An American Tail é um filme de animação norte-americano lançado em 1986 do gênero musical e aventura dirigido por Don Bluth. O longa foi produzido pela Sullivan Bluth Studios e pela Amblin Entertainment e foi distribuído pela Universal Pictures.
O filme conta a história de um ratinho russo chamado Fievel, que é de uma família judia. Eles decidem emigrar para os Estados Unidos após sobreviverem a um ataque de gatos e sua casa ser destruída por um incêndio. Entretanto, durante a viagem de navio para Nova York, Fievel é acidentalmente jogado no mar e acaba separado de sua família. Após milagrosamente chegar nos Estados Unidos dentro de uma garrafa, o pequeno ratinho inicia sua busca pelos pais.
O filme também marca por ser a primeira participação do cineasta Steven Spielberg em uma animação (sendo produtor executivo do filme). Foi lançado nos cinemas norte-americanos em 21 de novembro de 1986, sendo aclamado pelas críticas além de ter sido um grande sucesso de bilheteria, sendo, inclusive, a maior bilheteria de uma animação não produzida pela Disney até então.
Enredo
Na Rússia do Século XIX (mais precisamente em 1885) os Mousekewitzes (que é uma família de ratos judeus) vivem na modesta cidade de Shostka, dentro de uma casa onde também residem uma família de humanos chamada Moskowitz. Durante a celebração do Hanucá, o pai da família dos ratos Papa Mousekewitz dá o seu chapéu para seu filho, o simpático ratinho Fievel, e conta a história de um lugar maravilhoso chamado América, onde, segundo a sua crença, não há gatos. A celebração é interrompida quando uma bateria de cossacos passa pela aldeia onde residem e incendeiam sua casa, destruindo-a por completo. Os pobres ratos também enfrentam um ataque de gatos famintos, conseguindo escapar ilesos. Sem ter pra onde ir, os Mousekewitzes decidem se mudar para a América, onde creem fortemente que estarão livres dos felinos.
Em Hamburgo, na Alemanha, os Mousekewitzes embarcam num navio com destino a Nova York. A travessia através do Atlântico Norte é longa e se mostra bastante perigosa quando a embarcação enfrenta uma forte tempestade que faz com que Fievel seja acidentalmente jogado ao mar. Pensando que Fievel está morto, os Mousekewitzes continuam sua viagem a América como planejado, embora deprimidos pela perda do pequeno rato.
Fievel, no entanto, acaba sobrevivendo e flutua pelo mar dentro de uma garrafa e acaba chegando a Nova York. Ao chegar, o pequeno rato faz amizade com um pombo francês chamado Henri e então começa sua busca para encontrar sua família. Após ser enganado pelo vigarista Warren T. Rato, que leva Fievel para uma fábrica de tecidos para trabalhar como escravo, ele conhece Tony Toponi, um rato italiano que também é um dos escravos prisioneiros. Os dois decidem fugir a noite da fábrica. Salvos e livres, os dois novos amigos caminham pelos becos da pequena vila de ratos imigrantes de diversos lugares do mundo e acabam por conhecer Bridget, uma ratinha de origem irlandesa que cobra das "autoridades dos roedores" uma segurança maior contra os gatos. Depois da vila sofrer um ataque feroz de gatos, Fievel aprende que a América também possui gatos (ao contrário das histórias que antes ouvia de seu pai).
Bridget leva Fievel e Tony para ver Honest John (no Brasil: João Honesto), um político bêbado, mas de confiança que conhece todos os ratos eleitores que votam ativamente em Nova York para ver se o desastrado político conhece os Mousekewitzes e, assim, levar Fievel de volta a sua família. Todavia, como os Mousekewitzes ainda não foram registrados para votar, Honest John diz não conhecê-los e não pode ajudar Fievel a encontrá-los. Enquanto isso, a irmã mais velha de Fievel, Tanya, diz a seus pais que ela tem a sensação sombria de que Fievel ainda está vivo, porém tanto seu pai quanto a sua mãe preferem se conformar com o possível fato de que seu filho está morto e que nunca mais irão vê-lo novamente.
Liderados pela rica e poderosa rata Gussie Mausheimer, os roedores realizam uma reunião em uma praça pública para decidir o que fazer com os gatos. Warren T. Rato está cobrando dos ratos uma quantia em dinheiro sob a garantia de proteção a todos a qual ele nunca fornece. Ninguém tem qualquer ideia do que fazer sobre isso, até Fievel sugerir um plano para Gussie. Apesar dos Mousekewitzes também participarem da reunião, eles estão bem na parte de trás da platéia e são incapazes de ver que Fievel também está no palco com Gussie.
Os ratos, então, invadem um museu abandonado no Chelsea Piers e começam a esquematizar um projeto contra os gatos. No dia da execução do plano, Fievel acaba se perdendo e se depara com o esconderijo de Warren. Ele descobre que Warren é, na verdade, um gato disfarçado e que é líder de uma gangue felina chamada Maulers. Fievel acaba sendo descoberto pelos felinos e é capturado e preso dentro de uma gaiola, mas é logo solto por um membro relutante do bando, um gato pateta, de coração mole chamado Tiger, que se torna amigo de Fievel.
Fievel corre de volta para o cais com os Maulers correndo atrás dele quando Gussie ordena os ratos a executar o tal plano: um enorme rato mecânico (inspirado numa história que o Pai de Fievel contava para ele, O Rato Gigante de Minsk) que atira fogos de artifício persegue os gatos em direção ao cais e a plataforma onde um navio com destino a Hong Kong se prepara para inciar sua viagem. Durante o recolher da âncora, o navio acaba por levar também os gatos que se prenderam nela. Com os gatos longe dali, já no navio em alto mar, os ratos comemoram a vitória. No entanto, o gigantesco rato mecânico acaba causando um incêndio devastador no cais. Os bombeiros humanos chegam para combater o fogo e, durante isso, vários ratos são levados pela água das mangueiras dos bombeiros, inclusive Fievel.
Com isso, Fievel é levado pela água até um abrigo de ratos órfãos e cai em desespero quando o grupo de roedores daquele lugar convence Fievel de que ele jamais irá ver seus pais e que ele deve aceitar esse provável fato. Papa Mousekewitz ouve Bridget e Tony chamando Fievel em meio a confusão do incêndio, mas tem certeza de que pode haver um outro "Fievel" em meio ao fogo, até Mama Mousekewitz encontrar o seu chapéu. O ex-integrante dos Maulers Tiger lhes oferece uma carona e os ratos montam em seu pescoço em prol de um último esforço para encontrar Fievel. Os Mousekewitzs, enfim, se encontram com Fievel novamente. O filme termina com o pombo Henri levando todos para ver a recém inaugurada Estátua da Liberdade, dando início a uma nova vida para os Mouskewitzes nos Estados Unidos.
Produção Desenvolvimento thumb|left|180px|O Animador Don Bluth (2006) thumb|right|140px|Steven Spielberg (2013) A animação começou a ser produzida em Dezembro de 1984 com a colaboração de Steven Spielberg, Don Bluth e a Universal Pictures, sendo baseada em um história criada por David Kirschner. Spielberg pediu a Bluth que ele fizesse "uma coisa tão bonita quanto The Secret of NIMH". Em uma entrevista em 1985, Spielberg descreveu o seu papel na produção como "o primeiro na área de história, na qual consistiu em inventar incidentes para o script [...]"
O filme foi a primeira participação de Spielberg na área da animação. Apesar de, na época, já ter se consolidado e ganhado certa experiência no cinema com grandes clássicos como E.T. the Extra-Terrestrial e Back to the Future, Spielberg levou algum tempo para aprender que a adição de uma simples cena de dois minutos em uma animação levaria meses de trabalho para dezenas de pessoas da produção. Em 1985, ele declarou: "estou maravilhado com a animação, mas eu ainda não consigo acreditar que tudo é tão complicado."http://www.cataroo.com/DBtail.html Don Bluth - An American Tail
Roteiro Originalmente, a trama do filme deveria consistir apenas em personagens animais (como por exemplo no filme Robin Hood), mas Bluth sugeriu que os ratos de An American Tail deveriam co-existir juntamente com personagens humanos, mostrando como exemplo The Rescuers da Disney a Spielberg, que logo concordou com a ideia.
Judy Freudberg e Tony Geiss (ambos vencedores do prêmio Emmy) foram escolhidos para expandir o roteiro. Quando o script ficou pronto, havia um problema: a história havia ficado extremamente longa. Com isso foram feitas várias mudanças e edições antes do lançamento do filme. Bluth se sentiu desconfortável com o nome do personagem principal, pensando que "Fievel" era um nome muito estranho de se ouvir, ficando preocupado com o público não gostar dele. Spielberg discordou. O personagem foi nomeado como uma homenagem ao avô materno de Spielberg, Philip Posner, (nome adaptado para o idioma iídiche Fievel). Steven Spielberg também cortou uma cena onde as ondas do mar se pareciam muito com monstros (quando Fievel cai do navio), sob a justificativa de que isso poderia assustar as crianças.
Na dublagem brasileira, Amanda Moraes (filha do músico Durval Ferreira) e Nana Vaz de Castro (filha da guitarrista Célia Vaz) foram selecionadas para dublar Fievel e sua irmã Tanya, respectivamente. Regina Werneck adaptou os textos e as canções do filme, que foram traduzidos por Rocha Spiegel. Moraes ganhou CZ$ 500 por hora de gravação.
Animação Bluth preferiu fazer o storyboard utilizando imagens inteiras, mas isso logo provou ser uma tarefa enorme. Larry Leker foi trazido para ajudar nesse processo, transformando esboços de Bluth em painéis finais do storyboard. Bluth então mostrou os resultados para Spielberg, explicando todo o trabalho detalhadamente. Steven ficou tão satisfeito com o storyboard que uma grande equipe de animadores foi trazida de diversas partes do mundo, principalmente da Irlanda, para finalizar o trabalho. Ainda foi discutido uma possível mudança da produção dos Estados Unidos para a Irlanda, mas Spielberg rejeitou a ideia sob o argumento de que Um Conto Americano produzido no exterior seria um tanto estranho.http://www.cataroo.com/DBtail.html An American Tail by John Bluth
A xerografia foi bastante utilizada no filme, o que ajudou muito na produtividade do longa. Os produtores poderiam gravar uma ação e em seguida, imprimir pequenas imagens térmicas em preto e branco da fita para usar como referência para ambos os personagens humanos e animais, um método de taquigrafia semelhante ao da rotoscopia técnica utilizado desde os primeiros dias de animação, em que sequências são filmadas em live action e traçadas manualmente para a animação. Eles também utilizaram o processo de construção de modelos para fotografá-los (usado na cena do navio no mar e no "Rato gigante de Minsk"),http://www.cataroo.com/DBtail.html An American Tail - Don Bluth uma técnica também muito utilizada em diversos filmes da Disney.
Dificuldades na produção Durante a produção, os responsáveis pela trilha sonora do filme terminaram o projeto com atraso, chegando até mesmo a ameaçar o lançamento do longa. Por conta disso, várias cenas precisaram ser excluídas para economizar tempo e dinheiro e novas cenas curtas precisaram ser criadas o mais rápido possível para ajudar a ligar os pontos da história que foram perdidos nos cortes, às vezes fazendo a linha da história do filme parecer confusa. Cortes notáveis incluem a viagem dos Mousekewitzes pela Europa até Hamburgo, uma outra cena em que eles conhecem Tiger/Tigre quando ele fica preso em uma árvore, além do corte de uma música alegre que seria cantada por Fievel.http://www.cataroo.com/DBtail.html Cawley, John (Outubro de 1991). "An American Tail"