Tron é um filme americano de 1982 dos gêneros ficção científica, ação e aventura que foi dirigido e escrito por Steven Lisberger para a Walt Disney Pictures.

Enredo Kevin Flynn (Jeff Bridges) é um jovem engenheiro de softwares que trabalha para uma grande corporação chamada ENCOM. Ele fica horas desenvolvendo novas ideias para videogames com o objetivo de fundar sua própria companhia, mas seus projetos são encontrados e roubados por outro funcionário, Ed Dillinger (David Warner), que os apresenta como seus e é promovido a vice-presidente, enquanto Flynn é demitido e forçado a abrir um arcade para continuar a trabalhar.

Flynn decide invadir o servidor da ENCOM usando um programa chamado CLU para encontrar provas da fraude de Dillinger. Porém, CLU é detectado e destruído pelo Programa de Controle Mestre (em inglês, Master Control Program ou MCP), desenvolvido por Dillinger para proteger os sistemas da ENCOM. O código de acesso usado por Flynn é desativado pelo MCP, o que também desativa o código de acesso de outro funcionário da empresa, Alan Bradley (Bruce Boxleitner), que tem uma conversa franca com Dillinger e revela que criou um programa chamado Tron para monitorar o MCP. Após Bradley ir embora, o MCP confronta Dillinger e revela que planeja invadir os servidores d'O Pentágono e conquistar o mundo, já que estaria mais apto a comandá-lo do que os humanos. Dillinger é forçado a ajudá-lo, uma vez que o programa ameaça revelar aos jornais o modo trapaceiro pelo qual ele ascendeu à sua posição de chefia.

A namorada de Bradley, a Dra. Lora Baines (Cindy Morgan), deduz que Flynn foi o hacker que tentou invadir os servidores da ENCOM, então ela e o namorado vão avisá-lo que ele foi detectado. Os três decidem invadir o prédio da empresa de tecnologia e usar o código de acesso do laboratório de Lora, que vinha trabalhando em um laser capaz de digitalizar objetos do mundo real e materializá-los no mundo digital, para encontrar as provas que Flynn precisa para expor Dillinger.

Já dentro da ENCOM, os três se separam e Flynn entra em conflito com o MCP via o terminal do laboratório da engenheira. O MCP, para derrotá-lo, usa o laser para digitalizar Kevin e transportá-lo para o mundo virtual, onde ele conhece outros programas, cujas aparências lembram às de seus criadores, os usuários. Flynn e um programa chamado Ram (Dan Shor) são levados até Sark, personagem também programado por Dillinger e que atua como primeiro-tenente do MCP. Ele lhes diz que devem aceitar o MCP como seu novo mestre ou competir até a morte em jogos de gladiadores. Flynn se recusa a servir ao MCP e é forçado a participar de uma batalha com Motos de Luz (em inglês, Light Cycles) - veículos monolugar que produzem uma parede que desintegra programas ou quaisquer objetos que com ela colidem em alta velocidade. Durante a partida, ele e Ram se aliam a Tron.

Os três tentam fugir, mas são perseguidos pelos soldados de Sark, que matam Ram e separam Tron e Flynn. Este descobre que, como um usuário no mundo digital, possui super-poderes e consegue manipular os objetos daquele mundo tal como se os tivesse programando. Com essa nova habilidade, o engenheiro de software reconstroi um recognizer, espécie de aeronave, quebrado e depois se disfarça de um dos soldados de Sark. Tron, enquanto isso, entra em contato com a programa de Lora, chamada Yori, e com ela vai até a torre de comunicação. Lá, Bradley consegue comunicar a Tron como destruir o MCP.

Flynn se junta a ambos e os três tomam o controle de um solar sailer, espécie de aeronave de transporte de carga, para irem em direção ao núcleo do MCP para derrotá-lo. Contudo, o solar sailer deles acaba sendo destruído pelo nave de comando de Sark, que aparentemente mata Tron e captura Flynn e Yori. Sark abandona sua nave e ordena que seja desintegrada, procurando matá-los. Isso não se concretiza, pois Flynn consegue manipulá-la e impedir sua destruição. O primeiro-tenente parte em direção ao MCP, levando um grupo de programas capturados para que eles sejam absorvidos pelo Programa de Controle Mestre - modo pelo qual este aumenta constantemente de força.

Flynn e Yori também rumam em direção ao núcleo do MCP. Lá, reencontram-se com Tron e, após um longo confronto, Flynn consegue atrasar Sark e MCP por tempo suficiente para que Tron veja uma brecha no escudo do MCP e destrua sua programação original, acabando com ele e Sark. Com isso, o servidor da ENCOM é liberto, os programas param de temer serem absorvidos e o Programa de Controle Mestre é impedido de assumir o controle do arsenal nuclear americano. Flynn se despede de Tron e Yori e retorna para o mundo real, onde consegue ter acesso às evidências da fraude de Dillinger, que é preso. Kevin Flynn, então, torna-se o novo vice-presidente da companhia.

Elenco Jeff Bridges... Kevin Flynn/CLU Bruce Boxleitner... Alan Bradley/TRON David Warner... Ed Dillinger/Sark/Master Control Program (voz) Cindy Morgan... Dr. Lora Baines/Yori Barnard Hughes... Dr. Walter Gibbs/Dumont Dan Shor... Ram Peter Jurasik... Crom

Produção Origem thumb|Conceito inicial de Tron, que primeiramente apareceu em peças publicitárias desenvolvidas pela Lisberger Studios Inc. A inspiração para Tron ocorreu em 1976, ano em que Steven Lisberger, então um animador com seu próprio estúdio de animação (o Lisberger Studios) olhou para um rolo de filme produzido pela Mathematical Applications Group, Inc. (abreviada como MAGI) usando a técnica de imagem gerada por computador, popularmente conhecida pelo acrônimo CGI, e ficou "terrivelmente impressionado com as capacidades do computador". Logo em seguida, Lisberger teve contato com Pong, um jogo eletrônico rudimentar que se passa em uma arena. Além desse ambiente artístico-tecnológico, Lisberger estava muito interessado na técnica conhecida como "backlight animation", um modo de conseguir linhas e contornos com brilhar difuso e pulsante, muito em voga na produção de logotipos. Com isso, Lisberger pediu a John Norton, um dos animadores de seu estúdio, para que desenhasse um personagem com linhas simples que seria, depois, iluminado através da técnica de backlight.

A partir do desenho de Norton, uma animação de em torno de cinco segundos foi produzida e, nela, o personagem de luz arremessava dois discos ou frisbees de luz que se colidiam e voltavam para ele, como um bumerangue. Lisberger, sendo um fã de Spartacus, passou a ver aquele intrigante personagem como sendo um "guerreiro eletrônico". Segundo o dono do estúdio: "Uma vez que ele era eletrônico, nós o apelidamos de 'Tron'". O personagem, que parecia ser feito de néon líquido de cor amarela-laranjada, fez parte da animação de por volta de 25 segundos que introduzia o logotipo da Lisberger Studios antes das animações comercializadas pela empresa. O estúdio veio a vender essa mesma animação para algumas estações de rádio, que a usavam em propagandas televisivas.

Em 1978, Lisberger mudou a sede de seu estúdio de Boston, Massachusetts, para Venice, Califórnia. Ele e sua equipe tinham dois importantes especiais de animação que deveriam, chamados Animalympics ser produzidos para as Olimpíadas de Inverno e de Verão que ocorreriam em 1980. Naquele ano de 1978, Lisberger entrou em contato com a escritora Bonnie MacBird e lhe pediu que roteirizasse um filme em que Tron seria um "herói de videogame". MacBird desenvolveu a personalidade dele e, logo em seguida, criou Kevin Flynn, que inicialmente seria um entregador de pizza com traços de TDAH que, graças a sua excessiva curiosidade e hiperatividade, seria acidentalmente transportado para o mundo virtual. Macbird criou Flynn com Robin Williams em mente para assumir o papel, tendo em vista que o personagem teria uma natureza mais cômica. MacBird escrevia com sugestões de Lisberger, que frequentemente fornecia desenhos de sua visão sobre o mundo dentro do computador. De acordo com a autora, enquanto ambos procuravam saber mais sobre computação, ela organizou uma viagem de pesquisa até Xerox PARC, onde encontraram o informático Alan Kay. Kay se tornou um consultor para o projeto, semanalmente encontrando-se com os animadores e MacBird para discuti-lo. Segundo ela, que viria a se casar com Kay graças ao trabalho que fizeram juntos, o personagem de Boxleitner, Alan Bradley, foi inspirado no informático. Bonnie Macbird também desenvolveu o personagem Bit, um código binário que seria um companheiro de Tron e que teria o sonho de se tornar um programa.

De acordo com a escritora, ela produziu cerca de vinte esboços de roteiro, sendo que a Walt Disney veio a comprar um de seus últimos, mais detalhados. O roteiro foi amplamente remodelado, com Lisberger lhe dando um tom "mais sério e semi-religioso" e "removendo a maioria dos elementos científicos". Um dos temas que foram deixados de lado foi o perigo da arrogância, em que seriam explorados os desejos de Bit em se tornar um programa e Tron um usuário. Nenhum dos diálogos escritos por ela se encontram no filme. Ela deixou o projeto devido a diferenças criativas que, com o passar do tempo, foram aparecendo entre ela e Lisberger. O papel inicial dela no projeto foi alvo de uma arbitragem pela união sindical Writers Guild of America, que acabou por creditá-la como co-criadora da história do longa-metragem.

Steven Lisberger e seu parceiro de negócios, Donald Kushner, haviam usado os lucros esperados da produção de Animalympics como garantia para emprestarem dinheiro que possibilitasse a eles começar a desenhar o esboço sequencial de Tron. Originalmente, o plano deles era fazer o longa como uma animação totalmente desenhada a mão. Contudo, segundo Bill Kroyer, Alan Kay convenceu Lisberger a usar CGI em sua produção. Já em 1979, Tron era o principal projeto da Lisberger Studios, que planejava lançá-lo de forma independente. O estúdio entrou em contato com diversas companhias de computador em busca de orçamento para o filme, mas com pouco sucesso. Uma exceção notável foi a empresa de tecnologia e CGI Information International, apelidada de Triple-I, cujo representante, Richard Taylor, se mostrou bem receptivo à ideia de um longa-metragem que conteria imagens geradas por computador. Taylor, que viria a se tornar supervisor de efeitos visuais de Tron, sugeriu que Lisberger usasse atores reais nas cena que se passam dentro da máquina e depois as colorisse usando a técninca de backlight animation.