(The Greatest Show on Earth: The Evidence for Evolution) é um livro do biólogo, etólogo evolutivo, professor e autor britânico Richard Dawkins. Lançado em setembro de 2009 no qual são expostas as evidências da evolução biológica. Foi o décimo livro de Dawkins, continuando o sucesso de The God Delusion (Deus, um delírio-2006) e The Ancestor's Tale (A Grande História da Evolução-2004). A sua série de documentários recentes The Genius of Charles Darwin (O Gênio de Charles Darwin) cobre alguns dos temas do livro.
Foi publicado nos Estados Unidos pela Free Press e no Reino Unido e países da Commonwealth pela Transworld. Também está previsto o lançamento de um áudio-livro, lido por Dawkins e por sua esposa Lalla Ward.Ver página da Amazon The Greatest Show on Earth: The Evidence for Evolution: Richard Dawkins, Lalla Ward
Serviu de inspiração para o título da faixa The Greatest Show on Earth, do álbum Endless Forms Most Beautiful da banda finlandesa de metal sinfônico Nightwish, que conta com a participação de Dawkins.
Capítulos O livro é composto por treze capítulos, além do prefácio, um apêndice sobre Negacionismo, notas, uma bibliografia com leituras adicionais e índice remissivo. No miolo há 32 páginas com ilustrações coloridas de alta qualidade que são mencionadas ao longo do texto.
Prefácio O livro é um resumo pessoal de Dawkins das evidências de que a “teoria” da evolução é um fato incontestável como qualquer outro da ciência. No livro O Gene Egoísta, Dawkins explicou como a evolução ocorreu a partir de um ponto de vista genético, numa visão incomum da bem conhecida teoria da seleção natural. Estudou a fundo os nossos ancestrais mais primitivos, descrevendo o trajeto percorrido pela história da vida no livro A grande história da evolução. Porém, não havia produzido nada onde se discutia as evidências da evolução, até produzir o livro “O maior espetáculo da terra: evidências da evolução”. Título esse inspirado por um simpatizante anônimo que o mandou uma camiseta com essa frase inspiradora: “Evolução: única na vida. O maior espetáculo da Terra”. O autor recebeu ajuda de diversas pessoas. Em três ocasiões, durante etapas finais do texto, novas informações foram relatadas em publicações científicas que, com esforço editorial, foram inseridas ao texto. O livro só foi concluído quando o autor já estava aposentado.Dawkins, 2009, p.9-11
Apenas uma teoria? O livro se inicia mostrando que a evolução já é um fato incontestável na ciência e que a frase "apenas uma teoria" é uma falácia. O objetivo de Dawkins é explicar que a evolução é de fato uma teoria mas que teoria no mundo científico tem um significado diferente do usado de maneira popular. Através de histórias pessoais, conceitos e evidências, demonstra o que vai ser explicitado no livro ao longo dos capítulos e como a evolução está dentro, em volta e entre todos. E toda a sua história se descobre ao estudar as eras passadas e sua evidências atuais. Além disso Dawkins afirma que existe uma grande descrença na evolução por diversos motivos, incluindo a maneira que ela é ensinada e discutida nas escolas.Dawkins, 2009, p.13-27
No início do capítulo, Dawkins exemplifica as dificuldades e desafios na exposição de descobertas científicas, feitas seguindo a metodologia, sendo elas frequentemente contestadas por opiniões não científicas. Ele afirma que as evidências da evolução são indubitavelmente verdadeiras, tanto quanto as comprovações históricas da existência do Império Romano. Neste capítulo ele compara as pessoas que não acreditam nas evidências da evolução com os negadores da história. O autor discute o que é teoria, e em seguida discute como o termo teoria é utilizado fora do campo científico na linguagem cotidiana.
Fica explícito no capítulo que o intuito do livro é trazer à tona os impactos e a importância científica de trabalhos como os de Darwin e de diversos outros pesquisadores na construção e manutenção da teoria da evolução. O capítulo conclui que a evolução não é apenas uma teoria, mas sim uma teoria cientificamente comprovada.
O cão, a vaca e a couve alt=Imagem com fundo branco na frente uma couva-em-flor em foco|miniaturadaimagem|210x210px|A couve-flor foi obtida pela seleção artificial de espécies de Brassica oleracea O segundo capítulo inicia-se com uma pergunta intrigante, “Por que demorou tanto para aparecer um Darwin?”. Dawkins em concordância com Ernst Mayr, diz que o fator principal da demora se deu pela existência do Essencialismo tão impregnado na sociedade. miniaturadaimagem|212x212px|A raça belgian blue foi selecionada para a produção de carne
Para Platão, a realidade que vemos são formas imperfeitas dos objetos, pois neles há variações do que é considerado ideal. Isso é uma ideia muito frequente no Cristianismo em que há um mundo ideal criado por Deus, onde as coisas são imutáveis e se há variações são consideradas como impuras ou imperfeitas. Darwin, ao trazer a ideia da seleção natural, fez com que houvesse uma revolução ao que se conhecia sobre a diversidade dos seres vivos. O que acontece de fato, é que as espécies mudam gradualmente, de forma sutil, ao longo do tempo, e transmitem essas novas alterações às gerações posteriores.Dawkins, 2009, p.28-49 Neste capítulo, o autor demonstra a interferência do homem na manipulação de características almejadas em plantas e animais de acordo com seus interesses. O título deste capítulo trata dos vários exemplos que o autor utiliza para corroborar a seleção natural como um dos mecanismos por meio do qual a evolução ocorre, valendo-se da exemplificação com seleção artificial. Através da comparação entre espécies, de como uma espécie pode modificar-se ao longo de milhares de gerações e propondo um experimento mental, ele nos leva a fazer um caminho de volta na linha do tempo, chegando ao ponto em que duas espécies distintas colocam-se lado a lado na linha do tempo evolutivo, compartilhando ali um ancestral comum, o qual ele denomina de curva de 180° graus.Dawkins, 2009, p.13-27
O autor ao falar de “como esculpir um reservatório gênico”, mostra como a domesticação faz com que espécies de diferentes reinos sejam moldadas para a sua melhor utilização pelo homem e que Darwin já havia observado isto mesmo sem o conhecimento de genética. Dawkins cita o “neodarwinismo” afirmando não na modelagem do ser e sim na ideia do reservatório gênico e que cada animal que vemos é uma amostra desse reservatório, do seu tempo.
Sedução para apresentar a macroevolução No terceiro capítulo, Dawkins trata de desenvolver ideias e conceitos a respeito de: seleção artificial, seleção sexual e seleção natural. Curiosamente, ainda traz um trecho de uma carta de Alfred Russel Wallace para Darwin (mencionando ainda um autor francês) sugerindo que a expressão “Seleção Natural” não fosse tão eficaz, e a expressão “Sobrevivência dos Mais Aptos” fosse mais condizente. O autor se refere a escolha de flores pelos insetos, mamíferos e aves, que possuíssem características que os agradassem em analogia à seleção artificial dos cães domesticados, ainda que os benefícios para ambas as partes sejam de naturezas distintas nos dois casos. alt=Imagem do perfil do rosto de um pavão macho apresentando cores vibrantes como o azul e o verde|miniaturadaimagem|226x226px|Pavão macho, ave que exibe cores extravagantes para a seleção sexual. Retirada do acervo da wikipédia Explicando os termos seleção artificial; seleção sexual e seleção natural, Dawkins exemplifica respectivamente como o caso dos humanos que podem manipular as espigas de milho deixando-as maior; o caso das pavoas que preferem os machos mais vistosos e assim a descendência torna-se mais bonita e o caso dos peixes pescadores, que parte de seu corpo parece ser de outro peixe que um terceiro preda. Um outro exemplo é o de algumas plantas, onde a seleção ocorre junto com seus polinizadores, a seleção convergente, na qual os indivíduos se especializam em uma determinada espécie sendo este o único capaz de polinizá-la.
Relógios Para saber ao certo quando as coisas aconteceram, dependemos de vestígios deixados por processos que, por sua vez, dependem do tempo- relógios, em um sentido abrangente. Em analogia, uma das primeiras coisas que um detetive faz ao investigar um assassinato é pedir a um médico ou patologista estimativas da hora em que ocorreu a morte. A partir dessas informações o detetive pode deduzir muitas coisa, e nas histórias de detetive a estimativa do patologista recebe uma reverência quase mística. A " hora da morte" é um fato básico, um eixo infalível em torno do qual giram as especulações mais ou menos plausíveis do detetive. No entanto, toda estimativa é passível de erros e os estes podem ser mensurados. Um patologista pode estimar a hora da morte através de vários processos dependentes do tempo. Os relógios disponíveis aos cientistas evolucionários são mais acurados em relação à escala de tempo envolvida, é claro, e não mais acurados em termos absolutos.Dawkins, 2009, p.87-108
Este capítulo ressalta a importância do entendimento do tempo nas diversas áreas da ciência. Ele traz o tempo como um fator que não pode ser ignorado na equação da vida. Para isso, ele cita a métrica do tempo usando as informações disponíveis na natureza. A evolução pode ser evidenciada por relógios naturais encontrados em seres vivos ou em rochas, que estimam o tempo que o evento ocorreu, seu tempo de vida e, como consequência, permite estimar a idade da Terra e a sequência da evolução dos seres vivos em diferentes escalas de tempos geológicos.Dawkins, 2009, p.87-108
Anéis de árvores miniaturadaimagem|263x263px|Anéis de crescimento|alt=Imagem de fundo branco mostrando um corte de arvore horizontal mostrando seus anéis periféricos e centrais Mantendo o assunto do capitulo anterior Dawkins desenvolve que para sabermos o que aconteceu no passado podemos usar um relógio de anéis de árvore para datar um pedaço de madeira. Os anéis retratam o crescimento diferencial nas diversas estações do ano — inverno ou verão, estação seca ou estação chuvosa — e são especialmente pronunciados nas grandes latitudes, onde as estações são bem marcadas. Mas se quisermos saber exatamente a data de um pedaço de madeira antigo, morto há muito tempo, temos de ser mais sutis: não apenas contar os anéis, mas analisar o padrão de anéis grossos e finos.
Assim como a existência de anéis indica os ciclos sazonais de crescimento intenso e fraco, também existem anos melhores e anos piores, pois as manifestações climáticas variam de ano para ano; ocorrem secas que retardam o crescimento e anos excelentes que o aceleram; alguns anos são frios, outros quentes, e há, inclusive, anos com fenômenos erraticamente cíclicos como o El-Nino. Os anos bons, do ponto de vista da árvore, produzem um padrão de anéis mais largos e estreitos em uma dada região, causado por uma sequência específica de bons e maus anos que se tornam uma marca registrada, é suficientemente característico —uma impressão digital que rotula os anos exatos em que os anéis se formaram — para ser reconhecível de uma árvore para outra.Dawkins, 2009, p.90-93
Como, montar uma série de referências de anéis para tempos antigos? A resposta seria pelas coincidências. Para usar o princípio de coincidências em dendrocronologia usamos os padrões característicos de referência cuja data é conhecida pela análise de árvores modernas. Em seguida, identificamos um padrão característico nos anéis antigos das árvores modernas e procuramos essa mesma "impressão digital" nos anéis mais jovens de árvores mortas há muito tempo. Depois é observado as impressões digitais nos anéis mais velhos e assim por diante. Na prática, a dendrocronologia nos permite voltar ao passado por cerca de 11500 anos.Dawkins, 2009, p.90-93
Relógios radioativos