Pedro Francisco Massano de Amorim GOTE • GCA • GCIC • MCC • MV (Fronteira, Fronteira, 14 de janeiro de 1862 — Nova Goa, 31 de maio de 1929) foi um oficial do Exército Português, no qual atingiu o posto de general, e administrador colonial. Formado na Escola do Exército para a arma de artilharia, teve uma carreira quase exclusivamente dedicada às colónias portuguesas, destacando-se como oficial africanista em funções militares e governativas. Foi governador-geral de Angola (1916-1917), de Moçambique (1918-1919 e 1923-1925) e do Estado da Índia (1927-1929), tendo falecido no exercício deste último cargo.O Portal da História: Nota biográfica de Massano de Amorim.Pedro Marquês de Sousa, General Pedro Massano de Amorim (1862- 1929). Academia Militar, Lisboa, 2018.José Maria do Espírito Santo de Almeida Correia de Sá (Marquês de Lavradio), Pedro Francisco Massano de Amorim. Colecção Pelo Império n.º 73, Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1941. No contexto das Campanhas de Conquista e Pacificação conduzidas nas colónias portuguesas de África foi considerado um conquistador metódico.René Pélissier, História de Moçambique. Formação e Oposição, vol. I, p. 291. Histórias de Portugal, Editorial Estampa, Lisboa, 1994.
Biografia Nascido em Fronteira, Distrito de Portalegre, filho de Henrique Teles da Silva de Amorim e de sua mulher Ana Emília Massano,Almanaque Republicano: Pedro Francisco Massano de Amorim (Parte I). em 5 de Março de 1878, com 16 anos de idade assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria n.º 16. Ingressou seguidamente na Escola do Exército, tendo sido promovido a segundo tenente em 10 de Janeiro de 1883.
Pretendendo uma carreira na arma de Artilharia, foi transferido para o Regimento de Artilharia n.º 3 e, após a conclusão do curso da arma de Artilharia da Escola do Exército, em 26 de Novembro de 1884 passou ao Regimento de Artilharia n.º 2, no qual ascendeu a tenente em 28 de Janeiro de 1885.
Entre 1 de Março e 25 de Setembro de 1888 foi instrutor na Escola Regimental de Sargentos, assumido de seguida as funções de director da Escola Regimental de Cabos, cargo que exerceu até 25 de Janeiro de 1892.
Foi promovido ao posto de capitão a 18 de Outubro de 1894. Depois de uma passagem pelo Estado-Maior de Artilharia, voltou ao Regimento de Artilharia n.º 2, onde permaneceu até Outubro de 1896. Foi então transferido para o Regimento de Artilharia n.º 4, mas logo no mês imediato foi requisitado pelo Ministério da Marinha e do Ultramar para a comissão de serviço em Moçambique.
A primeira comissão de serviço em Moçambique (1896-1898) Nesse ano integrou, como oficial subalterno, a força comandada por Mouzinho de Albuquerque enviada à África Oriental Portuguesa, no âmbito das campanhas de conquista e pacificação, para subjugar a resistência à presença portuguesa no Império de Gaza, de cujo território foi em Abril 1897 nomeado governador. Estas funções de governador de Gaza coincidiram com o período mais aceso da revolta liderada naquele território por Gungunhana.
Tendo acompanhado Mouzinho de Albuquerque na campanha que culminou na captura de Gungunhana, saudada como um sucesso heróico da acção colonial portuguesa, destaca-se a sua perene ligação àquele oficial, que no seu relatório lhe atribuiu características de «intrépido, leal, usando no convívio rude franqueza que, longe de ofender captava simpatias», para além de se lhe apontar coragem, energia, decisão e tenacidade."Crónica Colonial" in Revista Militar, nº 1-2, Ano LXXXII, p. 88. Lisboa, Janeiro-Fevereiro de 1930.
Em meados de 1897, já depois da prisão em Chaimite e exílio de Gungunhana para Angra do Heroísmo, foi escolhido pelo governador João de Azevedo Coutinho para o cargo de comandante militar de Tete, região onde desde o ultimato britânico de 1890 decorria uma importante sublevação dos povos da região de Maganja da Costa contra a presença portuguesa. O seu desempenho neste cargo, que acumulou com as funções de administrador do concelho e de juiz municipal, que muito contribuiu para vencer a resistência das tribos majanjas, levou a que fosse condecorado por esse feito.
Em Dezembro de 1898 regressou a Portugal, sendo em 1899 colocado no Regimento de Artilharia n.º 5, onde pouco tempo permaneceu por ter aceite nova comissão de serviço no Ministério das Colónias.
Comissão de serviço em Angola (1900-1903) Em 1900 foi enviado para Angola, desembarcando em Luanda em Março desse ano. Foi pouco depois destacado para o norte daquela colónia como «residente» de Santo António do Zaire, região onde empreendeu a exploração dos territórios habitada pelos povos então designados por mussorongos.
Em 1901 foi encarregado de inspeccionar o material de guerra atribuído às forças estacionadas na província de Angola e em Novembro desse ano foi nomeado em comissão especial de serviço para a Colónia Penal Militar e Agrícola, onde permaneceu até finais de Maio de 1902.
Após uma curta passagem por Lisboa, onde permaneceu cerca de um mês, regressou a Luanda, sendo então transferido para Benguela, no sul de Angola, onde procedeu à exploração do território em torno daquela localidade, tendo desse período resultado um relatório com sugestões sobre a melhor forma de administração para aquela região. Em agosto de 1902 foi enviado ao comando da coluna militar, designada por Coluna Militar do Norte, que saiu de Benguela com o objectivo de reprimir a revolta dos ovimbundos, principalmente na figura do Reino Bailundo, durante a Segunda Guerra Luso-Ovimbundo. Após vários combates, conseguiu a vitória sobre as tropas ovimbundas de Mutu-ya-Kevela, sendo por isso condecorado com o grau de oficial da Ordem da Torre e Espada por proposta de Cabral Moncada, ao tempo governador-geral de Angola.
Em maio de 1903 regressou a Portugal, ficando colocado em comissão de serviço na 3.ª secção da 2.ª repartição da Direcção-Geral do Ultramar. Exerceu essas funções até 1906, ano em que foi enviado para a África Oriental Portuguesa.
O norte de Moçambique e a campanha de Angoche (1906-1910) Chegado a Lourenço Marques foi enviado pelo governador-geral Azevedo Coutinho para o Distrito de Moçambique, recebendo como missão submeter os povos daquela região ao domínio colonial português. Entre 1908 e 1910, em colaboração com Neutel de Abreu, conseguiu ocupar aquele território, na operação que ficou conhecida como a campanha de pacificação do Angoche, recebendo por isso a Medalha de Valor Militar (grau ouro) e a distinção de ser elevado a comendador da Ordem da Torre e Espada. Em 1908 esteve em Lisboa, onde casou com Estela Henriqueta Maria Godinho Gomes da Costa. Entre 7 de Maio e 13 de Outubro de 1910 foi governador do distrito de Moçambique, tendo em Dezembro de 1910, já em Lisboa, sido promovido a major.
Os ataques contra as forças do sultão Farelay e do seu aliado Ibrahimo permitiram a afirmação da presença portuguesa face ao poder dos povos swahili (ou waswahili) e instalar colonos portugueses no coração da região dominada pela etnia macua. Estes feitos são apontados como dos mais importantes operações militares no final da Monarquia Constitucional portuguesa.
A acção que em 1910 desenvolveu na conquista e ocupação da região de Angoche levou a que João de Azevedo Coutinho, um influente político e administrador colonial do tempo, afirmasse que Massano de Amorim tinha sido determinante para dominar Angoche, quando até ali ninguém ainda o havia conseguido, considerando que fora «o homem preciso, arrojado, [...] de cujas qualidades de inteligência e inteligência estava bem seguro, [...] destemido chefe, embora exigente».João de Azevedo Coutinho, As duas conquistas de Angoche, pp. 40-41. Colecção Pelo Império, n.º 11. Lisboa, 1935. Nesta campanha, para além da colaboração do já referido Neutel de Abreu, contou com a presença de um grupo de oficiais que se viria a distinguir, entre os quais Gomes da Costa, Augusto José da Cunha e Dâmaso Marques.João de Azevedo Coutinho, idem, p. 44, nota 1. Massano de Amorim publicou um relatório sobre a sua participação na conquista de Angoche.Relatório sobre a occupação de Angoche : operações de campanha e mais serviços realizados : anno de 1910. Lourenço Marques, Imprensa Nacional, 1911.
Em Dezembro de 1912 ascendeu a tenente-coronel, posto que detinha quando se desencadeou a Primeira Guerra Mundial. O comando do Destacamento Expedicionário a Moçambique (1914-1915) Foi escolhido em 22 de Agosto de 1914, dado o seu conhecimento de Moçambique, para comandar a expedição militar (o Destacamento Expedicionário a Moçambique) enviada naquele ano para a África Oriental Portuguesa com o objectivo de defender a fronteira norte daquela colónia de uma possível incursão alemã, já que ao tempo fazia fronteira com a África Oriental Alemã (a actual Tanzânia).
A força expedicionária comandada por Massano de Amorim, oficialmente designada por Destacamento Expedicionário a Moçambique, fora preparada em Lisboa num período muito curto após a publicação do decreto de 18 de Agosto de 1914, onde se estabeleciam as regras de mobilização a utilizar. Aquela força integrava destacamentos de várias unidades de Infantaria, de Cavalaria, de Artilharia e dos Serviços de Saúde e de Administração Militar com sede em dispersas cidades do Centro e Norte de Portugal. A força combatente, com cerca de 1533 homens, era composta por um Quartel-General e um Batalhão de Infantaria (com 1039 oficiais e praças), para além de uma Bateria de Artilharia de Montanha, composta por 221 homens, 22 equinos e 82 muares, e de um Esquadrão de Cavalaria, com 189 homens e 169 equinos. A força combatente era acompanhados por por 2 médicos e 2 enfermeiros, 15 homens da área de Engenharia, alguns condutores e viaturas, bem como pessoal civil com funções que incluíam as especialidades de telegrafista e de sapador-mineiro.
A expedição saiu de Lisboa a 11 de Setembro de 1914, a bordo do paquete britânico Durham Castle, chegando a Lourenço Marques (hoje Maputo), em 16 de Outubro e a Porto Amélia, o seu destino final, no dia 1 de Novembro daquele ano.Cronologia - 1914 : Portugal e a Grande Guerra. Ao chegarem a Porto Amélia encontraram um território sem quaisquer infraestruturas capazes de albergar um força militar europeia. Apesar disso, mantiveram-se aquartelados em Porto Amélia, fazendo daquela localidade a base das operações da força.
Apesar da missão inicial ser apenas assegurar o respeito pela linha de fronteira, respeitando a neutralidade portuguesa na fase inicial do conflito, evitando quanto possível ser envolvido em recontros com as forças alemãs comandadas por Paul von Lettow-Vorbeck. Com a triunfo da revolta de 14 de Maio de 1915, que levou ao poder os partidários da participação portuguesa na guerra contra o Império Alemão, em 15 de Junho de 1915 recebeu ordens para reocupar o Triângulo de Quionga, na margem sul do rio Rovuma, que desde 1894 estava na posse da Alemanha. Massano de Amorim considerou impossível cumprir a ordem por já ter perdido mais de 20% do total dos seus homens, vítimas de doença e da falta de preparação militar, optando por pedir reforços.
Em todo a campanha o maior problema com que as forças expedicionárias se defrontaram foi a questão sanitária, que era extremamente deficiente, piorada por uma alimentação de péssima qualidade e paupérrimas condições de alojamento das tropas, quer a bordo dos navios de transporte quer em terra. A conjugação destes factores levara a que 6 meses após a chegada a Porto Amélia um quinto da força militar estivesse fora de combate, mesmo antes de sair da localidade onde desembarcara.