A Invasão do Kuwait, também conhecida como a Guerra Iraque-Kuwait, foi um grande conflito entre a República do Iraque e o Estado do Kuwait, o que resultou em sete meses de uma longa ocupação do Kuwait pelo Iraque, que posteriormente levou à intervenção militar direta por forças lideradas pelos Estados Unidos na Guerra do Golfo.
Em 1990, o Iraque acusou o Kuwait de roubar petróleo iraquiano por perfuração inclinada, embora algumas fontes iraquianas indicavam que a decisão de Saddam Hussein de atacar o Kuwait foi feita poucos meses antes da invasão real, sugerindo que o regime estava sob severos sentimentos de pressão em tempo. Alguns sentiam que havia várias razões para o movimento do Iraque, incluindo a incapacidade iraquiana de pagar mais de US$ 80 bilhões, que haviam sido emprestados para financiar a Guerra Irã-Iraque e a superprodução de petróleo do Kuwait, que manteve os rendimentos abaixo para o Iraque. A invasão começou em 2 de agosto de 1990, e após dois dias de intenso combate, a maior parte das Forças Armadas do Kuwait foi saturada pela Guarda Republicana Iraquiana, ou escapou para a vizinha Arábia Saudita e o Barém. O estado do Kuwait foi anexado, e Saddam Hussein anunciou em poucos dias que este era a 19ª província do Iraque.
Causas Disputa sobre a dívida financeira Quando a Guerra Irã-Iraque eclodiu, o Kuwait inicialmente permaneceu neutro e também tentou mediar entre o Irã e o Iraque. Em 1982, o Kuwait, juntamente com as outras Monarquias do Golfo Pérsico, apoiou o Iraque para conter o governo revolucionário iraniano. Em 1982-1983, o Kuwait começou a enviar empréstimos financeiros significativos ao Iraque. A assistência econômica em larga escala do Kuwait ao Iraque muitas vezes desencadeou ações iranianas hostis contra o país. O Irã repetidamente alvejou navios petroleiros kuwaitianos em 1984 e disparou misseis contra o pessoal de segurança kuwaitiano estacionado na ilha de Bubiyan em 1988."Iran reportedly fires on Kuwaiti island", Lakeland Ledger, 30 de março de 1988. Durante a Guerra Irã-Iraque, o Kuwait funcionou como o principal porto do Iraque, uma vez que Baçorá foi fechada pelos combates. No entanto, após o fim da guerra, as relações amistosas entre os dois países árabes vizinhos azedaram por várias razões econômicas e diplomáticas que culminaram na invasão iraquiana do Kuwait.
No momento em que a Guerra Irã-Iraque terminou, o Iraque não estava em posição financeira para pagar os US$ 14 bilhões que tomou emprestado do Kuwait para financiar sua guerra e pediu para que o país perdoasse a dívida. O Iraque argumentou que a guerra impediu a ascensão da hegemonia iraniana no Kuwait. No entanto, a relutância do Kuwait em perdoar a dívida prejudicou a relação entre os dois países. No final de 1989, várias reuniões oficiais foram realizadas entre os líderes kuwaitianos e iraquianos, mas foram incapazes romper o impasse entre ambos.
Alegada guerra econômica e perfuração inclinada Em 1988, o Ministro do Petróleo do Iraque, Issam al-Chalabi, enfatizou uma redução adicional na cota de produção de petróleo bruto dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para acabar com o excesso de petróleo da década de 1980."Iraq strains OPEC consensus", New Straits Times, 8 de outubro de 1988 Chalabi argumentou que os preços mais altos do petróleo ajudariam o Iraque a aumentar suas receitas e pagar sua dívida de US$ 60 bilhões. No entanto, dada a sua grande indústria petrolífera downstream, o Kuwait estava menos preocupado com os preços do petróleo bruto e, em 1989, solicitou à OPEP que aumentasse o teto total de produção de petróleo do país em 50% para 1,35 milhão de barris (215 000 m3) por dia."OPEC pressures Kuwait to moderate quota demand", New Straits Times, 7 de Junho de 1989 Durante grande parte da década de 1980, a produção petrolífera kuwaitiana estava consideravelmente acima de sua cota obrigatória da OPEP e isso impediu um novo aumento nos preços do petróleo bruto. A falta de consenso entre os membros da OPEP prejudicou os esforços do Iraque para acabar com o excesso de petróleo e, consequentemente, impediu a recuperação de sua economia paralisada pela guerra. De acordo com o ex-chanceler iraquiano Tariq Aziz, "cada queda de US$ 1 no preço do barril de petróleo causou uma queda de US$ 1 bilhão nas receitas anuais do Iraque, desencadeando uma aguda crise financeira em Bagdá". O Iraque interpretou a recusa do Kuwait em diminuir sua produção de petróleo como um ato de agressão.
As relações cada vez mais tensas entre o Iraque e o Kuwait foram agravadas ainda mais quando o Iraque alegou que o Kuwait estava fazendo uma perfuração inclinada através da fronteira para o campo de petróleo de Rumaila, no Iraque. A disputa sobre o campo de Rumaila começou em 1960 quando uma declaração da Liga Árabe marcou a fronteira Iraque-Kuwait 3 quilômetros (2 milhas) ao norte da ponta mais ao sul do campo de Rumaila. Durante a Guerra Irã-Iraque, as operações de perfuração de petróleo iraquianas em Rumaila diminuíram enquanto as operações do Kuwait aumentaram. Em 1989, o Iraque acusou o Kuwait de usar "técnicas avançadas de perfuração" para explorar petróleo de sua parte no campo de Rumaila. O Iraque estimou que US$ 2,4 bilhões em petróleo iraquiano foram "roubados" pelo Kuwait e exigiu compensação. De acordo com os trabalhadores petroleiros na área, a alegação de perfuração inclinada do Iraque foi fabricada, pois "o petróleo flui facilmente do campo de Rumaila sem qualquer necessidade dessas técnicas".
Em 26 de julho de 1990, apenas alguns dias antes da invasão iraquiana, funcionários da OPEP disseram que o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos haviam concordado com uma proposta para limitar sua produção de petróleo a 1,5 milhão de barris (240 000 m3) por dia, "abaixo dos quase 2 milhões de barris por dia que cada um estava bombeando", potencialmente resolvendo as diferenças sobre a política petrolífera entre Kuwait e Iraque.
Reivindicações hegemônicas iraquianas O governo iraquiano, ecoando reivindicações feitas por nacionalistas iraquianos durante anos, justificou a invasão alegando que o Kuwait sempre foi parte integrante do Iraque e só se tornou uma nação independente devido à interferência do governo britânico. Depois de assinar a Convenção Anglo-Otomana de 1913, o governo britânico planejava dividir o Kuwait dos territórios otomanos em um xarifado separado, mas esse acordo nunca foi ratificado. O governo iraquiano também argumentou que o Emir do Kuwait era uma figura altamente impopular entre a população kuwaitiana. Ao derrubar o Emir, o Iraque alegou que concedeu ao Kuwait maior liberdade econômica e política.R. Stephen Humphreys, Between Memory and Desire: The Middle East in a Troubled Age, University of California Press, 1999, p. 105.
O Kuwait estava vagamente sob a autoridade do vilaiete de Baçorá do Império Otomano e, embora sua dinastia governante, a família Al Sabah, havia concluído um acordo de protetorado em 1899 que atribuía a responsabilidade por seus negócios estrangeiros à Grã-Bretanha, não fez nenhuma tentativa de se separar do Império Otomano. Por esta razão, suas fronteiras com o resto da província de Baçorá nunca foram claramente definidas ou mutuamente acordadas.
Invasão Em 1 de agosto, após vários meses de ameaças e divergências, foi realizada uma cúpula na cidade de Gidá, na Arábia Saudita, onde a diplomacia de ambos os países tentou chegar a um acordo que resolvesse todas as reivindicações. O Iraque, para pressionar, possuía um contingente militar de quase 100 000 homens reunidos em sua fronteira. As negociações foram consideradas infrutíferas, deixando as relações diplomáticas de facto rompidas.Fracasa la negociacion entre Kuwait e Irak en Yedda, El País. 2 de agosto de 1990
Na madrugada de 2 de agosto de 1990, às 2h00 no horário local, Saddam Hussein lança um ataque surpresa e as tropas iraquianas atravessam a fronteira terrestre do Kuwait, em uma operação que havia sido preparada secretamente e que, apesar de meses de ameaças e belicosidades, tomou as forças kuwaitianas totalmente desprevenidas. A primeira indicação do avanço terrestre iraquiano foi de um aeróstato equipado com radar que detectou uma coluna de blindados iraquianos movendo-se para o sul.Gulf States – Kuwait – Regional and National Security Considerations. Countrystudies.us. As forças aéreas, terrestres e navais do Kuwait resistiram, mas estavam em grande desvantagem numérica. No Kuwait central, a 35.ª Brigada Blindada desdobrou aproximadamente um batalhão de tanques Chieftain, BMPs e uma bateria de artilharia contra os iraquianos e combateu retardando ações perto de Al Jahra (Batalha das Pontes), a oeste da Cidade do Kuwait.Eyewitness, Col. Fred Hart 1 . Users.lighthouse.net.
Cerca de 90 000 soldados entram no Kuwait por terra, mar e ar.100.000 soldados iraquíes ocupan Kuwait de madrugada, El País. 3 de agosto de 1990 As tropas terrestres, nas quais adentraram colunas de até 500 tanques,Irak penetra en la zona neutral entre Kuwait y Arabia, El País. 5 de agosto de 1990Irak incumple su promesa de retirarse de Kuwait, El País. 6 de agosto de 1990 avançaram do norte até chegarem aos arredores da Cidade do Kuwait, onde ocorreu a Batalha das Pontes. Ao mesmo tempo, vários helicópteros Mi-24 assim como vários esquadrões de caças-bombardeiros Su-22, Su-25, Mirage F-1 e Mig-23 atacaram posições em todo o país, bombardeando bases aéreas e diversos pontos estratégicos. As aeronaves kuwaitianas, que participaram de algumas batalhas aéreas, foram evacuadas principalmente para a Arábia Saudita.
Por terra, quando as tropas ocuparam a cidade, ocorreu a Batalha do Palácio Dasman, na residência oficial do Emir do Kuwait. O emir Jaber III fugiu por via aérea para o deserto da Arábia, mas seu meio-irmão mais novo o xeique Fahd al-Ahmad se juntou às forças militares kuwaitianas para defender a praça. Após uma batalha feroz, o palácio foi finalmente invadido e incendiado, e o xeique assassinado pelas forças invasoras iraquianas.El emir huye y su hermano muere en palacio, El País. 3 de agosto de 1990 Posteriormente seu corpo foi colocado na frente de um tanque e atropelado, conforme relatou um soldado iraquiano que estava presente e desertou após os combates.FRONTLINE/WORLD. Iraq – Saddam's Road to Hell – A journey into the killing fields. PBS (24 de janeiro de 2006). O porto de al-Ahmadi, através do qual 80% do petróleo kuwaitiano sai, foi capturado.
A invasão, num claro exemplo de guerra-relâmpago, foi avassaladora e praticamente consumada no dia 2. Durante os outros dois dias dedicaram-se a desdobrar o restante das tropas e a sufocar os bolsões de resistência local que permaneciam entrincheirados em algumas posições.Las tropas de Husein liquidan los últimos focos de resistencia, El País. 4 de agosto de 1990
Consequências
Após a vitória iraquiana, Saddam Hussein instalou Alaa Hussein Ali como primeiro-ministro do "Governo Provisório do Kuwait Livre" e Ali Hassan al-Majid como governador de facto do Kuwait.al-Marashi, Ibrahim (9 de Abril de 2003). The Significance of the "Death" of Ali Hassan al-Majid. James Martin Center for Nonproliferation Studies. A família real kuwaitiana exilada e outros ex-funcionários do governo iniciaram uma campanha internacional para persuadir outros países a pressionar o Iraque a desocupar o Kuwait. O Conselho de Segurança da ONU aprovou doze resoluções exigindo a retirada imediata das forças iraquianas do Kuwait, mas sem sucesso.Iraq . GlobalSecurity.org.
Na sequência dos eventos da guerra Iraque-Kuwait, cerca de metade da população do Kuwait,Kuwait Britannica . Britannica.com. incluindo 400 000 kuwaitianos e vários milhares de estrangeiros, fugiram do país. O governo da Índia evacuou mais de 170 000 indianos no exterior realizando aproximadamente 488 voos durante 59 dias.