Maria Vitória Carlota Henriqueta dal Pozzo (Paris, – Sanremo, ) foi a esposa do rei Amadeu I e Rainha Consorte da Espanha de 1870 até 1873. Era filha de Carlos Emanuel dal Pozzo, príncipe de Cisterna, e de sua esposa, a condessa Luísa de Mérode-Westerloo.

Primeiros anos

Nascida em Paris, em 9 de agosto de 1847, Maria Vitória foi a filha primogênita de Carlos Emanuel dal Pozzo, príncipe de Cisterna, e de sua esposa, a condessa Luísa de Mérode-Westerloo. Sua família paterna era uma antiga família aristocrática originária do Reino da Sardenha, mais especificamente da região de Biella, enquanto, por parte materna, os condes de Mérode-Westerloo estavam aparentados com os Grimaldi de Mônaco; o príncipe soberano Alberto I de Mônaco era seu primo-irmão. Maria Vitória recebeu uma educação muito completa graças aos recursos de sua família, e falava seis idiomas. Ela residia com seus pais e irmã na maior parte do tempo no Palácio della Cisterna, em Turim, e também no Castelo de Reano, onde recebeu a primeira comunhão e passava os verões com sua família.Gallardo, Carmen. La Reina de las Lavanderas. El trágico destino de la reina María Victoria dal Pozzo, la esposa de Amadeo I de Saboya. La Esfera de los Libros, 2012.

Após a morte de seu pai, senador do Reino da Sardenha desde 1848 (Senato Subalpino), ocorrida em Turim,Carlo Emanuele dal Pozzo em 26 de março de 1864, sua mãe perdeu o juízo e se recusou a enterrar o cadáver do esposo, passando as noites velando o corpo acompanhada de suas duas filhas.Balansó, Juan: Las Coronas Huecas. Plaza & Janés, 2003.

Casamento

miniaturadaimagem|Maria Vitória e Amadeu

Maria Vitória casou-se com o príncipe Amadeu de Saboia, duque de Aosta, em 30 de maio de 1867, na capela do Palácio Real de Turim. Por Amadeu ser filho do rei da Itália, Vítor Emanuel II, após o anúncio do noivado, Maria Vitória e sua mãe receberam, por decreto real de 19 de fevereiro de 1867, o tratamento de Sua Alteza.Maria Vittoria, Il sogno di una principessa in un regno di fuoco (em italiano)

Maria Vitória e Amadeu tiveram três filhos: Emanuel Felisberto, duque de Aosta (1869-1931), marechal da Itália; Vítor Emanuel, conde de Turim (1870-1946); Luís Amadeu, duque de Abruzzi (1873-1933), montanhista e explorador.

Rainha da Espanha

Foi rainha consorte da Espanha entre 1870 e 1873, quando seu marido ocupou o trono vago que lhe havia sido oferecido pelo general Juan Prim antes do assassinato deste. Ao chegar, hispanizou seu nome e o de seus três filhos, que passaram a ostentar, respectivamente, as dignidades de príncipe das Astúrias e infantes da Espanha.

A rainha causou melhor impressão aos deputados espanhóis do que seu esposo. Tiveram a agradável surpresa de constatar que a jovem soberana os cumprimentou e conversou com eles em castelhano fluente, com quase nenhum sotaque. Víctor Balaguer escreveu sobre ela:

miniaturadaimagem|esquerda|Maria Vitória

Apelidada de a Virtuosa e quase desconhecida na Espanha devido à falta de consolidação política e à brevidade do reinado de Amadeu, a rainha Maria Vitória foi, em seu tempo, objeto de respeito por seu comportamento exemplar e discrição. Seus dois filhos mais velhos nasceram na Itália, enquanto o caçula nasceu em Madrid. Na capital espanhola, concentrou todos os seus esforços nas diversas obras de caridade típicas das consortes da época, e jamais se interessou por política. Incentivou a criação e inaugurou o Asilo das Lavadeiras, a primeira 'creche' pública da Espanha, dedicada aos filhos das lavadeiras que trabalhavam às margens do rio Manzanares. Foi inaugurado com o nome de Casa do Príncipe, sob o patrocínio do príncipe das Astúrias, que, como herdeiro, destinou sua verba a essa obra.Revues.org

Maria Vitória nunca deixou de fazer numerosas doações para obras de caridade e, por meio da escritora espanhola Concepción Arenal, que atuou como intermediária, continuou até o último instante de sua vida enviando muitas ajudas para espanhóis necessitados, com a exigência de que as doações fossem feitas anonimamente. Durante longos meses, Concepción Arenal recebeu frequentes remessas de dinheiro com bilhetes assinados por V.P.M., iniciais de Vitória dal Pozzo Mérode.Mujeres de leyenda

Em certa ocasião, Maria Vitória escreveu a uma amiga espanhola:

Morte

Após a queda da monarquia saboiana na Espanha, a rainha partiu para o exílio em Portugal, poucos dias depois de dar à luz seu último filho no Palácio Real de Madrid. Faleceu na Villa Dufour, em Sanremo, aos 29 anos, consumida pela tuberculose. Foi sepultada na Basílica de Superga, em Turim, onde seu epitáfio diz: "Em prova de respeitoso carinho à memória de dona Maria Vitória, as lavadeiras de Madrid, Barcelona, Valência, Alicante, Tarragona, a tão virtuosa Senhora".Mi galería de favoritos

O jornal La Ilustración Española y Americana dedicou-lhe palavras de elogio, como: "Madrid não pode esquecer-se daquele anjo de virtude e caridade, a quem o povo concedeu o simples título de Mãe dos pobres".

Ver também

Nobreza da Bélgica Nobreza da Itália

! colspan="3" style="background: #FBEC5D;" | Maria Vitória dal Pozzo9 de agosto de 1847 – 8 de novembro de 1876 |- style="text-align:center;" |width="30%" align="center"| Precedida porFrancisco de Assis da Espanha |width="40%" style="text-align: center;"|110pxRainha Consorte da Espanha16 de novembro de 1870 – 11 de novembro de 1873 |width="30%" align="center"| Sucedida porMaria das Mercedes de Orleães

Categoria:Consortes da Espanha Categoria:Rainhas católicas Categoria:Princesas de Saboia Categoria:Naturais de Paris Categoria:Duquesas da Itália Categoria:Damas da Ordem da Cruz Estrelada Categoria:Mortes por tuberculose na Itália Categoria:Duquesas de Aosta Categoria:Sepultados na Basílica de Superga Categoria:Franceses do século XIX Categoria:Mortes por tuberculose no século XIX Categoria:Princesas da Itália