miniaturadaimagem|274x274px|Barinel Português circa 1400-1440 Barinel era uma antiga embarcação de carga a remos (as mais pequenas) ou a vela, com a sua origem no Mediterrâneo. Tinha um porte maior que as barcas, e com a proa, recurvada, já a assemelhar-se à estrutura das naus portuguesas do século XV e XVI.

Esta embarcação foi fundamental no impulsionamento dos Descobrimentos portugueses e usada nos descobrimentos da costa africana até à sua substituição pelas caravelas na década de 1440 pela Marinha de Guerra Portuguesa e usada até a meados do na Marinha mercante portuguesa. Não há imagens de barinéis da época dos descobrimentos.

Os barinéis foram também utilizados na guarda da costa na Índia no tempo do vice-rei D. Francisco de Almeida, assim como em navegações de corso, de guerra e de comércio.

Etimologia alt=Referência de barinel no "Diccionario da lingua portugueza"|miniaturadaimagem|182x182px|"Diccionario da lingua portugueza" do padre D. Rafael Bluteau, 1885 A etimologia da palavra barinel não é consensual, mas parece ter origem no latim ballenariu, derivação de ballena, «baleia», pelo italiano barinello, castelhano ballener, catalão balener, provençal balenier ou francês ballenier, que significa «barco equipado para a pesca da baleia». Também se encontram as grafias "varinel" e "baryne".

História O barinel tem origem no Mediterrâneo no século XIV, com o desenvolvimento das rotas comerciais e da engenharia naval portuguesa no final do século XIV, era necessário uma versão aumentada da "barcha" (barca), com um a três mastros dependendo do seu tamanho.

Estes navios foram usados principalmente no início do século XV juntamente com as barcas para a exploração dos arquipélagos das Canárias, Madeira e Açores, e nas rotas comerciais portuguesas da Flandres e do Norte da Europa.

Juntamente com as barcas, inicialmente, e posteriormente com as caravelas, foram embarcações fundamentais no impulsionamento marítimo português e nas iniciais descobertas portuguesas. esquerda|miniaturadaimagem|234x234px|Carta náutica da Costa de África do Cabo Bojador Foi em barcas que se redescobriu o arquipélago da Madeira e se atingiram as ilhas dos Açores. Foi em barcas e barinéis que os primeiros colonos se deslocaram para os seus definitivos lares insulares.

Foram depois trocadas pelas caravelas totalmente após a dobragem do cabo Bojador pois, por ter os mastros de pano redondo e pela sua estrutura, tinha maiores dificuldades a fazer as viagens de regresso.

Outras fontes citam o uso dos barinéis até ao século XVI, onde, segundo Gomes Pedrosa, teriam sido trocados gradualmente pelo galeão. miniaturadaimagem|147x147px|Representação de uma caravela portuguesa, predecessora do barinel juntamente com a nau

Um negociante italiano, Girolamo Sernigi, que estava em Lisboa aquando a chegada de Vasco da Gama da Índia, descreveu a armada dele como sendo composta por barinéis de mais de 90 tonéis cada e um de 50 tonéis. No entanto, estas embarcações seriam posteriormente confirmadas como naus e não barinéis.

Outras descrições da época dão conta que estas embarcações terão sido usadas em navegações de corso, de guerra e de comércio.

Dados técnicos Os barinéis possuíam maior tamanho que as suas predecessoras barcas, e possuíam uma proa alterosa a atirar para nau, também ela recurvada.

Poderia ter a almeida da popa (parte curvada do forro lateral dos navios de popa quadrada, situada sob o painel da popa e formando com ele um ângulo convexo) ora curva como a caravela, ora reta como a nau e o mesmo com a grimalda.

Poderiam ter de um a três mastros, de velame redondo e tinham um cesto da gávea no maior mastro da embarcação (mastro grande). Com os Descobrimentos portugueses, e com a necessidade cada vez maior de bolinar os ventos da região da Alta Guiné e do Cabo Bojador, foram adaptadas as velas e os mastros para suportar pano latino.

Para alturas sem vento, possuíam também, e principalmente os barinéis mais pequenos, remos. Comparativamente à barca, tinham um calado maior e uma tonelagem maior.

A barca possuía geralmente uma tripulação de 20 homens, enquanto que um barinel teria uma tripulação de 30 homens.

Muitas das características do barinel acabaram por influenciar a estrutura da caravela e posteriormente da nau, podendo ser classificada como a predecessora das naus portuguesas do final e XVI.

Ver também Caravela (embarcação) Nau (embarcação) Saint Marie de Marceau (embarcação) Descobrimentos Portugueses

Bibliografia PICO, Maria Alexandra Tavares Carbonell, A Terminologia Naval Portuguesa Anterior a 1460, Lisboa, Sociedade de Lingua Portuguesa, 1964. ESPARTEIRO, António Marques – Dicionário Ilustrado de Marinha. 2.ª ed. Lisboa: Clássica Editora, 2001. ISBN: 972-561-325-2. PEDROSA, Fernando Gomes (coord.), Navios, Marinheiros e Arte de Navegar 1139-1499, Lisboa, Academia de Marinha, 1997.

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