I Paralyze é o décimo sétimo álbum de estúdio da artista americana Cher, lançado em 28 de maio de 1982 pela Columbia Records, sendo seu único trabalho pela gravadora. O disco foi desenvolvido após a experiência da artista com a banda Black Rose e contou com a produção de John Farrar e David Wolfert. Musicalmente, o álbum incorpora elementos de pop rock, soft rock e new wave, com uso de sintetizadores, guitarras e arranjos variados ao longo das faixas.
Lançado sem alcançar posições nas paradas musicais, I Paralyze teve como singles a faixa-título e a canção "Rudy", e recebeu recepção crítica mista. As avaliações destacaram a variedade de estilos e a adequação do material à voz da cantora, bem como a tentativa de atualização sonora, ao mesmo tempo em que apontaram certa irregularidade nas composições e na direção artística do projeto. Com o tempo, o álbum passou a receber análises retrospectivas que o situam como um trabalho de transição dentro da carreira de Cher no início da década de 1980.
Antecedentes e contexto Em 1980, cansada de se sentir limitada artisticamente, Cher decidiu se reinventar como vocalista da banda de rock Black Rose. A ideia era justamente fugir da imagem já consolidada e ser vista como parte de um grupo, não como estrela solo, tanto que sua participação nem era divulgada. O Black Rose lançou um único álbum em 1980, com um som voltado ao hard rock, mas misturando elementos de glam, power pop e new wave. Cher se destacou vocalmente, explorando um estilo mais agressivo, com gritos e interpretações mais cruas, bem diferente do que o público estava acostumado. Apesar do esforço, o projeto não teve sucesso comercial, mesmo com algumas apresentações na TV e uma breve turnê, e a banda acabou se desfazendo pouco depois. Ainda assim, essa fase deixou marcas, influenciando o álbum que viria depois (I Paralyze). No ano seguinte, Cher gravou a canção "Dead Ringer for Love" com Meat Loaf para o álbum Dead Ringer; a música foi um sucesso no Reino Unido, mas ficou de fora de I Paralyze.
Produção e gravação O álbum foi gravado em 1982 e produzido por nomes reconhecidos na indústria, tais como John Farrar (responsável por uma série de grandes sucessos de Olivia Newton-John, como "Magic", "Have You Never Been Mellow" e "Hopelessly Devoted to You") e David Wolfert (com trabalhos para Melissa Manchester, Dolly Parton, Barbra Streisand e Dusty Springfield), além do compositor Desmond Child (Bon Jovi, Meat Loaf) e músicos como Steve Lukather, do Toto, Ralph Schuckett, do Utopia, entre outros.
As sessões de gravação foram longas e exigentes, frequentemente se estendendo até as três da manhã, com Cher demonstrando grande disciplina e disposição para repetir tomadas até alcançar o resultado desejado. O produtor do álbum afirmou "Cher está em uma categoria de artistas femininas cuja disciplina vai muito além do comum. Muitas das nossas sessões iam até as três da manhã. Começávamos de manhã, fazíamos uma pausa para o almoço e depois retomávamos à noite. Não era diversão; era trabalho. Era fazer as coisas repetidamente até ficarem certas. Durante todas as sessões, com regravações e revisões, nunca senti da parte de Cher um 'já podemos ir para casa?'. Ela estava disposta a fazer o que fosse necessário, pelo tempo que fosse preciso, para acertar. No entanto, na biografia oficial de 1987 da Geffen Records, a cantora afirmou: "Eu odiei meu último álbum [I Paralyze]. Eu não tinha nada a contribuir. Odiei toda a experiência e não tive nenhum controle sobre ele".
I Paralyze apresenta diversos estilos musicais: o álbum transita do rock teatral de "Rudy", marcado por piano e guitarras dramáticas em um estilo próximo ao de Jim Steinman, ao soft rock mais delicado de "Games", que destaca harmonias vocais e arranjos mais contidos; a faixa-título incorpora elementos de new wave e funk com uso de saxofones e vocoder, enquanto "When the Love Is Gone" aposta em uma balada emotiva guiada por piano e guitarras; "Say What's On Your Mind" mistura pop com toques country, e "Back on the Street Again" traz uma sonoridade tipicamente oitentista com sintetizadores e energia rock; já "Walk with Me" remete ao estilo Motown dos anos 1960, enquanto "The Book of Love" segue uma linha de rock mais direto com guitarras em destaque; por fim, "Do I Ever Cross Your Mind" encerra o disco de forma suave, com uma balada de influência country e andamento lento. Lançamento e promoção Lançado em 1982, o álbum foi precedido pelo single "Rudy", sendo o único álbum da cantora a ser lançado pela Columbia Records. A promoção incluiu aparições em programas de televisão como American Bandstand e Solid Gold.
O álbum foi lançado em compact disc (CD) pela primeira vez em 1989 pela Columbia Records. Posteriormente, em 1999, foi relançado pelo selo Varèse Sarabande sob licença da Sony Music. Em 2016, a gravadora Vibe On relançou o álbum em uma edição deluxe, no formato compact disc (CD), trazendo dez faixas bônus inéditas: duas versões vocais alternativas de "Rudy", além de versões instrumentais do material produzido por David Wolfert (todas as faixas, exceto a faixa-título produzida por Farrar). O encarte inclui uma nova entrevista com Wolfert, conduzida pelo jornalista Quentin Harrison, bem como fotos inéditas do ensaio de Cher com o fotógrafo Harry Langdon. O álbum foi remasterizado por Sean Brennan no Battery Studios da Sony, em Nova Iorque.
Singles "Rudy" foi lançado em março de 1982 como primeiro single e teve "Do I Ever Cross Your Mind" como lado B. A versão original de "Rudy" foi gravada pela cantora ítalo-francesa Dalida como "Quand je n'aime plus, je m'en vais" em 1981, com o tema e o idioma adaptados do francês para o inglês. A música francesa foi composta por Pierre Delanoë, Jacques Morali, Henri Belolo e Jeff Barnel. A revista Billboard descreveu "Rudy" como "um rock de andamento médio que remete ao pulso e à energia do Wall of Sound de Phil Spector", observando a pertinência da comparação, já que Cher iniciou sua carreira como vocal de apoio em sessões de Spector. Bil Carpenter, do AllMusic, descreveu a faixa como inspirada no estilo girl group e um dos destaques do álbum. O site Pop Rescue a caracterizou como uma "canção de amor rock" com qualidades "bastante cativantes", elogiando a performance vocal de Cher. Já o site Pop Dose a considerou um "rock direto", porém com poucos elementos marcantes. O single não entrou nas paradas.
"I Paralyze" foi lançada como o segundo single do álbum. A faixa apareceu na seção Top Single Picks da Billboard, onde foi classificada como "recomendada". Em 2018, o jornal The Guardian, a incluiu na posição de número 27, na lista "Cher's 30 greatest songs – ranked!". O single não obteve sucesso, e seu produtor afirmou: "Eu nunca acreditei em 'I Paralyze' e disse isso a todos (...) achei que a melhor escolha para primeiro single teria sido o lado B, 'Walk with Me'. Tinha muito mais chance de se tornar um sucesso". Apesar disso, a cantora afirmou em 1999, que a canção é seu single favorito (junto com "Save Up All Your Tears"), embora ela não soubesse explicar o motivo.
Recepção crítica
Uma resenha da Billboard observou: "Não se deixe enganar pelos óculos punk na capa: desta vez Cher permanece firmemente dentro de um contexto pop à la Olivia Newton-John/Sheena Easton, com uma coleção de músicas que ela pode facilmente incluir em seus shows em Las Vegas". Embora reconhecesse que "Cher tem seus detratores", a crítica concluiu que "sua habilidade musical não pode ser negada e ela conduz o material adulto contemporâneo com desenvoltura, ainda que nem sempre com sensibilidade". A revista People considerou que o álbum "parece em grande parte um retrocesso", criticando que Cher estaria "gritando" em faixas de "rock adolescente" e que sua interpretação "soa como se sua língua estivesse na bochecha", embora tenha destacado que "há duas faixas interessantes", sendo a faixa-título e "Do I Ever Cross Your Mind".
Em uma avaliação retrospectiva para o AllMusic, Bil Carpenter descreveu I Paralyze como "um conjunto sólido", com "uma seção rítmica robusta e boa variedade de soft rock e baladas pop bem adequadas à voz de Cher". Ele destacou que o álbum conseguiu levar a cantora "de um estilo ultrapassado para uma sonoridade mais moderna", creditando o trabalho de produção de John Farrar. Carpenter também apontou "Rudy", no estilo girl group, e a balada ao piano "When the Love Is Gone" como faixas de destaque. O site Pop Rescue descreveu o álbum como "um pouco irregular", afirmando que "parece uma fase de transição em que ela não consegue decidir para onde ir", elogiando algumas faixas, mas criticando outras por soarem "apagadas" ou "tímidas demais", concluindo que "ela chega a entediar um pouco com este álbum".
Lista de faixas Créditos adaptados do encarte do LP I Paralyze, de 1982.
Ficha técnica Créditos adaptados do encarte do LP I Paralyze, de 1982.
Produtor : David Wolfert (faixas 1, 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9) Produtor : John Farrar (faixa 3) Produtor executivo : Charles Koppelman Arranjos : David Wolfert (faixas 1, 7, 8, 9) Arranjos : Jai Winding (faixas 2, 4, 5, 6) Coordenação : Frank DeCaro, Linda Gerrity Engenheiro : David Holman (faixa 3) Mixagem : Lee DeCarlo Gravação adicional : Dennis Ferrante Gravação (faixas básicas) : John Arrias Direção de arte : Nancy Greenberg Fotografia : Harry Langdon Copista : Doug Dana Tipografia (letras) : Gerard Huerta
Categoria:Álbuns de Cher Categoria:Álbuns de 1982 Categoria:Álbuns em língua inglesa