Hilda de Almeida Prado Hilst, mais conhecida como Hilda Hilst, (Jaú, 21 de abril de 1930 – Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma escritora, poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira.

É considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Seu trabalho aborda temas como misticismo, insanidade, erotismo e libertação sexual feminina. Hilst foi fortemente influenciada por James Joyce e Samuel Beckett, e essa influência aparece em temas e técnicas recorrentes em seus trabalhos como o fluxo de consciência e realidade fraturada.Sadlier, Darlene J. “Hilda Hilst” in One Hundred Years after Tomorrow: Brazilian Women’s Fiction in the Twentieth Century. Indiana University Press, 1992, 146.Lezard, Nicholas. “With My Dog Eyes by Hilda Hilst Review – Not for the Faint-Hearted.” The Guardian, Guardian News and Media, 29 Apr. 2014,

Biografia Hilda de Almeida Prado Hilst foi a única filha do fazendeiro de café, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst, filho de Eduardo Hilst, imigrante originário da Alsácia-Lorena, e de Maria do Carmo Ferraz de Almeida Prado.Hilda Hilst: Poeta, Narradora, Dramaturga, por Anatol Rosenfeld. Sua mãe, Bedecilda Vaz Cardoso, que tivera um relacionamento anterior, era filha de imigrantes portugueses. Em 1932, seus pais se separaram. Em plena Revolução Constitucionalista, Bedecilda mudou-se de Jaú para Santos, com Hilda e Ruy Vaz Cardoso, filho do seu primeiro casamento. Em 1935, Apolônio foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide.

Em 1937, Hilda ingressou como aluna interna do Colégio Santa Marcelina, em São Paulo, onde cursou o primário e o ginasial, com desempenho considerado brilhante. Nesse ano, a mãe lhe revelou a doença de seu pai. Em 1945, iniciou o curso secundário no Instituto Presbiteriano Mackenzie, onde permaneceu até a conclusão do curso. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), onde conheceu aquela que seria sua grande amiga ao longo da vida, a escritora Lygia Fagundes Telles.

Seu primeiro livro Presságio, publicado em 1950, foi recebido com grande entusiasmo pelos poetas Jorge de Lima e Cecília Meireles. A partir de 1951, ano em que publicou seu segundo livro de poesia, Balada de Alzira, foi nomeada curadora do pai. Concluiu o curso de Direito em 1952. Depois da leitura do livro Carta a El Greco, do escritor grego Nikos Kazantzakis, Hilda decidiu afastar-se da vida agitada de São Paulo e, em 1964, passou a viver na sede da fazenda de sua mãe, próxima a Campinas, durante a construção da sua casa numa parte daquela propriedade. Em 1966, findos os trabalhos da construção, Hilda mudou-se para sua Casa do Sol, casa planejada detalhadamente pela autora para ser um espaço de inspiração e criação artística.Notícia biográfica de Hilda Hilst. Hilda Hilst viveu o resto de sua vida na Casa do Sol e nela hospedou diversos escritores e artistas por vários anos. Os escritores Bruno Tolentino e Caio Fernando Abreu foram hóspedes da Casa do Sol.

Carreira miniaturadaimagem|direita|Hilda em 1970 Hilda Hilst escreveu por quase cinquenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do Brasil. Em 1962, recebeu o Prêmio PEN Clube de São Paulo, por Sete Cantos do Poeta para o Anjo (Massao Ohno Editor, 1962). Em 1966, ao mudar-se para a Casa do Sol, passou a viver com o escultor Dante Casarini. Em setembro do mesmo ano, morreu seu pai. Dois anos depois, Hilda casou-se com Casarini (de quem se separou em 1980, embora continuassem a residir na mesma propriedade - Casa do Sol).

A escritora participou, a partir de 1982, do Programa Artista Residente, da UNICAMP. Assuntos tidos como socialmente controversos foram temas abordados pela autora em suas obras. No entanto, conforme a própria escritora confessou sua entrevista ao Cadernos de Literatura Brasileira (Instituto Moreira Salles),Cadernos de Literatura Brasileira (Instituto Moreira Salles, 1999) seu trabalho sempre buscou, essencialmente, retratar a difícil relação entre Deus e o homem. De acordo com Alcir Pécora, professor titular no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, que foi amigo próximo da escritora e editor da coleção que permitiu que ela rompesse as fronteiras locais, a literatura de Hilda Hilst reflete um grande interesse teológico de reflexão mística, original e criativa, explorando questões íntimas e existenciais sobre amor, dor, deus, morte, entre outros.

Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Editora Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

Muitos de seus livros se esgotaram devido a uma escassa distribuição. Porém, em 2001, a Editora Globo adquiriu os direitos de sua obra e, em dezembro daquele mesmo ano, passou a reeditar a Obra Completa da escritora.

Em 2018 a Editora Quelônio publicou Eu sou a Monstra: Hilda Hilst para crionças, inaugurando a presença da poética hilstiana no mercado de livros infantis. O livro traz o único texto de Hilda voltado para crianças: um poema escrito para presentear e homenagear Daniel Fuentes, filho do amigo Mora Fuentes e atual presidente do Instituto Hilda Hilst - IHH..

Acervo miniaturadaimagem|Interior da Casa do Sol em Campinas Parte de seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio (CEDAE), do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro.

O restante de seu acervo, notadamente sua biblioteca particular, encontra-se na Casa do Sol, sede do Instituto Hilda Hilst - IHH.

Morte miniaturadaimagem|Hilda em 1998 A escritora Hilda Hilst morreu na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2004, aos 73 anos, em Campinas (interior de São Paulo). Internada havia 35 dias no Hospital das Clínicas da Unicamp para a realização de uma cirurgia, após sofrer uma queda que causou uma fratura no fêmur, a escritora tinha deficiência crônica cardíaca e pulmonar, o que agravou seu quadro clínico. Hilda Hilst deu entrada no Hospital das Clínicas no dia primeiro de janeiro. A escritora teve falência múltipla de órgãos e sistemas.

Instituto Hilda Hilst Após seu falecimento, Mora Fuentes liderou a criação do Instituto Hilda Hilst. O IHH tem como primeira missão a manutenção da Casa do Sol, seu acervo e o espírito de ser um porto seguro para a criação intelectual.

Hilstianas Em 2025, foi criada a Feira Literária e Cultural Hilstianas, realizada na Casa do Sol, em Campinas (SP), sede do Instituto Hilda Hislt, para celebrar seu legado, incluindo vasta programação cultural, que inclui visitas guiadas, mesas de conversa, feira de livros, música, teatro e ocupação dos jardins, com foco em arte, literatura independente e convivência com escritores e artistas.

Obras Poesia Presságio - SP: Revista dos Tribunais, 1950. Balada de Alzira - SP: Edições Alarico, 1951. Balada do festival - RJ: Jornal de Letras, 1955. Roteiro do Silêncio - SP: Anhambi, 1959. Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959. SP: Massao Ohno, 1961. Ode Fragmentária - SP: Anhambi, 1961. Sete cantos do poeta para o anjo - SP: Massao Ohno, 1962. (Prêmio PEN Clube de São Paulo) Poesia (1959/1967) - SP: Editora Sal, 1967. Amado Hilst- SP: Editora Sal, 1969. Júbilo, memória, noviciado da paixão - SP: Massao Ohno, 1974. Poesia (1959/1979) - SP: Quíron/INL, 1980. Da Morte. Odes mínimas - SP: Massao Ohno, Roswitha Kempf, 1980. Da Morte. Odes mínimas - SP: Nankin/Montréal: Noroît, 1998. (Edição bilíngüe, francês-português.) Cantares de perda e predileção - SP: Massao Ohno/Lídia Pires e Albuquerque Editores, 1980. (Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro. Prêmio Cassiano Ricardo/Clube de Poesia de São Paulo.) Poemas malditos, gozosos e devotos - SP: Massao Ohno/Ismael Guarnelli Editores, 1984. Sobre a tua grande face - SP: Massao Ohno, 1986. Alcoólicas - SP: Maison de vins, 1990. Amavisse - SP: Massao Ohno, 1989. Bufólicas - SP: Massao Ohno, 1992. Do Desejo - Campinas, Pontes Editores, 1992. Del desig. Trad. ao catalão de Josep Domènech Ponsatí e Joana Castells Savall. Prólogo de Helena González Fernández. Vilanova i la Geltrú: Prometeu, 2017. Cantares do Sem Nome e de Partidas - SP: Massao Ohno, 1995. Do Amor - SP: Massao Ohno, 1999. Eu sou a Monstra: Hilda Hilst para crionças - SP: Editora Quelônio, 2018.

Ficção Fluxo-Floema - SP: Perspectiva, 1970. Qadós - SP: Edart, 1973. Ficções - SP: Quíron, 1977. (Prêmio APCA/ Associação Paulista dos Críticos de Arte. Melhor livro do ano.) Tu não te moves de ti - SP: Cultura, 1980. A obscena senhora D - SP: Massao Ohno, 1982. Com meus olhos de cão e outras novelas - SP: Brasiliense, 1986. O Caderno Rosa de Lori Lamby - SP: Massao Ohno, 1990. Contos D'Escárnio / Textos Grotescos - SP: Siciliano, 1990. Cartas de um sedutor - SP: Paulicéia, 1991. "Rútilo Nada" - Campinas: Pontes Editores, 1993. (Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro.) Estar Sendo/ Ter Sido - SP: Nankin, 1997. Cascos e Carícias - crônicas reunidas (1992-1995) - SP: Nankin, 1998.

Teatro A Possessa - 1967. O rato no muro - 1967. O visitante - 1968. Auto da Barca de Camiri - 1968. O novo sistema - 1968. Aves da Noite - 1968. O verdugo - 1969 (Prêmio Anchieta) A morte de patriarca - 1969

Traduções Para o alemão: Briefe Eines Verführers. Trad. Mechthild Blumberg. Bremen, 2000. Para o francês: « Agda » (fragment). In: Brasileiras: voix, écrits du Brésil. Org. de Clelia Pisa e Maryvonne Lapouge Petorelli. Paris, Des Femmes, 1977, p. 5-14e 341-358. Contes Sarcastiques - Fragments érotiques. Trad. de Maryvonne Lapouge-Petorelli. Paris, Gallimard, 1994. L’obscène madame D suivi de Le Chien. Trad. de Maryvonne Lapouge-Petorelli. Paris, Gallimard, Coll. Arpenteur, 1997. Sur ta grande face. Trad. de Michel Riaudel. In: Pleine Marge: cahiers de littérature, d’arts plastiques & de critique. Paris, Éditions Peeters-France, 1997, p. 29-51. Cinq poèmes d’Hilda Hilst. In: Anthologie de la poésie brésilienne. Edição bilíngue. Prefácio e seleção de Renata Pallottini; Trad. de Isabel Meyrelles. Paris, Ed. Chandeigne, 1998, p. 373-381. Da morte. Odes mínimas. De la mort. Odes minimes. Edição bilíngue. Trad. de Álvaro Faleiros. São Paulo, Nankin Editorial; Montréal: Ed. Noroît, 1998. Contes Sarcastiques - Fragments érotiques. Trad. de Maryvonne Lapouge-Petorelli. Paris, Le Serpent à Plumes, 1999. De l'amour précédé de Poèmes maudits, jouissifs et dévots. Trad. Catherine Dumas. Paris, Caractères, Coll. Planètes, 2005. Rutilant Néant - Et autres fictions. Trad. Ilda Mendes Dos Santos. Paris, Caractères, Coll. Ailleurs-là-bas, 2005. L'âme de retour (crônica). Trad. Michel Riaudel. in EUROPE - Littérature du Brésil. Paris, La Source, Nov-Déc. 2005. n 919-920. pp. 167–170. Para o catalão: Del desig. Tradução de Josep Domènech Ponsatí e Ada Castells Savall. Prólogo de Helena González. Vilanova i la Geltrú: Prometeu, 2017. Edição bilingue. Para o espanhol: La obscena señora D. Tradução de Teresa Arijón e Bárbara Belloc. Buenos Aires: Cuenco de Plata, 2014. Cartas de un seductor. Tradução de Teresa Arijón e Bárbara Belloc. Buenos Aires: Cuenco de Plata, 2014. Para o inglês: The Obscene Madame D." Trans. Nathanaël and Rachel Gontijo Araujo. Nightboat, NY, and A Bolha, Rio de Janeiro. USA. 2012 Letters from a Seducer. Trans. John Keene. Nightboat, NY, and A Bolha, Rio de Janeiro. USA. 2014 With My Dog Eyes. Trans. Adam Morris. Melville House, NY. 2014. Of Death. Minimal odes. Trans. Laura Cesarco Eglin. Illinois, USA, co.impress.com, 2018. Para o italiano: Il quaderno rosa di Lori Lamby. Trad. Adelina Aletti. Milano: Sonzogno, 1992.

Premiações Em 1969, a peça O Verdugo arrebatou o Prêmio Anchieta, um dos mais importantes do país na época.