Ljubica Zorka Petrović-Njegoš (; Cetinje, 23 de dezembro de 1864 – Cetinje, 16 de março de 1890) foi uma princesa de Montenegro, filha do rei Nicolau I e da rainha Milena, e esposa de Pedro Karađorđević, o futuro rei Pedro I da Sérvia. Uma vez que contraiu matrimônio com o marido enquanto sua dinastia se encontrava exilada da Sérvia, Zorka jamais ostentou qualquer título real sérvio.

Zorka faleceu antes de seu marido retornar à Sérvia e ascender ao trono, em 1903. O filho do casal, Alexandre, unificou os territórios sérvio, croata, esloveno, bósnio, montenegrino e macedônio, tornando-se o primeiro rei da Iugoslávia.

Biografia miniatura|esquerda|220px|As princesas Zorka, Milica e Anastásia, em 1872. A Princesa Zorka nasceu em 1864, em Cetinje, sendo filha de pais que mantinham laços estreitos com seu padrinho, o príncipe Miguel Obrenović. No batismo recebeu também o nome Ljubica, embora nunca o tivesse utilizado. Estudou em Cetinje e posteriormente em Smolny, na Rússia. Os contemporâneos a descrevem como uma mulher morena, de estatura mediana, traços harmoniosos, grandes olhos escuros e cabelos abundantes. Era considerada excepcionalmente talentosa para a música, espirituosa e inteligente, sendo frequentemente caracterizada como uma mulher de grande energia. miniatura|220px|Retrato de Zorka em traje nacional de Montenegro, por Vlaho Bukovac, 1888.

Em 11 de agosto de 1883,The Times, "Montenegro", 13 August 1883. casou-se com Pedro Karađorđević, vinte anos mais velho, filho primogênito do Príncipe soberano Sérvia, então deposto. O casamento realizou-se no Mosteiro de Cetinje em 30 de julho de 1883, às 10 horas, sendo a cerimônia oficiada pelo bispo metropolitano Vissarion Ljubiša. O padrinho foi o imperador russo Alexandre III, representado pelo conde Orlov Denisov, enquanto o segundo padrinho foi o duque Miljan Vuković. O imperador russo enviou aos recém-casados um presente de grande valor: um conjunto de safiras, rubis e diamantes dispostos de modo a representar as cores da bandeira russa.Sofronijević, Mira. Princesa Zorka Karađorđević, Projekt Rastko

miniatura|esquerda|200px|Pintura de Zorka em seu vestido de casamento, por Špiro Bocarić, em 1883. A celebração matrimonial, assim como o noivado, foi organizada segundo a tradição popular, reunindo um número tão elevado de convidados que o pequeno espaço de Cetinje mal comportava a multidão. Naquele dia, praticamente toda a população se reuniu aos pés do Monte Lovćen. Segundo o costume local, houve cantos, disparos festivos, brindes, e grande ansiedade popular para ver o neto de Jorge Negro, agora o "genro de Montenegro", e a Princesa Zorka, sua noiva, trajada com "um vestido montenegrino bordado a ouro", conforme relataram os jornalistas da época.

No almoço oferecido pelo Príncipe Nicolau, além dos familiares, esteve presente o corpo diplomático acreditado em Cetinje, representantes das grandes potências, entre os quais o enviado russo Denisov, que representava o padrinho, o imperador russo Alexandre III.

"No Jardim do Príncipe" houve um banquete para 2.000 convidados de Cetinje e de todo o Montenegro. A alegria e o entusiasmo eram imensos", relatou o correspondente do jornal Zastava, de Novi Sad. Os poetas de Cetinje, sempre dispostos a celebrar eventos da corte com composições apropriadas, competiram entre si para exaltar o acontecimento. Um poema mais extenso, em dez versos, intitulado O Casamento do Príncipe Pedro Karađorđević com a Princesa Ljubica Zorka, foi preservado integralmente.

Por ocasião do evento, o jornal Glas Crnogorca, nº 29, de 1883, publicou, em substituição ao artigo introdutório, um conto de Simo Matavulj, escrito a pedido do Príncipe Nicolau:

O Príncipe Pedro e a Princesa Zorka partiram para Paris na tarde do próprio dia do casamento. Após retornarem da viagem, o casal estabeleceu-se em Cetinje. Sua residência situava-se em frente ao palácio real.

Embora seu filho Jorge tenha afirmado tratar-se de um casamento por amor, é difícil ignorar os evidentes motivos políticos que permeavam a união. Os Karađorđević, após vinte e cinco anos de exílio, possuíam prestígio e recursos bastante reduzidos. Era claro que, ao se aliar à dinastia montenegrina, não obteriam apoio político, financeiro ou militar substancial; contudo, havia algo que compreendiam muito bem: o prestígio quase mítico e a enorme popularidade que a casa governante de Montenegro desfrutava entre os povos sul-eslavos e em parte considerável da Europa.

Após o casamento, segundo o testemunho do então chefe da diplomacia montenegrina, o voivoda Gavro Vuković, inicia-se um período de forte presença dos Karađorđević em Montenegro. Grande parte da oposição política sérvia, dispersa pela Europa pelo rei Milan, encontra refúgio em Cetinje. Ali são elaborados planos para a derrubada dos Obrenović, e a Princesa Zorka desempenha papel central, revelando notável energia.

miniatura|esquerda|260px|Zorka (no centro) com sua família em Cetinje,  1890. miniatura|260px|Vila Topolica, residência de Zorka e sua família em Montenegro. Nesse período, a família Karađorđević cresce rapidamente: em quatro anos nascem quatro filhos: Helena, Milena, Jorge e Alexandre. Como a antiga residência, situada próxima ao palácio principesco, se torna insuficiente, a família decide construir uma nova moradia na parte mais bela do litoral de Bar. Surge assim a luxuosa e suntuosa Vila Topolica.

Com o tempo, porém, a situação política na Sérvia se estabiliza e grande parte dos exilados regressa ao país. O Príncipe Nicolau reconhece que o projeto de derrubar os Obrenović é irrealista e aproveita a oportunidade para normalizar as relações com o novo rei sérvio. Nesse contexto, desmobiliza o contingente criado para invadir a Sérvia e se distancia dessa iniciativa. A animosidade até então velada entre sogro e genro, praticamente da mesma idade, transforma-se em conflito aberto. Apenas Zorka conseguia manter um equilíbrio mínimo nas relações, mas a era dos Karađorđević em Montenegro aproximava-se de seu fim.

A morte repentina da Princesa Zorka, em Cetinje, em 1890, marca oficialmente o encerramento dessa etapa. Existem várias versões para sua morte. A explicação oficial foi um parto prematuro. Contudo, de acordo com as memórias do filho mais velho, Jorge, então com três anos , a morte teria sido causada por uma queda da escada quando ela correu para receber o marido, recém-chegado de viagem. Em alguns círculos, notoriamente hostis aos Karađorđević (e por isso essa versão é tratada com cautela), circulava ainda a hipótese de que a queda teria ocorrido durante um acesso de fúria do marido.

Após a morte de Zorka, o Príncipe Pedro retorna à Sérvia, visitando os filhos apenas ocasionalmente, até que estes atingissem idade escolar, quando a família deixa definitivamente Montenegro. A Princesa Zorka foi sepultada no Cemitério da Corte, próximo ao Mosteiro de Cetinje, juntamente com dois de seus filhos; porém, com o retorno dos Karađorđević ao poder na Sérvia, seus restos mortais e os das crianças foram transferidos para Oplenac, onde descansam na Igreja de São Jorge.

Monumento O primeiro monumento dedicado a uma mulher na Sérvia foi erguido em homenagem a Zorka em 3 de junho de 1926. A obra, criada pelo escultor Stamenko Đurđević, foi financiada pela Sociedade Duquesa Zorka e instalada no Grande Kalemegdan. O monumento foi removido e provavelmente destruído após a Segunda Guerra Mundial. A maquete de gesso original sobreviveu e encontra-se preservada no Museu de História da Sérvia.

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