Macroeconomia é uma das áreas da ciência econômica dedicada ao estudo de como se determinam as variáveis econômicas agregadas, como elas se comportam e como se relacionam entre si, de maneira geral, ela analisa a economia como um todo.LOPES, Luiz Martins; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de (orgs.). Manual de Macroeconomia: Básico e Intermediário. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. p. 13-23. Apesar do estudo macroeconômico já ter sido utilizado desde os primeiros economistas mercantilistas e mesmo depois por economistas fisiocratas, clássicos, marxistas e neoclássicos, é a década de 1930 que é considerada como o marco do surgimento da Teoria Macroeconômica, impulsionada pelas análises das causas da Grande Depressão e tendo como seu fundador o economista britânico John Maynard Keynes através de seu livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, dando origem a Revolução KeynesianaKEYNES, John Maynard. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 5-22. fazendo oposição às teorias da Escola Neoclássica de economia.ABEL, Andrew B., et al. Macroeconomía. Pearson, 2004.

A análise macroeconômica é feita através do estudo da determinação e comportamento dos grandes agregados macroeconômicos de uma economia, a mensuração destes agregados é feita a partir de instrumentos como a Contabilidade Nacional (ou Social) e Balanço de Pagamentos.LOPES, Luiz Martins; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de (orgs.). Manual de Macroeconomia: Básico e Intermediário. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. p. 25-49. Para essa análise é considerado o estudo dos mercados:

• Mercado de Bens e Serviços: corresponde ao nível de produção agregada de todos os bens produzidos por uma sociedade durante um certo período de tempo, determinando o nível do produto;PINHO, Diva Benevides; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de (orgs.). Manual de Economia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 261-268.

• Mercado de Trabalho: onde se estabelece a compra e venda de serviços de mão de obra, esta é representada de forma agregada. Nesse mercado é determinado a taxa de salários e o nível de emprego;

• Mercado Monetário: analisa a demanda e oferta da moeda que determina a taxa de juros, tendo impacto no nível dos preços e quantidades produzidas. A demanda por moeda é determinada pelos agentes econômicos e a oferta é dada pelo Banco Central que controla a quantidade de moeda;

• Mercado de Títulos: nas economias existem agentes econômicos superavitários: que possuem um nível de gastos inferior a sua renda, e deficitários: que possuem gastos superiores ao seu nível de renda, nesse mercado os agentes superavitários emprestam para os deficitários por meio de títulos (títulos do governo, ações, debêntures, duplicatas, etc.) e seus preços e quantidades são determinados nesse mercado;

• Mercado de Divisas (ou Mercado Cambial): é o mercado de moeda estrangeira, a oferta de divisas depende das exportações e de entradas de capitais financeiros e a sua demanda é dada pelo volume de importações e saída de capital financeiro, determinando a taxa de câmbio.PINHO, Diva Benevides; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de (orgs.). Manual de Economia. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 301-308.

A macroeconomia tem papel central na determinação de políticas econômicas:ALÉM, Ana Cláudia Duarte de, Macroeconomia: teoria e prática no Brasil. São Paulo: Elsevier, 2010. fiscal, monetária, cambial e de renda e de como atingir aos objetivos de crescimento e desenvolvimento econômico, pleno emprego, estabilidade dos preços (controle da inflação) e distribuição de renda. Quando essas políticas econômicas devem ser expansionistas ou contracionistas e seus efeitos na economia.

Políticas fiscais expansionistas buscam estimular a demanda agregada através do aumento de gastos governo e/ou diminuição de impostos. Políticas fiscais contracionistas, ao contrário das expansionistas, buscam reduzir a demanda agregada através da diminuição de gastos governo e/ou aumento de impostos.SAMPAIO, Luiza Maria Sampaio Moreira de. Macroeconomia esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 553-555.

A política monetária lida com a taxa de juros e oferta de moeda por meio de operações de Open Market (Mercado Aberto), alteração das exigências de reservas bancárias e estabelecimento da taxa de desconto bancário. Ela é ditada pelo Banco Central.SAMPAIO, Luiza Maria Sampaio Moreira de. Macroeconomia esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 555-556.

Operações de Open Market (Mercado Aberto): Mercado de títulos da dívida pública. São colocados em leilão pelo Banco Central e comprado pelos dealers, que são bancos autorizados a operar no mercado primário (emissão de títulos).PINHO, Diva Benevides; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de (orgs.). Manual de Economia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 319-335.

As alterações das exigências de Reservas Bancárias se dão por meio de alterações nas exigências de depósitos compulsórios mínimos de bancos em conta do Banco Central, estabelecimento da taxa de desconto bancário. São expansionistas quando reduzem a taxa de juros e aumentam da oferta de moeda, o faz através da compra de obrigações do Tesouro Nacional através do Open Market, pela redução nas exigências de depósito compulsório (redução das Reservas Bancárias) e pela diminuição da taxa de desconto bancário. As políticas monetárias contracionistas se dão por meio da elevação da taxa de juros e redução da oferta de moeda através da venda de obrigações do Tesouro Nacional através de operações de Open Market, pelo aumento nas exigências de depósito compulsório e elevação da taxa de desconto bancário.

Políticas Cambiais lidam com a taxa de câmbio que é o preço de uma unidade de moeda estrangeira medida em moeda nacional e o estabelecimento dela depende do tipo de Regime Cambial e é definido pelo Banco Central. Os regimes cambiais podem ser:SAMPAIO, Luiza Maria Sampaio Moreira de. Macroeconomia esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 635-650.

Flutuante: o valor das moedas é determinado pela oferta e demanda; Fixo: o valor das moedas são pré fixados; Misto ou Bandas cambiais: se é estabelecido o teto e piso da taxa de câmbio.

A taxa de câmbio influencia o funcionamento das operações de importação e exportação. Uma taxa de câmbio valorizada estimula as importações porque faz com que o produto estrangeiro esteja relativamente mais barato e uma taxa de câmbio desvalorizada estimula as exportações por aumentar a competitividade do produto nacional pelo preço de mercado estar mais barato e o recebimento dos valores da venda serem pagos em moeda valorizada em relação a moeda nacional. As importações diminuem as reservas de divisas de moeda estrangeira e as exportações aumentam essas reservas.

Principais conceitos

Contabilidade Nacional Balanço de pagamentos Mercado de Bens e Serviços Mercado de Fatores de Produção Mercado de Trabalho Mercado Monetário Mercado de Títulos Mercado de Divisas Política monetária Política fiscal Política cambial Salários Juros Aluguéis Lucros Produto Interno Bruto Banco Central Moeda Inflação Taxa de câmbio Oferta agregada Demanda agregada Modelo keynesiano simples Consumo Investimento Gastos do governo Exportações Importações Exportações Líquidas Modelo keynesiano simples Modelo IS-LM

Contabilidade Nacional

A Contabilidade Nacional (ou Contabilidade Social) oferece instrumentos de mensuração da atividade econômica de um país num determinado período de tempo.PAULANI, Leda Maria; BRAGA, Márcio Bobik. A nova contabilidade social: uma introdução à macroeconomia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 1-6. A contabilização dos agregados macroeconômicos feita por ela nos oferece informações sobre produção, consumo, investimento, exportações e importações de um país, região, bloco econômico, etc. A Contabilidade Nacional tem como identidade fundamental: Produto ≡ Renda ≡ DispêndioPAULANI, Leda Maria; BRAGA, Márcio Bobik. A nova contabilidade social: uma introdução à macroeconomia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 9-18. Essa identidade é de vital importância para a verificação empírica de proposições da Teoria Macroeconômica produzindo estatísticas sistematizadas sobre variáveis agregadas.

Produto

Valor total de todos os bens e serviços finais produzidos pela sociedade num determinado período de tempo. A sua mensuração do produto nacional pode ser feita Ótica do Produto,SAMPAIO, Luiza Maria Sampaio Moreira de. Macroeconomia esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 59-60. através da soma dos Valores Adicionados, que é o valor que foi acrescido em cada etapa produtiva e se dá pela diferença do Valor Bruto de Produção e Consumo Intermediário. Valor Adicionado = VBP – Consumo Intermediário = Produto Agregado O Valor Bruto de Produção é valor de todos os bens vendidos em um período e têm-se que excluir o Consumo Intermediário para evitar a dupla contagem,SAMPAIO, Luiza Maria Sampaio Moreira de. Macroeconomia esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 41-43. pois esse consumo se dá pelo valor da compra do produto intermediário que é o valor de todos os insumos utilizados no processo produtivo e seu valor já estará incluso no valor dos produtos finais.

Renda

Valor total das remunerações recebidas pelos proprietários dos fatores de produção (trabalho, terra e capital) pela utilização de seus serviços. Elas são os salários, juros, aluguéis e lucros:

Salários = remuneração aos detentores da força de trabalho;

Juros = remuneração aos donos do capital financeiro;

Aluguéis = remuneração aos proprietários da terra, prédios, máquinas;

Lucros = remuneração aos donos do capital produtivo.

Através da Ótica da rendaSAMPAIO, Luiza Maria Sampaio Moreira de. Macroeconomia esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 61-62. é possível mensurar o produto da economia através do somatório das remunerações, ou seja, da soma dos salários, juros, aluguéis e lucros. Renda Agregada = Salários + Juros + Aluguéis + Lucros = Produto Agregado Dispêndio (Despesa)

Total gasto pelos agentes econômicos para a obtenção de bens e serviços finais. A mensuração do produto numa economia pode ser feita através da Ótica do Dispêndio,SAMPAIO, Luiza Maria Sampaio Moreira de. Macroeconomia esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 57-59. que se faz através da soma dos produtos finais (produtos acabados) mais os insumos que não entraram no processo produtivo (produtos inacabados) o que resulta no produto agregado, portanto o produto é medido pelo seu consumo final. Lembrando que a mensuração é feita durante um período específico de tempo. Consumo Agregado = Produto final + Insumos que não entraram no processo produtivo = Produto Agregado = Renda Agregada O cálculo do Dispêndio também pode ser feito a partir da Despesa Agregada, que se dá pela soma dos valores dos bens e serviços adquiridos para consumo pessoal das famílias, com o consumo público (consumo do governo), com os investimentos (aquisição de mercadorias pelas empresas para a ampliação da produção), mais o valor das exportações menos o valor das importações.GREMAUD, Amaury Patrick; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de; JÚNIOR, Rudinei Toneto. Economia brasileira contemporânea. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 58-60. Despesa Agregada = Consumo + Investimento + Gastos do Governo + Exportações – Importações O Consumo Agregado pode ser igualado ao conceito de Despesa Agregada, ou seja: Despesa Agregada = Consumo Agregado Demonstração da Identidade Produto ≡ Renda ≡ Dispêndio

Para uma demonstração desse modelo da Contabilidade Nacional numa economia qualquer, faremos quatro suposições:

1ª: Que se trata de uma economia fechada e sem governo;

2ª: Consideremos apenas três empresas na economia;

3ª: Tudo que é produzido é vendido;

4ª: Os proprietários de fatores produção consomem toda sua renda em bens de consumo, ou seja, não há poupança.

Para chegar ao produto agregado da economia, observe as tabelas: