Gino Vannelli (Montreal, Quebec, 16 de junho de 1952) é um cantor, compositor, músico, arranjador e produtor canadiano de ascendência italiana. Conhecido pela potência e versatilidade vocal e por uma abordagem musical eclética, desenvolveu ao longo da carreira uma obra que combina elementos de pop, rock, soul, rhythm and blues, jazz e música de influência clássica. Biografia
Primeiros anos e formação musical
Gino Vannelli nasceu em Montreal, no Quebec, numa família ítalo-canadiana ligada à música. O pai, Russ Vannelli, era cantor e atuava com bandas de jazz de Montreal. Desde muito jovem, Gino interessou-se pela música, estudando bateria, piano e guitarra. Aos 12 anos tocava bateria no clube Casa Loma, em Montreal, integrando a banda que assegurava os intervalos dos espetáculos, e no ano seguinte juntou-se aos The Cobras.
Pouco depois, formou os The Jacksonville 5, grupo inspirado pela música da Motown, no qual começou por tocar bateria antes de assumir também as funções de vocalista. Durante a adolescência aprofundou a sua formação musical através da audição de músicos de diferentes géneros, entre os quais Oscar Peterson, Frank Sinatra, James Brown, Stan Getz, Ella Fitzgerald, Gene Krupa e Miles Davis, frequentando igualmente concertos da Orquestra Sinfónica de Montreal.
Em 1970, ainda adolescente, iniciou a carreira discográfica sob o nome artístico Vann-Elli, lançando pela RCA Victor o single Gina Bold, acompanhado por Never Cry Again. Ambas as canções foram escritas e coarranjadas por Vannelli, tendo Gina Bold alcançado o 92.º lugar da tabela de singles canadiana. Posteriormente estudou teoria musical durante um ano na Universidade McGill, em Montreal.
A&M Records e primeiros álbuns
Depois de tentativas sem sucesso para desenvolver a carreira em Nova Iorque, Vannelli viajou para a Califórnia com o irmão Joe, que tinha tocado teclados nos Jacksonville Five. Em Los Angeles, abordou o trompetista e cofundador da A&M Records Herb Alpert no parque de estacionamento dos estúdios da editora. Alpert aceitou ouvir algumas das suas composições mais tarde nesse mesmo dia, encontro que resultou na assinatura de um contrato de sete anos com a A&M.
Em outubro de 1973 foi editado Crazy Life, o seu primeiro álbum e a estreia pela A&M, produzido por Herb Alpert. Apesar de não ter alcançado imediatamente um sucesso comercial significativo, o álbum iniciou uma colaboração com a editora que se prolongaria durante a década de 1970. O reconhecimento chegou no ano seguinte com Powerful People, produzido por Gino e Joe Vannelli e marcado por uma utilização proeminente de teclados e sintetizadores.
O álbum Powerful People marcou o primeiro grande êxito comercial de Vannelli. O single People Gotta Move alcançou o 22.º lugar da Billboard Hot 100. e contribuiu para que o álbum obtivesse a certificação de ouro no Canadá. Durante este período, Vannelli atuou como artista de abertura numa série de concertos de Stevie Wonder e participou no programa televisivo Soul Train, tornando-se um dos primeiros artistas brancos a atuar no programa.
Em 1975, Vannelli editou Storm at Sunup, o seu terceiro álbum pela A&M. O disco aprofundou a combinação de R&B, elementos de jazz e uma utilização intensiva de sintetizadores que caracterizava o seu trabalho neste período. O crítico Jason Elias, da AllMusic, destacou os vocais de influência soul de Vannelli, a presença proeminente dos sintetizadores ARP e a complexidade das mudanças harmónicas em temas como "Love Is a Night".
Consolidação e sucesso internacional miniatura|esquerda|400px|Gino e Joe Vannelli em Amesterdão em 1977 Em 1976, Vannelli lançou The Gist of the Gemini, gravado nos AIR Studios, em Londres, e produzido por Gino e Joe Vannelli, com Geoff Emerick. O álbum deu continuidade à exploração de uma linguagem musical que combinava pop e R&B com arranjos densamente construídos em torno de pianos e sintetizadores. A crítica da AllMusic destacou a sobreposição de piano e sintetizadores e o papel de Joe Vannelli nos teclados, particularmente em “Fly into This Night”.
No ano seguinte editou A Pauper in Paradise, novamente gravado em Londres. O álbum ampliou a dimensão orquestral do seu trabalho, incluindo na segunda parte uma composição sinfónica em vários movimentos, interpretada com a participação da Royal Philharmonic Orchestra.
Em 1978, Vannelli lançou Brother to Brother, produzido por Gino, Joe e Ross Vannelli e que representou o maior êxito comercial da sua carreira até então. O álbum assinalou também uma aproximação a uma sonoridade mais acessível, combinando pop e R&B, depois das experiências musicais mais complexas dos trabalhos anteriores. O crítico Jason Elias, da AllMusic, considerou que o disco consolidou a identidade musical de Vannelli, destacando a riqueza melódica de “Wheels of Life” e o caráter autobiográfico de “People I Belong To”. O disco incluiu “I Just Wanna Stop”, composta pelo irmão mais novo, Ross Vannelli. A canção alcançou o primeiro lugar no Canadá e o quarto lugar da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos, tornando-se o maior êxito de Vannelli nesse mercado e recebendo uma nomeação para o Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Masculina.
O sucesso de “I Just Wanna Stop” levou Vannelli a regressar ao programa televisivo Soul Train. Brother to Brother obteve certificação de platina no Canadá e nos Estados Unidos, consolidando o reconhecimento internacional do cantor.
Arista e Nightwalker
Após seis anos na A&M Records, Vannelli assinou com a Arista Records, pela qual lançou Nightwalker em 1981, depois de um intervalo de cerca de três anos sem editar um novo álbum de estúdio. Coproduzido por Gino e pelos irmãos Joe e Ross Vannelli, o disco apresentou uma abordagem mais acessível, mantendo a combinação de pop e R&B que caracterizava parte do seu trabalho. O crítico Jason Elias, da AllMusic, considerou Nightwalker um dos trabalhos mais acessíveis de Vannelli e destacou a evolução do cantor enquanto compositor e intérprete.
O principal êxito do álbum foi “Living Inside Myself”, uma balada marcada pelo piano elétrico e pela interpretação vocal de Vannelli. A canção tornou-se um dos maiores sucessos da sua carreira e valeu a Gino, Joe e Ross Vannelli uma nomeação para o Grammy na categoria de melhor arranjo instrumental com acompanhamento vocal.
Black Cars e adaptação à década de 1980
Após a edição de Nightwalker, Vannelli entrou num período de conflito com a Arista Records, que recusou lançar o álbum seguinte, Twisted Heart. Depois de deixar a editora, regressou em 1985 com Black Cars, lançado pela Polydor no Canadá e pela CBS Associated nos Estados Unidos.
O álbum refletiu as mudanças ocorridas na música popular durante a primeira metade da década de 1980, incorporando uma produção fortemente baseada em sintetizadores e elementos associados à new wave. Stephen Thomas Erlewine, da AllMusic, destacou a utilização predominante do Yamaha DX7 e considerou Black Cars um trabalho de transição na carreira de Vannelli, mantendo elementos de pop e soul presentes em Brother to Brother e Nightwalker, mas adaptados à estética musical de meados da década de 1980. Black Cars alcançou a certificação de platina no Canadá e produziu, entre outros, os singles “Black Cars” e “Hurts to Be in Love”.
Em 1987, Vannelli deu continuidade a esta fase com Big Dreamers Never Sleep, mantendo uma orientação para o pop contemporâneo. Embora tenha destacado a qualidade da produção e a solidez dos músicos, o crítico Tim Griggs, da AllMusic, considerou o repertório menos marcante do que o dos trabalhos anteriores. O álbum incluiu “Wild Horses”, que alcançou o sétimo lugar da tabela de singles canadiana e entrou na Billboard Hot 100 nos Estados Unidos, obtendo também sucesso noutros mercados internacionais. miniatura|180px|Gino Vannelli ao vivo. Em 1990, Vannelli lançou Inconsolable Man, numa altura em que a sua presença comercial havia diminuído consideravelmente. Editado pela pequena Romantique Records, de Los Angeles, o álbum orientou-se predominantemente para o adult contemporary, incorporando também elementos de blue-eyed soul. Alex Henderson, da AllMusic, avaliou negativamente o trabalho, considerando-o menos inspirado do que os primeiros álbuns de Vannelli, embora tenha destacado os temas “Shame” e “Rhythm of Romance”.
Depois de cerca de doze anos afastado das atuações em concerto, Vannelli regressou aos palcos em 1990. Esse regresso foi documentado em Live in Montreal, gravado na sua cidade natal e editado em 1992. O álbum percorreu grande parte da sua carreira, reunindo temas de oito dos nove álbuns de estúdio anteriores e incluindo êxitos como “People Gotta Move”, “I Just Wanna Stop” e “Living Inside Myself”. Tim Griggs, da AllMusic, destacou a capacidade interpretativa de Vannelli e os novos arranjos apresentados pela formação que o acompanhava, considerando o disco uma boa demonstração das suas qualidades enquanto intérprete e compositor.
Reorientação artística na década de 1990
Depois de alguns anos afastado da indústria discográfica, Vannelli regressou em 1995 com Yonder Tree, o seu primeiro álbum de material inédito em cinco anos. O trabalho marcou uma mudança significativa na sua orientação musical, aproximando-se do jazz e privilegiando uma instrumentação predominantemente acústica. A revista canadiana RPM descreveu o álbum como uma fusão entre o jazz da década de 1940 que Vannelli conhecera através do pai e as influências pop que desenvolvera nas décadas de 1980 e 1990.
Editado pela Verve Forecast, Yonder Tree assinalou também o início de uma fase em que Vannelli se afastou das preocupações comerciais que haviam marcado parte da carreira anterior. O álbum tornou-se o primeiro dos seus trabalhos a entrar na tabela de jazz da Billboard, caminho que teria continuidade com Slow Love, lançado em 1998.
Em 1998 lançou Slow Love, o seu segundo álbum pela Verve Forecast. Embora conservasse algumas das influências de jazz presentes em Yonder Tree, o disco marcou uma aproximação ao adult contemporary. Stephen Thomas Erlewine, da AllMusic, destacou a produção e uma interpretação vocal mais contida e descontraída de Vannelli em comparação com trabalhos anteriores.
Novas explorações musicais no século XXI
Em 2002, Vannelli voltou-se de forma mais acentuada para a música de influência clássica com Canto. O álbum teve como antecedente a composição “Parole Per Mio Padre”, de inspiração schubertiana, que Vannelli havia gravado anteriormente e viria a interpretar para o papa João Paulo II. Essa apresentação contribuiu para um contrato com a BMG, que editou Canto.
O trabalho combinou elementos de música clássica e popular, com letras em várias línguas, e contou novamente com a colaboração dos irmãos Joe e Ross Vannelli na produção e orquestração. Gino participou igualmente como compositor, arranjador, orquestrador e pianista, enquanto Don Sebesky e Jorge Calandrelli estiveram entre os responsáveis pelas orquestrações. Canto alcançou as tabelas de música clássica e classical crossover da Billboard.
Em 2006, lançou These Are the Days, trabalho de estrutura híbrida que reuniu sete novas composições e sete temas anteriormente editados, remasterizados sob a supervisão do próprio Vannelli. Entre estes últimos encontravam-se alguns dos seus maiores êxitos, como “I Just Wanna Stop” e “Living Inside Myself”.
Na crítica da AllMusic, Rob Theakston considerou as novas composições uma continuação da orientação musical de Slow Love, combinando elementos de adult contemporary e jazz, e destacou a qualidade da remasterização do material mais antigo.