Paulo Costa Lima (Salvador, Bahia, 26 de setembro de 1954), é um premiado compositor e teórico brasileiro, que ocupa a cadeira 21 da Academia Brasileira de MúsicaPágina de Paulo Costa Lima na Academia Brasileira de Música - Acesso em 23 de dezembro de 2015 https://ufba.br/ufba_em_pauta/professor-da-escola-de-m%C3%BAsica-%C3%A9-eleito-para-academia-brasileira-de-m%C3%BAsica tendo como lugar de fala o Movimento de Composição da Bahia. Pesquisador pelo CNPq (desde 2003), é uma das lideranças da pesquisa e pós-graduação em música no Brasil, na área de Composição,https://www.youtube.com/watch?v=bQ6YG-8M9wc e vem popularizando a análise musical através das redes sociais, com leituras diferenciadas de canções brasileiras (mais de 200.000 seguidores)https://www.instagram.com/paulo.costalima/ Seu catálogo de compositor tem mais de 150 obras, tendo gerado ao longo dos anos mais de 600 performances em cerca de 25 países. Professor Titular de Composição e Teoria da Música na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, onde atua desde 1979, tendo se tornado mentor de toda uma nova geração de compositores baianos. Para Paulo Costa Lima, o discurso de que cultura é algo que se estuda, que se preserva, esconde o principal: a cultura se imagina, se constrói. Sua pesquisa enfatiza assim o entrelaçamento de composição e cultura, ou seja, a ideia de que o pertencimento não é algo apenas externo, entre texto e contexto, e sim algo que também é construído pelo compor, o trabalho cultural realizado por uma composição, a invenção de pertencimento: a exemplo de Beethoven com sua Sinfonia Eroica, construindo um herói para chamar de seu, e nosso. A partir dessa perspectiva, propõe o conceito de "sujeito do compor" (quando alguém compõe, quem fala?), no âmbito do trabalho cultural realizado, pensando assim uma teoria do tornar-se composição, ou seja, uma navegação constitutiva de objetos compositivos (individual, social e cultural), à qual denominou de composicionaldiade, https://revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/17626 e que gira em torno de cinco instâncias: a indissociabilidade teoria e prática, o campo de escolhas, a invenção de mundos, a criticidade (ou capacidade de interpretação) e a reciprocidade (ou plasmação de identidades). https://www.ufba.br/ufba_em_pauta/erudito-e-popular-se-mesclam-em-novos-livros-de-paulo-costa-lima

Suas obras musicais colocam em evidência a construção de diálogos entre aquilo que está à sua volta (a dimensão local) e os fluxos internacionais de discurso e música, com isso, aproxima-se da noção de entrelugar (de orientação decolonial) tal como proposta por Silviano Santiago em 1971, e à resistência que isso envolve - "a maior contribuição da América Latina para a cultura Ocidental, vem da destruição sistemática dos conceitos de unidade e de pureza(...) Falar, escrever, significa: falar contra, escrever contra". https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7477356/mod_resource/content/3/Silviano%20Santiago.%20O%20entre-lugar%20do%20discurso%20latino-americano%20%281971%29.%20In%20Uma%20literatura%20nos.pdf Em obras como o Atotô do L'homme Armé op. 39 para Orquestra de Câmara (1993),https://repositorio.ufba.br/handle/ri/21174 ou Cabinda: nós somos pretos para Orquestra Sinfônica (2015),https://www.ufba.br/ufba_em_pauta/osesp-executa-pe%C3%A7a-composta-pelo-professor-paulo-lima ou ainda Oji: Chegança e Ímpeto para Orquestra Sinfônica (2021)https://utahsymphony.org/explore/2022/02/paulo-costa-lima-oji-cheganca-e-impeto/ coloca em jogo a tensão e a relativização de polaridades tradicionais tais como sério/jocoso, erudito/popular, afrobahia/europa, ancestral/contemporâneo, datado/incriado,Composição de Paulo Costa Lima abre a Bienal de Música Contemporânea - BahiaJá, 03/10/2015 - Acesso em 22 de dezembro de 2015 associando-se à pluralidade cultural da música contemporânea brasileira e dialogando com obras de compositores de gerações anteriores, tais como Ernst Widmer, Gilberto Mendes, Lindembergue Cardoso,A pluralidade cultural revelada em obras para piano de Marlos Nobre, Paulo Costa Lima e Mario Ficarelli compostas no século XXI. Zélia Chueke. "Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música–ANPPOM, XVII, São Paulo. Anais eletrônicos (CD). São Paulo: PPGMUS UNESP. 2007. Jamary Oliveira entre outros, e de novas gerações como Alex Pochat, Eric Barreto, Guilherme Bertissolo, Izabella Baldoíno, Paulo Rios Filho, Pedro Amorim Filho, Vinicius Amaro - dos quais foi mentor - todos eles (nova e velha geração), enfronhados na ousadia de mostrar que é possível criar a partir daquilo que a ideologia do centrismo considera como periferias do mundo.

Em 1998 passou a ter um verbete dedicado à sua obra na Enciclopédia da Música Brasileira Popular, Erudita e Folclórica (PubliFolha), escrito pelo musicólogo Régis Duprat, e em 2001 teve seu nome incluído como verbete do prestigioso The New Grove Dictionary of Music and Musicians, escrito pelo musicólogo Gerard Béhague.https://www.oxfordmusiconline.com/grovemusic/search?q=paulo+costa+lima&searchBtn=Search&isQuickSearch=true Em 2009 foi eleito para a centenária Academia de Letras da Bahia (cadeira 8, Cipriano Barata), https://academiadeletrasdabahia.org.br/profile/paulo-costa-lima/ em 2011 para a Academia de Ciências da Bahia,https://www.ufba.br/ufba_em_pauta/professores-da-ufba-fazem-parte-da-academia-de-ci%C3%AAncias-da-bahia e em 2014 para a Academia Brasileira de Música. Participou ativamente da criação da ANPPOM - Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (entre o final dos anos 80 e início dos 90) e da Tema - Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (em 2014).

Como pesquisador, sua produção gira em torno de temas como teoria do compor, pedagogia da criação musical, análise de música contemporânea produzida na Bahia, https://revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/17626 análise de canções populares brasileiras, e a aproximação entre música e psicanálise. https://www.scielo.br/j/ccrh/a/vNbPLLmHBDQGBvHgQyvcFSC/?format=pdf&lang=pt Já publicou 8 livros e organizou outros 6, destacando-se aí a criação da série Teoria e Prática do Compor, atualmente com 5 volumes, https://edufba.ufba.br/livros-publicados/invencao-e-memoria-navegacao-de-palavras-em-cronicas-e-ensaios-sobre-musica-e https://edufba.ufba.br/livros-publicados/musica-popular-e-outras-adjacencias além de dezenas de capítulos de livro, dezenas de artigos em periódicos acadêmicos, e centenas de artigos em periódicos de circulação. Seu trabalho de pesquisa produziu um estudo em profundidade da pedagogia e da obra do compositor brasileiro (nascido na Suiça) Ernst Widmer, mentor de todo o Movimento de Composição na Bahia, desdobrado em um Grupo de Pesquisa (Composição e Cultura, desde 2003) voltado para a pedagogia e a teoria da composição. Já orientou 10 doutores e 12 mestres através desse Grupo.

Como Diretor da Escola de Música da UFBA (1988-1992) criou o seu Programa de Pós-Graduação em 1990 e retomou os Seminários Internacionais de Música (interrompidos em 1959), trazendo cerca de 250 docentes convidados a Salvador entre 1989 e 1992.. Como Pró-Reitor de Extensão da UFBA (1996-2002) criou o Programa UFBA em Campo e Atividades Curriculares em Comunidade - ACCs. Como Presidente da Fundação Gregório de Mattos (2005-2008), órgão responsável pela gestão da cultura na cidade de Salvador, criou o Programa Mestres Populares da Cultura, o primeiro edital cultural voltado para comunidades de Salvador, coordenou o edital nacional Capoeira Viva (com recursos do MINC), lançou a série Trilhas Urbanas com importantes registros das cantigas dos candomblés da Bahia e recuperou a tradicional Igreja da Barroquinha, hoje Espaço Cultural da Barroquinha (apoio cultural da Petrobrás). Assessor Especial do Reitor da UFBA (2014-2021), coordenou as atividades de celebração dos 70 Anos da UFBA,https://ufba.br/ufba_em_pauta/congresso-da-ufba-provoca-grande-debate-sobre-universidade-em-seus-70-anos tendo sido um dos idealizadores/organizadores dos Congressos da UFBA, criados pela gestão João Carlos Salles. https://ufba.br/ufba_em_pauta/da-abertura-ao-encerramento-o-congresso-da-ufba-foi-de-celebra%C3%A7%C3%A3o-e-defesa-corajosa-da

História Paulo Costa Lima nasceu em Salvador no bairro de Brotas, filho de Antonio Batista Lima e Dinorá Costa Lima, tendo um único irmão, João Augusto Costa Lima. Nasceu na casa de seu avô materno, João Augusto Costa (1988-1956), importante comerciante local de tecidos e fabricante dos Cofres Lusitanos. Em 1960 a família muda-se para o bairro da Lapinha, onde ingressa aos 6 anos no curso primário da Escola Getúlio Vargas, estudando com a Professora Rachel Lopes Costa.

Ingressou no Colégio de Aplicação da Universidade Federal da Bahia em 1967 e no curso de Medicina em 1973. Em 1974 transferiu-se para a Escola de Música (onde já estudava no nível preparatório desde 1969), tendo cursado Composição com Lindembergue Cardoso, Jamary Oliveira e Ernst Widmer e Violoncelo com Piero Bastianelli. Também estudou composição na University of Illinois, sob orientação de Herbert Brün e Ben Johnston, onde concluiu graduação e mestrado. Sua primeira obra foi apresentada em 1976, antes de transferir-se para a Universidade de Illinois. Casou-se, neste mesmo ano, com Ana Margarida de Almeida Cerqueira Lima (violinista), com quem teve dois filhos: Cláudio e Maurício.

Em 1979, ao retornar de sua formação nos Estados Unidos, cria o Grupo Falamassa, a partir de uma proposta vanguardista de transformação de fala em música, realizando diversas apresentações com sucesso de público e culminando em apresentações no Teatro Castro Alves e inclusão na programação cultural da SBPC -1981, em Salvador, tendo chamado a atenção do famoso jornalista Tarso de Castro, que intermediou um encontro do Grupo com Caetano Veloso. Vale lembrar que a iniciativa precede o movimento subsequente de aproximação de música e fala que fez grande sucesso no Brasil. Em 1981, organiza a Revista ART da Escola de Música e Artes Cênicas da UFBA, um dos periódicos acadêmicos de música pioneiros no Brasil, http://www.escolademusica.ufba.br/art-revista-da-escola-de-musica-e-artes-cenicas-da-ufba#:~:text=ART%20%2D%20Revista%20da%20Escola%20de,Escola%20de%20M%C3%BAsica%20da%20UFBA publicando artigos referenciais de Walter Smetak, Ernst Widmer, Rogério Duprat, Ricardo Tacuchian, Jamary Oliveira, Judith Grossman, Aylton Escobar entre muitos outros. Na década de 80 frequentou os Festivais de Música Nova de Santos, onde estabeleceu uma parceria com Gilberto Mendes, criando a partir de 1986 a Semana de Música Contemporânea da UFBA (coordenada em conjunto com Ana Margarida Lima) que recebia em Salvador convidados nacionais e internacionais, incluindo nomes como Jocy de Oliveira, Pierre Schaeffer, Fredric Rzweski, Lejaren Hiller, tendo esse evento dado origem à retomada dos Seminários Internacionais de Música da UFBA a partir de 1989, já como Diretor da EMUS-UFBA (foram interrompidos em 1959 ainda na época da direção de Hans Joachim Koellreutter). Entre 1989 e 1992, os Seminários Internacionais trouxeram cerca de 250 professores visitantes à Escola de Música da UFBA para cursos e intercâmbios, dando lastro para a criação da Pós-Graduação em Música nesta Universidade a partir de 1990, avaliada com nota máxima pela CAPES durante seus 20 primeiros anos de existência. Também nessa época criou o Bahia Ensemble (regido por Piero Bastianelli e coordenado por Ana Margarida Lima), um conjunto que marcou, pela qualidade, a vida da música contemporânea na Bahia.