Melhor colocado no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) nos últimos três anos, o Chile pode ser considerado um modelo de educação na América Latina. A educação em tempo integral, oferecida em cerca de 85% das escolas chilenas é um dos fatores responsáveis pelo sucesso do País..
A educação no Chile adotou como política pública, principalmente a partir do governo de Augusto Pinochet: estabelecimento de sistemas de exame seletivo e de avaliação; recomendação de sanções; realização de estudos sobre a educação superior.
Nos últimos cinco anos, houve duas grandes ondas de manifestações sobre o estado da educação no país. Nos últimos 20 anos, mais de 800 escolas municipais fechadas e apenas 36 por cento dos alunos são matriculados em escolas públicas, segundo estatísticas de 2013.http://www.telam.com.ar/notas/201304/12433-bachelet-volvio-a-chile.html
Sistema educacional A educação no Chile é dividida em quatro fases - pré-escola, básico, médio e superior-, sendo que as três primeiras são obrigatórias. A educação chilena é regida pela Lei Geral de Educação de 2009 (LGE), que sucede a Lei Orgânica Constitucional de Ensino (LOCE). Cada fase possui características próprias: Pré-escola: Para crianças com até 5 anos de idade, opcional para a 1ª série. Educação básica: (Enseñanza básica) para crianças entre 5 e 13 anos de idade, dividida em oito séries. Educação média: (Enseñanza media) para adolescentes para 13 a 18 anos de idade, dividida em quatro séries. Escolas médias são também dividida em: Aproximação humana-científica: No Terceiro Medio (11ª série) na escola secundária, os alunos podem escolher uma especialização em ciência (matemática, física, química, biologia), ou humanas (literatura, história, sociologia), o que significa que eles terão mais lições naquela área de sua escolha. Educação técnico-profissional: Estudantes recebem uma educação extra nas chamadas áreas técnicas, como eletricidade, mecânica, metalúrgica, etc. Esse segundo tipo de educação é mais típico de escolas públicas, que dá aos estudantes de áreas mais pobres a chance de trabalhar. Universidade: um sistema dividido em universidades públicas (ou do estado), e um sistema privado.
Educação infantil A educação infantil atende às crianças entre 83 dias e 6 anos, é subsidiada, em maior parte, pelo Estado porém não é obrigatória. Atualmente é considerada, em cobertura, a melhor das américas. As atividades pedagógicas nesse estágio da educação dos jovens chilenos volta-se para o desenvolvimento das habilidades motoras e de coordenação e também introdução a atividades em grupo. A maioria das crianças inicia sua educação a partir dos cinco anos de idade, cerca de 85%.
A educação infantil está dividida nos seguintes níveis: Sala cuna: (84 dias a 2 anos) Medio: (de 2 a 4 anos) Transición: (de 4 a 6 anos). Se diferencia neste nível o Primer nivel (prekinder, 4 a 5 anos) e Segundo Nivel (kinder, 5 a 6 anos).
A Junta Nacional de Jardines Infantiles (JUNJI, 1970) é um serviço público, dependente do Ministério da Educação, encarregado de criar, planejar, coordenar, promover, estimular e supervisionar a organização e o funcionamento dos jardins de infância. A atenção pré-escolar é realizada através de berçários e jardins de infância de administração municipal, particular subsidiado, particular, da JUNJI ou da Fundação Nacional de Atenção ao Menor (Fundação INTEGRA).
Educação primária A reforma de 1965 estabeleceu a educação primária como o ciclo inicial dos estudos. Antes da reforma, em 1920, a legislação do Chile tinha estabelecido um mínimo de 4 anos para a educação obrigatória. Finalmente, em 1965 foi estabelecida a obrigatoriedade do nível básico, cuja duração atual é de 8 anos divididos em 2 ciclos e 8 graus (de 6 a 13 anos na idade ideal dos alunos). Após a reforma ficou instituída a educação em tempo integral para as crianças. Os principais desafios dizem respeito ao alcance dos objetivos estabelecidos a partir da nova base curricular. Existe um grande foco no desenvolvimento das competências baseado na redação do currículo nacional EGB ciclo I: 1°, 2°, 3° e 4º ano ou grau de escolarização EGB ciclo II: 5°, 6°, 7° e 8° ano ou grau de escolarização
Educação secundária A escola secundária é dividida em Ensino Médio Científico-Humanista (EMCH), Técnico-Profissional (EMTP), e Artístico (desde 2006), com uma duração de 4 anos.. Os primeiros dois anos são os mesmos para os três tipos de escola, enquanto o terceiro e quarto são diferenciados de acordo com a orientação: EMCH 1º a 4º grau EMTP 1º e 2º grau com o mesmo programa educacional que o EMCH EMTP 3º e 4º grau com programas diferenciados segundo especialidades As escolas oferecendo programas técnico-profissional são denominadas: Escolas agrícolas: outorgando títulos de Técnico de Nível Médio nas atividades próprias da agricultura. Escolas industriais: eletricidade, mecânica, eletrônica, informática, entre outros. Escolas comerciais: administração, economia, secretário e similares. Escolas técnicas: moda, culinária, enfermeiro, e similares. Escolas polivalente: oferecem carreiras de mais de uma das escolas listadas acima.
Também se distinguem modalidades especiais de educação primária e secundária, como a educação de adultos e a educação especial (educação diferencial).
Após os quatro anos de Ensino Médio, independentemente da forma que foi realizado, os alunos obtém o diploma de Bacharel em Educação Secundária. Aqueles que optaram pela formação científica-humanística poderão ter acesso ao Ensino Superior se o desejarem, ou a alguma formação técnica. Aqueles que terminarem a educação técnica receberão o diploma na sua especialidade.
Acesso à Educação superior Há um único sistema de admissão para todas as universidades do Estado e para vários universidades privadas, que integram o chamado Consejo de Rectores. O sistema, chamado PSU (Prueba de Selección Universitaria), é muito similar ao SAT Reasoning Test dos Estados Unidos. A criação e a correção dos testes é feita pela Universidad de Chile, enquanto o sistema em si é administrado pelo Ministério da Educação (Ministerio de Educación).
O teste consiste em dois exames obrigatórios, matemática e idioma, e vários outros testes específicos, como química, física, biologia, história, etc, dependendo de qual carreira o estudante deseja seguir. As notas da escola secundária também são levadas em conta no resultado do exame. Cada universidade dá pesos diferentes para os resultados dos vários exames.
Há uma grande diferença nas notas do PSU entre os estudantes mais pobres, a maioria estudou em escola pública, e os estudantes mais ricos, especialmente aqueles que estudaram em escola privada, e com isso os estudantes mais pobres tem muito menos chances de entrar para as melhores universidades, que exigem uma nota alta. Os estudantes pobres mais talentosos, aqueles que conseguem uma nota alta no PSU, podem obter uma bolsa de até 100% pelo governo, e várias universidades também tem seus próprios programas de bolsa para ajudar os estudantes pobres, apesar dos recursos serem insuficientes. Os estudantes que conseguem notas altas o suficiente para entrar para universidades públicas ou para uma universidade privada de prestígio, há um sistema do governo para fazer empréstimos através de vários bancos, mas a quantia e os termos do crédito não necessariamente se adequam às necessidades dos estudantes.
De acordo com a mídia e estatísticas oficiais, em 2006 um total de 241.390 estudantes fizeram o PSU.Universidad de Chile
Educação superior O chile conta com três diferentes modelos de instituições de ensino superior, criados pela reforma da educação superior em 1981: universidades, Centros de Formação Técnica (CFT) e Institutos Profissionais (IP). A formação em um CFT demora em média dois anos; no IP cerca de quatro anos para graduação profissional; e na graduação universitária, cinco anos. Os cursos de pós-graduação só podem ser oferecidos nas universidades.thumb|280px|Estudantes da Escola secundária, em Santiago, no Chile
(CFT) Centro de Formação Técnica, com duração de 2 anos e emitem o título de técnico de nível superior; (IP) Institutos Profissionais, podem emitir títulos de técnico de nível superior e títulos profissionais nas profissões que não requerem o grau acadêmico de licenciatura. (U) Universidades, que podem emitir todos os títulos profissionais e graus acadêmicos de licenciatura, mestrado e douturado. Instituições de Educação Superior das Forças Armadas e de Ordem foram incorporadas recentemente, e podem entregar através de suas instituições educativas títulos e graus acadêmicos, sendo parte das instituições de ensino superior. Exemplos de instituições militares são a Academia Nacional de Estudos Políticos y Estratégicos (ANEPE), Academia Politécnica Militar, Academia Politécnica Naval, Academia Politécnica Aeronáutica, entre outras.
A questão do alto número de universidades privadas no país, e a falta de incentivo público nesse setor (apenas 15% dos gastos com educação são pagos com dinheiro público) tem sido pauta da discussão da questão educacional no país. No quesito investimento, há tanto universidades públicas como privadas que recebem recursos público.
Para conseguir uma educação mais qualificada, os universitários têm duas opções de créditos. Uma é a do Estado, cuja mensalidade nunca pode superar 5% do salário ganho e que perdoa a dívida daqueles que não conseguem pagá-la em 20 anos. O outro tipo é o Crédito con Aval del Estado, cobrado por bancos privados; nessa modalidade não há perdão da dívida, o valor cobrado pode ultrapassar os 5% do salário e a taxa de juros é bem mais elevada - em 2011, ela estava em 5,7% para os privados e em 2% para o estatal.
Quem ingressa à educação superior universitária pode optar entre: universidades tradicionais ou privadas que recebem ajuda do Estado e se auto-financiam, não tendo fins lucrativos. Essas são 25 instituições tradicionais agrupadas no Consejo de Rectores de las Universidades Chilenas (CRUCH) e inclui as principais instituições de educação superior do país. As universidades privadas do país não estão incluídas no CRUCH.
O ingresso a elas é feito através de um sistema de seleção a nível nacional, feito através da Prueba de Selección Universitaria (PSU). Apesar disso a pontuação no PSU não é o suficiente para o aluno entrar e se manter na universidade, já que ultimamente há estudantes que entraram nas universidades tradicionais, mas tiveram que abandonar seus cursos por problemas econômicos, já que o financiamento dado pelo estado a esses alunos não corresponde ao valor total das mensalidades, devendo o aluno pagar a diferença. Também há universidades privadas que se auto-financiam. O valor médio de uma universidade chilena é de $3.565.64513 pesos chilenos. Isso corresponde a 132% do salário mínimo anual, e a 93% no caso do "valor de referência", que é utilizado para calcular a quantidade de crédito outorgado para o CAE.
Em 1980, o Chile contava com 117 mil estudantes no ensino superior, o que representava apenas 7,2% do grupo etário entre 18 e 24 anos. Esse número cresceu para 245 mil estudantes em 1990, 678 mil em 2007, e em 2012 chegava a quase um milhão. Esse incremento ocorreu por conta de reformas adotadas pelo governo militar e, principalmente, pelos governos democráticos eleitos a partir de 1990. Até 1980, o ensino superior chileno contava somente com oito universidades – duas públicas e seis privadas. As duas instituições pertencentes ao governo – a Universidade do Chile e a Universidade Técnica do Estado – concentravam 65% das matrículas e possuíam vários campus pelo país, enquanto as seis universidades particulares tinham seu orçamento praticamente todo bancado pelo setor público.