Egberto foi o Rei de Wessex de 802 até sua morte, e também Rei de Kent a partir de 825. Era filho do rei Ealmundo de Kent. Egberto foi exilado pelos reis Offa da Mércia e Beortrico de Wessex na década de 780, porém com a morte do segundo ele retornou e tomou o trono.
Pouco se sabe sobre os primeiros vinte anos do reinado de Egberto, porém acredita-se que ele conseguiu manter a independência do Reino de Wessex contra o Reino da Mércia, que na época dominava todos os reis ingleses do sul. Ele derrotou Beornulfo da Mércia em 825, encerrou a supremacia desse reino na batalha de Ellandun e prosseguiu para tomar as dependências mercianas no sudeste da Inglaterra. Egberto derrotou Viglafo da Mércia em 829 e o expulsou de seu reino, temporariamente governando Mércia diretamente. Mais tarde no mesmo ano o rei recebeu a submissão do rei Dore da Nortúmbria. A Crônica Anglo-Saxônica posteriormente descreveu Egberto como bretwalda, ou "Rei da Bretanha".
Egberto não conseguiu manter sua posição dominante e Viglafo reconquistou seu trono em menos de um ano. Entretanto, Wessex conseguiu manter o controle de Kent, Sussex e Surrey; esses territórios foram passados para Etelvulfo, filho de Egberto, para que governasse sob seu pai. Quando Egberto morreu em 839, Etelvulfo o sucedeu.
Família Por parte de pai não existe um consenso entre os historiadores sobre os ancestrais de Egberto. A versão mais antiga da Crônica Anglo-Saxônica, a Crônica de Parker, começa com um prefácio que traça os ancestrais de seu filho Etelvulfo através de Egberto, Ealmundo (que acredita-se ser o rei Ealmundo de Kent,se for assim,Egberto é neto da desconhecida neta de Witred de Kent) e os desconhecidos Eoppa e Eafa, chegando em Ingildo (Ingild), irmão do rei Ine de Wessex, que abdicou do trono em 726. Ele continua para trás até o rei Cerdico, o fundador da Casa da Saxônia Ocidental. O historiador Frank Stenton aceita a linhagem ancestral de Egberto até Ingildo, porém não a genealogia que chega em Cerdico. Por outro lado, Heather Edwards argumenta que Egberto tinha suas origens no Reino de Kent e que sua descendência saxã ocidental foi fabricada durante seu reinado para lhe dar maior legitimidade. Já Rory Naismith considera improvável que ele tenha vindo de Kent, sendo mais provável que "Egberto nasceu da boa estirpe real saxã ocidental".
Já por parte de mãe,sabemos que ela foi neta de Witred de Kent,já que assim conquentemente descendente de Berta de Kent.
Não se sabe o nome da esposa de Egberto. Uma crônica do que hoje está na Universidade de Oxford nomeia sua esposa como Redburga, que supostamente era uma parente de Carlos Magno,com quem ele se casou na época que estava exilado na Frância, porém isso é rejeitado pelos historiadores acadêmicos por ela ter sido escrita oito séculos depois da morte de Egberto. Ele supostamente tinha uma meia-irmã chamada Alburga, mais tarde foi reconhecida como santa por ter fundado a Abadia de Wilson. Ela se casou com Vulfstano de Wiltshire, que morreu em 802 e depois disso Alburga tornou-se uma freira e a Abadessa de Wilton.
Contexto e início de vida thumb|O nome de Egberto escrito como "Ecgbriht" no manuscrito C da Crônica Anglo-Saxônica O rei Offa de Mércia reinou de 757 a 796 e foi uma força dominante na Inglaterra anglo-saxã durante a segunda metade do . Não é bem documentada a relação de Offa com Cinevulfo, o rei do Reino de Wessex entre 757 e 786, porém é provável que o segundo tenha conseguido manter alguma independência do senhorio mércio. A evidência da relação entre os dois reis vem de cartas régias, que eram documentos que davam terras para seguidores e para clérigos, e eram dadas apenas pelos monarcas que tinham poder para dar terras. Em alguns casos o rei aparecia como um subregulus, ou "subrei", deixando claro que ele era o senhorio. Cinevulfo apareceu como "Rei dos Saxôes Ocidentais" em uma carta de Offa datada de 772; ele foi derrotado por Offa em 779 em uma batalha em Bensington, porém não há mais nada que sugira que Cinevulfo não era seu próprio senhor e é desconhecido se ele reconheceu o senhorio de Offa. O rei de Mércia tinha influência no sudeste da Inglaterra: uma carta de 764 o mostra na companhia do rei Heaberht de Kent, sugerindo que Offa tenha o ajudado a conseguir o trono. Os historiadores ainda debatem a extensão de seu controle sobre Kent entre os anos de 765 e 776, porém aparentemente os reis de Kent tinham certa independência de Mércia de 776 até 784.
Outro Egberto, Egberto II de Kent, governou aquele reino durante a década de 770; foi mencionado pela última vez em 779, numa carta que concede terras em Rochester. Em 784 um novo rei de Kent, Ealmundo, aparece na Crônica Anglo-Saxã. De acordo com uma nota na margem desta carta, "este rei Ealmundo era pai de Egberto [de Wessex], Egberto era pai de Etelvulfo." Isto é confirmado pelo prefácio genealógico do texto A da Crônica, que lista o nome do pai de Egberto como Ealmundo, sem maiores detalhes. O prefácio provavelmente data do fim do ; a nota da margem está no manuscrito F da Crônica, que é uma versão de Kent que data de por volta de 1100.Swanton, The Anglo-Saxon Chronicle, p. 58–63.
Ealmundo não parece ter permanecido no poder por muito tempo: não existem registos das suas atividades após 784. Existem, no entanto, evidências extensivas do domínio de Offa em Kent durante o fim da década de 780, com suas metas variando da suserania até a anexação direta do reino, com ele tendo sido descrito como "o rival, não o suserano, dos reis de Kent".Wormald, "Bede, the bretwaldas and the origins of the Gens Anglorum", in Wormald et al., Ideal and Reality, p. 113; citado em Kirby, Earliest English Kings, p. 167., e n. 30. É possível que o jovem Egberto tenha fugido para Wessex por volta de 785; é sugestivo que a Crônica menciona num trecho posterior que Beortrico, sucessor de Cinevulfo, tenha ajudado Offa a exilar Egberto.
Cinevulfo foi assassinado em 786. Egberto pode ter contestado a sucessão, porém Offa interveio com sucesso na disputa de poder que se seguiu pelo lado de Beortrico.Fletcher, Who's Who, p. 114. A Crônica Anglo-Saxã registra que Egberto passou três anos na Frância antes de ser coroado, exilado por Beortrico e Offa. O texto usa "iii" como três, porém este pode ter sido um erro do escriba, e a leitura correta seria "xiii", ou seja, treze anos. O reinado de Beortrico durou dezasseis anos, e não treze; todas as cópias existentes da Crónica citam "iii", porém diversos relatos modernos assumem que Egberto teria passado na realidade treze anos na Frância. Isto exige que se assuma que o erro de transcrição seja comum a todos os manuscritos da Crónica Anglo-Saxã; diversos historiadores fazem esta presunção, porém outros a rejeitaram como improvável, tendo em vista a consistência das fontes.Fletcher, por exemplo, assume que Egberto teria passado essencialmente todo o reinado de Beortrico na Frância; ver Fletcher, Who's Who, p. 114. Da mesma maneira, Swanton anota "3 anos" com "na realidade treze anos . . . este erro é comum a todos os manuscritos." Ver nota 12 em Swanton, Anglo-Saxon Chronicle, p. 62–63. Por outro lado, Stenton aceita o número como três: ver Stenton, Anglo-Saxon England, p. 220. Stenton acrescenta, numa nota de rodapé, que "é muito perigoso rejeitar uma leitura tão bem atestada." De qualquer maneira, Egberto provavelmente foi exilado em 789, quando Beortrico, seu rival, se casou com a filha de Offa da Mércia.Stenton, Anglo-Saxon England, p. 220.
Durante o exílio de Egberto, a Frância foi governada por Carlos Magno, que manteve a influência frâncica na Nortúmbria, e que teria dado apoio aos inimigos de Offa no sul. Outro exilado na Gália durante este período foi Odberto, um padre, que quase seguramente seria Edberto, que mais tarde se tornou rei de Kent. De acordo com um cronista posterior, William de Malmesbury, Egberto teria aprendido as artes de governo durante seu período na Gália.Kirby, Earliest English Kings, pp. 176–177.
Início do reinado A dependência de Beortrico continuou durante o reinado de Cenovulfo, que se tornou rei da Mércia alguns anos após a morte de Offa.Stenton, "Anglo-Saxon England", p. 209–210. Beortrico morreu em 802, e Egberto assumiu o trono de Wessex, provavelmente com apoio de Carlos Magno e, talvez, do papado. Os mércios continuaram a oporem-se a Egberto; no dia de sua ascensão ao trono, os Hwicce (que formavam originalmente um reino separado, mas que àquela altura já faziam parte da Mércia) atacaram, sob a liderança de seu ealdormano, Etelmundo. Weohstan, um ealdormano de Wessex, foi ao seu encontro com homens de Wiltshire: de acordo com uma fonte do , Weohstan havia se casado com Alburga, irmã de Egberto, e era, portanto, seu cunhado.A fonte, um poema na Chronicon Vilodunense, é descrito por Yorke como "admitidamente . . . longe do ideal". Ver Barbara Yorke, "Edward as Ætheling", in Higham & Hill, Edward the Elder, p. 36. Os Hwicce foram derrotados, embora Weohstan tenha sido morto juntamente com Etelmundo. Nada mais se registrou das relações de Egberto com a Mércia por mais de vinte anos depois desta batalha. Parece provável que Egberto não tenha exercido influências fora das suas fronteiras, porém por outro lado não existem evidências de que ele tenha se rendido à dominação de Cenovulfo. Este dominava o resto do sul da Inglaterra, porém nas suas cartas oficiais o título de "soberano dos ingleses do sul" nunca aparece, supostamente como resultado da independência do reino de Wessex.Stenton, Anglo-Saxon England, p. 225.
Em 815 a Crónica Anglo-Saxã registrou que Egberto devastou todos os territórios do último reino britânico nativo, Dumnônia, conhecido pelo autor da Crónica como os galeses ocidentais; o seu território equivalia ao da atual Cornualha.Swanton, Anglo-Saxon Chronicle, p. 58–59.A fronteira havia sido empurrada até o rio Tamar, entre Devon e a Cornualha, por Ine de Wessex, em 710. Ver Kirby, Earliest English Kings, p. 125. Dez anos mais tarde, uma carta oficial datada de 19 de agosto de 825, indica que Egberto esteve envolvido em campanhas militares na Dumnônia novamente; este fato pode ter tido relação com uma batalha registrada na Crónica em Galford, em 823, entre os homens de Devon e os britões da Cornualha.Kirby, Earliest English Kings, p. 189–195.
A batalha de Ellendun thumb|right|300px|Mapa da Inglaterra durante o reinado de Egberto Foi em 825 também que ocorreu uma das batalhas mais importantes da história anglo-saxã, quando Egberto derrotou Beornulfo da Mércia, em Ellendun — atual Wroughton, próximo a Swindon. Esta batalha marcou o fim da dominação mércia sobre o sul da Inglaterra.Stenton, Anglo-Saxon England, p. 231. A Crônica narra como Egberto deu sequência à sua vitória: "enviou o seu filho, Etelvulfo, para a batalha, Ealstano, o seu bispo, e Vulfeardo, seu ealdormano, para Kent, com uma grande tropa." Etelvulfo expulsou Baldredo, rei de Kent, para o norte, além do Tâmisa, e, de acordo com a Crónica, os homens de Kent, Essex, Surrey e Sussex submeteram-se a Etelvulfo "porque haviam sido forçados antes, erroneamente, por seus parentes." Isto pode referir-se às intervenções de Offa em Kent durante a época em que o pai de Egberto, Ealmundo, se tornou rei; se este for o caso, o comentário do cronista também pode indicar que Ealmundo tinha outras conexões no sudeste da Inglaterra.