O Relevo da Região Sul do Brasil' é caracterizado por um conjunto de relevos planálticos. Esses relevos se elevam em altitudes até mais de 1199 metros. Essas altitudes decrescem no oeste, onde corre o rio Paraná nas altitudes de 100 a 300 metros. Abrange cerca de 3/4 partes do relevo regional. O mencionado conjunto é denominado de Planalto Meridional do Brasil. O Planalto Meridional desdobra-se em planaltos que se sucedem de leste para oeste. Os planaltos são bordejados por escarpas voltadas para o leste, no Paraná, em Santa Catarina e no nordeste do Rio Grande do Sul. No Rio Grande do Sul, o talude inflete-se para oeste-sudoeste. O talude é fragmentado em altitudes reduzidas, à medida que atinge o centro-sul do estado.

Um litoral é composto por exíguas planícies costeiras dispostas ao pé é magnífico escarpamento. O escarpamento completa o quadro do relevo regional, diversificado, porém, no Rio Grande do Sul. O terreno escarpado limita o primeiro conjunto planáltico. Então, a interiorização da escarpa favorece a ampliação da planície litorânea e da depressão. A depressão é desenvolvida de leste para o oeste, ao pé do talude da Serra Geral.

Planalto Meridional Conhecido também como planalto norte-rio-grandense, abrange grande parte da região com o solo recoberto por arenito e basalto. Pode ser subdividido de acordo com a natureza de suas rochas em:

Planalto Arenítico-Basáltico - é um tipo de planalto formado por rochas sedimentares e vulcânicas do período mesozoico. Formam cuestas (tipo de relevo) chamadas de serras. Ex.: Serra Geral (SC) e coxilha (RS), que são colinas pequenas ou grandes com elevações, cobertas por pastagem; Depressão Periférica - essa depressão é formado por rochas sedimentares antigas, sendo um planalto ondulado ou aplainado, por causa da erosão. Aparece no norte do Paraná, chamado de Planalto dos Campos Gerais e Depressão Central do estado do Rio Grande do Sul.

Planalto Cristalino ou Atlântico Esse tipo de planalto pode ser encontrado especialmente nos estados de Santa Catarina e Paraná. Ele é formado por rochas cristalinas antigas. Em sua porção leste chega a alcançar grande altitudes, uma continuação da Serra do Mar. Em Santa Catarina, é uma planalto já desgastado, com baixas altitudes, sendo um exemplo, a Serra do Itajaí. Na parte sudeste desse estado, o planalto vai migrando para o Meridional e reaparece no sudeste do Rio Grande do Sul, com o nome de Planalto Gaúcho.

Visão geral

Os traços fundamentais do relevo da Região Sul têm suas origens na evolução paleogeográfica de uma estrutura de plataforma. Na estrutura de plataforma o embasamento Pré-Cambriano exposto forma a Borda ou a margem da Bacia de Sedimentação do Paraná. A extensão da bacia do Paraná transborda dos limites regionais e penetra pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

A borda oriental da bacia é representada pelos terrenos Pré-Cambrianos e participa dos caracteres planálticos dos terrenos da grande bacia sedimentar. A parte oriental da bacia é soerguida a leste. Nela são encontrados os mais salientes pontos do relevo regional. As altitudes dos mais salientes pontos do relevo regional se erguem a mais de 1000 metros na Serra do Mar. O ponto culminante da Região Sul do Brasil é o pico do Paraná (1.877 metros).

A borda oriental é disposta em forma de arco. Esse formato gira em torno dos terrenos da Bacia Sedimentar do Paraná. A Borda Oriental oferece vastos aspectos topográficos relacionados aos tipos e às intensidades das deformações tectônicas que a afetaram, e aos processos geomorfológicos da desnudação diferencial atuantes sobre as formações geológicas heterogêneas. A porção mais oriental da borda cristalina no Paraná, eleva-se como serra marginal limitada a leste pelo imponente escarpamento da Serra do Mar. Esta atinge diretamente o oceano ou forma patamares que penetram mar adentro isolando trechos litorâneos e suas reentrâncias vão dar origem às baías como a de Paranaguá e Antonina.

Em direção a oeste, para o interior, os terrenos pré-cambrianos formam a serra marginal. Os terrenos pré-cambrianos desenvolvem-se como uma superfície planáltica. Suas altitudes oscilam entre 850 e 950 metros, no Planalto Atlântico Paranaense ou no chamado Primeiro Planalto Paranaense. No interior deste, blocos e serras podem-se elevar do nível médio ou formam pequenas bacias de sedimentação preenchidas pela acumulação cenozoica. Isso também ocorre na bacia de Curitiba. Nessa última, a natureza de seus depósitos evidencia uma evolução geomorfológica piloquaternária. Essa evolução é apoiada em tectônica de falhas e fraturas e em condições climáticas, ora tendentes à maior umidificação ora á aridez acentuada.

O Planalto Cristalino Atlântico Paranaense apresenta os mesmos caracteres topográficos de outros terrenos que formam a grande Borda Oriental da Bacia de Sedimentação do Paraná. O Planalto Cristalino Atlântico Paranaense é assemelhado particularmente ao Planalto Cristalino Atlântico Paulista.

No conjunto, as diferenciações dos quadros do relevo regional são explicadas pelas deformações tectônicas e pelos processos morfogenéticos. As deformações tectônicas afetaram a porção oriental da Plataforma Austro-Brasília e os processos morfogenéticos atuam no presente e no passado.

Assim, o trecho catarinense diferencia-se do trecho paulista-paranaense em três processos. Os três processos são os seguintes: a fragmentação da escarpa, a redução das altitudes e dissecação mais ampla pelo sistema de drenagem do rio Itajaí e de seus formadores que correm para o leste. As diferenciações existentes entre a borda Oriental no Paraná e em Santa Catarina constituem, de acordo com Maack, "o motivo principal para se considerar, em primeira linha o Paraná como um estado de planalto ou de interior, e Santa Catarina como região marítima".

Igualmente diversa é a Borda Cristaliina Meridional. Esta é representada pelo Escudo Sul-Riograndense. Suas altitudes são mais modestas. Seu relevo é suavemente inclinado em direção do litoral. Nessa parte do Rio Grande do Sul é recoberto pelas acumulações litorâneas e formas lagunares que caracterizam o amplo litoral gaúcho.

A formações da Bacia de Sedimentação do Paraná representam os terrenos da cobertura sedimentar da plataforma. Elas foram soerguidas juntamente com a Borda Cristalina. O soerguimento deu ensejo à formação de relevos planálticos, monoclinais. Aí os processos de desnudação diferencial atuam sobre o espesso pacote sedimentar de rochas heterogêneas. Os processos de desnudação diferencial encontraram vasto campo para a elaboração do grande conjunto planáltico que se sucede de leste para o oeste.

As primeiras sequências sedimentares são representadas pelas formações devonianas que fossilizam a Borda Cristalina Oriental. A Borda Cristalina Oriental é modelada como um peneplano pré-devoniano. A essas formações tem sequência o grande conjunto planáltico do Mesozoico mantido pela resistência dos espessos derrames de rochas eruptivas. As rochas eruptivas recobrem ou se intrometem entre camadas dos arenitos Triássicos de Botucatu. São os derrames de lavas responsáveis pela escarrpa da Serra Geral que, limitando o planalto arenito-basáltico, recebe denominações regionais diversas. A Serra Geral alcança altitudes entre 1.000 a 1.200 metros na parte leste, junto à escarpa para, progressivamente, declinar de altitudes em direção ao oeste até alcançar os cursos dos rios Paraná e Uruguai.

Entre o grande planalto arenito-basáltico e a Borda Cristalina da Bacia do Paraná, interpõem-se, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. As formações Paleozoicas que, modeladas pelos processos da desnudação periférica, dão origem a relevos de caracteres diferenciados. No Rio Grande do Sul foi elaborado verdadeira depressão periférica na área correspondente à Depressão Central. A Depressão Central é escavada nos terrenos Permocarboníferos; No Paraná, as rochas paleozoicas soerguidas deram origem a um Patamar Intermediário. O Patamar Intermediário é mantido pela resistência das formações Devonianas. As formações Devonianas se erguem sobre os terrenos cristalinos circundantes como a escarpa e o planalto da Serrinha (altitudes de 1000 a 1100 metros). A escarpa e o planalto da Serrinha são seguidos dos sucessivos planaltos cuestiformes. Os planaltos cuestiformes se estendem até a base da escarpa da Serra Geral. Esta, por sua vez, domina topograficamente o patamar modelado em rochas paleozoicas. Em Santa Catarina as formações paleozoicas dão relevos diferenciados: planálticos tabulares, cuestíformes e a planície disposta ao pé da escarpa da Serra Geral. A Serra Geral no sul do estado se avizinha do oceano como um paredão abrupto.

A evolução geomorfológica do relevo da Região Sul do Brasil tem, pois, suas origens na própria evolução da Plataforma Austro-Brasília, através das deformações tectônicas que a afetaram e, em particular, naquelas ocorridas durante o Mesozoico-Cenozoico. As deformações tectônicas são associadas a paleoclimas capazes de desencadear sistemas morfogenéticos alternadamente químicos e físicos. Entre eles se originou o grande deserto triássico ou os períodos úmidos que se seguiram. Isso favoreceu a organização e instalação do sistema de drenagem. Esta, em consequência dos solevamentos da Borda Oriental da Bacia do Paraná, desenvolveu-se através de epigenias como conseqüente e centrípeta ao eixo da grande depressão ocupada pelo rio Paraná. Foi o sistema de drenagem o fator determinante no delineamento dos grandes traços do relevo regional. O relevo regional foi esculpido pelos processos de desnudação periférica, estudados por Ab'Saber em seu trabalho sobre "Relevo, Estrutura e Rede Hidrográfica do Brasil".

No decorrer do Cenozoico, condições paleogeográficas tendentes à umidificação alternada com períodos mais secos são associados aos mecanismos de uma tectônica recente e às variações do nível marinho por fenômenos eustáticos. As condições paleogeográficas aparecem como fatores de explicação do modelado do relevo regional. Nesse particular, os estudos realizados por Bigarella, Mousinho, Xavier da Silva e Salamuni, no Paraná e em Santa Catarina documentam as modificações paleoclimáticas. As modificações paleoclimáticas indicam alternâncias de fases secas e fases úmidas na elaboração de níveis de desnudação por processos de pediplanações pleistocênicos e a sua dissecação por condições úmidas posteriores. A formação e o desenvolvimento das matas pluviais do Paraná seria, portanto, recente.

A compreensão global de um complexo sistema morfoclimático extratropical ainda, está, porém, por ser definida, tendo em vista a complexidade estrutural-litológica, existente. A complexidade estrutural-litológica é associada aos problemas da diversidade das condições refletidas nas formações vegetais que englobam florestas e campos. As florestas e campos são de características igualmente variadas.

Bases para compreensão do relevo Os quadros morfoestruturais do relevo da Região Sul do Brasil têm suas origens na evolução geográfica da parte sul do escudo austro-brasília, "um dos molhes do grande escudo brasileiro de terras primitivas".

O estudo dos grandes quadros morfoestruturais, aqui apresentados, remonta ao desenvolvimento do embasamento cristalino e da Bacia de Sedimentação do Paraná. O estudo geomorfológico teve como base a reconstituição paleogeográfica regional. Apesar de ser extremamente complexa, a reconstituição paleogeográfica foi simplificada em etapas ou fases, tendo em vista os objetivos do presente estudo. Entre essas etapas ou fases, podem ser mencionadas as seguintes: Formação e desenvolvimento das velhas geossinclinais; Estabilização e desnudação das estruturas geossinclinais; Evolução estrutural da plataforma paleozoica; Os grandes derrames de lavas no Mesozoico; Intensificação dos ritmos dos movimentos tectônicos pós-cretácicos e a organização da drenagem no Cenozoico.

Formação e desenvolvimento das velhas geossinclinais