O Instituto Confúcio () é uma organização educacional pública sem fins lucrativos vinculada ao Ministério da Educação da República Popular da China, cujo objetivo é promover a língua e a cultura da China e dar apoio ao ensino da língua chinesa e facilitar o intercâmbio cultural em todo o mundo através dos Institutos Confúcio associados. Sua sede se encontra em Pequim. O nome do Instituto dá-se em homenagem ao notável pensador chinês, Confúcio.
O programa Instituto Confúcio começou em 2004 e é supervisionado pela Hanban (oficialmente, Departamento do Conselho Internacional de Língua Chinesa). Os Institutos operam em cooperação com faculdades e universidades em todo o mundo, e o financiamento é compartilhado entre a Hanban e as instituições de acolhimento. Há também um programa dedicado ao fornecimento de professores e materiais de instrução para escolas secundárias. O Instituto Confúcio é, por vezes, comparado com organizações de promoção linguística e cultural, como o Instituto Camões, o British Council, a Alliance Française, a Società Dante Alighieri, o Instituto Cervantes e o Goethe-Institut.
Controvérsias sobre o Instituto Confúcio na imprensa americana, australiana e canadense, entre outras, incluem a crítica de que, ao contrário de outras organizações governamentais de promoção linguística e cultural, os Institutos Confúcio operam dentro de universidades, faculdades e escolas secundárias em todo o mundo, fornecendo financiamento, professores e materiais educacionais. Esse tipo de inserção tem levantado preocupações a respeito de sua influência sobre a liberdade acadêmica, a possibilidade de espionagem industrial, além do que há a preocupação com a visão seletiva e politizada da China oferecida pelo Instituto como um meio de promover internacionalmente o soft power do país.WALLACE, Rebecca Lee. "The Confucius Institutes In The Real World". Monografia submetida para a obtenção do título de bacharel em Filosofia pela Universidade de Pittsburgh, 2016HUGHES, Christopher R.. (2014) Confucius Institutes and the university: distinguishing the political mission from the cultural. Issues and Studies, 50 (4). pp. 45-83. ISSN 1013-2511 História O primeiro Instituto Confúcio foi inaugurado em 21 de novembro de 2004, em Seul, na Coreia do Sul, depois de estabelecido um Instituto piloto em Tashkent, no Uzbequistão, em junho de 2004. Atualmente, dezenas de países em todo o mundo instalaram centenas deles, com a maior concentração nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Em abril de 2007, o primeiro Instituto Confúcio voltado para a pesquisa foi inaugurado na Universidade Waseda, no Japão. Em parceria com a Universidade de Pequim, o programa promove atividades de pesquisa de estudantes de graduação que estudam a língua chinesa. A partir de 2014, havia mais de 480 Institutos Confúcio em dezenas de países, em cinco continentes. O Ministério da Educação da China estima um aumento no interesse pela língua chinesa em todo o mundo e trabalha para uma rápida expansão do programa para atender a essa demanda. A Hanban pretende estabelecer mil Institutos Confúcio até 2020.
Nome O nome do Instituto refere-se ao notável filósofo chinês Confúcio (551-479 a.C.). Ao longo do século XX os líderes do Partido Comunista Chinês criticaram e denunciaram Confúcio como a personificação das tradições "feudais" da China, com o anti-confucionismo militante estendendo-se desde o Movimento da Nova Cultura, de 1912, até a Revolução Cultural Chinesa (1966-1976). No entanto, em décadas recentes, o interesse pela cultura pré-moderna do país tem crescido na China, e a popularidade de Confúcio, em particular, tem ressurgido. Fora da China, é bastante comum que Confúcio seja reconhecido como um símbolo da cultura chinesa, sem as associações negativas estabelecidas com seu nome promovidas por outras figuras proeminentes do país, tais como Mao Tsé-Tung.
Controvérsia Kerry Brown, professor de Política Chinesa na Universidade de Sydney, observa a ironia de que o Partido Comunista Chinês, que agora está a elevar Confúcio como estandarte, tenha, apenas quatro décadas antes, o vilificado por sua associação com valores patriarcais, hierárquicos e conservadores.
"Instituto Confúcio" é uma marca registrada e, de acordo com um porta-voz da organização, “aqueles que, em especial, apreciam marcas terão maior popularidade, reputação, influência social e, portanto, [o Instituto Confúcio] será capaz de angariar mais apoio das comunidades locais."
Um artigo do China Post reportou em 2014 que: "Certamente, a China teria feito poucos progressos se os tivesse nomeado como Institutos Mao, ou até mesmo os Institutos Deng Xiaoping, mas, ao tomar emprestado o nome Confúcio, criou uma marca que foi imediatamente reconhecida como um símbolo de cultura chinesa, radicalmente diferente da imagem do Partido Comunista.”
Finalidade Os Institutos Confúcio promovem e ensinam a cultura e a língua chinesas em todo o mundo. Eles desenvolvem cursos de língua chinesa, treinam professores, realizam o Exame HSK (teste de proficiência em chinês) e fornecem informações sobre a China contemporânea. A diretora-geral do programa Instituto Confúcio, Xu Lin, afirmou que esses Institutos foram iniciados para atender à súbita escalada do interesse pela língua chinesa em todo o mundo. Eles também fornecem professores de língua chinesa da China Continental. Até a data de 2011, havia 200 desses professores trabalhando nos Estados Unidos.
Controvérsia sobre objetivos políticos O Instituto Confúcio também tem objetivos não-acadêmicos. Li Changchun, o quinto membro do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista da China, foi citado pela revista The Economist, dizendo que os Institutos Confúcio eram "uma parte importante do sistema de propaganda da China no exterior". A declaração foi destacada pelos críticos como prova de uma missão politizada dos Institutos Confucio. Muitos estudiosos estrangeiros caracterizaram o programa Instituto Confúcio como um exercício de soft power, expandindo a influência econômica, cultural e diplomática da China por meio da promoção da língua e da cultura chinesas, enquanto outros têm sugerido uma possível função nos serviços de inteligência do país. Os objetivos desse soft power também incluiriam amenizar preocupações com uma "ameaça da China”, no presente contexto em que o país se torna cada vez mais poderoso econômica e militarmente.
Embora as autoridades chinesas sejam cautelosas em não ter os Institutos Confúcio agindo como promotores diretos dos pontos de vista políticos do partido, alguns sugerem que eles acabam funcionando dessa maneira. Peng Ming-min, um político e ativista por manter Taiwan independente, afirma que os colégios e as universidades onde um Instituto Confúcio se estabelece têm que assinar um contrato no qual declaram seu apoio à "Política de uma China” de Pequim. Como resultado, Taiwan e Tibete tornaram-se tabus nos Institutos. No entanto, esta alegação está em disputa. Michael Nylan, professor de História da China na Universidade da Califórnia em Berkeley, afirmou que os Institutos Confúcio tornaram-se menos exigentes em suas demandas e aprenderam com os "erros iniciais", como em insistir em que as universidades adotem uma política de que Taiwan faz parte China. No entanto, a pesquisa de Nylan sobre professores e administradores em quinze universidades com Institutos Confúcio revelou dois casos em que os Institutos, mesmo sem obter sucesso, haviam exercido pressão para bloquear palestrantes convidados. Além disso, outra preocupação face a questões legais dos países hóspedes e a questões de direitos humanos se deve ao fato de que o Instituto Confúcio "proíbe seus professores (...) de praticar o Falun Gong", uma disciplina espiritual que está sendo perseguida na China pelo Partido Comunista Chinês. A revista The Economist relata que, em um site do programa Instituto Confúcio, há um artigo pontuando os esforços de alguns Institutos Confúcio em se opor a grupos dissidentes chineses no exterior, como ativistas tibetanos independentes, grupos democráticos e o Falun Gong. Segundo
Os objetivos de soft power do Instituto Confúcio são vistos como uma tentativa de modernização da imagem da República Popular da China, afastando-se da propaganda de influência soviética da era maoista. Outras iniciativas incluem exposições de arte chinesa contemporânea, programas de televisão, concertos de cantores populares, traduções de literatura chinesa e a expansão de canais estatais de notícias como a agência Xinhua e China Central Television (CCTV).
Organização A Hanban é uma organização governamental sem fins lucrativos, é vinculada ao Ministério da Educação e possui laços estreitos com altos funcionários do Partido Comunista. A matriz do Instituto Confúcio em Pequim estabelece as diretrizes que os Institutos Confúcio espalhados no mundo inteiro seguem. A matriz é governada por um conselho com quinze membros, dez dos quais são diretores de Institutos Confúcio no exterior. Cada unidade é gerida individualmente sob a direção do seu próprio conselho de administração, que deve incluir membros da instituição de acolhimento. O presidente atual do conselho da matriz do Instituto Confúcio é Liu Yandong, um membro do Politburo do Partido Comunista Chinês e ex-chefe do Departamento da Frente Unida de Trabalho. Outros líderes do conselho são igualmente selecionados do Partido Comunista e departamentos do governo central, como o Ministério das Finanças, o Ministério da Educação e o Gabinete de Informação do Conselho de Estado (também conhecido como Gabinete de Propaganda para o Exterior). O conselho estabelece a agenda para os Institutos Confúcio e faz alterações nos estatutos, enquanto outras tarefas e a gestão da matriz do Instituto Confúcio são tratadas por um corpo executivo coordenado pela diretoria-geral.
O governo chinês partilha o ônus de financiar os Institutos Confúcio com as universidades anfitriãs. Os Institutos funcionam dentro das diretrizes estabelecidas pela Hanban e pela matriz do Instituto Confúcio. Cada unidade é responsável pela elaboração e gestão do seu próprio orçamento, que está sujeito à aprovação da matriz. A matriz do Instituto Confúcio coloca várias restrições sobre como seus fundos podem ser usados, incluindo a destinação de verbas para fins específicos. Institutos nos Estados Unidos são, de modo geral, abastecidos anualmente pela Hanban com 100 mil dólares, com o restante do financiamento cabendo às universidades locais.
Currículo O currículo dos Institutos Confúcio gira em torno do papel dessa entidade como um centro de ensino de língua chinesa. Institutos Confúcio ensinam os caracteres chineses simplificados, que são o padrão na China Continental, em vez de os caracteres tradicionais chineses, utilizados em Taiwan e Hong Kong.
Unidades em países lusófonos
Portugal Em Portugal, há Institutos Confúcio instalados nas seguintes instituições de ensino superior: Universidade de Lisboa, Universidade do Porto, Universidade de Coimbra, Universidade do Minho, Universidade do Algarve, Universidade de Aveiro (IC-UA, criado a 23 de abril de 2015), Instituto Politécnico de Viseu, Instituto Politécnico de Castelo Branco e Instituto Politécnico de Leiria, além de haver a parceria para suporte do ensino do idioma chinês em algumas escolas secundárias públicas de Portugal.
O IC-UA publicou o livro Diálogos Interculturais Portugal-China 1 em novembro de 2018.
Brasil