A Fuga para o Egito é uma obra do pintor italiano Giotto. Foi realizado ao afresco e pintado entre 1305 e 1306 (outras fontes dão as datas de 1303 e 1305). Encontra-se na Capela dos Scrovegni de Pádua. É uma representação do episódio da Fuga para o Egito, o último do ciclo da Natividade.
Giotto foi o primeiro pintor toscano que trabalhou na Itália do norte, em Rímini e Pádua. Uma das obras que executou em Pádua foi o ciclo de afrescos sobre a Vida da Virgem e de Cristo na Capela dos Scrovegni, obra fundamental para compreender a evolução da pintura europeia.
Esta é uma das cenas mais famosas do ciclo paduano. Representa a José, Maria e Jesus Menino fugindo para o Egito para evitar a perseguição de Herodes, que ordenara o massacre dos inocentes. Foram advertidos em sonhos por um anjo, o qual marca o caminho. Maria, montada num asno conduzido por José, leva o Menino segurado por um lenço; do grupo formam também parte uma figura novo, com a cabeça coroada de hedra, e com um cantil ao cinto, junto a José e outros três jovens pelo mesmo caminho da caravana. Possivelmente, a garota que acompanha Maria seja a figura com um vestido vermelho, imediatamente detrás do asno. A cena é descrita segundo aparece no evangelho apócrifo do Pseudo Mateus.
Em efeito, segundo tal evangelho apócrifo (17-18):
Evidencia-se neste afresco o afastamento de Giotto do estilo bizantino: às representações frontais opõe aqui posturas de costas ou de perfil; além disso, não representa as personagens num fundo dourado, senão em uma paisagem agreste e montanhosa, menos angulosa e realista. É um páramo grande e árido, palco deserto que resulta um contorno mais ameaçador para o casal que viaja com uma criança recém nascida; apenas algumas árvores dispersas rompem a monotonia desta paisagem lunar, árvores delgadas, com todas as suas folhas detalhadas. Longe do hieratismo bizantino está esta representação da natureza e da vida, segundo confirma a "preciosidade cromática das rochas arenosas e a sutilidade da luz e das sombras, de feitio denso, leve e aveludado".Carrassat Adopta o ponto de fuga oblíquo, manifestando o seu domínio da técnica através de escorços como o do anjo. Nesta cena é afirmado o senso da percepção do espaço dominante na paisagem e nas personagens. Seu realismo aparece nos drapeados, que são leves, nos gestos e expressões das figuras, bem como na representação detalhista do cântaro recoberto de vime ou do vestido do Menino.
Ver também Nossa Senhora na arte Fuga para o Egito Capela dos Scrovegni
Bibliografia
CARRASSAT, P.F.R., Maestros de la pintura, Spes Editorial, S.L., 2005. ISBN 84-8332-597-7
ROMANO, Eileen (dir.), "Giotto", Los grandes genios del arte, n.º 23, Unidad Editorial, S.A., 2005, ISBN 84-89780-97-8
Categoria:Pinturas do gótico Categoria:Fuga para o Egito na pintura Categoria:Afrescos de Giotto di Bondone