The Sputniks foi um conjunto musical formado no Rio de Janeiro, em 1957, pelos então adolescentes Arlênio Lívio Gomes, Roberto Carlos, Tim Maia e Wellington Oliveira. Apesar de sua curta duração, o Sputniks ocupa um lugar importante na história da música brasileira por ter sido o ponto de partida de dois dos maiores nomes de sua história, além de ser citada como um exemplo do início do rock and roll no Brasil e da efervescência cultural dos anos 1950.
História Antecedentes e formação Logo após mudar-se para o Rio de Janeiro, Roberto Carlos começou a cursar um supletivo, no qual um de seus colegas era Arlênio Lívio Gomes, que lhe convidou a conhecer um grupo de amigos seus que também gostavam de música e que se reuniam no Bar Divino, na esquina da rua do Matoso com a Haddock Lobo; dentre eles, estavam Tim Maia, Jorge Ben, Paulo César e Renato Barros. Com a turma do Matoso, aprendeu a tocar rock em seu violão, principalmente ao observar Tim Maia fazê-lo. Conforme afirmou mais tarde, "Tim Maia e a turma da Tijuca me fizeram cancelar saudosas recordações de Tito Madi. Com eles descobri o meu caminho".
Tim Maia já havia participado das bandas de ínfima duração Os Tijucanos do Ritmo e Grupo Universal. No final de 1957, estava decidido a unir um novo conjunto formado por ele, Wellington Oliveira, Arlênio Lívio (ambos ex-integrantes das bandas anteriores) e Roberto Carlos, seu novo amigo. O nome foi inspirado pelo primeiro satélite artificial lançado à órbita da Terra pela União Soviética naquele mesmo ano. O grupo buscou inspiração em artistas como The Platters, Bando da Lua, Anjos do Inferno, Os Cariocas, Quatro Ases e Um Curinga e Conjunto Farroupilha. Costumavam ensaiar no porão da casa de Maia, que era o líder, e se apresentavam com no máximo dois violões, um tocado pelo próprio, mais rítmico, outro pelo Roberto, mais harmônico; todos cantavam em harmonia vocal, com as vozes bem distribuídas, mas, embora Tim e Roberto cantassem melhor, Wellington era o vocalista principal porque era o único do grupo que tinha uma noção básica de língua inglesa (o repertório era composto apenas de versões); ele também tocava percussão improvisada com caneca e colher. Arlênio atuava como apaziguador entre os egos de Roberto e Tim, além de cantar o trecho declamado da canção "Little Darlin'", dos Diamonds, a principal versão feita pelos Sputniks.
Apresentações e separação
A primeira apresentação pública da banda foi em dezembro de 1957, num evento promovido na Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos, na Tijuca; após isso, passaram a se apresentar nas missas dominicais matutinas, e ficaram na segunda colocação de um concurso de calouros. Um amigo de Wellington viu essa disputa e indicou o grupo ao empresário Carlos Imperial, que há pouco inaugurara seu programa televisivo Clube do Rock, na Tupi. Após um rápido teste, os Sputniks receberam a oportunidade de estrear no programa com a canção "Little Darlin'". Assim que a gravação acabou, Roberto esperou por Imperial no corredor e, sabendo que este era seu conterrâneo, chamou sua atenção para fazer um pedido: sabia imitar Elvis Presley e queria uma chance para se apresentar sozinho, o que foi aceito. Maia descobriu a movimentação e os dois discutiram em frente ao estúdio; os Sputniks ainda tinham um concerto marcado para o próximo final de semana, mas o clima pesado durante o último ensaio devido à situação entre os colegas fez com que Roberto não comparecesse à apresentação, encerrando abruptamente o conjunto. Nos anos posteriores ao fim do grupo, tanto Roberto quanto Maia culparam o individualismo do outro como fator da separação. O primeiro afirmou: "Tim Maia estava ali com a gente, mas sempre quis mesmo fazer sua carreira solo"; já o segundo: "Você sabe quando dá um esporro num músico e ele nunca mais vai voltar. Foi isso. E além do mais, Roberto sempre foi muito esperto, muito malandro. Aquilo foi só uma pontezinha para ele conhecer os meandros".
Na semana seguinte ao fim da banda, Roberto apresentou-se no Clube do Rock como o "Elvis Presley brasileiro" e cantou "Jailhouse Rock" imitando os trejeitos do ídolo estadunidense. Tim Maia também procurou Imperial em busca de uma oportunidade para apresentar-se sozinho, explicando que os Sputniks haviam acabado. Ele passaria a se apresentar com a alcunha de "Little Richard brasileiro". Wellington Oliveira abandonou a música para dedicar-se aos estudos, tendo se formado advogado alguns anos depois. Já Arlênio Lívio decidiu montar outro grupo, inicialmente chamado The Boys of Rock, com os amigos Edson Trindade, José Roberto China e Erasmo Esteves. Por sugestão de Imperial, mudaram o nome para The Snakes e atuaram como banda de apoio para Roberto Carlos e Tim Maia. Arlênio apresentou Erasmo a Roberto nessa época, e os dois formaram uma grande amizade a partir daí.
Legado Os Sputniks são considerados percussores do rock no Brasil, pois, apesar de não atingirem o estrelato, já tocavam o gênero no mesmo ano em que fora lançado "Rock and Roll em Copacabana", de Cauby Peixoto, considerado o primeiro exemplar do estilo no país.
Os Snakes, banda sucessora dos Sputniks, chegou a lançar um álbum, Só Twist, de 1960, que foi relançado pela Sony no começo da década de 2000. Não se sabe ao certo quando o grupo foi desfeito, mas até 1963 eles acompanharam Reynaldo Rayol como banda de apoio. No ano seguinte, Erasmo iniciou sua carreira solo.
Sobre a turma da Matoso, Erasmo compôs duas canções: "Largo da Segunda-Feira" e "A Turma da Tijuca". Já Tim Maia lançou a canção "Haddock Lobo Esquina com Matoso" no álbum Nuvens (1982), na qual faz diversas referências aos antigos colegas de banda. Os Sputniks são representados na cinebiografia Tim Maia, de 2014.
Membros De acordo com Paulo Cesar de Araújo em Roberto Carlos em Detalhes:
Arlênio Lívio Gomes — vocal Roberto Carlos — violão, vocal Tim Maia — violão, vocal Wellington Oliveira — vocal, percussão
Bibliografia
Categoria:Bandas de rock do Brasil Categoria:Bandas da cidade do Rio de Janeiro Categoria:Tim Maia Categoria:Roberto Carlos Categoria:Bandas formadas em 1957