thumb|500px|Mapa exibindo centro, semiperiferia e periferia globais entre 1975 e 2002 segundo um pesquisador do Journal of World-Systems Research.Countries depicted are those consistently classified in a particular zone throughout the 27-year period. Salvatore J. Babones, "The country-level income structure of the world-economy," Journal of World-Systems Research 11, no. 1 (2005): 29–55

Teoria do Sistema-Mundo, ou Análises do Sistema Mundial é um nome dado a um conjunto de abordagens interdisciplinares das relações entre Economia e Política, a nível regional e global, centradas no conceito de sistema-mundo ou sistema mundial. Desde sua origem, têm feito importantes contribuições às Relações Internacionais, à Sociologia, à Antropologia, à História, à Economia, e à Geografia.

Frequentemente associado à abordagem de Immanuel Wallerstein, o conceito de sistema-mundo foi definido distintamente por vários teóricos ao longo do tempo, mas pode-se dizer que ele é um desenvolvimento da noção de que parte dos aspectos das sociedades só pode ser compreendida analisando a sua inserção em um todo, em algo maior e além de suas fronteiras, como uma economia regional, um complexo de Estados ou o sistema capitalista mundial.

Além do estadunidense Immanuel Wallerstein, outros teóricos centrais ao desenvolvimento das Análises do Sistema-Mundo são o germano-estadunidense André Gunder Frank, o italiano Giovanni Arrighi, a estadunidense Janet Abu-Lughod e o egípcio Samir Amin. No Brasil, destacam-se as figuras de Theotônio dos Santos e José Luís Fiori.

O quadro teórico sistema-mundista tem significativas influências da Teoria da Dependência, com raízes em diferentes tradições, como o Marxismo clássico, a escola dos Annales, o Capital Monopólico, e o Pós-Colonialismo, variando de autor para autor. Em geral, é comum classificar o Sistema-Mundo como pós-marxista.

Paradigma O conceito de sistema-mundo Central à teoria, o conceito de sistema-mundo baseado no conceito braudeliano de economia-mundo foi desenvolvido por Immanuel Wallerstein, Giovanni Arrighi e Samir Amin.

Pode-se dizer que o sistema-mundo se baseia na divisão interregional e transnacional do trabalho, e produz a divisão do mundo em países centrais, semiperiféricos e periféricos.Thomas Barfield, The dictionary of anthropology, Wiley-Blackwell, 1997, , Google Print, p.498-499 Os países centrais concentram a produção altamente especializada e capital-intensiva, enquanto o resto do mundo se dedica à produção trabalho-intensiva e não especializada e à extração de matérias-primas. Isso tende a reforçar a dominância dos países centrais. Não obstante, o sistema tem características dinâmicas, em parte como resultado das revoluções na tecnologia, com ênfase para os transportes, de modo que cada país pode ganhar ou perder seu status ao longo do tempo. Essa estrutura organizada com base na divisão do trabalho é uma economia-mundo capitalista.Frank Lechner, Globalization theories: World-System Theory, 2001

Para o paradigma sistema-mundista, o subdesenvolvimento dos países do Sul global se deve à sua posição na estrutura da ordem econômica internacional. Todos os países globalizados fazem parte do sistema-mundo. As grandes potências da OCDE, sobretudo os Estados Unidos, constituem o centro da economia-mundo, enquanto que os países em desenvolvimento constituem a periferia e a semiperiferia.

O sistema-mundo enquanto unidade de análise Wallerstein propõe-se a explicar a formação do sistema-mundo do século XVI — início do sistema capitalista — e suas transformações até nossos dias, considerando o sistema capitalista como sistema mundial. A unidade de análise é, portanto, o sistema “mundo” (e não o Estado-nação), dentro do qual, as esferas econômicas, política e sociocultural são vistas como estreitamente conectadas - e não separadas, conforme a abordagem tradicional.A ruína do capitalismo. Entrevista com Immanuel Wallerstein, por Gustavo Ioschpe. Folha de S. Paulo, 17 de Outubro de 1999.

A economia-mundo capitalista é um sistema que inclui uma desigualdade hierárquica de distribuição baseada na concentração de certos tipos de produção (produção relativamente monopolizada, e por tanto de alta rentabilidade), em certas zonas limitadas, de acordo a Wallerstein, e que ademais passam a ser sedes de maior acumulação de capital que permite em reforçamento das estruturas estatais, o que por sua vez buscam garantir a sobrevivência dos monopólios. O sistema mundo capitalista funciona e evoluí em função dos fatores econômicos.

Na Teoria do Sistema-Mundo capitalista se analisa a formação e a evolução do modo capitalista de produção como um sistema de relações econômico sociais, políticas e culturais, que nasce a fins da idade média europeia e que evoluí até converter-se em um sistema planetário de acordo a Theotonio dos Santos, e em cujo enfoque se distingue a existência de um centro, uma periferia e uma semiperiferia, ademais de distinguir entre economias centrais, uma economia hegemônica que articula ao conjunto do sistema.

A sua crítica do capitalismo global e o apoio aos movimentos antissistémicos espalharam a fama no mundo académico e tornaram os intelectuais ligados a essa abordagem em arautos do movimento anti-globalização e da crítica radical ao neoliberalismo.

O sistema-mundo capitalista é muito heterogéneo em termos culturais, políticos e económicos, abarcando grandes diferenças de desenvolvimento civilizacional, acumulação de capital e poder político. Ao contrário de teorias positivistas da modernização e desenvolvimento capitalista, Wallerstein não atribui estas diferenças a um atraso de certas regiões face a outras, que a própria dinâmica do sistema tenderia a apagar, mas à própria natureza do sistema-mundo. Ao sistema-mundo é inerente uma divisão entre centro, periferia e semiperiferia, em função da divisão do trabalho entre as regiões.

O centro é a área de grande desenvolvimento tecnológico que produz produtos complexos; a periferia é a área que fornece matérias-primas, produtos agrícolas e força de trabalho barata para o centro. A troca económica entre periferia e centro é desigual: a periferia tem de vender barato os seus produtos enquanto compra caro os produtos do centro, e essa situação tende a reproduzir-se de forma automática, quase determinista, embora seja também dinâmica e mude historicamente. A semiperiferia é uma região de desenvolvimento intermédio que funciona como um centro para a periferia e uma periferia para o centro. Em finais do século XX incluiria regiões como o a Europa Oriental, o Brasil ou a China. Regiões centrais e periféricas podem coexistir em espaços muito próximos.

Uma consequência da expansão do sistema-mundo é a contínua "mercadização" das coisas, incluindo o trabalho humano. Recursos naturais, terra, trabalho, relações sociais são gradualmente espoliados do seu valor intrínseco e transformadas em mercadorias cujo valor de troca é determinado no mercado.

O sistema-mundo moderno

Immanuel Wallerstein especializou-se inicialmente em assuntos da África pós-colonial, aos quais dedicou quase exclusivamente a sua produção até início da década de 1970, altura em que começou a destacar-se enquanto historiador e teórico da economia capitalista mundial. Durante esse período de produção trabalhou importando elementos da abordagem em termos de teoria da dependência, similarmente aos intelectuais latino-americanos.

A sua obra fundamental, e de certa maneira fundacional, é O sistema-mundo moderno de Immanuel Wallerstein, publicada originalmente em três volumes em 1974, 1980 e 1989. Esta obra parte de quatro referências teóricas fundamentais:

Karl Marx, que Wallerstein segue em teses como a predominância dos factores económicos sobre os políticos e ideológicos na história mundial, a dicotomia entre capital e trabalho, a concepção do desenvolvimento da economia mundial segundo fases históricas como o feudalismo ou capitalismo, a acumulação de capital, a dialéctica, entre outros; a Escola dos Annales, nomeadamente o historiador Fernand Braudel, que registara o desenvolvimento e implicações políticas das redes económicas europeias dos séculos XV-XIX; Max Weber, no que se refere a questão da preocupação com a dimensão institucional e política na dinâmica histórica do capitalismo; presumivelmente, a sua própria experiência enquanto estudioso da África pós-colonial e das várias teorias relativas às "sociedades em desenvolvimento", utilizando amplos.

Wallerstein recusou a noção de Terceiro Mundo, argumentando que existia apenas um mundo articulado por uma complexo sistema de trocas económicas — uma economia mundial ou sistema-mundo — caracterizado pela dicotomia entre capital e trabalho e a acumulação de capital entre agentes em concorrência (nomeadamente os estados-nação), num equilíbrio sempre ameaçado por fricções internas. Esta abordagem constitui a teoria do sistema-mundo.

O autor identifica a origem do sistema-mundo moderno na Europa e América do século XVI. Uma ligeira superioridade de acumulação de capital no Reino Unido e França, devida a circunstâncias políticas internas no final do feudalismo, desencadeou um processo de expansão que culminou no sistema global de trocas económicas actualmente existente. No século XIX, praticamente todos os territórios do planeta haviam sido incorporados na economia mundial capitalista.

É com base nisso que desenvolve a moderna teoria de sistemas-mundo, que olha para a interação do Núcleo Tecnológico Industrial e a Periferia menos desenvolvida, e com os intermediários, os países da chamada "Semiperiferia", que corresponde aos novos países industrializados. A partir daí 'centro' e 'periferia' tornaram-se elementos integrantes do vocabulário da teoria das relações internacionais.

Outros pensadores

As principais vertentes da abordagem em termos de sistema-mundo são desenvolvidas no pensamento de Immanuel Wallerstein, André Gunder Frank, Giovanni Arrighi e Samir Amin.

André Gunder Frank, um dos principais autores do que se convenciona chamar de "teoria do subdesenvolvimento". Para ele, o capitalismo produz um 'tipo distinto' de desenvolvimento econômico nos países do Sul ao longo da mesma experiência histórica do Norte. Pelo contrário que se possa argumentar, o subdesenvolvimento é produzido em uma situação em que as estruturas de tecnologia e a indústria não alcançam uma existência independente, mas sim permanecem subservientes ao Norte.

Theotônio dos Santos, cuja maioria das ideias é frequentemente associada à Teoria da Dependência, analisa a teia de relações Norte-Sul (isto é, países centrais e periféricos ou "dependentes") e destaca os elementos que mantêm a dependência do Sul sobre o Norte, uma vantagem para o norte sistematicamente. No momento trabalho com vários grupos de estudo e projetos de pesquisa sobre a possibilidade de uma teoria de conjuntura que articule um amplo conjunto de variáveis económicas, sociais, políticas e culturais, dentro de uma concepção metodológica que assimile as ideias de complexidade, historicidade, dialéctica, longa duração, ciclos longos e vários outros fenómenos descuidados pelo “mainstream” das várias Ciências Sociais, encapsuladas na especificidades da departamentalização científica e na restrição dos objetos de estudo.

Os dois autores passam tratar a ideia de desenvolvimento de longa duração do sistema-mundo capitalista, combinando a perspectiva dos ciclos de longo prazo ou ondas longa de Nikolai Kondratiev com os ciclos históricos de Fernand Braudel, aproximando-se das abordagens de Giovanni Arrighi, Samir Amin e Immanuel Wallerstein.

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