo o Brasil pela MTV, tornando-se uma porta de entrada para o cenário mainstream.

Essa edição marcou a consagração e a inclusão de nomes de outras regiões, mantendo a força local. Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A retornaram, e o festival destacou a estreia da banda punk Devotos do Ódio. Outras atrações importantes incluíram o carioca Gabriel O Pensador e Jorge Cabeleira.

3ª Edição (1995) O festival continuou sua expansão em 1995, sendo realizado ao longo de quatro dias e atraindo um público de mais de dez mil pessoas. A edição consolidou a capacidade do evento de misturar diferentes estilos do rock nacional.

O line-up contou com grupos de grande apelo popular que estavam em ascensão nacional, como o Raimundos e Skank, além de nomes alternativos como Pato Fu e D.F.C. (hardcore de Brasília). As bandas pernambucanas Mestre Ambrósio e Jorge Cabeleira e o Dia em Que Seremos Todos Inúteis também foram atrações importantes.

4ª Edição (1996) O ano de 1996 marcou um ponto alto em termos de relevância cultural e visibilidade para o festival.

A edição é lembrada por shows históricos e de grande público. O Chico Science & Nação Zumbi realizou uma performance de destaque, que contou com a participação especial do icônico cantor Gilberto Gil e do Maestro Spok. O evento consolidou-se definitivamente como o principal festival de música independente do país.

5ª Edição (1997) à 8ª Edição (2000) A quinta edição do festival, realizada em abril, foi profundamente marcada pela trágica morte de Chico Science em fevereiro do mesmo ano. A edição se tornou, inevitavelmente, um grande ato de homenagem ao artista e ao movimento Manguebeat que ele liderava. O festival mudou de local, sendo realizado pela primeira vez no Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon), um espaço maior que se tornaria a casa do APR por muitos anos. O encerramento da edição contou com um momento emblemático em que os remanescentes da Nação Zumbi subiram ao palco e, em uma apresentação emocionante, contaram com a participação especial de Max Cavalera, recém-saído da banda Sepultura. A performance foi um dos ápices do festival e simbolizou a força e a continuidade da banda e da cena recifense. O line-up de 31 bandas em três dias incluiu nomes de peso como Os Paralamas do Sucesso, Planet Hemp, Arnaldo Antunes, O Rappa e Pato Fu, mantendo o equilíbrio entre bandas consagradas e a nova geração.

A edição de 1998 consolidou a presença de estilos mais pesados e marcou o início da política de internacionalização do line-up do festival. O festival recebeu a banda belga dEUS, configurando-se como a primeira atração internacional do Abril Pro Rock, firmando o evento no circuito global de festivais independentes. O festival manteve o foco na diversidade, com a participação de grupos importantes da cena nordestina e nacional, como Fernanda Abreu, Lenine, Skank e Devotos do Ódio, reforçando a missão de ser um grande encontro da música alternativa brasileira. A banda californiana Suicidal Tendencies estava escalada, mas teve sua participação cancelada de última hora; a banda viria a se apresentar no festival somente em 2017.

A sétima edição, em 1999, continuou a misturar a cena heavy metal e punk com o rock alternativo, dando espaço a projetos experimentais e de hardcore. O festival continuou a trazer bandas de fora, garantindo seu lugar no calendário de tours internacionais. O line-up destacou o rock de Brasília, com as bandas como Plebe Rude e Finis Africae e a cena de São Paulo, provando a abrangência do festival como uma vitrine nacional.

Em 2000, o festival celebrou a oitava edição com uma grade que equilibrava grandes nomes do rock brasileiro com novas tendências musicais. O evento, realizado em três noites no Centro de Convenções, recebeu cerca de 13 mil pessoas, confirmando a fidelidade do público e a capacidade de organização da produção. A edição trouxe a banda Soulfly, liderada por Max Cavalera, o grupo colombiano Aterciopelados e os brasileiros Os Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Devotos. A banda carioca Los Hermanos, que estava em ascensão após o seu álbum de estreia, participou da edição, evidenciando o papel do APR em lançar novos talentos no cenário nacional.

9ª Edição (2001) à 13ª Edição (2005) A 9ª edição, realizada em 2001, destacou-se pela aposta em nomes internacionais do underground. As principais atrações estrangeiras foram a banda de punk rock norte-americana Jon Spencer Blues Explosion,o grupo de trip hop e rapcore britânico Asian Dub Foundation e a banda norte-americana de heavy metal Testament, em sua primeira apresentação no nordeste do Brasil. O line-up nacional foi igualmente forte, reunindo expoentes do rock pesado e alternativo, como o Ratos de Porão, o Inocentes, o Devotos e um encontro especial no palco com Lobão e Arnaldo Baptista.

A 10ª edição, em 2002, foi a celebração dos dez anos do festival. Essa edição contou com a banda britânica de indie rock The Charlatans, o indie americano Stephen Malkmus (ex-Pavement) e o grupo argentino Attaque 77. Contudo, essa edição enfrentou problemas de público, com uma queda no número de participantes, cerca de 15 mil pessoas, atribuída pelo produtor Paulo André Pires ao aumento no preço dos ingressos. Apesar disso, o festival deu espaço para revelações como a banda pernambucana Mombojó, que fazia sua estreia no evento, além de contar com nomes consagrados como Sepultura, Pato Fu e Tom Zé.

Em 2003, a 11ª edição, foi afetada pela alta do dólar e a dificuldade de patrocínio, resultando em uma grade quase totalmente focada em bandas nacionais. O produtor Paulo André Pires justificou a opção como uma forma de manter a independência do evento e valorizar o rock nacional. A única atração internacional foi a banda punk alemã Terrorgruppe, cuja presença foi viabilizada por já estar em turnê pelo Brasil. Em contrapartida, o line-up brasileiro foi um dos mais fortes da história, com a estreia da banda Ira! e a primeira participação da baiana Pitty, ainda antes do lançamento de seu primeiro álbum de sucesso. O festival ainda contou com grandes nomes como O Rappa, Nação Zumbi, Los Hermanos e Nando Reis.

A edição de 2004 (12ª) continuou a privilegiar a diversidade e a nova música nordestina. A edição trouxe de volta o rock pesado, embora a banda americana de mathcore The Dillinger Escape Plan, que inicialmente estava agendada, tenha cancelado de última hora. Entre os destaques nacionais, o festival apresentou Marcelo D2, o retorno do O Rappa (lançando um novo disco), e a consolidação de Pitty no palco principal, sendo uma das atrações mais pedidas pelo público adolescente após sua discreta estreia no ano anterior. O evento também marcou uma forte presença da cena local, com o projeto DJ Dolores: Aparelhagem e a apresentação do Los Sebosos Postizos, um projeto paralelo da Nação Zumbi.