Trecchina (em italiano: Trècchina, ) é uma comuna italiana da província de Potenza, na Basilicata, no sul da Itália, com cerca de 2 051 habitantes. Estende-se por uma área de 37 km² e faz fronteira com Lauria, Maratea, Nemoli, Rivello e Tortora (CS).

Geografia Situada no interior da costa tirrênica da Lucânia, em pleno Apenino lucano, Trecchina tem clima proverbialmente alpestre, com invernos rigorosos e verões frescos. A povoação ergue-se num planalto a cerca de 500 metros de altitude, encravado entre montanhas cobertas de bosques, entre as quais se destacam as chamadas tre chine ("três cumes"). O território é atravessado, ao longo dos limites com Rivello, Nemoli, Lauria, Maratea e Tortora, pelo rio Noce. Entre as elevações da comuna estão o monte Coccovello (1 505 m), o ponto mais alto da vertente tirrênica do Apenino lucano, o monte Crivo (1 265 m), o monte Serra Pollino, também chamado Santa Maria (1 099 m), e o monte Messina (cerca de 1 000 m).

Numerosas cavidades naturais do território constam do cadastro das grutas da Basilicata; a Gruta Sant'Angelo, com 580 metros, é a mais extensa, e a Festola Grande, com 136 metros de desnível, a mais profunda. Desde 1987 a comuna sedia o cadastro regional das grutas e áreas cársticas da Basilicata e, desde 1992, o centro europeu de espeleologia marinha.

Topônimo A origem do nome recebeu diversas interpretações. O historiador Giacomo Racioppi fazia-o derivar do latim, com o sentido de "lugar de matos e barrancos", enquanto o abade Giovan Battista Pacichelli o considerava uma corruptela de Terenziana. Uma crença popular vê no nome simplesmente a junção de tre chine, os três cumes que dominam o planalto onde se assenta a povoação.

História Os testemunhos arqueológicos no território são escassos, e os historiadores divergem quanto à origem da povoação: Pacichelli sustentava que Trecchina surgira em 317 a.C. de um assentamento romano chamado Terenziana, ao passo que Giuseppe Antonini a atribuía a gregos vindos da antiga Traquínia, na Grécia Central, que após as guerras do Peloponeso teriam buscado terras semelhantes às de origem.

Trecchina aparece num documento de 1079 com o nome de Triclina. Foi fortaleza gótica e depois lombarda; destruída pelos Sarracenos, foi reedificada pelos lombardos de Salerno. Entre os séculos XI e XII recebeu correntes migratórias de grupos heréticos provenientes do Piemonte, em particular do Monferrato, que deixaram marca duradoura no dialeto local.

No período feudal pertenceu ao condado de Lauria, sob os Sanseverino, e ao de Tortora, sob os Vitale. Por volta de 1500 o feudatário Roberto Sanseverino, príncipe de Salerno, doou o castelo de Trecchina ao conde Michele Rizzo de Ricci, de Castellammare di Stabia, cuja família o deteve por pouco tempo, por ter apoiado a entrada dos franceses em Nápoles. O castelo cujas ruínas ainda dominam a parte antiga da povoação foi construído em 1530 pelos barões Palmieri de Latronico. Em 1799, durante a República Partenopeia, Trecchina constituiu-se em municipalidade republicana, período em que se destacou o patriota Gaetano Marotta. Entre 1811 e 1816, sob o governo de Joaquim Murat no Reino de Nápoles, foi sede de circondário no distrito de Lagonegro, condição abolida com a Restauração dos Bourbon.

A comuna é geminada desde 1963 com Jequié, no estado brasileiro da Bahia.

O brasão da comuna foi concedido por decreto do Presidente da República de 28 de julho de 2005; o gonfalão é um pano branco com bordadura azul.

Monumentos e lugares de interesse Igreja de São Miguel Arcanjo (San Michele Arcangelo): construída em 1857, é a igreja paroquial de Trecchina e uma das maiores da Basilicata; situa-se no centro da Piazza del Popolo. Santuário da Madonna del Soccorso: pequena capela no cimo do monte Santa Maria (1 089 m). Igreja de São João Batista, na Via Castello, no centro histórico, antiga igreja paroquial. Igrejas de Santo Antônio de Pádua, da Madonna del Rosario, de São José (em Piano dei Peri) e da Madonna del Buon Consiglio (em Parrutta), e capelas da Madonna Addolorata, da Forraina e de São Nicolau.

A povoação divide-se num centro histórico medieval, chamado popularmente Castello, formado em torno do palácio baronial do século XVI, com vielas estreitas e características, e numa zona residencial do século XIX, chamada Piano, desenvolvida em torno da ampla Piazza del Popolo, com traçado urbano regular e ruas largas. As frações mais povoadas são Parrutta e Piano dei Peri, situadas numa encosta sobre o vale do Noce; outras são Maurino, Scaloni, Starsia, Pietra, Pietramorta, Foresta, Ronzino, Camporotondo, Santiquaranta, Ortigliuolo, Bolago e Colla.

Cultura Trecchina é um dos centros lucanos onde se fala um dialeto galo-itálico, herança das migrações piemontesas medievais; até a década de 1970 conservava, como traço arcaico, a desinência sibilante da segunda pessoa do singular.

A festa do padroeiro, São Miguel Arcanjo, realiza-se em 28 e 29 de setembro. Na gastronomia, a comuna é conhecida pelo pane di Trecchina, reconhecido como produto agroalimentar tradicional da Basilicata, pelos doces de massa de nozes (nocetti) e pelo sorvete de castanha.

Infraestrutura A comuna é atravessada pela estrada estatal 585, conhecida como Fondovalle del Noce, que liga a autoestrada A3 Salerno–Reggio Calabria, à altura de Lagonegro Norte, à estatal 18 em Castrocucco di Maratea. As estradas provinciais SP3 (para Maratea e Lauria) e SP44 (para Parrutta e a SS585) completam as ligações.

Demografia

Ligações externas

Categoria:Comunas de Potenza (província)